ERA UMA VEZ UMA GATA…

Mounette, a gentil Mounette que me conquistou desde o primeiro instante… que há dez anos «escreveu as suas memórias» no computador com a ajuda dos meus dedos… sentada ao meu colo, com gestos de ternura da pata para a minha cara, com vigorosas lambidelas (beijinhos) no meu queixo… que virou bibliotecária no meu blogue para apresentar os meus contos em BD… a minha companheira peluda, que também conquistou o Jorge (ela é figura de proa no cabeçalho do «Gato Alfarrabista», inspiradora do nome deste blogue)…

Gata encontrada na rua, de nobreza natural, que alegrou a nossa vida nestes dez anos. Chegou cá a casa aos sete meses, segundo o veterinário, e agora partiu para o Paraíso dos Gatos, levada por um maldito cancro.

Pequena criatura adorável e inspiradora de muitas obras minhas, agradeço-te do fundo do coração a alegria de viver que partilhaste connosco. Descansa em paz.

Catherine Labey

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A VIDA DE CHE EM BD – UMA OBRA MÍTICA FINALMENTE EDITADA EM PORTUGAL

Chega dentro de dias às bancas, numa edição Público/Levoir, a biografia do ícone da Revolução Cubana, escrita por Héctor Germán Oesterheld e ilustrada por Alberto e Enrique Breccia, expoentes máximos da BD argentina e mundial. Lançada com grande êxito logo após o assassinato de Che Guevara, a sua difusão foi proibida, sendo mesmo ordenada a destruição das pranchas originais pela ditadura militar argentina. O misterioso desaparecimento do próprio Oesterheld e as lendas em torno da primeira reedição da obra em Espanha elevaram-na a um estatuto mítico.

Mais do que uma obra polémica, A Vida de Che é uma obra-prima da banda desenhada — sob a forma de novela gráfica, quando este termo e o seu conceito ainda não existiam —, pela primeira vez em versão portuguesa, recordando o 50º aniversário da morte de um dos mais célebres guerrilheiros do século XX.

HOMENAGEM AO “SETE DE ESPADAS”

Uma bela homenagem ao saudoso “Sete de Espadas”, nome mítico do Policiário português, inserida no jornal Público (edição do passado dia 23 de Julho), de onde a reproduzimos, com a devida vénia ao seu autor, Luís Pessoa, outra destacada figura das lides policiárias. “Sete de Espadas” faleceu em 10 de Dezembro de 2008.

Associamo-nos também a esta homenagem à sua memória, recordando com emoção os tempos felizes dos convívios do Mundo de Aventuras e do “Mistério… Policiário”, realizados mensalmente em todo o país, que relançaram a carreira do “Sete” como orientador de rubricas da especialidade (praticamente suspensas desde finais dos anos 1950), e criaram uma ponte entre gerações que ainda hoje perdura.

Dupla página de “Mistério… Policiário” publicada no “Mundo de Aventuras” nº 77, de 20/3/1975. O cabeçalho foi desenhado por Jorge Mendonça.

JOHN F. KENNEDY NA BANDA DESENHADA – 4

JFK E OS “BOINAS VERDES”

Há casos (e não são poucos) em que o sucesso de uma obra literária é passaporte imediato para a sua adaptação cinematográfica e, muitas vezes também, para a banda desenhada, onde pode dar origem a um novo caudal narrativo, numa transposição paralela entre duas artes comunicantes, o cinema e a BD, que se imitam e se completam.

Já tivemos oportunidade de abordar (nesta rubrica do Gato Alfarrabista) a presença de John F. Kennedy (1917-1963), o mais carismático presidente norte-americano, num media tão popular como o dos comics, onde foi representado ao lado de alguns dos maiores super-heróis da Marvel e da DC, com destaque para Superman, personificando, tal como este, um obreiro da paz e do progresso, sempre pronto a defender o bem-estar e a segurança dos seus concidadãos.

