MULHERES FANTÁSTICAS – 2

Mulheres Fantásticas - 2 999

A MULHER LEÃO (Esteban Maroto)

A criatura chamava-se Leão. Força e astúcia numa só peça. Dentes lúcidos, garras cerebrais, músculos reflexíveis, saltos matemáticos, ferocidade calculada. Leão. E todos fugiam dele. Os pássaros escondiam-se atrás das nuvens, os que não voavam debaixo da terra. O mundo era do Leão. E todos os antílopes do mundo estremeceram!

 Texto de Sanchez Abuli (Zodíaco)

FIGURAS E FACTOS QUE MUDARAM O MUNDO – 7

Portrai

Adventures inside the Atom - 0Em 1948, a General Electric, uma das mais importantes companhias norte-americanas na área da indústria, produziu, por intermédio da sua filiada General Comics, um pequeno comic book de 16 páginas, intitulado Adventures Inside the Atom, onde se narrava a história da energia atómica (“o maior segredo da Natureza” descoberto pelo homem), no decurso das várias fases da sua pesquisa científica. O nascimento do “Projecto Manhattan” também era referido, como mostra uma das páginas que a seguir apresentamos. Infelizmente, não conseguimos descobrir o nome dos autores da história.

Em estilo ameno, sem desligar o conhecimento teórico da informação prática, visto que se des- tinava a um público jovem cuja leitura preferida eram as aventuras dos super-heróis, este comic book relatava a visita de um adolescente e do seu companheiro adulto, que lhe servia de cicerone, a uma grande exposição de Ciência repleta de curiosidades sobre a energia atómica e a Física Nuclear, cujas radiosas promessas de progresso pareciam concretizáveis num futuro próximo.

Johnny, o deslumbrado herói juvenil desta “aventura”, ficava assim a conhecer, graças à erudição do seu interlocutor, todos os passos dados pelo homem para descobrir os mistérios do átomo, desde que essa ideia germinara pela primeira vez, como uma centelha luminosa e mágica, no cérebro de alguns cientistas e filósofos da Antiguidade.

Adventures inside the Atom - 1 e 3Adventures inside the Atom - 4 e 5

Cartaz anti-JapãoÉ claro que um dos propósitos deste comic book, integrado numa aliciante série didáctica que a General Comics intitulou Adventure Series, era o de convencer a opinião pública americana, em cuja memória ainda estavam latentes o horror e a violência do último conflito mundial — embora o seu território, com excepção de Pearl Harbour, não tivesse sido directamente atingido —, de que o fabrico de uma arma de destruição maciça como a bomba atómica fora uma consequência da guerra, não um fim em si mesmo.

Além disso, sem o “Projecto Manhattan” (coordenado por Robert Oppenheimer, desde 1942, na base secreta de Oak Ridge), os Estados Unidos não teriam quebrado a resistência do Império do Japão, a não ser à custa de mais sacrifícios, nem teriam podido desenvolver os seus programas nucleares com objectivos mais pacíficos. O que, no fundo, era verdade…

Adventures inside the Atom - 6 e 7Adventures inside the Atom - 10 e 11

Bomba atómica NagasakiMas os milhares de vítimas de Hiroshima e Nagasaki, na sua maioria pertencentes à indefesa população civil, continuarão para sempre a recordar à Humanidade um dos actos mais terríficos (talvez até inútil, se outras opções menos agressivas tivessem sido escolhidas) da Segunda Guerra Mundial, perpetrado no limiar da era atómica.

Pelo menos, o segundo bombardeamento, sobre Nagasaki, poderia ter sido evitado, poupando a cidade e os seus 240 mil habitantes, pois mili- tarmente os japoneses já estavam muito enfra- quecidos. Isso mesmo afirmaram Oppenheimer e outros cientistas do “Projecto Manhattan”, indignados com a decisão, ao Secretário de Estado da Defesa Henry Stimson. Mas já era demasiado tarde…

Três anos depois, a mensagem redentora de confiança no futuro da energia atómica e nos benefícios da sua utilização pacífica — como os que  retrata, de forma às vezes fantasista, este comic book — começava a desanuviar os temores da população mundial, projectan- do-se sobre os escombros da guerra e os novos pactos estabelecidos entre as nações. Quando a sombra da “Cortina de Ferro” ainda não era uma ameaça…

Adventures inside the Atom - 12 e 13Adventures inside the Atom - 14 e 15

NO ANIVERSÁRIO DO “MUNDO DE AVENTURAS” – 2

A propósito desta efeméride, cujos ecos (como os de outras) nunca esmorecem após a data da sua celebração, prolongando-se num tempo que perpassa continuamente no espírito e na memória, apraz-nos registar a alusão que também lhe fez o Largo dos Correios, num daqueles inspirados e eloquentes textos que têm a assinatura do Professor António Martinó de Azevedo Coutinho.

