DELICIOSOS DOMINGOS

Por Marita Moreno Ferreira

O que faz do domingo um dia tão delicioso? O pequeno almoço na cama ou a sorna sem rotinas obrigatórias? A preguiça ou um filme que se vê no sofá? As almoçaradas com a família ou os amigos?

A resposta não está na convenção de um dia de descanso, como o sábado, sugerido pelas linhas-guia dos escritos religiosos. Nem no código do trabalho. Ou no ritmo hiper galopante do que consideramos ser as rotinas obrigatórias dos nossos dias.

Domingos ou outros dias para esticar preguiçosamente as pernas são dias deliciosos porque temos tempo para pensar e estar connosco. Para repensar os rumos que tomamos e fazer um balanço do que realmente vale a pena. Ou simplesmente para relaxar e sentir o corpo, respirar e outras pequenas coisas essenciais que não nos damos ao trabalho de respeitar todos os dias.

Mesmo assim há quem se infernize com a antecipação de voltar ao trabalho na segunda. Sem dar conta de que reiniciar mais uma semana também é um poderoso gatilho para mudar e começar de novo se alguma coisa não está a dar certo.

Afinal, somos todos cientistas de primeira água, ocupadíssimos, durante toda a vida, a falhar e a voltar a tentar, a aprender com os nossos erros. Por isso, todas as segundas-feiras são para ser naturalmente contabilizadas como novas fases de testes. Aproveitemos.

Voltando aos nossos deliciosos domingos, que bem sabe ficar a olhar para o tecto na cama, demorar a decidir o que se toma como pequeno almoço, o que vai deixar de se fazer porque, de repente, se tem consciência de que somos livres e podemos mudar as nossas escolhas rotineiras como nos apetecer.

O problema é que não temos noção disso todos os dias, vá lá saber-se porquê…

Domingos são dias de nada e, como o nada não existe, são dias de tudo. De todas as possibilidades em aberto. Já pensaram bem nisso enquanto se arrastam de um lado para o outro a pensar como podem aproveitar melhor a folga para ser tudo sem ser nada?

Santa Abacate nos dê muitos domingos deliciosos para entendermos de uma vez que é possível ser e ter tudo quando não nos apetece fazer rigorosamente nada.

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AMADORA BD 2017 – NUNO SARAIVA E UM CARTAZ RECHEADO DE MEMÓRIAS

O Festival Amadora BD continua a decorrer até ao próximo domingo, dia 12 de Novembro, com um punhado de magníficas exposições, desde as de Will Eisner e Jack Kirby (comemorativas do centenário destes “monstros sagrados” da BD norte-americana) e dos portugueses Nuno Saraiva e Rui Pimentel, que estão patentes no Fórum Luís de Camões (Brandoa), à de Fernando Relvas na Galeria Artur Bual.

Além da cenografia, que reforça um dos aspectos mais positivos do Amadora BD, nas suas anteriores edições, e do valor artístico da maioria dos trabalhos expostos, outro pormenor que merece atenção é a quantidade de figuras representadas no cartaz do Festival, da autoria de Nuno Saraiva, cuja obra Tudo Isto é Fado! foi distinguida em 2016 com o prémio de melhor álbum português de BD.

Todas essas figuras são de personalidades ligadas à vida da Amadora, num perpassar de memórias que evocam sobretudo a actividade artística e cultural, desde o século XIX ao tempo presente, formando um curioso e ecléctico conjunto que nas páginas seguintes do programa do Amadora BD está devidamente identificado.

Entre elas, surgem alguns dos maiores vultos da BD portuguesa, como Stuart Carvalhais, António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio), José Garcês, José Ruy e Vasco Granja, moradores ou naturais do concelho da Amadora. Parabéns ao Nuno Saraiva cujo prémio fez jus à sua meritória carreira artística — pela ideia e pela realização deste cartaz, que é sem dúvida um dos mais interessantes da vasta galeria do Amadora BD!

