A QUINZENA CÓMICA – 34

SINAIS DE PRIMAVERA (1)

Chegou a Primavera (também chamada “estação dos amores”) e as raparigas românticas extravasam os seus sentimentos, em efusiva comunhão com a Natureza… como retrata esta primaveril ilustração de José Viana, com a verve gráfica e humorística que o tornou um dos melhores colaboradores do Cara Alegre.

“A MARCA JACOBS” OU QUANDO UM AUTOR VIVE A SUA PRÓPRIA AVENTURA

Artigo de Nuno Galopin, na revista E do Expresso (25/2/2017)

O álbum “A Marca Jacobs”, recentemente editado pela Arte de Autor e que recomendamos sem reservas a todos os admiradores do mestre belga, é distribuído pelo grupo Europress. Seguidamente, reproduzimos duas páginas desta obra, extraídas, com a devida vénia, do blogue Kuentro-2. Além de Edgar Pierre Jacobs, é visível numa delas, pelo traço de Alloing, a figura de Georges Rémi, que se celebrizou com o pseudónimo de Hergé. Jacobs foi seu assíduo (e valioso) colaborador, nos primeiros estúdios do criador de Tintin.

A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM BD – 15

VASCO DA GAMA E O CAMINHO MARÍTIMO PARA A ÍNDIA

Conforme informação recolhida, com a devida vénia, no conhecido blogue Divulgando Banda Desenhada, eficientemente coordenado por Geraldes Lino, nosso amigo de longa data e bedéfilo dos “quatro costados”, a página supra, dedicada ao épico feito do navegador português Vasco da Gama, foi publicada na revista Eagle nº 50 (22/3/1951).

Embora o facto mereça relevo — pois os ingleses sempre ligaram mais importância aos seus feitos e aos seus heróis marítimos do que aos de outras nações —, não deixa de chamar a atenção a falta de autenticidade de alguns pormenores, a começar, desde logo, pelos navios, que pouco se parecem com as pequenas e frágeis caravelas portuguesas, de velame reduzido, facilmente manobráveis, mesmo no mar alto; pelo contrário, as imagens desta página lembram os pesados galeões dos séculos XVI e XVII com que os marinheiros e corsários ingleses conquistaram, a ferro e fogo, o domínio dos mares.

Na última vinheta, a fantasia do desenhador (cujo nome nós também ignoramos) foi ainda mais longe, ao transformar Belém, um local quase ermo, nessa época, num subúrbio ridente e populoso da capital portuguesa — que o êxito das expedições marítimas à Costa da Mina tinha transformado numa das mais ricas da Europa desse tempo.

Neste “quadradinho”, a imagem de quatro navios é outro atropelo ao rigor histórico, pois, na verdade, apenas dois regressaram da longa e tormentosa travessia até à Índia, em busca “de especiarias e de cristãos”. Os outros tiveram destino diferente: a caravela de Bartolomeu Dias deixou a frota, logo no início da viagem, para se dirigir à feitoria de S. Jorge da Mina, enquanto que a nau S. Rafael, capitaneada por Paulo da Gama, irmão do capitão-mor da armada, foi destruída pelo fogo, na costa de Mombaça, por ordem de Vasco da Gama (tal como acontecera à nau dos mantimentos, na viagem de ida, ao aportarem à Angra de São Braz), porque já eram poucos os marinheiros, no regresso da Índia, tornando ainda mais difícil a manobra e pondo em risco o sucesso da expedição.

Mais haveria a dizer, mormente quanto à estadia dos portugueses em Calecute, que não foi tão pacífica e festiva, nem tão longa, como o autor do texto dá a entender. Mas ficamos por aqui, sublinhando apenas, mais uma vez, a falta de rigor documental e histórico desta rubrica, pois a heróica epopeia de Vasco da Gama — magistralmente descrita por E.T. Coelho na sua obra-prima “O Caminho do Oriente” (Os Lusíadas da BD Portuguesa) — merecia outra abordagem, numa revista tão emblemática como a Eagle.    

Razão tem aquele velho ditado português: “no melhor pano cai a nódoa”…

EXPOSIÇÕES SOBRE JIJÉ E VANDERSTEEN NO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

No próximo dia 18 de Março, o CPBD realiza mais um evento que certamente ficará para a sua história, inaugurando simultaneamente três exposições: a primeira sobre o Cavaleiro Andante (como já aqui foi anunciado), e as restantes em homenagem a dois grandes nomes da BD franco-belga, Joseph Gillain (Jijé) e Willy Vandersteen — numa parceria com o Gicav, de Viseu, e a Câmara Municipal de Moura, entidades que patrocinaram, em anos recentes, exposições sobre estes autores, cuja obra foi bastante conhecida e apreciada em Portugal, pelos leitores do Diabrete, Cavaleiro Andante, Zorro, Foguetão, Nau Catrineta, Mundo de Aventuras e outras publicações juvenis. 

A  preceder a abertura destas mostras, que ocupam três salas do CPBD, haverá um colóquio, às 16hoo — subordinado ao tema “Jijé, um artista sempre presente” —, com um destacado membro do clã Jijé, o seu neto Romain Gillain, há muitos anos a viver no nosso país e que, por isso, domina perfeitamente a língua portuguesa.

