IN MEMORIAM: BIBI VAN GOGH

Poesia Felina – 6, publicada em 31/12/2012 no blogue Gatos, Gatinhos e Gatarrões, com ilustração de Catherine Labey.

Este gato ruivo tinha uma cor muito pálida, quase a cor do champanhe, como costumávamos dizer… Chegou com um dia, se tanto, à nossa casa e foi criado a biberão. Depois de adulto, viveu algumas aventuras engraçadas, postas em livro e em BD. Partiu há dez anos, mas deixou uma marca indelével nos nossos corações…

Advertisements

AMADORA BD 2018 PRESTES A ARRANCAR

Sem grandes alardes na imprensa (pelo menos, que tenhamos dado por isso), o 29º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora prepara-se para abrir as suas portas, entre 26 de Outubro e 11 de Novembro de 2018. tendo novamente como palco o Fórum Luís de Camões, na Brandoa. Da sua programação, pelo que já se sabe, constam várias exposições, com destaque para as de Francisco Sousa Lobo, autor galardoado na edição anterior com o prémio de “Melhor Álbum Português – PNBD”, e de Álvaro, que ganhou na categoria “Melhor Álbum de Tiras Humorísticas”.

Haverá também uma grande homenagem a um Mestre da BD portuguesa, Artur Correia (falecido em Março deste ano), com uma exposição retrospectiva que apresenta o melhor da sua vasta obra, nas áreas da BD e do Cinema de Animação.

Todos os anos o Festival da Amadora escolhe um tema ou um país convidado. Na presente edição, as honras cabem ao Brasil, que será, portanto, a figura central do certame, representada por um grupo heterogéneo de autores contemporâneos (alguns com uma carreira começada noutra década).

Completando o arco de exposições, haverá ainda outros pólos de interesse, capazes de atrair, como é hábito, numeroso público: visitas guiadas, lançamentos de novidades por várias editoras, sessões de cinema, oficinas de BD para crianças e adultos e a indispensável feira do livro; além da tradicional cerimónia da entrega de prémios.

Mais informações podem ser consultadas aqui

DOIS COLÓQUIOS DE JOSÉ RUY NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DA AMADORA

Nos próximos dias 24 de Outubro e 6 de Novembro, Mestre José Ruy volta à Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, na Amadora, para apresentar os seus dois mais recentes álbuns (ambos publicados pela Âncora Editora).

Na primeira dessas sessões, que terão lugar às 18h00, no Auditório da Biblioteca Municipal (sita no mesmo edifício da Bedeteca), participará também Otelo Saraiva de Carvalho, para evocar as suas memórias do 18 de Março de 1974 (data em que ocorreu o falhado golpe das Caldas da Rainha) e analisar a sua reconstituição no álbum de José Ruy.

A segunda sessão, dedicada à obra “A Ilha do Corvo que venceu os piratas”, cujo lançamento teve lugar nos Açores e chegará em breve ao mercado nacional, tem como orador João Saramago, membro do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa.

CAPRIOLI EM EXPOSIÇÃO NO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

Chega finalmente à Amadora a grande exposição comemorativa do centenário de Franco Caprioli, que esteve patente em Moura e em Viseu, no ano de 2012, comissariada por Luiz Beira e Carlos Rico. Pela mesma altura, foram editados um fanzine e um e-book, por iniciativa, respectivamente, da Câmara Municipal de Moura e do Gicav de Viseu, principais organizadores deste memorável evento, que contou também com a colaboração de Fulvia Caprioli.

Se aprecia a obra do grande mestre italiano, com notável difusão em Portugal, desde os anos 1950 (no saudoso Cavaleiro Andante e noutras revistas, mas também em álbuns com as suas últimas obras), não perca esta mostra, amigo leitor. A inauguração será no próximo sábado, dia 20 de Outubro, pelas 16h00, na sede do Clube Português de Banda Desenhada.

À venda no local estará também, para os interessados, o referido fanzine, com o mesmo título da exposição, editado pela Câmara Municipal de Moura — texto de Jorge Magalhães, profusamente ilustrado com imagens de revistas portuguesas e estrangeiras, reproduzidas da sua colecção —, e que nesse mesmo ano de 2012 foi nomeado para os Prémios Nacionais de Banda Desenhada do Festival Amadora BD.

“LARGO WINCH” – UMA NOVA COLECÇÃO PÚBLICO/ASA

Uma nova colecção da parceria Público/ASA, com uma das séries de maior sucesso da BD franco-belga das últimas décadas, criada por Jean Van Hamme (argumento) e Philippe Francq (desenho), semanalmente nas bancas, às quartas-feiras.

Para os amantes de intrigas complexas, em que a toada narrativa e o ambiente cénico se combinam de forma dinâmica, demonstrando a técnica perfeita de dois autores apostados em dar corpo a uma série de temática diferente (ancorada na actualidade de várias décadas) e a um herói improvável que tem muito de real.

Esta semana foi posto à venda o 3º volume, com um álbum duplo: H/Dutch Connection. Os textos de Carlos Pessoa no Público, alusivos a esta série, podem também ser lidos nos nossos blogues A Montra dos Livros e O Gato Alfarrabista Júnior.

