CPBD: UM CLUBE DE BANDA DESENHADA JÁ COM UMA LONGA HISTÓRIA!

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Como oportunamente anunciámos, realizou-se no passado sábado, dia 25 de Junho, num restaurante da Amadora, mais um almoço de aniversário do Clube Português de Banda Desenhada, que este ano festeja 40 anos de actividade. Decerto devido ao simbolismo e à notoriedade da data (quase meio século de existência!), esse convívio foi um dos mais animados de sempre, pois contou com a presença de mais de três dezenas de sócios — entre os quais, autores de prestígio como José Ruy, José Garcês, Baptista Mendes e Artur Correia, num clima de camaradagem e euforia que reflecte o espírito de renovado dinamismo do CPBD, desde que despertou de um longo letargo e se mudou para a sua nova sede, na Reboleira, cedida graciosamente pela Câmara Municipal da Amadora.

CPBD novo logo.pngFundado em 28 de Junho de 1976 por um pequeno grupo de fãs e coleccionadores que se formou em poucos meses, inspirado pelos movimentos associativos que se tinham gerado em toda a Europa, num culto ecléctico pelo fenómeno da BD, o Clube Português de Banda Desenhada exerceu durante décadas uma assinalável actividade de divulgação da 9ª Arte, ficando ligado a inúmeras e dinâmicas iniciativas que abriram caminho a outros movimentos de significante importância no actual panorama da BD portuguesa.

Em reconhecimento desse longo percurso e do notável contributo que uma associação de modestos recursos econó- micos continua a prestar à causa da Banda Desenhada, promovendo-a em todas as suas vertentes, lúdica, artística, didáctica e cultural, o Município da Amadora ofereceu ao CPBD uma placa comemorativa do seu 40º aniversário, num gesto que nos apraz saudar e enaltecer pelo que representa de espírito de solidariedade e de colaboração entre as duas entidades, irmanadas presentemente pela união geográfica e pelos comuns objectivos de apoio à 9ª Arte, tentando atrair, sobretudo, o público jovem (o que não é tarefa fácil).

A reportagem que se segue deve-se ao nosso habitual colaborador Dâmaso Afonso (distinto presidente da Mesa da Assembleia Geral do CPBD), cujos trabalhos fotográficos, sempre do agrado de quem nos visita, já se tornaram um “ex-libris” da maioria dos eventos bedéfilos retratados pela sua objectiva para O Gato Alfarrabista. E que neste até se deixou fotografar, em sorridente pose, junto do seu colega Carlos Gonçalves, membro da direcção do Clube Português de Banda Desenhada (ver última imagem).

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UM DUPLO ANIVERSÁRIO

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Decorrido um ano desde a criação do blogue Franco Caprioli – o desenhador dos mares do sonho, onde homenageamos a memória e a obra de um grande ícone da Banda Desenhada, saudamos todos os nossos visitantes, admiradores da arte de Caprioli (que são cada vez mais numerosos!), e muito especialmente a nossa amiga Fulvia, filha dilecta do Mestre italiano, que hoje festeja também o seu aniversário.

MUITOS PARABÉNS, FULVIA!

(A imagem deste post é uma composição de Catherine Labey, sobre um desenho de Caprioli, com os retratos de Fulvia e do seu pai).

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(As duas páginas supra foram reproduzidas do dvd (e-book) editado pelo Gicav – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, em Agosto de 2012, aquando das celebrações do 1º centenário do nascimento de Franco Caprioli).

EXPOSIÇÃO DE ORIGINAIS DE AUGUSTO TRIGO NA BEDETECA DA AMADORA

Bedeteca Amadora

Com a presença dos autores, Augusto Trigo e Jorge Magalhães, foi inaugurada no passado dia 23 uma exposição com cerca de 30 originais pertencentes ao acervo da Bedeteca da Amadora, que estará patente numa das suas salas até ao próximo dia 26 de Agosto.