Sem mais delongas, aqui o reproduzimos, com a devida vénia, em sinal de admiração e como registo, para os nossos arquivos, de outro preito de homenagem ao MA — fértil cornucópia de aventuras ilustradas que rechearam de emoções (e de fantasias) o insaciável imaginário dos jovens, rapazes e raparigas, de várias épocas.

(Clicar 2ª vez sobre a imagem para a ampliar ao máximo).

Aventuras deste mundo e do outro

Nota: Expresso publicamente o meu reconhecimento (mas sem esconder alguma surpresa) por o autor deste belo e emotivo texto, cheio de humor e nostalgia, me ter incluído numa honrosa lista de nomes que foram “o Alfa e o Ómega” da idade de ouro das Histórias aos Quadradinhos em Portugal e de revistas que marcaram a sua época.

Sem falsa modéstia, e ainda que grato por esse generoso gesto de amizade, acho que fazem lá mais falta os Lopes, os Correias e os Pintos!…

AS QUATRO ESTAÇÕES – 6

TEMPO DE FÉRIAS

Agosto, mês de sol, de calor (quando o tempo não prega partidas) e de férias, com os veraneantes, miúdos e graúdos, a gozarem os prazeres da praia e do campo, cada um à sua maneira… eis o tema de duas capas da célebre revista infanto-juvenil O Papagaio, publicadas respectivamente em 5/8 e 23/9/1948.

O seu autor é um nome pouco conhecido da BD portuguesa, especialista na temática infanto-juvenil, Jorge Castelo Brandeiro ou Rembrandas — como, por graça, costumava assinar os seus trabalhos (ver capa do nº 695), alguns dos quais temos apresentado, com o merecido destaque, n’O Gato Alfarrabista.

Papagaio 695 e 702

NO ANIVERSÁRIO DO “MUNDO DE AVENTURAS”

O 65º aniversário do “nascimento” d’O Mundo de Aventuras, a que pelo menos dois blogues fizeram referência — o nosso e “As Leituras do Pedro” (http://asleiturasdopedro.blogspot.pt/2014/08/mundo-de-aventuras-nasceu-ha-65-anos.html) —, foi também assinalado com grande destaque no suplemento “Domingo” do popular diário Correio da Manhã, que lhe dedicou, na sua edição de 24 do corrente, um artigo assinado por Leonardo Ralha, experiente jornalista (actualmente grande repórter daquele periódico) e fã de BD.

Também o Jornal de Notícias, na sua página “Artes & Vidas”, pela mão de Pedro Cleto, conhecido blogger, crítico e ensaísta, com créditos firmados na área da BD, publicou um texto de homenagem a um dos mais carismáticos títulos da imprensa infanto-juvenil portuguesa, no próprio dia que evocava o seu lançamento, em 18 de Agosto de 1949.

Pelo seu inegável interesse, como registos significativos de uma memória ainda viva nos padrões de certa “cultura paralela” de impacto visual e popular (ligada às artes gráficas e particularmente às histórias aos quadradinhos), aqui reproduzimos esses trabalhos, com a devida vénia aos seus autores e aos jornais que tiveram o mérito de publicá-los.

(Clicar sobre as imagens para as ampliar duas vezes).

Mundo de Aventuras C da Manhã 1 e 2Jornal de Notícias e Correio da Manhã 3

O HUMOR DE AUGUSTO TRIGO – 3

Image converted using ifftoanyAté há pouco tempo, Augusto Trigo colaborou num órgão de imprensa de grande tiragem, o Correio da Manhã, onde surgiram diariamente, desde meados de 2011, pequenos cartoons duplos com a sua assinatura, iguais à primeira vista, mas que encerravam sempre oito diferenças, escon- didas nalguns pormenores do desenho. Trabalho singelo, sem pretensões (para uma faixa pouco exigente de leitores amantes deste género de passatempos), que A. Trigo caprichou, no entanto, em rechear de graça e fantasia, mostrando o seu virtuosismo numa linha espirituosa e às vezes, até, picaresca e atrevida. Ou seja, transformando esses cartoons em peças dignas de um olhar mais atento.

