NOVO COLÓQUIO NA BNP SOBRE A HISTÓRIA DO CROMO COLECCIONÁVEL EM PORTUGAL

unnamed

Na próxima quinta-feira, dia 2 de Março, às 17h30, o Clube Português de Banda Desenhada, representado por Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso, realiza nova palestra no âmbito da exposição que se encontra patente na Biblioteca Nacional até ao dia 29 de Abril de 2017 — para recordar uma grande editora (não só na publicação de Revistas de Banda Desenhada como de Cadernetas de Cromos) e prestar também merecida homenagem a Carlos Alberto Santos, um notável desenhador, pintor, ilustrador e criador de magníficas colecções de cromos, que nos deixou recentemente.

Na Folha de Sala da BNP, que a seguir reproduzimos, podem ler um excelente artigo de João Manuel Mimoso sobre o tema desta exposição.

cromos_fs_bnp1-1

cromos_fs_bnp1-2

Advertisements

EXPOSIÇÃO “100 ANOS DO CROMO EM PORTUGAL”

Colóquio inaugural da exposição “100 Anos do Cromo em Portugal”, no dia 1 de Fevereiro de 2017, às 17h45. Apresentação de Carlos Gonçalves, do Clube Português de Banda Desenhada, e intervenção de João Manuel Mimoso, historiando a origem e a evolução das colecções de cromos dos rebuçados e caramelos em Portugal e de alguns dos seus fabricantes, desde a década de 1920 até à de 1960.

Um colóquio posterior, a realizar em 2 de Março, abordará os “cromos-surpresa” lançados pela Agência Portuguesa de Revistas, em 1952, e prestará homenagem ao grande artista e ilustrador, recentemente falecido, Carlos Alberto Santos.

A exposição será inaugurada às 19h00, após o encerramento do colóquio, e ficará patente ao público até ao dia 29 de Abril de 2017.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 13

jornal-cuto-natal-1977-234

A fechar este breve e evocativo ciclo, com mais capas de Natal que embelezaram algumas revistas juvenis portuguesas, como O Mundo de Aventuras, o Cavaleiro Andante e o Camarada, apresentamos outra capa ilustrada por Carlos Alberto Santos para o Jornal do Cuto, desta vez a traço e mantendo as mesmas características tradicionais de representação da imagem do Presépio.

A única diferença relativamente à que figura num post anterior, dedicado ao mesmo artista, que podem (re)ver aqui, é que Carlos Alberto mudou a indumentária de São José, dando-lhe um aspecto mais condizente com o que rezam os textos evangélicos, pois era hebreu, natural da Galileia, e não árabe.

Demonstrámos assim, com esta selecção de treze capas, que a maioria dos nossos desenhadores ao serviço de revistas para a juventude foi fiel às tradições sacras do Presépio, retratando as suas principais figuras, a Virgem Maria, o Menino Jesus e São José, quase sempre da mesma maneira. Uma das poucas excepções à regra (e sem dúvida a mais notável) foi Fernando Bento.

IN MEMORIAM: CARLOS ALBERTO SANTOS (1933-2016)

carlos-alberto-santos

A Banda Desenhada, a Cultura e as Artes Plásticas portuguesas acabam de ficar mais pobres, pois perderam um dos seus maiores valores das últimas décadas…

Com 83 anos, faleceu ontem de madrugada, no Hospital Egas Moniz, onde estava internado há vários dias, devido ao súbito agravamento do seu estado de saúde, o pintor e ilustrador Carlos Alberto Ferreira dos Santos, nascido em 18 de Julho de 1933, em Lisboa, e cuja carreira artística começou bem cedo, depois de ter entrado como aprendiz para a Bertrand & Irmãos, apenas com 10 anos de idade. Consolidando essa iniciação nas artes gráficas, trabalhou também na Fotogravura Nacional e no atelier de publicidade de José David. 