À sessão, apresentada por Pedro Mota, presidente do Clube Português de Banda Desenhada — entidade que propôs esta mostra à Bedeteca, integrando-a na celebração do seu 40º aniversário —, assistiram várias figuras do nosso meio bedéfilo, como José Ruy, Fernando Relvas (e esposa), Catherine Labey, Irene Trigo (e sua mãe), Carlos Gonçalves, Geraldes Lino, Cândida Silva (coordenadora da Bedeteca), Pedro Moura, Carlos Moreno, Monique Roque, e um público pouco numeroso, mas atento e interessado, que seguiu com curiosidade, como demonstram as fotos inseridas mais abaixo, os comentários de Augusto Trigo, perante as pranchas expostas, e do seu argumentista, ambos notoriamente satisfeitos por recordarem um tempo em que “trabalhavam para revistas, sem pensarem sequer na hipótese de terem as suas histórias publicadas em álbuns”. Isto é, um tempo em que havia mais segurança e mais oportunidades para os autores de BD.

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Finda a apresentação do seu trabalho, a veterana dupla foi entrevistada por uma repórter da TVA (Televisão da Amadora), antes de passar à sala seguinte, onde está patente outra excelente exposição intitulada “As Jóias da Bedeteca”, com originais de vários autores portugueses e estrangeiros que fazem parte do valioso espólio desta instituição.

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Graças aos bons préstimos de João Francisco, um bedéfilo oriundo do Seixal, que quis testemunhar de viva voz o seu apreço pela obra de Trigo & Magalhães — o que deixou o argumentista (e autor destas linhas) também muito lisonjeado —, apresentamos seguidamente mais algumas imagens deste evento, com os nossos agradecimentos ao jovem amante da 9ª Arte (e coleccionador de mérito, pelo que nos foi dado apreciar), cujos talentos fotográficos aqui ficam também registados.

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ALMOÇO DE ANIVERSÁRIO DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA (CPBD)

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Fundado em 1976, o Clube Português de Banda desenhada está a viver um período de autêntico renascimento, na sua nova sede, cedida graciosamente pela Câmara Municipal da Amadora, tendo-se multiplicado, desde Novembro de 2015, em iniciativas dignas de registo, como exposições, colóquios, homenagens e encontros com autores de BD — algumas vezes em parceria com outras entidades, como a Biblioteca Nacional, o Gicav e o Salão de Moura, ou mais recentemente a Bedeteca da Amadora —, além da publicação regular do seu Boletim, cujo nº 142 saiu em Abril deste ano.

CPBD novo logo.pngAlguns dos sócios fundadores assumem ainda hoje a liderança do Clube, nesta nova etapa plena de vitalidade em que são muitas as esperanças, as ambições e os sonhos que se desenham no seu horizonte, o primeiro dos quais é aumentar o número de sócios e estender também as suas iniciativas às camadas mais jovens, sobretudo da população escolar da Amadora.

Celebrando a notável efeméride (quase meio século de existência!), o CPBD realiza amanhã o seu tradicional almoço de aniversário, desta vez num restaurante da Amadora, pelas 13h00, contando reunir nesse festivo convívio mais de três dezenas de consócios. Depois do repasto, haverá na sua sede — que fica próxima do restaurante — uma “feira” de fanzines e revistas de BD, cujas receitas reverterão parcialmente para o Clube.

HISTORIAL DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

HISTORIAL DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

HISTORIAL DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

E A GLORIOSA “SAGA” CONTINUA… PARABÉNS, CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA!

A QUINZENA CÓMICA – 20

BAILES DE SÃO JOÃO

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Manjericos, bailaricos, fogueiras, arraiais, arcos e balões, petiscos e cravos vermelhos (mesmo que humildes imitações de papel), são os símbolos mais tradicionais dos folguedos dedicados aos santos populares: Santo António, São Pedro e São João.

Vem, por isso, a propósito apresentar mais uma capa do Cara Alegre com o traço inconfundível de José Viana, onde vibram (na fantasia do seu picaresco imaginário) a música, o humor, o colorido e a esfuziante animação dos bailes que duram até de madrugada, nas noites de Santo António e São João — quase iguais, ainda hoje, aos que se realizavam, há 60 anos, nas mesmas ruelas e nos mesmos bairros.

PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA NA BEDETECA DA AMADORA

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Em Outubro de 1982, terminava a revista Tintin portuguesa, que desde 1968 marcou gerações de leitores. No momento em que a banda desenhada em Portugal fez a transição dos jornais e revistas para os álbuns, destacaram-se as obras da autoria de Augusto Trigo e Jorge Magalhães.

“A Moura Cassima”, terceiro título da colecção Lendas de Portugal em Banda Desenhada, foi o primeiro álbum distinguido na Amadora com o prémio para o melhor álbum português de banda desenhada, em 1992. Dez anos antes, o Clube Português de Banda Desenhada distinguia os dois autores com o Troféu O Mosquito, reconhecendo Jorge Magalhães como Melhor Argumentista do Ano de 1981 e Augusto Trigo como Revelação do Ano de 1981.

35 anos depois desse 1981 que revelava Trigo, num ano em que Magalhães completa 40 anos de actividade como argumentista, justifica-se uma exposição da histórica dupla, na cidade que ainda distinguiria os dois autores com o mais prestigiado prémio da BD portuguesa, o Troféu Honra (Jorge Magalhães em 1999, e Augusto Trigo em 2000).

A exposição, presente na Bedeteca da Amadora a partir de 23 de Junho, parte dos muitos originais que Augusto Trigo doou ao Município da Amadora e que estão no edifício da Biblioteca Municipal, onde funciona a Bedeteca.

Para além da apreciação da notável técnica individual que distingue cada um dos dois autores, a mostra permitirá abordar a temática do trabalho em colaboração entre argumentista e desenhador, e observar a forma de abordagem a diferentes géneros que se afirmaram na banda desenhada.

Trata-se da primeira colaboração do Clube Português de Banda Desenhada com a Bedeteca da Amadora, permitindo ao município associar-se à celebração do 40.º aniversário do Clube, e permitindo ao Clube concretizar uma apresentação com outras possibilidades ao nível do requinte de forma, susceptíveis até de atrair a malta jovem, como diria o Machado-Dias.

Sobretudo, permite-se à banda desenhada portuguesa reconhecer e homenagear o trabalho em colaboração de dois autores fundamentais na sua história recente.

CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

Os principais álbuns de Trigo & Magalhães:

Capas álbuns Trigo-Magalhães

Excalibur, a Espada Mágica
– O Anel Mágico (Meribérica)
Lendas de Portugal em Banda Desenhada
– A Lenda do rei Rodrigo / A Moura Encantada (Asa)
– A Lenda de Gaia / A Dama Pé-de-Cabra (Asa)
– A Moura Cassima (Asa)
Luz do Oriente (Futura)
Ranger
– A Vingança do Elefante (Meribérica)
Wakantanka
– O Bisonte Negro (Edinter)
– O Povo Serpente (Meribérica)

 

“COWBOYS” E VAMPIROS NOS COLÓQUIOS DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

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Como o nosso título parece sugerir, este deve ter sido um dos encontros mais estranhos promovidos pelo Clube Português de Banda Desenhada, apesar de não ter decorrido numa sexta-feira 13, nem ter aberto a caça aos bandidos no Far-West americano.

Mas do título à realidade vai um grande salto, porque a magna reunião do CPBD realizada no passado sábado, dia 11 de Junho, não teve nada de insólito, antes pelo contrário… Foi até bem animada e divertida, com a presença do desenhador argentino Juan Cavia e do argumentista Filipe Melo, os dois autores convidados para o primeiro colóquio deste encontro, que apresentaram a sua nova obra “Os Vampiros”, uma novela gráfica cujo tema confirma o talento desta dinâmica dupla, já com honrosa projecção internacional.

As apresentações da praxe foram feitas por Pedro Mota, presidente da direcção do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD).

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No segundo colóquio, que começou cerca de uma hora depois, o tema em debate foi o célebre personagem do western italiano Tex Willer, cuja crescente popularidade em Portugal deu origem à criação de um Clube que ostenta o seu nome, edita uma revista semestral e realiza anualmente, em Anadia (região da Bairrada), uma Mostra de BD que já vai na 3ª edição e tem contado sempre com a presença de ilustres autores italianos da editora Bonneli, a “fonte” de onde brotam todas as aventuras de Tex.

