COLECÇÕES DE CROMOS – 4

OS FILHOS DOS TRÊS MOSQUETEIROSlf

Com as colecções da Agência Portuguesa de Revistas (APR), os cromos tornaram-se um passatempo familiar, desfrutado por todos e não apenas pela garotada, a “arraia miúda” com uma avidez especial pelas pequenas estampas coloridas, que já não precisava de sacar dinheiro aos pais para poder comprá-las, pois eles próprios tomavam a iniciativa.

No primeiro trimestre de 1953, saiu outra colecção da APR com o mesmo tema de “Os Três Mosqueteiros”, intitulada      “Os Filhos dos Três Mosqueteiros” e baseada numa sequela do filme anterior, desta vez produzida pela RKO (com o título At Sword’s Point), numa adaptação mais livre e com outros protagonistas: Cornel Wilde, Maureen O’Hara, Robert Douglas, Dan O’Herlihy e Alan Hale Jr.

RCartaz alemão com legendaecebida também com entusiasmo por um público mais vasto que o dos anos 30 e 40 e cada vez mais receptivo às realizações da APR, a maior editora popular do seu tempo, esta colecção (com 154 estampas coloridas) foi a quarta de uma longa e memorável série que varreu a lembrança das estampas que serviam de invólucro aos caramelos (ou das guloseimas que eram um mero pretexto para vender cromos e outros artigos), ateando nos jovens em idade escolar a pequena e lúdica chama do interesse didáctico, recreativo ou desportivo… que iria crescer e inflamar gerações!

les fils des mousquetairesDe salientar que esta caderneta era ilustrada, na parte central de todas as páginas, com vinhetas de Vítor Péon. Além de uma nota, à laia de prefácio, sobre o fundo histórico em que se desenrolava a acção do filme, incluía uma página dedicada a outras publicações da APR bafejadas pelo sucesso, numa miscelânea de vários títulos, entre os quais dois álbuns de cromos: “Os Três Mosqueteiros” e “Famosas Estrelas de Cinema”. A rematar o conteúdo da caderneta, era dado destaque ao próximo lançamento de uma nova colecção, baseada na História de Portugal... e que se tornaria um dos maiores êxitos de sempre da APR no âmbito deste tipo de edições, com desenhos de um artista de mérito, já no limiar da fama:  Carlos Alberto Santos.

Juntamente, e pela primeira vez, foi distribuída uma pequena brochura com quatro páginas (e capa e contracapa iguais às da caderneta), que oferecia duas estampas como brinde, dando ainda a possibilidade de adquirir directamente ao editor os últimos 30 cromos, mediante uma lista apresentada na terceira página.

OS FILHOS DOS 3 MOSQUETEIROS CAPA BRINDE600Como afirma João Manuel Mimoso, no seu pioneiro estudo sobre a vida editorial da APR, “Os Filhos dos Três Mosqueteiros” foi a primeira colecção de cromos inteiramente realizada por esta empresa, tendo as imagens do filme sido coloridas por um dos melhores artistas da casa: José Manuel Soares.

Decidida a impor-se cada vez mais no mercado e a comercializar os seus próprios produtos, em áreas onde podia competir com a Bruguera e outras editoras estrangeiras, a APR caprichou nesta colecção, tentando repetir o êxito de “Os Três Mosqueteiros”, mas parece que só houve uma tiragem.

OS FILHOS DOS 3 MOSQUETEIROS capa e contracapa

OS FILHOS DOS 3 MOSQUETEIROS PAG Rosto e 1

OS FILHOS DOS 3 MOSQUETEIROS PAG 2 e 3

OS FILHOS DOS 3 MOSQUETEIROS Anúncio e Hist. de Portugal

OS REIS DO RISO – 1

QUANDO OS PROFESSORES FAZEM GREVE…

… O RESULTADO ESTÁ À VISTA! Podia ser esta a legenda da ilustração que mais abaixo vos apresentamos, uma das muitas e divertidas cenas com que Bob de Moor – que foi, como sabem, um dos mais próximos amigos e colaboradores de Hergé – animou as capas do Tintin belga, durante um largo período, chegando às vezes o seu estilo a confundir-se com   o do próprio Mestre.

Esta capa diz respeito ao Tintin nº 4, 5º ano, de 26/1/1950.