EXPOSIÇÃO DE ANICA GOVEDARICA NA LX FACTORY

Originária da Croácia, Anica Govedarica, que forma com Fernando Relvas um casal de artistas, é uma pintora e ilustradora já com apreciável currículo, cuja obra mais recente está exposta na Livraria Ler Devagar (sita na rua principal da LX Factory — uma antiga fábrica de grandes dimensões que se transformou num dos sítios mais frequentados de Alcântara, conjugando comércio, cultura e diversão).

Vale a pena uma demorada visita, até ao próximo dia 23 de Novembro, tanto à livraria, cujas imponentes estantes sobem até aos tectos altos, como à exposição de Anica, patente no 1º andar, onde pairam gaivotas habitantes de lugares urbanos que coexistem, harmonicamente, com outras realidades que nos passam despercebidas. Os quadros e a original inspiração de Anica são a chave desses “Mundos Alternativos”.

O nosso Gato Alfarrabista e os Gatos, Gatinhos e Gatarrões da Catherine (que também gostam de gaivotas), ficaram encantados.

O QUE SE SABE SOBRE AS BRUXAS

Por Marita Moreno Ferreira

O que toda a gente sabe sobre as bruxas é que elas são feias, têm narizes disformes e aduncos, verrugas nos sítios mais improváveis e que dão umas gargalhadas horríveis. 

Também se sabe que as mulheres ruivas são bruxas, como dizia a Inquisição, que aqui por terras lusas se encarregou de matar umas dezenas de milhar de mulheres por essa razão. Só ficou por explicar que outras razões levam pessoas aparentemente normais a queimar mulheres, seja por que razão for.

É igualmente sabido que as bruxas são as que empatam as fadas, se bem que hoje já se tem consciência de que as fadas se fartam de empatar as bruxas, mas elas é que ficam com a fama.

Hoje, que é o dia das bruxas, temos de convir que elas são é umas grandes malucas, com propensão para voar por aí soltas em vassouras, coisa que mais ninguém se atreve a fazer. Vão passar a noite na maior farra, a beber e a comer como se não houvesse amanhã, a explorar prazeres que a maior parte de nós nem se atreve a pronunciar.

Será isso mau? Se fosse, mesmo a sério, por que usaríamos um dia, ou melhor, uma noitada de bruxas para nos lembrar que é possível enlouquecermos um bocadinho de vez em quando? Na minha opinião, o dia destas criaturas aparentemente horrendas celebra-se para provar que nem o horrível é permanentemente mau, nem o bonito é permanentemente bom.

É possível ver bom e mau em todo o lado e gozar um pouco à maneira dos que se permitem essa liberdade, apesar dos preconceitos e das moralidades apressadas com que gostamos de nos armar em santinhas e santinhos.

Ter um dia para fazer da farra o único sentido da vida é ou pode ser tão bom como ter outro para enterrar a cabeça no trabalho (e há muitos mais dias para isso). Não é por nos concedermos essa liberdade que perdemos a face e podemos continuar a ser uns chatos entediantes e entediados o resto do ano.

Portanto, feliz dia das bruxas. Farremos!

O INFANTE PORTUGAL EM UNIVERSOS REUNIDOS

Concebido e recriado por José de Matos-Cruz em narrativa ilustrada, o Infante Portugal  é um emblemático herói, agora adaptado à banda desenhada nesta obra autónoma e conclusiva, cuja publicação assinala o 10º aniversário da revelação original da personagem.

O Infante Portugal em Universos Reunidos visa introduzir os novos leitores à origem dos pala- dinos de um universo lusitano mágico e iniciá- tico, e, ainda, ligar a saga do herói primordial, publicada por Apenas Livros (2010-2012), à recente sequela sobre Aurora Boreal, apresen- tada em Maio de 2017, no XIII FIBDB [Festival Internacional de BD de Beja].

