OS DOZE DE INGLATERRA – por E.T. Coelho (2)

12 DE INGLATERRA_definitivo

A propósito do álbum que será lançado em breve pela Gradiva, com a reedição de uma das melhores histórias ilustradas por E.T. Coelho, cuja publicação teve lugar n’O Mosquito, entre Dezembro de 1950 e Dezembro de 1951 — e à qual já nos referimos com destaque num post anterior, que podem (re)ver aqui —, divulgamos seguidamente um texto de José Ruy, outro grande autor português de BD, com vasta obra de reconhecido mérito, que muito nos tem honrado com a sua colaboração e a sua amizade.

É de realçar, fazendo nossas as palavras de José Ruy, não só a qualidade gráfica desse álbum como as características que o distinguem da edição d’O Mosquito (e de outra, nos anos 70, sob a égide do Jornal do Cuto), pois foi realizado com base em provas originais, sem legendas, o que permitiu ultrapassar alguns defeitos dessas publicações, conservando, em todo o seu esplendor, a beleza imaculada da arte de E.T. Coelho.

As duas páginas, com novas legendas, e as capas do álbum foram-nos também enviadas por José Ruy, podendo apreciar-se numa das imagens o contraste, por causa das cores e dos textos (que tiveram de ser refeitos para não cortarem pormenores dos desenhos), entre a mesma página publicada n’O Mosquito e a que consta do álbum.

OS DOZE DE INGLATERRA EM QUADRINHOS

«A grande novidade deste final de ano e início de 2016 é a brilhante iniciativa da editora Gradiva ao publicar uma obra notável, Os Doze de Inglaterra, adaptada em quadrinhos, a partir de um opúsculo atribuído a Campos Júnior, por Eduardo Teixeira Coelho, com o seu traço magistral. A história, com 112 páginas primorosamente desenhadas e inicialmente publicada n’ O Mosquito nos anos de 1950/51, foi agora recuperada numa edição de luxo e insere-se na comemoração dos 80 anos da saída do primeiro número deste mítico jornal, a 14 de Janeiro de 1936.

Aquando da primeira publicação no jornal O Mosquito, devido ao texto excessivo, embora muito bem escrito, de Raul Correia, partes importantes dos desenhos foram lamentavelmente amputadas e a sua composição gráfica alterada devido a esse facto. Apresenta-se-nos agora a ocasião única de podermos, pela primeira vez, observar os desenhos completos do grande ilustrador E. T. Coelho.

O aspecto de cada página, embora muito melhorado pelas novas tecnologias ao nosso alcance, mantém as características da publicação no jornal O Mosquito, com a sua textura peculiar. É uma edição a não perder, por todos os que mantêm a recordação desse tempo e pelos que tomarem agora contacto, pela primeira vez, com a obra de E.T. Coelho, descobrindo a mestria deste exímio e consagrado autor de histórias em quadrinhos, reconhecido não só em toda a Europa como além dela.

Deixo aqui um conselho, se me permitem: façam já a sua reserva de um exemplar na editora (http://www.gradiva.pt), pois a edição será limitada.

O editor da Gradiva, Guilherme Valente, está, por isso, de parabéns por esta preciosa edição. Destaco a dedicação dos técnicos especializados da casa impressora, a Multitipo, e do arranjo da capa sobre um desenho de E.T. Coelho, pelo gráfico Armando Lopes, ele também autor de histórias em quadrinhos.

Compete-nos a todos, admiradores da arte de Teixeira Coelho, acarinhar esta heróica iniciativa, adquirindo exemplares e divulgando-a como merece.

Se um livro é sempre uma boa prenda para alguém que estimamos, este fará, sem dúvida, a felicidade de quem gosta de ler e aprecia as histórias em quadrinhos de qualidade».

José Ruy

A QUINZENA CÓMICA – 6

ELES E ELAS: MEIA IDADE (2)

Cara Alegre 26 e 34

Nas capas do Cara Alegre que hoje enfeitam esta humorística e pitoresca galeria, voltam a estar em destaque os desenvoltos traços de dois dos seus melhores e mais prolíficos colaboradores artísticos: José Viana e José Manuel Soares, que sucederam a Stuart Carvalhais após a primeira etapa (nºs 1 a 24) da revista.