TINTIN LA CLASSE SANS MAÎTRE cover

Claro que no editorial desse número, com o título “La classe sans maître”, a “lição” era outra e fazia-se a apologia dos alunos bem comportados, através da curiosa história de um professor, numa pequena localidade suíça, que teve de ausentar-se da escola por motivos de força maior, mas em vez de escolher outro mestre para o substituir deixou uma carta aos seus discípulos, exortando-os a não seguir o exemplo dos mais estouvados, na sua ausência, e a aproveitar a liberdade que eles lhe dava para mostrarem que eram dignos dessa prova de confiança.

TINTIN LA CLASSE SANS MAÎTRE 2Segundo reza o texto, como podem ler na imagem (bastando fazer zoom com um click), os alunos da tal escola primária não fizeram “orelhas moucas” aos conselhos do seu professor e dedicaram-se com afinco ao estudo, mesmo sem vigilância externa, enquanto o mestre esteve ausente… ao contrário da indisciplinada turma que       Bob de Moor retratou com a sua veia humorística e a sua fértil fantasia, para gáudio dos leitores do Tintin.

Desenhador extremamente versátil, com algumas obras de cariz realista (como Conrad le Hardi e Cori le Moussaillon) cujo traço não desmerece comparado com o de Jacques Martin e outros autores da época, especialistas em temas históricos, Bob de Moor distinguiu-se sobretudo pela sua fidelidade à “linha clara” e ao estilo que cultivou no convívio e na aprendizagem com Hergé e do qual brotaram criações delirantes como L’Enigmatique Monsieur Barelli, Les Aventures du Professeur Tric e Pirates d’Eau Douce.

Bob de Moor no seu estúdiorCom esse estilo mimético, consagrou-se    à tarefa de actualizar os cenários e o aspecto dos personagens nalgumas aventuras de Tintin que redesenhou a pedido de Hergé, como L’Ile Noire”, por exemplo. E foi também o braço direito do Mestre de Bruxelas em episódios que se tornaram míticos como “On a Marché Sur la Lune” e “Coke en Stock”.

As rocambolescas aventuras, em tom semi-realista, do “misterioso” Senhor Barelli, que nasceram no Tintin belga        nº 30 (5º ano), de 27/7/1950, foram publicadas em álbum pela Bertrand (Barelli e os Agentes Secretos) e pelo Tintin, da mesma editora, depois de uma fugaz aparição no Flecha nos 12 a 37 (1954-55), pequeno semanário dirigido por Roussado Pinto, que teve vida breve e deixou quase todas as suas histórias incompletas. Nessa estreia, Barelli mudou de nome, transformando-se no Senhor Barrelas!

TINTIN E PAG. Nº 30

Flecha 12 e 13

E já que estamos em “maré” de professores, aqui têm uma página de Les Aventures du Professeur Tric… série bem divertida, por sinal, criada em 1950 e constituída geralmente por gags curtos, mas que também teve episódios com mais fôlego, em que a comicidade deste personagem um pouco excêntrico e amigo da natureza atingiu o ponto mais alto.

TINTIN -aventures du prof Tric1

Algumas dessas peripécias deleitaram também os leitores do Cavaleiro Andante, onde o Professor Tric foi baptizado com o nome de Sr. Pantaleão, fazendo boa figura ao lado de uma destemida pandilha de estudantes e do Professor Ideias, um extravagante inventor ainda mais “lunático” do que o seu famoso colega Professor Tournesol.

CA 111 E 121

CA 135 E 139

CA 203 e Natal acidentado

E eis mais duas páginas com o traço de Bob de Moor, extraídas da história “Piratas de Água Doce”, outra divertida criação do grande artista flamengo, que o Cavaleiro Andante publicou entre os nºs 479 e 494 (1961).

CA Piratas de Água doce 1 e 2

CLÁSSICOS ILUSTRADOS – 2

“A Carta Roubada” (Edgar Allan Poe) – 2

A carta roubada página609Apresentamos hoje a 2ª e última parte desta história com desenhos de Catherine Labey, baseada no conto de Edgar Allan Poe, segundo a versão que surgiu no Diabrete, quando esta popular revista infanto-juvenil publicou, em folhetins destacáveis, os “Contos Fantásticos” do célebre escritor norte-americano, mestre absoluto do “horror gótico” e da poesia lúgubre, mas também considerado um dos grandes percursores da literatura policial e de mistério, com narrativas que ainda hoje figuram entre as melhores do género, como     “O Escaravelho de Ouro”, “O Duplo Crime da Rua Morgue” e     “A Carta Roubada”.

