A QUINZENA CÓMICA – 39

Se a barafunda já era assim, em 1952, nos transportes públicos de Lisboa (como parodia José Viana nesta capa do Cara Alegre), imagine-se como será agora, com tantos turistas no Verão a enxamear a capital portuguesa, desde que esta ficou na “moda”. O que vale é que muitos deles preferem andar a pé… E por onde andam hoje os nossos humoristas (os émulos de Viana, Stuart, Vilhena)… que só se interessam pela política e até se esquecem dos turistas? Rima e é verdade!

CONVERSAS SOBRE BANDA DESENHADA – 2

No passado dia 8 de Julho, como oportunamente informámos, teve lugar na Bedeteca José de Matos-Cruz (ala da Biblioteca Municipal de Cascais – S. Domingos de Rana), a 3ª Conversa sobre BD moderada pelo próprio José de Matos-Cruz, especialista e crítico de cinema, com vasta obra publicada, historiador, coleccionador e divulgador pioneiro da Banda Desenhada em Portugal (Copra, Ploc!, Mundo de Aventuras, Boomovimento, etc).

Desta feita, os convidados foram o escritor/argumentista Jorge Magalhães e a desenhadora e artista plástica Catherine Labey, ambos profissionais de BD desde a década de 1970, nas mais diversas áreas, e que continuam a alimentar o seu gosto pela 9ª Arte, dedicando-se ludicamente, na idade da reforma, à actividade de bloggers

Perante um público assíduo — entre o qual tivemos a grata surpresa de ver, além de Mestre José Garcês e esposa, e do desenhador João Amaral e esposa, uma bela “embaixada” da família de Jorge Magalhães, com a filha Maria José Pereira (editora da Babel) e o genro, dois netos e duas bisnetas — , falaram ambos das suas carreiras (muitas vezes em comum), apoiados por uma apresentação em “Powerpoint” de obras que consideram as mais representativas dessa colaboração mútua ou com outros autores. Na sua intervenção, Jorge Magalhães, autor multifacetado, dissertou também sobre o seu longo percurso nas revistas e editoras onde trabalhou, desde o Mundo de Aventuras (APR) às Selecções BD (Meribérica), passando por muitas outras.

Eis um breve registo fotográfico dessa sessão, que nos foi enviado por João Camacho, técnico superior da Câmara Municipal de Cascais, a quem publicamente agradecemos. Seguem-se algumas imagens extraídas dos dois “powerpoints”.

O MUNDO MARAVILHOSO DAS COLECÇÕES DE CROMOS NA AMADORA

A par desta exposição sobre colecções de cromos publicadas em Portugal nas últimas décadas — algumas da autoria de ilustradores nacionais de reconhecido mérito, como Carlos Alberto Santos, José Garcês, José Pires, Vítor Péon, Júlio Amaro e outros —, o CPBD organizou também, em conjunto com a Bedeteca da Amadora, uma mostra sobre o mesmo tema, subordinada ao título “As Cadernetas e os Desenhadores – À Procura da Simbiose Perfeita”, que está patente desde 30 de Junho nas instalações da Bedeteca, Av. Conde Castro Guimarães, nº 6, Amadora.

O vasto, aliciante e garrido universo das colecções de cromos, onde ainda há muitas coisas para descobrir, desvenda ao público, em jeito de saudosismo, alguns dos seus segredos. De 1 de Julho a 9 de Setembro de 2017, a não perder!

TERRY E OS PIRATAS – 6º VOLUME (JUNHO 2017)

Com periodicidade mensal, de uma regularidade sem falhas, para não defraudar os seus fiéis leitores, cujo número tem aumentado paulatinamente, o FandClassics, editado por José Pires, continua a recuperar a famosa série “Terry e os Piratas”, de Milton Caniff, praticamente desconhecida em Portugal, a não ser alguns dos primeiros episódios publicados, há muitos anos, no Mundo de Aventuras e no jornal Público.

A propósito desta magnífica criação de Milton Caniff, cuja origem remonta a 1934, José Pires enviou-nos um comentário sobre as dificuldades que tem encontrado na sua reedição, feita a partir de material (tiras diárias e páginas dominicais) nem sempre impresso nas melhores condições e com sistemática repetição de logótipos.

A todos os fãs do FandClassics e de “Terry e os Piratas”, recomendamos a leitura desse comentário de José Pires, inserido depois das imagens que se seguem.