Registamos hoje, a título de curiosidade, outra homenagem que lhe foi prestada, mas numa categoria diferente: as tiras diárias (daily e sunday strips) publicadas em inúmeros jornais dos Estados Unidos, que rivalizavam, em larga escala, com a popularidade e difusão dos comic books.

No caso vertente, trata-se de “Tales of the Green Beret”, série criada em 1966 por Robin Moore, em que avulta — sobre o discurso demagógico e militarista do argumento, a favor da intervenção norte-americana no Vietname —, o extraordinário virtuosismo gráfico de Joe Kubert, um mestre da 9ª Arte com uma estética insuperável do claro-escuro.

Em 1985, uma pequena editora americana chamada Blackthorne compilou em três álbuns a quase totalidade desta série, composta por tiras diárias e páginas dominicais (a cores), em que figuram várias referências a JFK, venerado pelos Boinas Verdes como seu comandante supremo e um dos Presidentes americanos que, em momentos de grave crise, como a dos mísseis russos em Cuba, souberam agir com coragem, fé, energia e patriotismo. Os primeiros episódios desta série, hoje quase esquecida — ao contrário da guerra do Vietname, sempre presente nas memórias do século XX —, foram publicados no Mundo de Aventuras (2ª série) nº 259, de 14/9/1978.

Segundo declarações de Robin Moore, que ao criar as personagens se inspirou no seu best-seller com um título idêntico: The Green Beret (adaptado também ao cinema, em 1968, com grande aparato, por John Wayne), a ideia nasceu como reacção à famosa série cómica Beetle Bailey (Recruta Zero), onde os militares e os seus códigos de conduta eram satiricamente ridicularizados.

Uma edição portuguesa do livro de Robin Moore surgiu nos escaparates em 1969, com o selo da Editorial Íbis, mas a sua publicação deve-se certamente ao êxito alcançado, nas telas portuguesas, pelo filme de John Wayne, um dos actores mais populares dessa época, investido novamente nas funções de realizador e produtor, em prol dos ideais republicanos e militaristas de que também era fervoroso adepto.

Com a guerra do Ultramar ainda em curso, não admira o paralelismo que surgiu, na mente de muitos espectadores, entre este filme e a acção do exército português em África. Quanto ao projecto dos comic strips, patrocinado pelo Chicago Tribune Syndicate, esse já não teve tanto êxito. Com início em 4 de Abril de 1966, foi cancelado, cerca de dois anos depois, devido aos violentos protestos contra a guerra do Vietname, transversais, nessa época, a todos os medias e a todas as classes da sociedade norte-americana, o que levou muitos jornais a suspender a sua publicação.

Jorge Magalhães

JOSÉ PIRES E JEAN-LUC VERNAL

José Pires não foi o primeiro desenhador português a colaborar numa das mais prestigiosas revistas europeias de BD: o Tintin belga; mas foi seguramente o que mais páginas publicou nessa revista, em parceria com dois talentosos argumentistas, então ainda no início de uma promissora carreira: Jean Dufaux e Benoît Despas.

Tudo isso só se tornou possível porque o chefe de redacção do Tintin era Jean-Luc Vernal, um homem profissionalmente de vistas largas que soube avaliar os méritos artísticos de José Pires, dando-lhe o ensejo de iniciar também uma nova carreira (pois em Portugal, até essa data, tinha publicado ainda poucas obras, preferindo dedicar-se a tempo inteiro à publicidade).

O gesto de Jean-Luc Vernal valeu-lhe a gratidão e a admiração de José Pires, que passou a ser (re)conhecido dentro e além fronteiras do seu país, como um versátil autor de BD a quem estava reservado um brilhante futuro.

jean-luc-vernalNo depoimento que se segue, José Pires expressa mais uma vez a sua admiração, respeito e estima por aquele que lhe proporcionou a primeira grande (e bem sucedida) aventura da sua carreira, recordando uma relação profissional que a breve trecho se transformou numa excelente amizade, tanto com Vernal como com Dufaux e Despas. Tempos profícuos e gloriosos, que a infausta notícia do falecimento de Jean-Luc Vernal trouxe de novo à memória de José Pires e que este com viva emoção, decidiu partilhar com os nossos leitores — entre os quais se contam certamente muitos admiradores da sua obra —, num preito de homenagem a outro grande autor de BD chamado Jean-Luc Vernal! 