Quadradinhos 1Como, na altura, éramos colaboradores (num dos jornais mais lidos há 30 anos, A Capital) do suplemento Quadradinhos – 2ª série, dirigido por Adolfo Simões Müller, grande apreciador de adaptações literárias, foi nas suas páginas que esta história teve honras de estreia, publicando-se a duas cores e a preto e branco desde o nº 72, de 31/10/1981, até ao nº 86, de 6/2/1982.

Devemos sublinhar que “A Carta Roubada” (The Purloined Letter) é um conto concebido por Poe de forma peculiar, em dois tempos diferentes, sempre narrados em flash-back.     No primeiro tempo, correspondente às páginas 1 a 8 desta adaptação, o narrador é um Prefeito da polícia parisiense que revela ao seu amigo C. Auguste Dupin — uma “mente brilhante” atraída pelos meandros da lógica dedutiva —, as investigações infrutíferas que levara a cabo, com os seus agentes, para encontrar a carta roubada a uma dama da alta aristocracia por um político sem escrúpulos e como esse documento podia comprometer a honra e a segurança familiar da distinta senhora.

No segundo tempo, o narrador é o próprio Chevalier Dupin, que se limita a expor, com a maior naturalidade, os passos que deu em sentido inverso, guiado apenas pela intuição e pelo exercício da lógica, que cultivava com o mesmo fervor de um certo detective privado que iria estabelecer os cânones da literatura policial muitos anos depois.

Quadradinhos 2Estamos, portanto, perante o exemplo paradigmático de um caso aparentemente simples, sem mistérios nem grandes emoções, narrado a três vozes e cuja acção, dividida em duas partes, tem como fulcro acontecimentos ocorridos num tempo anterior. Poe veste a pele do terceiro personagem presente em casa de Dupin — um amigo íntimo cujo nome também desconhecemos e que assume um papel contextual e reflexivo, expondo ao leitor, como uma voz off, os factos concretos e o singular “mecanismo” dedutivo de Dupin, assente na maníaca observação dos rostos e da linguagem corporal e no raciocínio puro, que explora o aspecto “superficial” das coisas como a melhor fonte de informações. Sherlock Holmes e Watson nasceram, sem dúvida, destes modelos.

Claro que, no âmbito das histórias ilustradas, esse discreto comparsa, o (quase) abstracto narrador que podemos subjectivamente comparar ao próprio Edgar Poe, tem de possuir uma identidade física, um aspecto que o torne mais real aos olhos do leitor, embora a sua presença no conto seja um mero artifício literário. Pessoalmente gosto da caracterização que Catherine Labey lhe deu, sem se cingir a nenhum retrato específico.

Resta assinalar que esta adaptação de “A Carta Roubada” (uma das poucas que julgamos existir de um dos primeiros clássicos da literatura policial) foi também publicada no nº 4 dos Cadernos Sobreda BD, em 1991.

Para voltar a ver a 1ª parte, clicar aqui

Carta Roubada 9   Carta Roubada 10

Carta Roubada 11   Carta Roubada 12

Carta Roubada 13   Carta Roubada 14

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FERNANDO BENTO E O CAVALEIRO ANDANTE – 2

OS LUSÍADAS ILUSTRADOS POR FERNANDO BENTO – 1

Fernando Bento e os Lusíadas 1  592Quando em 1954, nos territórios de Goa, Damão e Diu, ainda denominados províncias ultramarinas portuguesas, começaram a surgir graves problemas com a União Indiana e um sentimento nacionalista irrompeu em todo o país — fomentado pela retórica do “patriarca” do regime, António de Oliveira Salazar —, o Cavaleiro Andante, associando-se a essa onda patriótica, publicou no nº 135, de 31/7/1954, uma separata de quatro páginas com versos d’Os Lusíadas e ilustrações de Fernando Bento. Na capa e na contracapa, simbolicamente, imagens do Mosteiro dos Jerónimos, monumento erigido em memória do maior feito da nossa gesta universal — a descoberta do caminho marítimo para a Índia —, realizado por Vasco da Gama e por um punhado de marinheiros, tripulando uma pequena frota que saiu do Restelo em 8 de Julho de 1497.

Era assim que, nos tempos conturbados que prenunciavam o fim do regime colonial,         alguns organismos, com o apoio das revistas infanto-juvenis, faziam a apologia (pela “voz” de Camões) dos ideais supremos do Salazarismo, consubstanciados no amor à Pátria una     e indivisível, na herança do passado e no grande império colonial português.

Mas refira-se, em abono da verdade, que o Cavaleiro Andante, sem aparentes intuitos doutrinários, já tinha apresentado, entre os nºs 61 e 80, outras ilustrações de Fernando Bento inspiradas n’Os Lusíadas, cujo primor estético e figurativo merece ser realçado.