Não sabemos por que motivo Stuart, tão assíduo no ano de 1951, em pleno auge da sua carreira, abandonou as fileiras do Cara Alegre, mas não há dúvida de que foi bem substituído por dois jovens cartunistas, inspirados pela mesma esfuziante veia cómica e já com um estilo depurado, mas que pouco devia ao do seu ilustre antecessor, procurando aliar a nova forma a um sentido inato do humor malicioso.

Cara Alegre 86 e 98

 

AS FUTURAS ACTIVIDADES DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA (CPBD)

CPBD entrada

No passado dia 14 de Novembro, nas novas instalações cedidas pelo município da Amadora, onde anteriormente funcionava o CNBDI (Av. do Brasil, 52-A, Reboleira), o Clube Português de Banda Desenhada, reunido em Assembleia Geral, com mesa formada por Dâmaso Afonso (presidente), António Isidro (vice-presidente) e Carlos Moreno (secretário), definiu a programação para o período até Dezembro de 2016: exposições, encontros, palestras, acções de formação, etc. Aqui lhe damos a devida publicidade.

CPBD Assembleia 1 e 2

Nota: as fotos da citada reunião foram gentilmente cedidas pelo blogue Divulgando Banda Desenhada, orientado por Geraldes Lino, a quem retribuímos a amizade e agradecemos a partilha. O CPBD já tem páginas nas seguintes redes sociais:

https://www.facebook.com/Clube-Português-de-Banda-Desenhada-1674979312745675/

https://plus.google.com/u/0/109089305559630635992/posts

https://twitter.com/cpbd1976

https://pt.linkedin.com/in/clubeportuguesbandadesenhada

EVENTOS DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA PARA A TEMPORADA 2015/2016

CPBD novo logo.pngComo é óbvio, as nossas propostas para futuros eventos do CPBD estarão sujeitas a quaisquer condicionalismos que possam surgir futuramente, não no aspecto da sua possível realização e concretização por falta de mão-de-obra ou de possibilidades financeiras (pensamos que aí teremos uma preciosa ajuda da nossa anfitriã, a Câmara Municipal da Amadora), mas por decisões de maior oportunidade de aproveitar esta ou aquela nova realização, por conveniência dos intervenientes. De todos os modos, estarão empenhados nestes eventos todos os esforços de uma associação que, embora antiga, está neste momento a dar os seus primeiros passos com novos associados e ainda com uma moral que, embora rejuvenescedora, precisa de criar os seus alicerces.

Queremos que fique aqui bem expresso que todas estas novas actividades do CPBD só serão possíveis devido à grande vontade e empenhamento de José Ruy, nosso mentor e ajuda preciosa na concretização de todos estes projectos.

Um primeiro grupo de actividades corresponde a uma “programação mínima” que vinculará o CPBD perante a Câmara Municipal da Amadora, no âmbito de um contrato- -programa a celebrar entre o Clube e o Município da Amadora.

CPBD (alguns sócios)

I

EXPOSIÇÕES

Entre Novembro e Dezembro de 2015:

Stuart Carvalhais (na comemoração dos 100 anos do aparecimento das personagens Quim e Manecas)

José de Lemos (20 anos do seu desaparecimento)

Entre Janeiro e Maio de 2016:

“O Mosquito” (na comemoração dos 80 anos desta publicação)

Eça de Queiroz na Banda Desenhada (exposição cedida pelo Município de Moura)

Alexandre Herculano na Banda Desenhada (exposição cedida pelo Município de Moura)

Entre Junho e Setembro de 2016:

40 anos do CPBD (sobre o Historial do Clube Português de Banda Desenhada, na comemoração dos seus 40 anos de existência)

Entre Outubro e Novembro de 2016:

“ABCzinho” (exposição comemorativa dos 95 anos desta revista)

Quim e Manecas (CPBD)II

PROGRAMAÇÃO DIVERSA

Entre Novembro e Dezembro de 2015:

Um autor, uma obra (série de encontros com autores de BD, sobre o seu método de trabalho e uma obra em destaque): José Ruy e A Peregrinação

Entre Janeiro e Maio de 2016:

No âmbito da exposição “O Mosquito” – ciclo de palestras coordenado por José Ruy:

– Uma BD de “O Mosquito”: Os Doze de Inglaterra (por E.T. Coelho) – incluindo o lançamento do álbum editado pela Gradiva

– Os novelistas de “O Mosquito”

– Os processos gráficos de “O Mosquito”

No âmbito das mostras “Eça de Queiroz na Banda Desenhada” e “Alexandre Herculano na Banda Desenhada”:

Workshop sobre a adaptação de textos literários à banda desenhada

Um autor, uma obra (autor a confirmar)

Entre Junho e Setembro de 2016:

No âmbito da exposição “40 anos de CPBD”:

– Conferência sobre a história do CPBD

– Jornada de reflexão e debate sobre o futuro do CPBD

– Feira de fanzines e revistas

Entre Outubro e Novembro de 2016:

No âmbito da exposição “ABCzinho”:

– Palestra sobre o “ABCzinho” e Cottinelli Telmo

– Riscos e Rabiscos – sessão de desenho ao vivo

Um autor, uma obra (autor a confirmar)

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Fora deste grupo de actividades que será objecto do contrato-programa, o CPBD pretende ir mais longe na programação deste período. O Clube está receptivo às sugestões dos sócios.

Não faltam ideias:

Nas várias edições do Boletim do CPBD, foram publicadas algumas obras de jovens desenhadores portugueses, que estavam a dar os seus primeiros passos na 9ª Arte. Uma exposição de comparação entre as suas realizações, enquanto jovens, e as posteriores, será um facto a considerar.

Realização de outras acções de formação (nomeadamente oferta de ocupação dos tempos livres – sugestão da Srª. Presidente da Câmara).

Realização de palestras e mesas-redondas temáticas:

José Ruy – Quando entrei para “O Mosquito” – 16 de Janeiro de 2016

Carlos Pessoa – Homenagem a Hugo Pratt – 1º trimestre de 2016

José Carlos Francisco – Como conheci Tex – 11 de Junho de 2016

Pedro Mota – Entrevistas com autores de BD: Pedro Massano

Pedro Mota – Os argumentistas de BD

Carlos Gonçalves – Memórias da fundação do CPBD

Pedro Bouça – História do mangá no Japão

Machado-Dias – Autores brasileiros modernos desde Shimamoto

Prof. António Martinó – A função pedagógica da Banda Desenhada

Exposições de homenagem a autores (a promover na sede do CPBD ou noutros espaços, designadamente equipamentos culturais da Amadora, em parceria com a respectiva Câmara Municipal).

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OS DOZE DE INGLATERRA – por E.T. Coelho (1)

Nos finais de 1950, O Mosquito — uma das mais antigas e famosas revistas da “época de ouro” da BD portuguesa — voltou a passar por profundas transformações, mudando de formato e aumentando o número de páginas (de oito para dezasseis), mas sem alteração do módico preço de 10 tostões (1 escudo), que mantinha simbolicamente há vários anos. O objectivo dessa mudança radical era continuar a atrair o interesse da rapaziada, oferecendo-lhe mais páginas e mais histórias pelo mesmo preço, embora o formato tivesse sido reduzido para metade, como na 2ª fase, publicada durante quase meia década — talvez a mais gloriosa da sua história —, entre Janeiro de 1942 e Dezembro de 1945.

A concorrência dos seus maiores rivais, como o Mundo de Aventuras (nascido pouco tempo antes, em Agosto de 1949) e o Diabrete (que já ia no 9º ano de publicação), foi, aliás, uma das razões mais fortes que ditaram essa decisão, largamente anunciada (e aplaudida pela esmagadora maioria dos leitores) nos últimos números do formato precedente, fazendo jus ao lema d’O Mosquito, tantas vezes repetido: Cada vez melhor!