JE VOUS REMERCIE BIEN, MONSIEUR VERNAL, ET À TOUT À L’HEURE!

Foi por Jorge Magalhães que recebi a infausta notícia do recente falecimento de Jean-Luc Vernal. Pelo verdadeiro Senhor que ele foi e por todo o apoio e consideração demonstrada que recebi dele, tal notícia provocou-me severo abalo psicológico. Foi ele quem me abriu as portas do lendário magazine belga Tintin, no já distante ano de 1984. Foi nessa altura que me decidi a enviar às Editions du Lombard a capa e 10 páginas avulsas do meu álbum do Will Shannon, “O Poço da Morte”, mais tarde publicado pela Editorial Futura numa das suas colecções.

Infelizmente, os meus fracos conhecimentos de francês levaram-me a cometer um erro logo no título da capa (Puit, em vez de Puits), mas nem mesmo isso fez Jean-Luc Vernal atirar-me para o cesto dos papéis. Dias depois, vislumbrei na minha caixa de correio o timbre inconfundível de Tintin e Milou impressos a vermelho num envelope que me era dirigido. Tratava-se de uma missiva de Monsieur Vernal que me dizia que, face a não poder emitir uma opinião sobre uma história de 46 páginas, das quais apenas podia ver 10, ainda por cima sem texto em francês!, nada podia decidir.

la-mort-de-natchezAssim, propunha-me se eu estaria disposto a fazer a experiência num “maxi-chapitre” (história de 15/16 páginas), de colaboração com um argumentista belga. Claro que aceitei e foi assim que travei conhecimento com o Jean Dufaux, que na altura começava a despontar nos quadros da editora Lombard.

Jean Dufaux (de quem eu jamais ouvira falar) mandou-me as primeiras páginas de uma história intitulada “La Mort de Natchez”, que tinha como personagem principal um mestiço apache/mexicano chamado Irigo. Dizia-me que havia gostado do meu estilo de desenho e estava disposto a colaborar comigo futuramente: acabámos por fazer seis episódios do Irigo (e um extra), mais do que o suficiente para dois álbuns. É curioso que enquanto por aqui os nossos “experts” me achavam um seguidor de Franco Caprioli, por causa do meu pontilhado, na Bélgica chamavam-me o “Manara Portugais”, o que estava mais de acordo com a realidade, pois eu seguira os processos gráficos de Milo Manara, desenvolvidos na sua série Giuseppe Bergman.

Depois fui até Bruxelas, onde Monsieur Vernal, um sujeito alto e bem parecido, me recebeu galhardamente na redacção da Lombard. Manifestou-me o seu agrado pelo meu trabalho e foi então que me apresentou o Jean Dufaux, com o qual mantive uma longa relação de amizade. Chegou mesmo a passar uma semana em Portugal, ficando hospedado em minha casa. Mais tarde, Jean Dufaux, que se incompatibilizara com a nova direção da Lombard (uma editora Católica), foi trabalhar para França, com a Glénat, deixando-me sem saber o que fazer à vida, pois eu já me acomodara com os francos belgas que vinham mensalmente da editora.

Resolvi, pois, fazer uma adaptação de “A Morte do Lidador”, de Alexandre Herculano, baseada na que fizera 30 anos antes Eduardo Teixeira Coelho. Mas tal ideia revelou-se impraticável: os estilos de paginação e legendagem eram incompatíveis com os actuais. Deste modo, tive de fazer uma nova planificação e, com a ajuda de um colega que era professor de francês, enviei as 10 páginas, desta vez com texto em francês, para a Bélgica. Monsieur Vernal aceitou o meu trabalho, que foi também publicado no Tintin, em 1987, sob o título “La Mort du Batailleur”.