A QUINZENA CÓMICA – 33

MÁSCARAS DE CARNAVAL

O Carnaval já passou, mas não resistimos a publicar mais uma capa do Cara Alegre com o traço de José Viana, que bem ao seu jeito (aliando a eficaz singeleza do traço a uma comicidade de efeito fácil, como as piadas revisteiras) retrata a utilidade prática de usar máscaras carnavalescas quando se vai a uma festa em companhia da “cara-metade”… sobretudo se esta é do tipo matrona e zelosa vigilante da fidelidade conjugal!

A BLOGOSFERA E AS REDES SOCIAIS – UM TEMA DE ACTUALIDADE EM FOCO NO JORNAL “i”

Recebemos há dias um pedido de colaboração por parte de uma jornalista do quotidiano i que pretendia elaborar um artigo sobre os blogues em Portugal… Junto, vinha uma série de perguntas. Como fomos muito gentilmente abordados, a minha gata Mounette também achou, como porta-voz dos Gatos, Gatinhos e Gatarrões! [e “madrinha” d’O Gato Alfarrabista] que seria cortês responder, pois a nossa experiência de sete blogues — com O Voo do Mosquito e A Montra dos Livros, entre outros irmãos mais novos deste blogue, dirigidos pelo Jorge Magalhães — poderia contribuir para enriquecer o conhecimento sobre a matéria da senhora jornalista Joana Marques Alves.

Aqui divulgamos, com a devida vénia, parte do seu artigo (publicado na edição do i em 6 de Março p.p.), a primeira e a última páginas de seis. A primeira, por ter o título e a introdução, e a última, onde se fala dos nossos blogues, assim como do blogue Imaginário-Kafre, do nosso prezado amigo José de Matos-Cruz.

(Texto de Catherine Labey, extraído do seu blogueGatos, Gatinhos e Gatarrões”. Para ver/ler as páginas em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre a imagem).

EXPOSIÇÃO SOBRE O “CAVALEIRO ANDANTE” NO CPBD

Prosseguindo uma intensa actividade, com ciclos temáticos que englobam exposições, colóquios e outros eventos realizados na sua nova sede, o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) inaugura no próximo dia 18 de Março (sábado) uma mostra dedicada à emblemática revista Cavaleiro Andante, que na década de 1950 rivalizou com o Mundo de Aventuras e outras publicações juvenis, distinguindo-se por oferecer aos seus leitores as melhores obras da BD europeia, nomeadamente de origem italiana e franco-belga.

A exposição comemora os 65 anos de nascimento do Cavaleiro Andante, cuja existência decorreu de 5 de Janeiro de 1952 até 25 de Agosto de 1962 (556 números), sempre sob a direcção de Adolfo Simões Müller e contando com Maria Amélia Bárcia como redactora e Fernando Bento como principal colaborador artístico.

NOVIDADES DO “FANDAVENTURAS”

“Mantendo a cabeça e os ombros bem acima dos históricos e ficcionais salteadores de estrada que o cinema, os livros, a literatura de cordel, os folhetins de terror e as histórias aos quadradinhos popularizaram, surge a figura de Dick Turpin. Ele foi o único salteador de estrada que se tornou um verdadeiro herói popular inglês. Um novelista pegou um dia na tradição oral deste destemido salteador-cavaleiro e introduziu-o numa novela que tornou famoso o nome de Dick Turpin por todo o mundo ocidental. O nome desse novelista era William Harrison Ainsworth e a novela chamava-se “Rookwood”.

O próximo número do Fandaventuras — um fanzine criado em Julho de 1990, portanto já quase com 27 anos de existência, e que José Pires relançou recentemente, com novas reedições de grandes autores clássicos ingleses — oferece-nos uma magnífica adaptação da obra de William Harrison Ainsworth, com desenhos do incomparável Tony Weare (já depois de ter abandonado a série Matt Marriott), publicada na revista Look and Learn, em 1980. Um clássico da literatura popular inglesa do século XVIII,  em que certamente Walter Booth se terá inspirado para criar o seu Captain Moonlight. Uma peça de colecionador!

E a propósito de Walter Booth convém lembrar que sai também este mês outro número do Fandaventuras (mas em formato especial, à italiana), com a reedição integral da série “Os Companheiros de Londres”, aventura que obteve grande êxito n’O Mosquito, em 1943, e que confirma em absoluto os excepcionais dotes de ilustrador deste célebre pioneiro da época áurea da BD inglesa.

Outra reedição de um clássico dos anos ’30, reproduzido directamente das páginas do semanário inglês Puck (onde Walter Booth publicou a maioria das suas obras), portanto com uma qualidade fora de série… como, aliás, tem sido timbre do Fandaventuras!

A título de curiosidade, recordamos que José Pires já reeditou, em vários volumes de formato à italiana, todas as grandes criações de Walter Booth, desde Rob the Rover (Pelo Mundo Fora) e Orphans of the Sea (O Gavião dos Mares) até Captain Moonlight (O Capitão Meia-Noite), que fizeram também as delícias dos leitores d’O Mosquito. Faltava apenas, nesse formato, apresentar “Os Companheiros de Londres (Chums of London Town), que fica agora, num só volume, ao dispor de todos os coleccionadores do Fandaventuras.

Estes fanzines estarão brevemente à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.