Aqui têm alguns exemplos, com cenas de um tema sempre presente nestes meses de estio: a época balnear, que continua a atrair muita gente às praias… apesar do Verão já não ser o que era, como afirmam convictamente os meteorologistas e os vendedores de bolas-de-berlim, cujo negócio tem ido por “água abaixo”.

(Lembro-me bem delas, quando, ainda rapazote, frequentava, por hábito e por gosto, a Costa de Caparica. Mesmo com alguma areia à mistura, porque as comia tão sofregamente que nem limpava os dedos, eram um pitéu delicioso!).

Diferenças Trigo - 1 e 2

Diferenças Trigo - 3 e 4

Diferenças Trigo - 5 e 6

Diferenças Trigo - 7 e 8

“TEX, VINHO & FADO” EM ANADIA – 6

PASQUALE DEL VECCHIO EM PORTUGAL

Del Vecchio- 1

Um êxito estrondoso!!! Assim classificou esta 1ª Mostra do Clube Tex Portugal quem esteve, para esse efeito, em Anadia, durante o último fim de semana. Uma mostra que contou com perto de três centenas de visitantes e com a presença, inexcedível de simpatia, talento e virtuosismo, de um dos maiores desenhadores da “nova vaga” da Sérgio Bonelli Editore, Pasquale del Vecchio, cujas pranchas realizadas para uma aventura inédita e colorida de Tex, a publicar em 2015, estiveram expostas no Museu do Vinho Bairrada, atraindo a atenção (e a admiração) de toda a gente.

Del Vecchio - 2

Del Vecchio brindou os fãs portugueses de Tex com numerosos trabalhos autografados, autênticas lições de desenho ao vivo, participando também em conferências, tertúlias e workshops, durante os três dias de intensa animação em que decorreu a Mostra.

É caso para dizer, como salienta a direcção do Clube Tex Portugal, que o talentoso desenhador italiano foi uma aposta certa para abrilhantar este primeiro e histórico evento bedéfilo realizado em Anadia, cujo Município também está de parabéns por ter apoiado sem vacilar esta iniciativa de grande interesse regional e cultural.

Del Vecchio - 3

Podem ler e ver mais notícias sobre Del Vecchio, a sua arte, o seu humor texiano, e outros ricos e diversificados temas que contribuíram para o sucesso da exposição (além de vários vídeos sobre a cerimónia de abertura no Museu do Vinho Bairrada, apresentada e presidida por José Carlos Francisco), acedendo ao blogue português do Tex em

http://texwillerblog.com/wordpress/?p=54488#comment-101360

http://texwillerblog.com/wordpress/?p=54583

(Nota: imagens extraídas, com a devida vénia, do Tex Willer Blog)

Del Vecchio - 4

CURIOSIDADES DO “MUNDO DE AVENTURAS” – 3

O DIA EM QUE “O MUNDO” NASCEU (1)

cabeçalho do MA       963

Até finais dos anos 40, o panorama da BD portuguesa, que atravessara uma década dourada, de pleno desenvolvimento, manteve-se estável, com a rivalidade entre os dois maiores títulos, O Mosquito e o Diabrete, sempre acesa, num despique que, às vezes, parecia ultrapassar as regras da cortesia e da boa convivência entre colegas de ofício.

Mas os primeiros sinais de mudança surgiram com o nascimento, em 18 de Agosto de 1949, de um novo título, em moldes muito diferentes dos seus congéneres, semelhante a algumas publicações brasileiras, como O Suplemento Juvenil, O Globo Juvenil, A Gazetinha, e dirigido (embora ainda sem especificar esse objectivo) a leitores no limiar dos 18 anos.

MA - presentação

Essa nova revista chamava-se O Mundo de Aventuras e a sua penetração nos gostos e hábitos do público que elegera como alvo foi lenta e difícil, durante o primeiro ano de vida, tendo sido obrigada, para não desaparecer ingloriamente ao fim de tão pouco tempo, a escolher outra fórmula, trocando o Mundo de Aventuras nº 1tamanho tablóide, de dimensões invulgares no nosso meio e que os leitores claramente rejeitavam, por um formato mais manuseável, quase idêntico ao que O Mosquito adoptara na sua 3ª fase (mas, neste caso, crescendo em vez de diminuir).