O seu enorme talento começou a notabilizar-se noutra empresa de grandes dimensões, a Aguiar & Dias (vulgo APR ou Agência Portuguesa de Revistas), onde colaborou assiduamente desde o 1º número do Mundo de Aventuras, integrando pouco tempo depois o seu quadro de desenhadores privativos.  Embora relativamente escassa no campo da Banda Desenhada, a sua produção como ilustrador é vasta e diversificada, com destaque para a “História de Portugal” em cromos, um grande sucesso editorial, e outras valiosas colecções do mesmo género, assim como para o álbum “Camões – Sua Vida Aventurosa”, editado pela APR em 1972 e anos depois reeditado, a cores, pela ASA. Foi também autor das mais eróticas ilustrações da BD portuguesa, para a revista Zakarella da Portugal Press.

carlos-alberto-alvarro-coutinho-o-magrico

Mais vasta e rica ainda é a sua obra como pintor, consagrada à divulgação dos grandes heróis e dos feitos mais relevantes da nossa História Pátria. Com efeito, foi a pintura (e só ela) que lhe permitiu exteriorizar a sua verdadeira personalidade artística. As suas telas estão espalhadas por diversas instituições públicas e particulares, como o Museu Militar do Porto, suscitando também o interesse de coleccionadores de todo o mundo.

O funeral de Carlos Alberto realiza-se na próxima quinta-feira, às 11h00, no cemitério do Alto de S. João, depois da missa de corpo presente, pelas 10h30, na Igreja do Santo Condestável, bairro de Campo de Ourique (onde o artista casou, em Janeiro de 1959, com a pintora Maria de Lurdes Paes).

Em memória de um extraordinário vulto das artes gráficas e plásticas portuguesas dos últimos 60 anos e de um homem de gentileza ímpar, reproduzimos seguidamente um artigo publicado na revista Temas nº 3 (Abril de 2000), em que se evoca o seu percurso, breve mas igualmente extraordinário, como banda desenhista.

carlos-alberto-e-a-bd-005

Nota – Tive a grande honra de colaborar com Carlos Alberto, como argumentista, num projecto que me encheu de satisfação (mas que seria a sua última obra em banda desenhada): a história “O Rei de Nápoles”, com 14 páginas a cores, publicada no 4º volume da colecção Contos Tradicionais Portugueses em BD, das Edições ASA (1993).

Na cena de abertura dessa história, de ambiente medieval, propus-lhe retratar uma caçada a um dos muitos animais selvagens que povoavam as florestas europeias desse tempo. Mas Carlos Alberto opôs-se, alegando respeitar, por princípio humanitário, a vida dos animais, qualquer que fosse a sua espécie. E a cena ficou assim…

rei-de-napoles-vigneta-006

Infelizmente, os seus problemas de visão afastaram-no definitivamente da BD e até da ilustração, para se dedicar apenas à pintura, onde deixou obras que perpetuam a tradição dos grandes mestres figurativos, honrando o nosso património artístico e cultural. Mas as suas criações para o Mundo de Aventuras, o Jornal do Cuto e outras revistas de banda desenhada também não serão esquecidas!

JOSÉ BATISTA: RETROSPECTIVA – 8

A HOMÉRICA ODISSEIA DE ULISSES (2ª parte)

Continuamos hoje a apresentar as lendárias aventuras de Ulisses, num trabalho com o traço de José Batista, dado à estampa em 1956, no fascículo nº 57 da famosa Colecção Condor, editada pela Agência Portuguesa de Revistas (APR), onde Jobat foi, durante muitos anos, um dos principais elementos do seu selecto e privativo grupo de desenhadores.

Ulisses (Col Condor)Inspirada no filme homónimo de 1954, produzido pelos estúdios italianos da Cinecitta — com dois popularíssimos actores norte-americanos, Kirk Douglas e Anthony Quinn, então no auge das suas carreiras, contracenando com as formosas vedetas italianas Silvana Mangano e Rossana Podesta —, a história ilustrada por José Batista é o seu primeiro trabalho de fôlego em banda desenhada, revelando já um grande apuro técnico e artístico, sobretudo no domínio do preto e branco, a par de uma total fidelidade aos pormenores, como trajes, adornos, armas, navios, cenários, paisagens, edifícios, que foi capaz de retratar com minúcia, verosimilhança e realismo, baseando-se numa série de fotogramas da obra cinematográfica. É por isso que as feições de Ulisses, Telémaco, Antínoo, Penélope, Nausica e das outras personagens da fantástica odisseia correspondem, com  inexcedível perfeição, às dos célebres actores que as encarnaram na tela. Registe-se, a título de curiosidade, que a capa da Colecção Condor foi confiada a outro desenhador da APR, já com mais experiência do que Jobat, mas com um estilo diferente: Carlos Alberto Santos.