Esse animado colóquio — que durou cerca de duas horas, assinalando a primeira e frutuosa colaboração entre o CPBD e o novel Clube Tex Portugal — foi orientado por três grandes fãs texianos, fundadores e membros da direcção do referido Clube: José Carlos Francisco (ao centro), Mário João Marques (à sua esquerda) e Carlos Moreira.

Para todos os presentes, foi um prazer ouvi-los dissertar sobre as suas vivências como leitores e admiradores fanáticos de uma série de culto, cujas idiossincrasias os marcaram profundamente, abrindo-lhes as portas de um vasto e fascinante universo, criado em 1948 por dois “gigantes” da BD italiana: Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini.

Como vêem, pelo que aqui ficou descrito, cowboys e “vampiros” conseguiram coexistir em colóquios separados, mas que mantiveram sempre vivo o interesse da assistência.

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(Nota: as fotos que ilustram esta reportagem são da autoria de outro membro do CPBD e nosso amigo de longa data, Dâmaso Afonso, a quem agradecemos a sempre pronta e valiosa colaboração).

JOSÉ BATISTA: RETROSPECTIVA – 10

A HISTÓRIA DO “TRINCA-FORTES”

JOBAT - ANO DEPOISNum tempo em que se pensa pouco e em que se pretende (exactamente sem pensar) alterar tudo ou quase tudo, cada vez mais os valores do passado e as bases sobre as quais construímos a nossa formação se tornam indispensáveis para compreendermos o presente sem o desligarmos desses valores morais, culturais, sociais e espirituais que, às vezes, tendem actualmente a ser tão menosprezados.

Felizmente, a banda desenhada e outros passatempos lúdicos continuam a ser um suporte do passado, quando nos embrenhamos, por exemplo, na leitura dos clássicos, por onde flui a corrente do tempo, recheada de memórias, citações, alegorias e ensinamentos, conjugados com os valores artísticos de épocas e escolas que nunca deixarão de ser referências para os leitores de ontem, de hoje e de amanhã.

A obra de José Batista, talvez mais conhecido entre os bedéfilos pelo acrónimo de Jobat, é uma dessas referências, embora mais breve do que a de outros artistas que marcaram também o percurso da BD portuguesa — sem deixar, apesar disso, de se destacar pela qualidade do traço, da pesquisa, da expressão de valores históricos e culturais que, em grande medida, definem também a personalidade intelectual e artística de um homem ávido de saber, aliada ao seu culto da modéstia e ao seu fervor criativo, mesmo limitado pelo recolhimento a que, nos últimos anos, se votou na sua terra natal, Loulé.

jobat Cuto camões088Continuando a homenagear a memória de um Amigo com quem partilhámos muitos momentos inesquecíveis — depois de termos apresentado nesta retrospectiva os primeiros trabalhos que fez para o Mundo de Aventuras, nos finais dos anos 50, e para outras publicações da Agência Portuguesa de Revistas (da qual foi colaborador durante cerca de 20 anos) —, recordamos hoje, dia 10 de Junho, uma curta biografia de Camões (um dos seus temas favoritos) que concebeu para o Jornal do Cuto, quando ainda não era chefe de redacção desta revista, dirigida por Roussado Pinto. Pouco tempo depois, haveria de surpreender todos os seus fãs com uma obra de fôlego, quer em termos estéticos quer narrativos, que foi indiscutivelmente a sua coroa de glória, exaltando com eloquência a figura do nosso maior vate, símbolo épico da Pátria, como poucos o tinham feito, até então, no campo da banda desenhada.

A história de seis páginas que se segue — espécie de preâmbulo da obra majestosa que já germinava no seu espírito — foi publicada em 1972 no nº 49 do Jornal do Cuto, cuja capa (também da sua autoria) reproduzimos mais acima. E esse novo trabalho de José Batista, dedicado ao 4º centenário da publicação de Os Lusíadas, parece ter gerado uma polémica que motivou o seu afastamento da APR (em conflito com a administração), empresa à qual dedicara o melhor do seu talento e da sua juventude. Mas isso é outra história…

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