A QUINZENA CÓMICA – 4

SINAIS DE TRÂNSITO (2)

Cara Alegre 99 + 126

Aqui têm mais um punhado de ilustrações do Cara Alegre dedicadas a um tema que atravessa todas as épocas desde que os primeiros automóveis invadiram as ruas dos principais centros urbanos, desencadeando uma revolução nos transportes (e nos hábitos dos cidadãos) que ainda hoje se faz sentir.

Duas destas capas são da autoria de José Manuel Soares, artista de grande versatilidade cujos dotes humorísticos são, porém, menos conhecidos (e apreciados) do que o seu inegável talento como pintor, ilustrador e autor de histórias aos quadradinhos. Esperamos, com estes exemplos, colmatar um pouco essa lacuna…

Em complemento, saboreiem mais dois trabalhos de José Viana, outro colaborador do Cara Alegre de inspirada veia cómica, que retrata, sob outros ângulos, o mesmo feminino tema — pois, nesse tempo, as mulheres já tinham carta de condução… embora fossem elas (segundo o Cara Alegre) as causadoras de muitos desastres!

PARADA DA PARÓDIA – 14

ACORDOS “MATRIMONIAIS”

Cartoon - Inimigo Público 2

Mais um cartoon sobre a actualidade política nacional, pelo acerado traço de António Jorge Gonçalves, que não resistimos a reproduzir, com a devida vénia, de O Inimigo Público (edição de 23/10/2015), incontornável suplemento humorístico do jornal Público, que sai às sextas-feiras.

O MÍTICO NÚMERO 100 – 1

O “CENTENÁRIO” DO TIC-TAC

O pato TictacRecheado de simbolismo e de inexplicável atracção, o número 100 é, por natureza, um número mágico, quase cabalístico, que parece representar, no imaginário colectivo, um marco difícil de atingir, uma barreira que só é ultrapassada por aqueles que se esforçam em obter a vitória, ou seja, os mais lutadores, os mais persistentes e melhor preparados no exercício do seu mister, qualquer que ele seja.

Tictac numero 100 capaNa própria existência humana há uma meta que a todos atrai, mas que poucos conseguem alcançar: os 100 anos de idade, um século de vida! Claro que, por vezes, a importância que se dá ao número 100 é exagerada, mas na vida de uma revista periódica, mormente as do género infanto-juvenil — que são as mais precárias, pois dependem exclusivamente do frágil poder de compra de um público que ainda não trabalha nem tem rendimentos, a não ser os que provêm da gene- rosidade e das posses dos seus familiares —, ele tem um valor mais do que simbólico, pois coroa uma lenta caminhada de semanas, meses (ou até anos), ao serviço de uma causa que só interessa, geral- mente, aos seus promotores e aos seus jovens beneficiários.

Quase todas as publicações portuguesas de maior longevidade, destinadas a esse público juvenil, festejaram condignamente o seu número 100, não deixando de sublinhar as etapas percorridas e os êxitos averbados durante o percurso — sinal de vida mais longa e próspera, nem sempre confirmada pelos acontecimentos posteriores.

Iniciando esta rubrica, aqui vos apresentamos a capa centenária da revista Tic-Tac (2ª série), que deu especial destaque ao mítico número 100, dedicando-lhe uma sugestiva ilustração, realizada por um dos seus mais talentosos e experientes colaboradores: António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio), que tempos depois (Janeiro de 1936) viria a tornar-se co-fundador e director artístico do novel semanário O Mosquito.

Na terceira página desse número, datado de 11 de Novembro de 1934, um extenso editorial assinalava a centenária proeza, que o Tic-Tac (cujo nome era o de um pato!) voltaria a repetir, anos volvidos, pois chegou a atingir o nº 263.

Tictac numero 100 pag 2 e 3

Entre outras matérias de interesse, o nº 100 publicava histórias aos quadradinhos cómicas e realistas, como Diabruras do Zeca e Toi (com texto de Tio Luiz e desenhos de José Félix), Kid, a Águia Humana e Pelo Mundo Fora (célebre série inglesa magistralmente ilustrada por Walter Booth), uma novela policial de empolgante enredo, da autoria de Raul Correia, com o título A Vida Aventurosa de António de Lencastre, um concurso cinematográfico, uma secção charadística sugestivamente intitulada Para Moer o Juízo, versos de Aníbal Nazaré e, para rematar este sumário bem recheado, a rubrica  Histórias dos Portugueses, assinada por dois nomes ilustres: o escritor Eduardo de Noronha e o ilustrador Rocha Vieira. Quase tudo “prata da casa”, como era norma na maioria das publicações infanto-juvenis dessa época.

Tictac numero 100 pag 5 e 7

Tictac numero 100 pag 8 e 9

Fazia também parte desse número uma separata com a “caraça” de um famoso actor cómico, o Estica (Oliver Hardy), Os pequenos leitores eram convidados a apresentar-se com ela, como se brincassem ao Carnaval, durante a emissão do programa infantil da Rádio- -Graça, o que lhes valeria uma recompensa.

Apesar da sua idade “centenária”, o patinho Tic-Tac (sempre acompanhado pelo coelhinho Rabanete) apresentava-se em excelente forma… prometendo continuar, por mais alguns anos, a ser um dos amigos predilectos da juventude portuguesa.

Tictac numero 100 pag 6 e 12

CALENDÁRIOS ILUSTRADOS – 2

calendário-outubro-57

Esta folha de um belíssimo calendário com pinturas de Mário Costa (1902-1975) sobre assuntos históricos — no caso presente, o combate entre tropas portuguesas e francesas, junto à Ponte das Barcas, no rio Douro (Porto), que como se sabe redundou em desastre para a multidão de civis que fugiam dos invasores —, é o exemplo da aliança, que por vezes dá bons frutos, entre o trabalho artístico e a propaganda comercial. A história das nossas artes gráficas e decorativas está recheada de momentos de feliz conjugação entre esses dois vectores tão distintos (a arte e o comércio), mas essenciais para o progresso cultural e material das sociedades mais modernas.  

Artista bem conhecido dos leitores de publicações infanto-juvenis, por ter ilustrado muitas páginas d’O Senhor Doutor, do Rim-Tim-Tim, do Pim-Pam-Pum, do Tic-Tac, Mário Costa não deixou também por mãos alheias os seus créditos como pintor, especializando-se num estilo figurativo muito em voga nas primeiras décadas do século XX.

Para os que só conheciam os seus trabalhos de ilustração, num estilo equilibrado, a preto e branco, este calendário — de que apresentaremos outras folhas, embora, infelizmente, não as tenhamos na totalidade — será, sem dúvida, uma agradável surpresa.