Fernando Bento e os Lusíadas 2 B   594

O ANIVERSÁRIO DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA (CPBD)

No passado sábado, dia 13 de Julho, realizou-se o habitual almoço de aniversário do CPBD, que comemora presentemente 37 anos de existência.

O encontro entre associados e simpatizantes do Clube teve lugar no acolhedor restaurante Moisés, sito na Avenida Duque d’Ávila, em Lisboa, e foi este ano especialmente concorrido, contando com a honrosa presença, entre outras, de Mestre José Ruy, um dos decanos da BD portuguesa, com intensa actividade em vários domínios das Artes Gráficas, desde os seus primórdios como ilustrador, em 1945, na revista infantil O Papagaio.

Lembramos que o CPBD é uma das mais antigas organizações do género em toda a Europa, embora hoje reduzida a um pequeno núcleo de “activistas”, que continuam a manter a “chama acesa”, com reuniões quinzenais na sede do Clube e a publicação regular do seu Boletim, que já vai no nº 136 (sendo também um dos casos mais notáveis de longevidade entre os fanzines ainda existentes).

CPBD boys P&BPor curiosidade, fomos repescar aos nossos arquivos uma velha foto de jornal (Julho de 1977), em que figura o grupo fundador do CPBD, os “sete magníficos” pioneiros, distinguindo-se (da esquerda para a direita) António Dias de Deus, José Sobral, Vasco Rivotti, Vítor Péon, Carlos Gonçalves, Jorge Magalhães e António Amaral. O último, de costas, é Diamantino Bravo, jornalista do Jornal de Notícias, que entrevistou a direcção do CPBD (então, ainda denominada 1ª comissão organizadora), a propósito da criação do Clube, já com 12 meses de vida, e de uma projectada mostra sobre BD portuguesa, a realizar em finais desse ano na Biblioteca Nacional.

Os únicos elementos desse grupo que estiveram presentes no convívio deste ano foram António Amaral, Carlos Gonçalves e Jorge Magalhães. Outros nomes conhecidos do nosso meio bedéfilo (e não só) quiseram também marcar presença, como Américo Coelho, Dâmaso Afonso, José Pires, José Manuel Vilela, Leonardo De Sá, Paulo Duarte (um dos actuais animadores do Clube), Joaquim Talhé, Eduardo Sousa Santos (acompanhado pelo seu neto Carlos), Fernanda Amaral, Catherine Labey, Joel Lima, Paulo Cambraia, Mário Correia, Rui Bana e Costa e Luís Valadas.

Todas as fotos que apresentamos nesta curta reportagem são da autoria de Dâmaso Afonso, cuja experiente “objectiva” está sempre atenta a todos os eventos relacionados com a BD portuguesa. Para ele, vão os nossos melhores agradecimentos por mais esta prova de colaboração e amizade.

Nota: um agradecimento também especial a Leonardo De Sá por nos ter ajudado a corrigir um lapso de memória…

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JOSÉ RUY – A PAIXÃO DO DESENHO – 6

RAPTORES – 2

Papagaio Flama577Apresentamos hoje mais três páginas de “Raptores”, história iniciada no     nº 67 da revista Flama, quando esta inseria como suplemento O Papagaio, depois deste ter sido um semanário autónomo e de largo prestígio entre    o público infanto-juvenil até ao nº 722. Propriedade da União Gráfica, foi um tanto intempestivamente, apanhando de surpresa os próprios leitores, que O Papagaio se transformou, a partir    de Fevereiro de 1949, num modesto suplemento da Flama, muito embora continuasse a contar com a assídua colaboração de Carlos Cascais, José Ruy e Vítor Silva, que formavam o núcleo principal (literário e artístico) da antiga redacção. E foi neste raro suplemento, como também já várias vezes referimos, que José Ruy teve ensejo de publicar alguns dos melhores trabalhos dessa fase pioneira, evidenciando notáveis progressos a nível técnico e uma grande sensibilidade artística em temas exóticos como os das “Lendas Japonesas”, mas que já dantes tinham frutificado em histórias cheias de movimento e ambientadas em cenários modernos, como “Reportagem Inesperada”,     “A Bravura de Chico” e “Raptores”, que temos vindo a apresentar no nosso blogue.