Abriu-me assim, pela segunda vez, as portas da revista que dirigia e, dizendo-me que “vous êtes vraiment à l’aise au Moyen Age”, arranjou-me um segundo guionista belga, Benoît Despas, que ele tinha recentemente admitido como colaborador, e que era especialista em assuntos da Idade Média.

du-guesclin-copyCom Benoît Despas fiz várias histórias de carácter medieval, como uma série sobre o Condestável francês Bertrand du Guesclin, que acabou publicada no Kuifje, a versão flamenga do Tintin. Um periódico local comentou tratar-se “da história de um Condestável francês, contada aos flamengos, escrita por um valão e desenhada por um português!”

Mas, por imposição dos herdeiros de Monsieur Hergé, o jornal Tintin acabou, sendo substituído por uma nova publicação, agora com o título de Hello BD. Ali, a convite de Monsieur Vernal, eu e o Benoît Despas fizemos uma série sobre os Templários, que acabaria por se tornar no meu primeiro álbum em língua estrangeira, tudo graças aos bons ofícios de Monsieur Vernal. Esse álbum, “Le Sang et la Gloire”, acabou mesmo por ser o mais vendido no mercado francófono na sua semana de lançamento.

Mais tarde, estive de novo em Bruxelas e, na companhia de Benoît Despas, tive uma nova entrevista com Monsieur Vernal, que nos encomendou nada menos de três álbuns, para executar no ano seguinte! Um sobre a guerra dos Boers, outro sobre os Francos e um terceiro sobre os Apaches, pois Monsieur Vernal achava que eu era muito competente a desenhar índios. Mas estes projectos jamais se realizariam. Monsieur Vernal seria substituído por Yves Sente, que desde logo descartou a encomenda feita, fechando-me as portas da editora, agora que o Hello BD terminara a carreira e a editora passara a dedicar-se inteiramente aos álbuns, acabando com a pré-publicação.

os-celtas-miticosTempos depois, em 1994, fui contactado por Monsieur Vernal, que, tendo em vista uma editora própria, me convidava para trabalhar com ele numa série de álbuns de sua autoria, de carácter fantástico, pedindo-me ao mesmo tempo para eu fazer uma prospecção junto das editoras portuguesas com as quais eu trabalhava, para lhe manifestarem o seu eventual interesse nas suas futuras produções. Desta feita, enviei-lhe os desenhos que ele me pedira e notas de encomenda da Meribérica, das Edições ASA, da Futura e das Edições Âncora.

Mas nunca mais tive notícias de Monsieur Vernal, nem sei se a sua editora chegou alguma vez a existir, pois ele necessitava de um suporte bancário para avançar com o seu projecto. Tive agora a infausta notícia do seu falecimento, aos 72 anos apenas. Mas jamais esquecerei a sua figura e o seu fidalgo trato para comigo e tudo quanto lhe fiquei a dever. Que Deus o tenha no seu eterno descanso, cher Monsieur Vernal!                         JOSÉ PIRES

MARIA ISABEL DE MENDONÇA SOARES – UMA VIDA DEDICADA À LITERATURA INFANTIL

ma-isabel-m-soares-retratoA escritora Maria Isa­bel de Mendonça Soares, que dedicou a vida à promoção do livro infantil, faleceu no passado dia 24 de Janeiro, aos 95 anos. Nascida em Lisboa, em 1922, era autora de dezenas de livros para crianças, tendo começado a es­crever na década de 1940.

De acordo com a biografia patente na página oficial da Direcção-Geral do Li­vro, dos Arquivos e das Biblio­tecas (DGLAB), a autora fundou as Bibliotecas Infantis “A Desco­berta”, da Associação de Pedagogia Infantil, e dedicou-se du­rante várias décadas à forma­ção de educadores de infância e ao ensino de Literatura para a Infância e Cultura Portuguesa. Foi ainda tradutora de livros para crianças, como, por exemplo, a série “Pedrito Coelho”, de Beatrix Potter, e adap­tou contos tradicionais e po­pulares.