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O principal colaborador artístico da revista continuava a ser Eduardo Teixeira Coelho, que deslumbrara a numerosa hoste dos seus juvenis admiradores com as magníficas adaptações de contos e novelas de Eça de Queirós publicadas pel’O Mosquito sem interrupção, desde o nº 1113: A Torre de D. Ramires (novela longa extraída do romance A Ilustre Casa de Ramires), O Defunto e O Suave Milagre.

12 Inglaterra Mosq 1280 704Histórias escritas por um dos maiores prosadores da língua portuguesa, que se transfiguraram, através do traço destro e harmonioso de outro extraordinário artista, numa obra-prima dos quadradinhos nacionais, digna até de chegar ao conhecimento de um público mais ecléctico e culturalmente mais amadurecido — como era o sonho de Raul Correia, grande promotor dessa fervorosa home- nagem ao insigne romancista que tanto admirava —, o que só viria a acontecer muitos anos depois, com a sua compilação em álbuns pelas editoras Vega e Futura.

No entanto, ao iniciar-se no nº 1201, de 27 de Dezembro de 1950, uma nova etapa, outra surpresa estava reservada aos leitores d’O Mosquito. Mas não foi o Eça que regressou às suas páginas, para mágoa de alguns — já contagiados pelo ritmo e pelo estilo lapidar da sua prosa —, embora E.T. Coelho continuasse presente, com outra excelente criação de ambiente histórico.

Tratava-se de uma narrativa com texto de Raul Correia, cujo enredo era baseado num tema conhecido de muitos jovens, sobretudo daqueles que já frequentavam o curso liceal, onde nas aulas de Português era obrigatória a leitura d’Os Lusíadas, o poema épico de Luís de Camões que descreve, em estâncias imortais, alguns dos maiores feitos da nossa História.

12 Inglaterra Mosq 1288Inspirando-se na romântica e heróica gesta dos Doze de Inglaterra — um grupo de jovens cavaleiros da corte de D. João I, o Rei de Boa Memória, que foram a Inglaterra participar num torneio em defesa de doze damas injuriadas por membros da nobreza, mais rudes no tratamento cortês do que no manejo das armas, como ficou provado durante a liça, para glória dos doze mancebos portugueses, entre os quais se destacou a bravura de Álvaro Gonçalves Coutinho, o Magriço —, E.T. Coelho produziu outra obra-prima de perfeita beleza, que infelizmente n’O Mosquito perdeu muitos dos seus atractivos por causa do formato reduzido da revista e, sobretudo, do aspecto gráfico das vinhetas, onde o texto cortava, por vezes, a margem inferior dos desenhos.

Ressalvados, porém, esses defeitos — além da publicação descontínua, devido aos frequentes atrasos de E.T. Coelho, ocupado com outras tarefas —, não há dúvida de que os leitores d’O Mosquito acompanharam sempre com grande entusiasmo o relato das façanhas do Magriço, que decidiu fazer uma longa viagem por terra com o seu escudeiro, pisando somente solo inglês 12 Inglaterra Mosq 1285 705(para se juntar aos outros cavaleiros embarcados, tempos antes, em Lisboa) depois de viver inúmeras e pitorescas aventuras.

Com mais de 100 páginas, impressas a duas cores e cujo lugar de honra foi, durante muitos números, o espaço central da revista, com legendas em rodapé que tinham o cunho fluente e emotivo da prosa de Raul Correia, “Os Doze de Inglaterra” constitui, como já referimos, um magnífico exemplo do deslumbrante estilo de E.T. Coelho, então no cume da sua evolução artística, iniciada cerca de oito anos antes nas páginas de revistas como O Senhor Doutor, o Engenhocas e O Mosquito.

12 Inglaterra Mosq 1287 706Uma obra que obteve grande êxito e ficou na história da BD portuguesa, digna, por todos os motivos, de ser apresentada às gerações actuais, numa nova e cuidada edição, sob os auspícios de outro grande nome das histórias aos quadradinhos, mestre José Ruy — que acompanhou grande parte da carreira de E.T. Coelho em Portugal, como amigo e colega de trabalho, e é um dos mais profundos conhecedores da sua obra — e de uma editora com notável projecção em várias áreas, nomea- damente na da Banda Desenhada: a Gradiva.