O que, no entanto, distinguia essencialmente o novel semanário dos outros periódicos juvenis eram as séries americanas que recheavam, quase na totalidade, os seus primeiros números (a única excepção foi “História Maravilhosa de João dos Mares”, com o traço de um ainda desconhecido Carlos Alberto Santos).

Essas séries, inéditas para a maioria dos leitores, eram oriundas das tiras diárias dos jornais e destinadas, portanto, a um público adulto — justificando a posterior classificação etária “para maiores de 17 anos”, que procurava (obedecendo à censura) ter um efeito dissuasor sobre os mais novos… mas também de chamariz (à revela dessa mesma censura!).

Mundo de Aventuras nº 5 e 7

Graças à sua superior qualidade artística, esses heróis de cunho menos tradicional, criados por grandes autores, os maiores do seu género e do seu tempo, enraizaram-se pouco a pouco no imaginário juvenil, Mundo de Aventuras nº 30destronando a BD inglesa e espanhola que O Mosquito e o Diabrete continuavam a publicar, embora já tivessem aderido a algumas boas séries americanas.

E foi assim que um arco-íris de memoráveis heróis e artistas, muitos dos quais habitam agora o Olimpo dos deuses da 9ª Arte, resplandeceu nas páginas d’O Mundo de Aventuras, desde o seu sensacional número de estreia (que hoje, pela sua raridade, vale uma boa maquia):

Rip Kirby, de Alex Raymond; Johnny Hazard (João Tempestade), de Frank Robbins; Flash Gordon (Roldan, o Temerário), de Mac Raboy; Brick Bradford, de William Ritt e Clarence Gray; Steve Canyon (Luís Ciclón ou Luís Ciclone), de Milton Caniff; Barney Baxter, de Frank Miller; Captain Easy (Capitão Águia), de Leslie Turner; Alley Oop (Trucutu), de V.T. Hamlin; Dick Adventures in Dreamland (Aventuras de Dick), de Mundo de Aventuras nº 31Neil O’Keefe e Max Trell; X-9, de Mel Graff; Tim Tyler, de Lyman Young; Mandrake, de Lee Falk e Phil Davies; Prince Valiant (Príncipe Valente), de Harold Foster; Cisco Kid, de José Luís Salinas e Rod Reed; Big Ben Bolt (Luís Euripo), de John Cullen Murphy; Rusty Riley (Pedrito), de Frank Godwin; Tommy of the Big Top (Tommy, o Rapaz do Circo), de John Lehti… e mais, muitos mais!

A maioria das vezes, esses nomes eram “nacio- nalizados” ou ostentavam ainda a origem espa- nhola (como no caso de Luís Ciclón), pois as res- pectivas séries, oriundas do King Features Syndicate, a maior  agência de imprensa do seu género, chegavam à Europa e à América Latina em versões traduzidas para castelhano.

(Nota: algumas das imagens que ilustram este post foram reproduzidas, com a devida vénia, do blogue http://timtimportimtim.com.sapo.pt)

MA - Ciclon e KirbyMA - Trucutu e Baxter

“TEX, VINHO & FADO” EM ANADIA – 5

Tex na Praça do Município de Anadia - arte de Pasquale Del-Vecchio

Como já é notícia, inaugurou-se na passada sexta-feira a 1ª Mostra do Clube Tex Portugal, criado em 10 de Agosto de 2013, por ocasião do 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, e presidido por José Carlos Francisco, residente na bela e hospitaleira cidade de Anadia, onde decorre até hoje, com o patrocínio da sua autarquia, este festivo evento em honra de uma das mais icónicas personagens da BD italiana.

Arte-Texiana-de Pasquale Del Vecchio

Tendo como espaçoso e privilegiado (mas algo “insólito”) cenário o Museu do Vinho Bairrada, nobre instituição de interesse turístico e cultural, a mostra, constituída — como peças principais — por vinte pranchas de uma aventura ainda inédita do Ranger Tex Willer, realizada por Pasquale del Vecchio, trouxe a Portugal, pela primeira vez, este experiente e talentoso desenhador, considerado um dos melhores elementos da vasta equipa, sempre renovada com “sangue novo”, que temática e graficamente tem mantido bem vivas a imagem e a aura de um dos casos mais surpreendentes de sucesso e longevidade da BD de aventuras, dita popular, tanto à escala europeia como mundial.

Por amabilidade de José Carlos Francisco, apresentamos a seguir duas excelentes pranchas do referido episódio inédito, com roteiro de Roberto Recchioni, destinado a uma edição especial, o Color Tex do próximo ano.