«Sobre esta aventura — conta-nos o Mestre, com a sua memória sempre viva —, não há episódios de bastidores. O miúdo, o Cartucho, teve por modelo um rapazito chamado Pedro Gomes, que morava perto da casa dos meus pais, onde desenhei estas histórias, e que mais tarde veio a ser jogador do Sporting. Ainda hoje ele se lembra perfeitamente dos dois escudos e cinquenta centavos que eu lhe pagava à hora pelas poses!».

Carlos Cascais retrato«Quanto ao Carlos Cascais — prossegue José Ruy, em resposta a outra pergunta nossa —, ele era chefe de redacção d’O Papagaio, mas quando este foi integrado na Flama tornou-se uma espécie de coordenador. O verdadeiro chefe de redacção era o Padre Diogo Crespo, uma belíssima pessoa, sendo o director o desportista Mário Simas. O Cascais tratava com os colaboradores, escrevia peças e um conto ou outro, e depois de elaborado o número o Diogo Crespo passava tudo a pente fino. O Simas aparecia em representações, como entrevistas a figuras importantes. Não interferia na revista, dava só o nome de proa».

«Junto um retrato que fiz do Carlos Cascais e que apliquei numa ilustração da própria Flama. Foi um desenho realizado logo à pena, sem lápis, como algumas das figuras nas vinhetas de “Raptores”. Eram ensaios que eu experimentava na altura, logo a partir dos modelos, influenciado pelo Mestre espanhol Emilio Freixas, que desenhava desta maneira, sobre vegetal, com um ligeiríssimo esboço a lápis noutro papel que punha à transparência. É que ao cobrir os desenhos a lápis, feitos estes do natural, os meus desenhos perdiam      (e perdem) a frescura do croquis».

Carlos Cascais foi também retratado em “Raptores”, como é patente na penúltima vinheta da terceira página que hoje publicamos. Entretanto, recebemos já de José Ruy um extenso artigo sobre a sua colaboração n’O Papagaio, revista onde teve início uma prolífica carreira artística com mais de 60 anos — artigo esse cheio de curiosos pormenores e de muitas revelações, que começaremos a publicar dentro de pouco tempo.

05 Raptores

06 Raptores

07 Raptores

Nota à parte — O ex-jogador sportinguista Pedro Gomes, que serviu de modelo a José Ruy nesta história, chegou a ser internacional nas décadas de 60 e 70 (em que o Sporting arrecadou muitos triunfos) e vive ainda hoje em Lisboa. Terminada a sua carreira de jogador, como defesa direito, dedicou-se a treinar algumas equipas da 2ª Divisão, com destaque para o Marítimo e o União de Leiria, que fez subir à 1ª Divisão, e em 1984 regressou às hostes do Sporting como treinador-adjunto, ascendendo ao lugar de treinador principal nas últimas jornadas dessa época. 

QUANDO O FUTEBOL VOLTOU AO CAVALEIRO ANDANTE – 2

Apresentamos hoje mais seis páginas desportivas do Cavaleiro Andante, com equipas de futebol do Campeonato Nacional da 1ª Divisão na época de 1959/60, dadas à estampa nos nºs 441 a 443 (11/6 a 25/6/1960). O assunto tinha tão boa receptividade entre os leitores que o (ainda) popular semanário continuou a dar-lhe honras de capa. As ilustrações que ornavam algumas dessas páginas eram da autoria de Artur Correia, um dos mestres da nossa BD humorística, já então com extenso e apreciável currículo.

Futebol no CA - Porto

Futebol no CA - Académica

Futebol no CA - Lusitano

Nesses números, mantinha-se também a fórmula das histórias completas, geralmente com 7 ou 8 páginas, oriundas da revista italiana Il Vittorioso, com destaque para os trabalhos de Carlo Boscarato, Renato Polese, António Sciotti e Alberto Tosi — embora, nesse tempo, os nomes destes desenhadores (e de muitos outros) não fossem conhecidos, salvo raríssimas excepções, dos leitores portugueses. Esporadicamente, também surgiram histórias completas de origem nacional, ilustradas por José Garcês e Fernando Bento.

A título de curiosidade, recordamos alguns desses episódios, pela ordem em que foram publicados no Cavaleiro Andante: “A História de Best Munior” (A. Sciotti), nº 437; “Há um Avião em Perigo” (R. Polese), nº 438; “O Tigre de Sanguém” (J. Garcês), nº 440; “Bisonte Vermelho” (C. Boscarato), nº 441; “A Verdadeira Coragem” (C. Boscarato), nº 442; “A Caminho da Terra do Ouro” (R. Polese), nº 443.

ao em perigo

O Tigre de Sanguem575

A Verdadeira Coragem e A Caminho da Terra do ouro