«A obra desta autora é essencialmente de carácter pedagó­gico. Atenta aos problemas do seu tempo e às crianças, directas destinatárias da sua obra. num estilo leve e carregado de humor, não renuncia ao seu lugar de adulto junto das crianças», lê-se nessa biografia.

fagulha-livro-de-contos369Entre as obras de Maria Isa­bel de Mendonça Soares cons­tam “Os Marujinhos Perderam o Norte” (1958), “Roda Roda” (1969). “Algodão e Algodinho” (1973), “Viva a Laranja” (1977), “Contos no Jardim” (1977) e “Dias de Festa”. Colaborou ainda em várias publicações para a infân­cia, algumas das quais ligadas à Mocidade Portuguesa, como Lusitas, Fagulha, Girassol, Ca­maradaPisca-Pisca, FarolJoão Ratão e Fungagá da Bicharada.

Nesta área, a autora agora desaparecida deixou avultada obra, sobretudo em duas revistas editadas pela Mocidade Portuguesa Feminina, a Lusitas e a Fagulha, onde além de contos redigiu também argumentos para histórias aos quadradinhos. Alguns desses contos estão compilados no 1º volume da Colecção «Fagulha», cuja capa acima reproduzimos. Provavelmente foi o único número publicado dessa colecção, pois a revista Fagulha terminou a sua existência logo após o 25 de Abril.

Em complemento destas páginas que mostram dois trabalhos de Maria Isabel de Mendonça Soares para a Fagulha, com ilustrações de José Garcês e Júlio Gil, em forma de BD, reproduzimos também uma breve mas elucidativa entrevista, publicada no Jornal da Madeira em 6/4/1988, que a autora concedeu a Maria Margarida Macedo Silva (fundadora e directora da rede de Bibliotecas Infanto-Juvenis “O Jardim”), e na qual se refere detalhadamente à sua colaboração em várias revistas infanto-juvenis.

Nota: agradecemos a Carlos Gonçalves ter-nos facultado este documento.

 (Para ver/ler as imagens em toda a sua extensão, clique duas vezes sobre as mesmas).

FALECEU JEAN-LUC VERNAL, O CRIADOR DE “JUGURTHA” E “IAN KALÉDINE”

jean-luc-vernalDas Éditions du Lombard, chegou-nos a triste notícia da morte de Jean-Luc Vernal, no passado dia 15 de Janeiro, aos 72 anos. Filho do escritor John Francis, herdou do pai o talento para contar histórias, a paixão pela História e o gosto pela Banda Desenhada.

Foi jornalista, escritor e argumentista de BD, tendo trabalhado com famosos desenhadores como Hermann (com quem criou as premissas da incontornável série Jugurtha, depois ilustrada por Franz), Convard (em Cranach de Morganloup), Renaud (em Brelan de Dames) ou Ferry (na série Ian Kalédine), por exemplo. Esta última e Jugurtha tiveram larga difusão em Portugal, tanto em revistas como em álbuns.

Entre 1979 e 1991, foi chefe de redacção das revistas Tintin e Hello BéDé. Como nota particularmente curiosa, recorde-se que nessas revistas colaborou, graças a Vernal, um consagrado desenhador português, José Pires, autor da série “western” Irigo (com guiões de Jean Dufaux) e do álbum, sobre a história dos Templários, Le Sang et la Gloire (em parceria com Benoît Despas), editado pela Lombard.

De realçar que Vernal foi, também, o primeiro jornalista belga a denunciar o genocídio no Camboja, perpetrado pelos fanáticos Khmer Vermelhos.

(Notícia divulgada pelo blogue BDBD e pelo site da Lombard, de onde extraímos, com a devida vénia, alguns excertos).