Del Vecchio Color Tex 1Del Vecchio Color Tex 19

Elogiada unanimemente pela crítica especializada e pela enorme legião de fãs do mítico herói do Oeste criado em 1948 por Gianluigi Bonelli e Aurelio Galeppinni, a arte magnífica (e inédita) de Pasquale del Vecchio, Caricatura de Pasquale Del Vecchio por Bira Dantasexposta internacionalmente pela primeira vez, atraiu a Anadia muitos texianos oriundos de várias regiões do país e até do estrangeiro, num acontecimento que ficará para a história do Clube Tex Portugal, o primeiro, em todo o mundo, dedicado a esta carismática perso- nagem e já oficialmente reconhecido pela SBE (Sergio Bonelli Editore).

O Tex Willer Blog apresentou recentemente uma nova entrevista com Pasquale del Vecchio, a cujos dotes profissionais se soma mais uma honrosa distinção: a de já figurar na ilustre galeria de personalidades texianas retratadas pelo traço inconfundível do mestre caricaturista Bira Dantas, como aqui mostra- mos, com a devida vénia ao seu autor.

Pasquale del Vecchio deu também uma entrevista ao site da SBE, a propósito da sua vinda a Portugal e da sua carreira como desenhador de Tex. Convidado a integrar essa prestigiosa equipa, sentiu-se, no início, um pouco “desenraizado”, pois as histórias que fizera até então para a Bonelli (das séries Nick Raider e Napoleone) Pasquale Del Vecchio - 2tinham ambientação urbana e contemporânea, e agora tinha de desenhar o Velho Oeste, com todas as suas referências míticas: grandes espaços naturais, cidades de madeira, cavalos, selas, armas, diligências, etc.

Mas não voltou atrás. Leitor e admirador de Tex desde a infância, tomou como referências os trabalhos dos mestres Giovanni Ticci, Claudio Villa e Gino D’Antonio, (re)viu um monte de westerns clássicos (género que também aprecia), empunhou lápis e pincéis e… realizou um sonho, tornando-se um dos mais consagrados desenhadores texianos da actualidade!

Consultando o sempre actualizado blogue português do Texem http://texwillerblog.com/wordpress/?p=53875 — poderão ler a citada entrevista com Pasquale del Vecchio e ter Logótipo do Clube Tex Portugalacesso ao noticiário sobre este magnífico evento, que apresenta também verdadeiros itens de coleccionador, tais como livros temáticos, revistas de vários países onde Tex é (ou já foi) publicado, estatuetas, selos, pins, puzzles, filmes (como o emblemático Tex e o Senhor dos Abismos, com o célebre actor Giuliano Gemma, falecido há alguns meses), desenhos animados, postais, porta-chaves e outras curiosidades, que dão ainda mais brilhantismo e colorido à 1ª Mostra do Clube Tex Portugal — já denominada, nalguns blogues, 1º Salão de Banda Desenhada do Clube Tex Portugal, designação oficiosa e controversa sobre a qual o Gato Alfarrabista também já se pronunciou.

 

IN MEMORIAM

LAUREN BACALL (1924-2014)

Lauren Bacall (The Big Sleep)

To Have or Have NotSerá sempre lembrada como a mulher que ensinou todos os rapazes a assobiar, no seu primeiro filme, To Have and Have Not (Ter e Não Ter), e seduziu o “machão” Humphrey Bogart com o seu glamour, juventude, beleza e talento, formando com ele o par mais liberal de Hollywood, opositor da “caça às bruxas” na era de trevas do senador McCarthy; será sempre apreciada como a rebelde e maliciosa actriz, de voz grave e olhar felino (o famoso The Look), cuja química extravasava do ecrã, quando dirigida por Howard Hawks… mas que foi muito mais do que um sex symbol.

Bogart e BacallÍcone da moda e do cinema, com o “toque de Midas” que “transformava em classe tudo aquilo em que tocava” (palavras de Herman José), Bacall era um sonho de celulóide que se confundia com a imagem de uma mulher real (ao contrário de Marilyn Monroe, atraída pela sua persona cinéfila). Poucas “estrelas” brilharam tanto nesse efémero firmamento, onde só as lendas autênticas, de “carne e osso” — isto é, arquétipos com presença —, logram atingir o eterno Olimpo. Como Madonna cantava em Vogue: “we love you, ladies with an attitude”!                     J. M.

Bogart e Bacall (The Big Sleep),jpg copyBogart e Bacall (Dark Passage),jpg copy