Evocando momentos decisivos de uma história nacional, fantástica, desde eras imemoriais até à actualidade virtual, acompanhamos as proezas permutáveis d’O Infante Portugal e do Condestável Lusitano em momentos de crise ou euforia, tal como foram registados pelo Livro Livre, um artefacto místico, até à chegada da misteriosa Aurora Boreal.

Escrito por José de Matos-Cruz e desenhado por Daniel Maia, sendo artistas convidados Susana Resende e Daniel Henriques, e com uma participação especial dos mestres José Garcês e José Ruy, que primeiro os delinearam, O Infante Portugal em Universos Reunidos é uma edição independente e de tiragem limitada, incluindo conteúdos adicionais sobre o conceito ficcional e as incidências anteriores, além de uma caracterização das personagens fundamentais.

Apresentada no XIII FIBDB, a revista será lançada no 28º AmadoraBD [inaugurado no passado dia 27 de Outubro], com a presença dos autores.

(Nota: texto e imagem reproduzidos do blogue Imaginário-Kafre).

AMADORA BD 2017 – UM FESTIVAL QUE TEM POR TEMA A REPORTAGEM

Cumprindo uma tradição já com 28 anos, o Amadora BD está de novo em destaque, no final deste mês de Outubro (é oficialmente inaugurado hoje, sexta-feira, dia 27, no Fórum Luís de Camões, e encerra em 12 de Novembro), com um vasto programa subordinado ao tema “A Reportagem na Banda Desenhada”.

Pontos fortes: a exposição dedicada a Nuno Saraiva, autor da obra Tudo Isto é Fado, prémio de Melhor Álbum Português em 2016 (da sua autoria é também o “populoso” cartaz do Festival, acima reproduzido); e as exposições evocativas O Espírito de Will Eisner Jack Kirby – 100 anos de um Visionário, em homenagem a dois “monstros sagrados”, ambos já centenários, pelo extraordinário contributo que deram a um dos meios de expressão mais dinâmicos do nosso tempo, revolucionando graficamente a forma de contar histórias e influenciando com a sua obra as futuras gerações artísticas.

Reproduzimos também um artigo publicado no semanário Expresso de 21 do corrente, que complementa esta breve informação sobre o Amadora BD 2017 — e aconselhamos os mais interessados a consultar o blogue Divulgando Banda Desenhada, onde Geraldes Lino acompanha o programa do Amadora BD com a sua hábil faceta de repórter.

UMA NOVA AVENTURA DE ASTÉRIX E OBÉLIX

Acontecimento editorial do ano, a nova aventura de Astérix e Obélix, os dois inseparáveis gauleses, chega com a sua habitual mão-cheia de tabefes e dentes partidos, os seus inimitáveis jogos de palavras e a sua “justa dose” de História revisitada, para gáudio dos apreciadores de aventuras rocambolescas.

O álbum da ASA, cuja capa retrata a grande corrida por etapas que serve de pano de fundo ao episódio (quase uma recriação da Volta à Itália em bicicleta!), já está à venda em muitas livrarias do país. Há também uma edição em mirandês.

Na Grande Corrida Transitálica, na qual participam representantes de vários povos da Antiguidade, conseguirão os bravos Gauleses suplantar todas as artimanhas e golpes sujos a que recorrem os orgulhosos Romanos, apostados em sair sempre vencedores? E quanto às outras equipas adversárias, conseguirão eles fazer face aos intrépidos Bretões? Ser mais rápidos do que os Persas ou os Sármatas? Não perder terreno perante os valorosos Godos? Isto para já não falar de outros povos itálicos, desejosos também de vencer a prova, pois não vêem com bons olhos a hegemonia de Roma!

“FUN LOVING BIRDS”

por Marita Moreno Ferreira (artista plástica e escritora)

Porque tudo o que precisamos na vida é de cor e animação. Não precisamos do veneno destilado vinte e quatro horas pela auto-intitulada comunicação social, nem das redes sociais. (Já repararam como se assemelham cada vez mais, sem controlo e sem regra?)