«A série Terry e os Piratas é considerada um dos clássicos dos clássicos, ombreando com o Principe Valente, o Flash Gordon, o Rip Kirby, e por aí fora. Mas a história das páginas dominicais complicou tudo, estou convencido, e deve estar na base do Milton Caniff ter abandonado a série em 1946, depois de 12 anos consecutivos de publicação. E, de facto, a série continuou, depois, pela mão de George Wunder, mas este já não entrou no esquema das páginas dominicais, que acabaram por tornar a série apenas parcialmente conhecida, como em Portugal, onde muito poucos a leram.

Este berbicacho (páginas dominicais) impedia outros jornais de outras latitudes (como o Público, por exemplo) de a publicarem, pois deparavam com uma coisa que era de maior formato, com quatro tiras, duas a duas, a quatro cores, o que causava transtornos de paginação e ocupava muito do espaço destinado à publicidade (aquilo que torna os jornais a preço mais acessível). E as editoras que se aventuravam a publicar a série transformavam essas páginas dominicais em tiras a preto e branco (mais curtas e mais altas), mas a gigantesca dimensão da série, 25 volumes, não permitia às editoras tempo necessário a uma mais competente retirada dessas cores, e como os gráficos não dispunham de meios informáticos, na altura, o trabalho era muito demorado, deficiente e até muito tosco mesmo.

Acresce que essas mesmas páginas dominicais, logo na primeira vinheta, apresentavam um enorme logótipo da série, que na publicação semanal até se compreendia, mas numa edição em álbum se transformava num verdadeiro pesadelo, aparecendo sistematicamente, de oito em oito tiras, quebrando a uniformidade que se exige a uma publicação em álbum.

Ora, esta minha ambiciosa edição consegue tornear o problema à custa de uma tarefa de meter medo ao susto. Reparem: a série durou 12 anos. Ora, como cada ano tem 52 semanas, teremos 52 x 12 = 624 retiradas de logótipos substituídos por imagens do próprio Caniff, resgatadas, combinadas e arranjadas para preencher o espaço. Além disso, há as mais de 4.380 pequenas tarjas com as legendas dos direitos de publicação que, embora diminutas e colocadas em sítios estratégicos, acabavam prejudicando o aspecto geral, e que foram  também removidas, para já não falar de alguns milhares de redes ratadas ou entupidas que foram substituídas.

E eram estes importantes detalhes que eu gostaria de ver realçados nos diferentes blogues que falam dos meus fanzines e que, até agora (por incúria minha, decerto), o não fizeram. Aí têm as minhas razões».
                                                                                                                                 José Pires

SÃO JOÃO… SÃO JOÃO… SÃO JOÃO…

Mesmo depois de grandes  tragédias, a fé e a esperança não morrem… nem as mais alegres tradições profundamente arreigadas no coração do povo.

Que os festejos da noite de São João — evocados no Cara Alegre, em 1955, pelos pitorescos versos e o gracioso traço de José Manuel Soares — ajudem a minorar, pelo menos na nossa lembrança, a dor, o sofrimento e a tragédia que marcaram indelevelmente o mês de Junho de 2017.

ALMOÇO DE ANIVERSÁRIO E NOVA PALESTRA DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

O CPBD completa, em 28 de Junho, 41 anos de existência. Como normalmente acontece, tal facto é comemorado com um almoço de confraternização, que se realiza no próximo sábado, dia 24 de Junho, no Restaurante “Chafariz das Gravatas”, Av. Elias Garcia 109B – Amadora (precisamente na esquina da Av. do Brasil com a Rua Elias Garcia). 

Pede-se aos sócios que desejem participar no almoço que façam a sua inscrição até às 24 horas de amanhã, quinta-feira. Em continuidade dessa celebração, terá lugar na sede do CPBD, pelas 16h00, uma palestra com outro ilustre convidado, o Dr. Manuel João Ramos, professor de Antropologia e também autor de BD. 

EXPOSIÇÃO “QUADRADINHOS PORTUGUESES” NA CIDADELA DE CASCAIS

Esta exposição, comissariada por José de Matos-Cruz — e patrocinada pela Câmara Municipal de Cascais e pela Fundação D. Luís I, no âmbito da programação do Bairro dos Museus —, será inaugurada no próximo sábado, dia 24 de Junho, às 19h00, na Cidadela de Cascais, ficando aberta ao público até 3 de Setembro do corrente ano.