MASCARENHAS BARRETO – ESCRITOR, POETA, MUSICÓLOGO, HISTORIADOR E AUTOR DE BD

mascarenhas-barreto-camarada-64-270Com 93 anos, faleceu no dia 3 de Janeiro p.p. o escritor e historiador Augusto Cassiano Neves da Silveira de Mascarenhas de Andrade Barreto (conhecido por Mascarenhas Barreto), em cuja rica e vasta biografia se destaca a ligação ao Fado, com o livro “O Fado – Origens Líricas e Motivações Poéticas” e como letrista de canções, à Literatura Policial, como autor e tradutor, e à Banda Desenhada, como argumentista nas páginas do Camarada (1ª série) e do Cavaleiro Andante, usando, com frequência, o pseudónimo de João da Terra.

Foi também, no campo da historiografia, um tenaz defensor da tese de que Cristóvão Colombo era português, natural de Cuba (Baixo Alentejo), tema polémico sobre o qual escreveu vários livros e o argumento para dois álbuns de BD ilustrados por José Garcês, com o mesmo título: “Cristóvão Colombo, Agente Secreto de El-Rei D. João  II” (Edições Asa, 1992/93).

mascarenhas-barreto-camarada-55-269No Jornal da MP e no Camarada, revistas editadas pela Mocidade Portuguesa, escreveu também novelas his- tóricas e contos humorísticos, estes sob o pseudónimo de Impressão Digital, com um “façanhudo” detective, o Capitão Mostarda (que fazia lembrar Hercule Poirot e gozou de grande popularidade entre os leitores).

As suas outras histórias de BD no Camarada foram ilustradas por Júlio Gil (“Cid Campeador”, “O Segredo da Luva Cinzenta”, “O Samovar de Prata”), Marcello de Morais (“O Rapto da Rainha do Volfrâmio”, “Vic Este em Paris”, “O Segredo do Centauro”), Bastos Coelho (“O Estranho Caso de Bula-Ditadi”, “O Enigma do Lume”, “Um Plano Tenebroso”), mascarenhas-barreto-camarada-73-271José Leal (“O Gato Azul”, “Zephir”), António Vaz Pereira (“Por Terras Estranhas de Além-Atlântida), José Garcês (“O Terrível Espadachim”).

Com este mestre da BD portuguesa, colaborou também em duas histórias publicadas no Cavaleiro Andante, “Viriato” e “O Falcão” (1952/53), e noutro álbum editado pela ASA: “D. João V – Uma Vida Romântica” (1994).

No âmbito da literatura policial, além de ter sido um prolífico tradutor, especialmente para a célebre Colecção Vampiro, escreveu romances com pseudónimos estran- geiros (como Van der Bart) e em nome próprio, de parceria com Francisco Branco, uma das obras mais originais da sua carreira, com o título “O Clube dos Sete Anões”, publicada no volume nº 66 da Colecção Xis (1957).

Por amabilidade de Carlos Gonçalves, nosso colaborador e amigo de longa data, cujos valiosos préstimos nos cumpre mais uma vez agradecer, recordamos seguidamente uma elucidativa entrevista que este fez a Mascarenhas Barreto para a rubrica Correio da Banda Desenhada, sobre os primórdios da sua actividade como autor de BD, dada à estampa no jornal Correio da Manhã, em 24 de Fevereiro de 1983.

Nessa época, alguns jornais, com relevo para Correio da Manhã, A Capital, Diário Popular e Diário de Notícias (entre outros), publicavam regularmente abundante noticiário e artigos vários sobre BD, em secções orientadas, nalguns casos, por elementos do Clube Português de Banda Desenhada, como Carlos Gonçalves e Geraldes Lino. Bons tempos! Sobretudo, nessa matéria, comparados com os de hoje… em que nenhuma referência à BD se encontra no obituário de Mascarenhas Barreto. Uma lamentável lacuna!