Em 2005, os Cadernos Moura BD reeditaram no seu sexto número esta história quase “perdida” de Jobat, numa versão parcialmente restaurada por causa das legendas tipográficas e de alguns traços mais defeituosos, visto ter sido impressa numa revista de pequeno formato e de modesto aspecto gráfico como era a Colecção Condor. Mas são essas páginas que preferimos dar a conhecer aos nossos leitores, por fidelidade às origens, tal como fizemos com outras histórias de Jobat já apresentadas neste blogue e reproduzidas sempre das revistas onde foram primitivamente publicadas.

A versão retocada e aperfeiçoada por Jobat (que ainda conservava todos os originais) apareceu também, em 2004, nas páginas do jornal O Louletano, dando azo a uma rubrica periódica de BD coordenada até meados de 2012 pelo talentoso artista e nosso saudoso amigo, falecido prematuramente poucos meses depois.

Nota: para ler a história, com maior ampliação, clicar duas vezes sobre as imagens. 

Ulisses 11 e 12

Ulisses 13 e 14

Ulisses 15 e 16

Ulisses 17 e 18

Ulisses 19 e 20  

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 8

Natal Presépio Journal do Cuto 1971 252

Dando um salto em frente no tempo, eis outra interpretação serenamente clássica do tema do Presépio, pelo punho de Carlos Alberto Santos, versão essa que serviu de capa ao Jornal do Cuto nº 25, de 22 de Dezembro de 1971.

Pintor e retratista experimentado, de exuberante inspiração formal, com vasta obra exposta em museus e em galerias particulares, Carlos Alberto fugiu, porém, neste trabalho, aos padrões tradicionais, dando uma nota de naturalismo à figura de S. José, mais jovem do que rezam os textos bíblicos e vestido de árabe como muitos habitantes da Palestina.

Termina assim esta breve galeria de capas de Natal dedicadas ao tema do Presépio.

BATMAN – DE GOTHAM CITY PARA O CNBDI

Realiza-se amanhã, dia 27 de Março, pelas 21h00, um novo encontro no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI), no âmbito das palestras anuais Às quintas falamos de BD (ciclo Heróis de Papel, cujo tema será, desta vez, os 75 anos de Batman).

web-frente

Para falarem deste super-herói norte-americano estarão presentes João Miguel Lameiras — reputado especialista de banda desenhada, que dará a conhecer o nascimento de Batman e desvendará um pouco da sua história —, Luís Salvado — jornalista com vastos conhecimentos sobre a BD e a 7ª Arte, que evocará as várias vidas de Batman e a forma como todas elas reflectiram não só as adaptações da BD ao grande ecrã, mas também todo o cinema popular do respectivo período —, e ainda José de Freitas, ex-editor da Devir, que publicou Batman durante a última década.

web-verso

Recordamos a propósito que, no nosso país, o “homem-morcego” se estreou 20 anos depois do Super-Homem, com quem viria a partilhar A Revista dos Super-Heróis, editada nos anos 80 pela APR (Agência Portuguesa de Revistas), primeira publicação portuguesa de BD em que estes dois icónicos personagens tiveram vida autónoma.

Batman 6 e 8Batman 10 e 14

Em 1977, o Jornal do Cuto, na sua última fase, publicou durante vários números uma série de tiras diárias assinadas por Al Plastino, sob o título genérico Batman — Na Pista da Aventura, dedicando-lhes algumas capas da autoria de Carlos Alberto Santos, o primeiro ilustrador profissional português a retratar o “homem-morcego”.

Batman cuto 158 e 165