O HUMOR DE AUGUSTO TRIGO – 4

Trigo Boas festas

O ano passado, nesta mesma data, apresentámos alguns cartões de Boas Festas com que Augusto Trigo nos brindou em sucessivas quadras natalícias, escolhendo quase sempre as paisagens africanas que tanto ama, principalmente as da sua Guiné natal, como cenário das visitas do simpático e bonacheirão velhote de barbas brancas.

Desse gesto de amizade, fraterno e caloroso, que se renova todos os anos, mostramos hoje mais dois exemplos, com a beleza, a graça e o colorido que são apanágio da arte multifacetada de Augusto Trigo: os cartões recebidos em 2013 e 2014.

Trigo cartão 2013   257Trigo cartão 2014

FELIZ E PRÓSPERO ANO NOVO PARA TODOS, SÃO OS VOTOS DO “GATO ALFARRABISTA”

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O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 8

Natal Presépio Journal do Cuto 1971 252

Dando um salto em frente no tempo, eis outra interpretação serenamente clássica do tema do Presépio, pelo punho de Carlos Alberto Santos, versão essa que serviu de capa ao Jornal do Cuto nº 25, de 22 de Dezembro de 1971.

Pintor e retratista experimentado, de exuberante inspiração formal, com vasta obra exposta em museus e em galerias particulares, Carlos Alberto fugiu, porém, neste trabalho, aos padrões tradicionais, dando uma nota de naturalismo à figura de S. José, mais jovem do que rezam os textos bíblicos e vestido de árabe como muitos habitantes da Palestina.

Termina assim esta breve galeria de capas de Natal dedicadas ao tema do Presépio.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 7

Natal Camarada 1958 bis

Celebramos o nosso 300º post com uma magnífica ilustração dupla publicada na sobrecapa do Camarada nº 26/27, 1º ano, 2ª série (Natal de 1958), que é um típico exemplo da arte vanguardista de Marcello de Morais, um dos maiores vultos da escola figurativa portuguesa dessa época e colaborador assíduo do Camarada.

Com um traçado cujas linhas se intersectam, fundindo as perspectivas num mosaico de volumes e figuras geométricas, este cenário bíblico representa o místico e o profano, atraindo a atenção para o epicentro onde convergem todos os peregrinos: um estábulo digno de Reis, que se transformou, pela tradição, na imagem (mais humilde) do Presépio.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 6

Presépio Cavaleiro Andante 1957244

As composições artísticas de Fernando Bento são o exemplo de uma imaginação fervilhante e de um estilo dinâmico, em contínua evolução, que nas capas de Natal do Cavaleiro Andante (e respectivos números especiais) atingiu, por vezes, o seu ponto mais alto, extasiando os jovens leitores (e também, decerto, muitos adultos) com múltiplas versões de um tema que, na magia do seu traço, fugia sempre ao convencional.

Todos os anos, quando saía um desses números natalícios, a iconografia do Presépio enriquecia-se com mais uma ilustração de Fernando Bento. Eis a que foi dada à estampa no Cavaleiro Andante nº 312, de 21/12/1957.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 5

Natal Presépio cavaleiro Andante esp 1954

Eis outra ilustração natalícia de mestre Fernando Bento, desta feita para a capa do Número Especial do Cavaleiro Andante editado há 60 anos, no Natal de 1954. Fugindo sempre à rotina, a inspiração gráfica de um artista genial deu nova vitalidade ao tema do Presépio. Por isso, as suas capas continuam a ser muito apreciadas.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 4

Presépio Cavaleiro Andante 1954

O sedutor grafismo de um Artista ímpar, à base de harmonia, encanto, expressividade, requinte, fantasia (mesmo quando de inspiração mais clássica), avulta em todas as composições natalícias de Fernando Bento, autor de uma das mais belas capas do Cavaleiro Andante, em que a estrela do Presépio parece refulgir no seio de um coração de cristal. Ou melhor dizendo, de papel!…

Com o nº 156 e data de 25 de Dezembro de 1954, esta edição do Cavaleiro Andante foi uma das prendas que Adolfo Simões Müller e a E.N.P. (Empresa Nacional de Publicidade) colocaram generosamente (isto é, por poucas dezenas de escudos) nos sapatinhos de milhares de jovens portugueses.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 3

Presépio O Mosquito 1952

Prestes a despedir-se dos seus leitores — que desertavam, cada vez em maior número, para outras e mais aliciantes companhias —, O Mosquito não deixou de evocar, em 1952, a data mais festiva do ano (como já fizera tantas vezes), recorrendo novamente aos préstimos do seu melhor colaborador, Eduardo Teixeira Coelho, que ilustrou a capa do nº 1404 com a clássica e estilizada elegância do seu traço.

Nem mesmo as figuras do burrico e do campino, pitoresco pormenor do cabeçalho (cujo estilo vivo e alegre revela outra faceta da veia artística de E. T. Coelho), parecem destoar nesta poética, singela e tradicional visão do Presépio.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 2

Presépio Mundo de Aventuras 1950

O tema do Presépio inspirou a Vítor Péon esta ilustração para a capa d’O Mundo de Aventuras nº 71 (Especial de Natal), saído em 21/12/1950, e que eu, então com 12 anos, me lembro de ter aguardado com grande expectativa. Foi mesmo uma das minhas melhores prendas natalícias desse ano. O Cavaleiro Andante ainda não existia e tanto O Mosquito como o Diabrete, apesar de todas as tentativas de renovação, já davam alguns sinais de declínio, perante a concorrência cada vez mais forte do seu novo rival.

Embora também gostasse d’O Mundo de Aventuras, eu mantinha-me nas fileiras dos dois jornais que me tinham ensinado a ler. Estive com ambos até ao fim, como outros leitores fiéis que recordavam glórias passadas…

Pois aqui temos uma das mais clássicas representações do Presépio, na arte barroca de um autor de histórias aos quadradinhos… inspirado pelo “modernismo” da escola americana. Esse paradoxo dominou sempre a carreira de Péon.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 1

Presépio Diabrete 1951

Nos números natalícios das revistas infanto-juvenis portuguesas dos anos 50, o Presépio foi sempre um dos principais temas de capa. Desde as imagens mais tradicionalistas às mais pitorescas e de cunho mais original, pelo traço de grandes ilustradores como E. T. Coelho, Fernando Bento, Vítor Péon, Marcello de Morais e outros, iremos apresentar uma curta galeria de capas de Natal, cuja beleza artística teve certamente o condão de cativar os olhos e o espírito de muitos rapazes e raparigas que liam assiduamente O Mosquito, o Diabrete, o Mundo de Aventuras, o Cavaleiro Andante e outras revistas dessa época.

Aqui têm, com as luzes do Presépio a iluminar a noite santa onde brilha a estrela de Belém, o primeiro desses “tesouros natalícios”: uma capa ilustrada por Fernando Bento para o número duplo com que o Diabrete celebrou o seu último Natal na companhia dos jovens portugueses (#885-886, de 22/12/1951).

Sempre que abordou temas de Natal (e fê-lo muitas vezes), a magia artística de Fernando Bento deu provas de invulgar fulgor criativo.