FANZINES DE JOSÉ PIRES (ABRIL 2017)

Imparável, cheio de energia e de uma regularidade impressionante, na sua actividade de faneditor, José Pires lançou este mês mais dois números dos seus excelentes fanzines Fandclassics e Fandwestern, o primeiro dedicado, na fase actual, à famosa série Terry e os Piratas, criada pelo mestre Milton Caniff em 1934, e que neste fanzine irá ter reprodução integral, dividida por 24 volumes, com 70 páginas cada. Um esforço digno de apreço, tanto mais que se trata do melhor período desta série, praticamente inédito no nosso país e que José Pires conta divulgar no espaço de dois anos!

Quanto ao Fandwestern, fanzine mais antigo e de prestigiosas tradições, publica neste número outro episódio da série fetiche de José Pires: Matt Marriott, a inolvidável criação de Tony Weare (desenhos) e James Edgar (argumento), estreada entre nós no Mundo de Aventuras nº 437, de 2/1/1958, com o nome do herói alterado para Calidano, o Justiceiro.

O certo é que esse bizarro nome pegou e a série fez carreira no Mundo de Aventuras e noutras publicações da mesma editora (onde sofreu “tratos de polé”, devido ao pequeno formato dessas revistas), até ter direito a aparecer com o seu verdadeiro título, quase uma década depois, no Mundo de Aventuras nº 845.

Diga-se desde já que este número do Fandwestern tem um interesse acrescido, pois apresenta um dos últimos episódios desenhados por Tony Weare, na sua maioria ainda inéditos entre nós. Mais uma  performance de José Pires que, no caso de Matt Marriott, já anunciou também a sua publicação integral, em 68 volumes, editando a propósito (para os leitores mais curiosos) um catálogo com todas as capas desta série, além das primeiras tiras e dos títulos originais dos 68 episódios que constituem a colecção.

(Nota: ver mais informações sobre os fanzines publicados por José Pires noutros blogues da nossa Loja de Papel: O Voo d’O Mosquito, A Montra dos Livros e Era Uma Vez o Oeste).

A QUINZENA CÓMICA – 35

SINAIS DE PRIMAVERA (2)

Basta olhar para esta capa para sentir o “cheiro” a Primavera!… Não há dúvida de que as garotas de José Manuel Soares — um dos artistas que mais se distinguiram no Cara Alegre, pelo seu traço elegante e as suas cores vivas e harmoniosas — tinham qualquer coisa de especial… e não pareciam apenas graciosas “bonecas” de papel, mas imagens feitas de outra substância, como a impalpável matéria dos sonhos!

DIAS 22 E 29 DE ABRIL: DUAS PALESTRAS NO CPBD SOBRE “A LEI DA SELVA” DE E.T. COELHO

Na continuidade das iniciativas que tem organizado com frequência na sua nova sede, o Clube Português de Banda Desenhada anuncia mais duas palestras, a realizar nos próximos dias 22 e 29 de Abril, pelas 17h00, e dedicadas, com o precioso apoio de um dos seus mais ilustres consócios, mestre José Ruy, à obra-prima de Eduardo Teixeira Coelho “A Lei da Selva”, publicada em 1948 na mítica revista O Mosquito e reeditada finalmente em livro, há alguns meses, por Manuel Caldas.

À parte o interesse específico do tema — apresentado de forma inédita, a partir da leitura de um excelente estudo de Domingos Isabelinho —, este evento representa um progresso para o CPBD, que está agora equipado com meios técnicos (PowerPoint) que lhe permitem valorizar enormemente as suas sessões. 

O FOGUETÃO E OS OVOS DA PÁSCOA DE HERGÉ

Todos os anos, pelo Natal e pela Páscoa, os jovens leitores da revista Tintin, “dos 7 aos 77”, aguardavam (certamente cheios de curiosidade) que o seu autor preferido, isto é, Georges Rémi (vulgo Hergé), os brindasse com mais uma capa alusiva a essas quadras festivas… pois as suas ilustrações tinham sempre algo de especial.

Já se tinha tornado uma tradição que Hergé (auxiliado pelos seus colaboradores, com destaque para Bob de Moor, o que melhor imitava o seu estilo) realizasse essas capas com a mesma inspiração com que idealizava as aventuras de um jovem repórter chamado Tintin, cuja fama se estendia a todo o mundo, sobretudo depois de ter dado mais um passo a caminho da imortalidade, preparando-se para viajar até à Lua.