Brevemente, divulgaremos uma nota informativa de José Ruy, onde essa sensacional novidade, ou seja, a apresentação em álbum (a partir de provas originais) de “Os Doze de Inglaterra” — coincidindo, a título de expressiva homenagem, com o 80º aniversário d’O Mosquito, que ocorrerá no próximo mês de Janeiro —, é descrita e explicada com mais pormenores.

BEDETECA CASCAENSE JOSÉ DE MATOS-CRUZ

CONVITE

O concelho de Cascais enriquece-se culturalmente com a Bedeteca José de Matos-Cruz, que será inaugurada depois de amanhã, dia 20 de Novembro, na Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana.

Bem a propósito, foi baptizada com o nome de um autor, crítico e divulgador residente no concelho e fervoroso apreciador da 9ª Arte, entre outras.

Parabéns e longa vida à Bedeteca!

O HINO DA LIBERDADE

copyright athilde Adorno. jpg

Quando as maiores calamidades atingem o mundo, sejam elas catástrofes naturais, conflitos armados, desastres provocados por acidente ou pela fúria cega e criminosa de alguns, a força da coragem e da razão logra sempre sobrepujar a fatalidade do destino, reacendendo no espírito humano a luz da esperança e da solidariedade, graças à qual os que resistem conseguem infalivelmente orientar-se sem receio nos “caminhos das trevas”, vencendo as maiores adversidades e os maiores perigos, e ajudando o seu próximo a recuperar também o sentido profundo e transcendente da vida.

copyright Alexandra FerreroNum movimento espontâneo de homenagem às vítimas inocentes dos massacres terroristas de Paris, na passada sexta-feira 13 (que assim fez jus ao seu cariz fatídico), tem-se multiplicado por todas as redes sociais a divulgação de um vídeo com a famosa cena de “Casablanca” — um dos maiores clássicos do cinema, produzido durante a 2ª Guerra Mundial — em que o hino nacional francês, La Marseillaise, é vibrantemente entoado por um grupo de homens e mulheres sem medo, perante os seus inimigos nazis, tornando-se, assim, o símbolo da luta pela liberdade nas horas negras da tirania e do fascismo.

Tal como hoje, quando em Paris ainda ecoam os lamentos das vítimas e os clamores indignados dos milhares de cidadãos que não abdicam dos seus ideais e dos valores supremos da Democracia: liberdade, igualdade, fraternidade. Contra a intolerância, o fanatismo, o terror e a barbárie… quaisquer que sejam as suas origens e as formas que assumirem.

 

A QUINZENA CÓMICA – 5

ELES E ELAS: MEIA IDADE (1)

Cara Alegre nº 12 e 14

Preenchemos hoje esta rubrica com mais quatro ilustrações de Stuart (nem mais nem menos), extraídas da célebre revista humorística cujos melhores trabalhos e colaboradores continuamos a recordar, para deleite de muitos que ainda evocam com saudade esses velhos tempos e “a santa inocência das malandrices” de alguns inolvidáveis cartunistas.

“Comparado com o que vemos hoje no dia a dia, ou melhor, na noite a noite desta geração, o Cara Alegre tinha a pureza de um bebé de dois meses!”.

Foi assim que um leitor assíduo comentou no Facebook um dos nossos posts e, como é óbvio, estamos inteiramente de acordo com ele. Nem mesmo Stuart, apesar do seu espírito boémio, fugia à regra… pois a isso obrigavam a censura e os bons costumes.

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“A VIAGEM DO ELEFANTE” – EXPOSIÇÃO EM VISEU

cartaz viseu- viagem do elefante

É já amanhã sábado, dia 14, às 16.00 horas, que será inaugurada na Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva, em Viseu, uma exposição relativa ao mais recente e valioso trabalho de João Amaral: a adaptação de A Viagem do Elefante”, de José Saramago, em banda desenhada, cujo merecido êxito tem feito o seu autor calcorrear também um longo caminho, recheado de episódios marcantes.