Também não precisamos das pessoas que, pessoalmente, invadem o espaço que temos com elas para destilar amarguras e fel, doenças e problemas, conflitos e raiva.

Tudo o que precisamos é de silêncio, risos, tranquilidade, alegria. E como se estivéssemos a navegar num mar de escolhos trazidos pelos acidentes e tragédias alheios, evitar a todo o custo embates com essa realidade.

É impossível recordar como chegámos a este mundo de horrores, em que ninguém tem espaço para coisas normais e amáveis. Ao ponto de já se levar a mal que alguém esteja feliz e normal, que se achem os namoros ridículos e descabidos, a boa disposição um insulto para quem já acorda em fúria com o mundo.

A cada um o seu tipo de masoquismo preferido. Ou colorido, bom humor e convicção de que se pode viver num mundo e numa realidade completamente diferentes, em que os problemas e catástrofes também existem, mas não definem os nossos dias nem o que somos.

Resgatemos a velha convicção de que também vale a pena viver bons momentos. Felicidades!

DOM AFONSO HENRIQUES NA BANDA DESENHADA – UMA GRANDE EXPOSIÇÃO EM VISEU

Conforme notícia que atempadamente divulgámos, abriu ao público no passado dia 27 de Agosto, em pleno Pavilhão Multiusos da Feira de São Mateus, a exposição intitulada “Dom Afonso Henriques na Banda Desenhada” — uma organização do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), com o apoio da Câmara Municipal daquela cidade, da Viseu Marca e do IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude).

Os nossos colegas do BDBD, Luiz Beira e Carlos Rico, estiveram lá, aquando da inauguração, e fizeram uma magnífica reportagem fotográfica que pode ser vista no seu blogue: http://bloguedebd.blogspot.pt/2017/09/d-afonso-henriques-na-bd-reportagem.html

Antes da inauguração da exposição no Pavilhão Multiusos — segundo informa o BDBD —, teve lugar, mesmo ao lado, num pequeno mas acolhedor auditório, o lançamento oficial do álbum “D. Afonso Henriques – A Balada da Conquista de Lisboa”, narrativa extraída da obra “O Caminho do Oriente”, com texto de Raul Correia e desenhos de E. T. Coelho, cuja capa aqui reproduzimos, com a devida vénia ao BDBD e ao GICAV.

A sessão teve início com um curto mas interessante vídeo, onde o numeroso público presente visionou imagens virtuais da nova Arena de Viseu, um espaço magnífico completamente apetrechado para receber eventos culturais e desportivos, que em breve (crê-se que dentro de um ano) tomará o lugar do Pavilhão Multiusos. A cerimónia teve a participação do Director Executivo da Viseu Marca, Dr. Jorge Sobrado, da Presidente do GICAV, Drª. Filipa Mendes, e de Carlos Almeida, coordenador do GICAV responsável pela área da Banda Desenhada.

Após o lançamento do álbum, seguiu-se a inauguração oficial da exposição, um conjunto de vinte painéis em grande formato, com exemplos de praticamente todas as BD’s onde a figura de D. Afonso Henriques, o Conquistador, foi retratada por desenhadores de várias gerações, entre os quais, além de E. T. Coelho, Artur Correia, Baptista Mendes, Carlos Alberto, Carlos Rico, Eugénio Silva, Filipe Abranches, José Antunes, José Garcês, José Projecto, José Ruy, Pedro Castro, Pedro Massano, Santos Costa e Vítor Péon.

Vista parcial da exposição, com o painel dedicado a E.T. Coelho em grande plano, à direita, e ao lado o de José Antunes; também em 1º plano, de costas, o desenhador Baptista Mendes, outro autor com participação nesta grandiosa mostra (foto do BDBD).