CURIOSIDADES LITERÁRIAS: CAMÕES E O SEU GATO

O curioso texto que se segue é da autoria de Théodore de Banville (1823-1891), poeta, dramaturgo e crítico francês, autor das célebres Odes Funambulesques” e de outras obras que lhe valeram o epíteto de “poeta  da felicidade”. Amigo de Victor Hugo, Charles Baudelaire, Théophile Gautier  e Arthur Rimbaud (cujo talento descobriu), foi considerado ainda em vida como um dos poetas mais eminentes da sua época.

“Le Chat”, texto traduzido por Catherine Labey, de que publicamos alguns excertos (com uma referência ao nosso maior vate e ao seu poema de dimensão universal, Os Lusíadas”), é uma apologia do gato… ou a arte de falar de tudo e de nada sobre um assunto predilecto. Para os amantes de gatos e não só, vale a pena ler o texto completo, disponível num e-book gratuito (em francês), na Internet. A ilustração deve-se também a Catherine Labey, em cujo blogue Gatos, Gatinhos e Gatarrões este texto foi inicialmente publicado.

“O GATO” – Extractos

(…) De todos os animais, o Gato é aquele em que o instinto é o mais persistente, o mais impossível de eliminar. Selvagem ou doméstico, mantém-se ele próprio, obstinadamente, com uma serenidade absoluta, e portanto nada pode fazê-lo perder a sua beleza e graça suprema. Não há condição tão humilde e aviltante que chegue a degradá-lo porque ele não o consente, e preserva sempre a única liberdade que pode ser outorgada às criaturas, a vontade e a determinada resolução de ser livre. E de facto ele é-o, porque só se entrega quando quer, concedendo ou recusando a seu bel-prazer o seu afecto e as suas festas, e é por isso que se mantém belo, ou seja, igual ao seu tipo eterno. (…)

(…) Mas tudo neles foi concebido para a cilada, a surpresa, o ataque nocturno; os seus olhos admiráveis, que se contraem e se dilatam de uma maneira espantosa, vêem melhor de noite que de dia, e a pupila que de dia é como uma estreita linha, de noite torna-se redonda e larga, polvilhada de areia dourada e cheia de lampejos. Carbúnculo ou esmeralda viva, ela não é apenas luminosa, ela é luz. Sabe-se que numa altura em que o grande Camões se encontrava sem dinheiro para comprar uma vela, o seu gato proporcionou-lhe a claridade dos seus olhos para escrever um canto d’Os Lusíadas. Ora, aqui está uma maneira verdadeira e positiva de encorajar a literatura, e julgo que nenhum ministro da educação fez alguma vez outro tanto. De certeza que, ao mesmo tempo que o alumiava, o bom do Gato lhe oferecia a sua macia e sedosa pelagem para acariciar, e vinha em busca de festas pelo prazer que elas lhe davam. (…)

70 ANOS DE TEX NO CPBD: CONVITE E PROGRAMA

Uma grande exposição a não perder, organizada pelo Clube Português de Banda Desenhada e pelo Clube Tex Portugal, com o patrocínio da Sergio Bonelli Editore, cuja inauguração terá lugar no próximo sábado, dia 29 de Setembro, às 15h30, com a presença dos autores italianos Bruno Ramella e Moreno Burattini.

Esta exposição, como já informámos em Era uma vez o Oeste (clicar no título), é composta por 30 pranchas de vários autores que deram vida, desde a sua criação, em 1948, às trepidantes aventuras de Tex Willer — a série western de cariz realista que detém o recorde de longevidade e de episódios publicados, com milhares de páginas assinadas por alguns dos maiores mestres da BD mundial, numa contínua cadeia de produção assente em bases sólidas. 

Um sucesso sem precedentes, que há 70 anos era de todo impensável para os seus criadores — os míticos Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini —, mesmo no auge das histórias aos quadradinhos (ou fumetti) com aventuras de cowboys. E o Oeste Selvagem de Tex Willer reserva-nos, decerto, ainda muitas surpresas!

EXPOSIÇÃO NA BNP: “OS PRIMEIROS 25 ANOS DA AGÊNCIA PORTUGUESA DE REVISTAS (1948-1973)”

Depois da grande exposição “100 Anos de Fascículos de Aventuras em Portugal”, que encerrou há pouco mais de uma semana, já se avizinha uma nova parceria entre a Biblioteca Nacional e o Clube Português de Banda Desenhada.

Assim, no mesmo espaço, graças ao empenho de João Manuel Mimoso, sócio do CPBD, vai estar patente, a partir do próximo dia 27 de Setembro, uma exposição dedicada à mítica editora Agência Portuguesa de Revistas, com um historial do que foi, nos seus primeiros 25 anos de existência (1948-1973), essa autêntica “fábrica de sonhos”, misto de unidade comercial e industrial, com oficinas e distribuição próprias, e cenáculo de lazer e de cultura livresca popular, que publicou também memoráveis colecções de cromos e fomentou a popularidade dos heróis da Banda Desenhada entre a juventude portuguesa, através de revistas emblemáticas como Mundo de Aventuras, Colecção Condor, Colecção Tigre, Condor Popular, Colecção Audácia, Ciclone e muitas outras.

Uma exposição e uma homenagem que já tardavam (pois a APR encerrou as suas portas há mais de 30 anos) e que agora terão, finalmente, lugar num espaço nobre, a Biblioteca Nacional, em Lisboa (Campo Grande). Parabéns aos seus organizadores!