“Quem tiver a oportunidade de se deslocar a esta bonita cidade beirã” — escreveu João Amaral no seu blogue — “poderá ver algumas reproduções de pranchas, desenhos, e saber um pouco do que foi todo o processo criativo desta obra. Na sessão inaugural, obviamente que estarei presente para falar também sobre esse assunto. Para já, fica o meu agradecimento aos elementos do GICAV, que tiveram a ideia e organizaram todo o núcleo expositivo relativo a este meu trabalho, bem como à Câmara Municipal de Viseu pelo seu apoio. Fica, então, aqui exposto o cartaz e o convite dirigido a todos os que puderem comparecer”.

A NOVA VIDA DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA (CPBD)

A inauguração da nova sede do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), que decorreu no passado dia 6 de Novembro, com a presença da Presidente da Câmara Muni- cipal da Amadora e do seu Vereador da Cultura, assim como de vários membros da actual direcção do Clube e de alguns sócios, contou também com a participação de Mestre José Ruy, que teve a gentileza de nos enviar o seguinte texto que ele próprio redigiu sobre o evento, acompanhado pelas fotos tiradas pelo infatigável “repórter” Dâmaso Afonso.

NOVA SEDE DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA (por José Ruy)

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CPBD novo logo.pngQualquer de nós que gostamos de Histórias em Quadradinhos e nos interessámos pelos eventos dedicados a esta arte ao longo das últimas quatro décadas, não pode ignorar a acção pedagógica do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), criado em 1976.

Quando o imóvel da Amadora, na Avenida do Brasil 52A, onde estivera instalado o Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI), ficou devoluto, e depois do acervo de originais ter sido transferido para um “bunker” com melhores condições, na nova Bedeteca da Amadora, a autarquia pensou como iria ocupar esse mítico local.

IMG_2520aVárias hipóteses se apresentavam para o espaço, mas era intenção da edilidade manter ali uma actividade ligada ao tema «histórias em quadradinhos», que o funcionamento durante dezanove anos do CNBDI cimentara com um prestígio confirmado por todos nós.

Por isso, o Dr. Luís Vargas, que idealizara o CNBDI, lembrou-se de que faria todo o sentido que o Clube Português de Banda Desenhada transferisse para ali a sua sede.

Feitos os contactos, chegou-se ao acordo de uma parceria e, assim, no local continuarão a ser realizadas exposições e principalmente eventos relacionados com esta tão digna arte. O CPBD tem agora as condições indispensáveis para alargar as suas actividades a grupos etários mais jovens, pois esses terão à sua disposição um espaço para montarem ateliês e poderem trabalhar em grupo.

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No dia 6 de Outubro, a nova sede foi inaugurada oficialmente, abrindo ao público três importantes exposições: uma sobre as personagens de Stuart Carvalhais, Quim & Manecas, num prolongamento do tema que esteve patente no Festival de BD da Amadora deste ano; outra sobre José de Lemos, um grande «cartoonista» do jornal Diário Popular, com um traço elegante e inconfundível. Estão expostos originais da colecção particular de Carlos Gonçalves e também reproduções cedidas gentilmente por Teófilo Duarte, de um evento realizado em 2014 pelo próprio, na Casa da Cultura de Setúbal.

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A terceira exposição consta do acervo de quarenta anos do CPBD, com as suas edições, cartazes, boletins e antigas secções nos jornais diários Correio da Manhã e outros, que mostra bem a actividade de divulgação de tudo o que nós, autores de «quadradinhos», publicámos em livros e revistas durante estas quatro décadas.

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As fotos seguintes, tiradas também por Dâmaso Afonso (a quem agradecemos a sua disponibilidade), referem-se à visita, durante a inauguração, da Presidente da Câmara da Amadora, Dr.ª Carla Tavares, e do Vereador da Cultura, Dr. António Moreira.

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A nova sede do CPBD abrirá aos sábados, das 15 às 18 horas. No entanto, sempre que estiverem estabelecidas marcações com escolas ou grupos interessados e forem estipuladas as datas dos eventos aprovados na programação, funcionará em dias úteis da semana, e as datas serão divulgadas nos blogues da especialidade.