Corria o ano de 1952 e na mente e nos planos dos cientistas essa viagem não passava ainda de um sonho difícil de concretizar nos anos mais próximos. Mas Tintin e os seus amigos não tardariam a ser os primeiros astronautas a pisar a Lua, graças à imaginação, ao talento e à audácia de um autor para quem o futuro (até mesmo esse futuro ainda tão distante) não tinha segredos nem encerrava impossíveis!

Assim, o supersónico foguetão (hoje um dos objectos mais célebres do Museu Hergé, em Bruxelas) onde os seus heróis viajaram ao encontro do misterioso satélite, foi a imagem escolhida, como metáfora de um sonho que nada impediria de se tornar realidade, para que os “ovos da Páscoa” de 1952 parecessem ainda mais deliciosos e a revista Tintin (que já ia no 7º ano de existência) continuasse a surpreender e a encantar os seus leitores!

O BOLETIM DO CPBD CONTINUA EM PUBLICAÇÃO

O Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) acaba de editar o nº 143 do seu Boletim, com data de Fevereiro de 2017, um dos fanzines mais antigos em publicação, não só em Portugal como em toda a Europa, e que pela sua qualidade e longevidade merece ombrear com os melhores (como, aliás, tem sido realçado por vários especialistas).

Neste número, dedicado ao Titã — uma revista de BD dos anos 1950, editada pela Fomento de Publicações em moldes inovadores, mas que não teve o sucesso esperado, devido à forte concorrência do Cavaleiro Andante e do Mundo de Aventuras —, destaca-se um excelente artigo sobre este tema, da autoria de Ricardo Leite Pinto, sobrinho do saudoso Roussado Pinto, incontornável pioneiro da “época de ouro” da BD portuguesa, que no Titã exerceu as funções de novelista/argumentista, redactor principal e, a breve trecho, director, depois de ter saído do Mundo de Aventuras e da Agência Portuguesa de Revistas.

No Titã colaboraram também alguns desenhadores portugueses, já nessa época com largo e invejável currículo, como Vítor Péon, José Garcês e José Ruy, devendo-se a Péon e ao seu traço dinâmico a capa do 1º número e a história “Circos em Luta”, cujo herói, criado por Edgar (Roussado Pinto) Caygill, se chamava nem mais nem menos… Titã!

Completa este número um artigo de Carlos Gonçalves sobre a magnífica arte de E.T. Coelho, com uma galeria de trabalhos deste grande desenhador para O Mosquito, que estiveram patentes, até há pouco tempo, numa exposição realizada pelo CPBD na sua nova sede.

As imagens reproduzidas neste post foram extraídas, com a devida vénia, do blogue Sítio dos Fanzines de Banda Desenhada, orientado por Geraldes Lino, cuja consulta recomendamos a todos os interessados por este aliciante tema que o mestre Lino conhece e aborda como poucos. Ou melhor dizendo, como ninguém!

Nota: nos nossos blogues A Montra dos Livros e O Voo d’O Mosquito podem ver também este post com mais imagens.

CIÊNCIA E BANDA DESENHADA: O CÉREBRO HUMANO, ESSE DESCONHECIDO

História realizada por João Ramalho Santos e Sara Varela Amaral (coordenação e texto), e por André Caetano (ilustrações), que reproduzimos do jornal Público (edição de 24 de Março de 2017), com a devida vénia e parabéns aos seus autores. É pena que exemplos deste tipo (e com este planeamento) não sejam mais frequentes, utilizando a banda desenhada como suporte para a divulgação científica junto do grande público.

“JOSÉ COELHO – O MÚSICO AUTODIDATA”: UM NOVO TRABALHO DE CARLOS RICO

Como reza o convite que reproduzimos com todo o gosto (embora não possamos estar presentes, por motivo de força maior), no próximo sábado, dia 1 de Abril, às 15h30, na Feira do Livro de Moura, será apresentado o novo álbum de banda desenhada de Carlos Rico, com a biografia de um mourense de eleição: José Coelho, músico e compositor cuja obra mais conhecida é o Hino a N.ª S.ª do Carmo, tocado em todos os pontos do país (e não só).

A edição é da Câmara Municipal de Moura. A seguir ao lançamento, haverá um concerto com a Banda da Sociedade Filarmónica União Mourense “Os Amarelos”. E à noite, um outro concerto com os… “Virgem Suta”. Um programa aliciante, que merece a vossa presença. Muitos parabéns, amigo Carlos Rico! E parabéns também à autarquia de Moura (e ao seu Presidente), por não desistir da BD!