IN MEMORIAM (DA MOUNETTE) – 6

Poesia Felina – 14, publicada em 26/04/2015 no blogue Gatos, Gatinhos e Gatarrões, com uma ilustração de Catherine Labey.

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ARTUR CORREIA HOMENAGEADO EM MOURA

É já no próximo domingo, 15 de Abril, que se inaugura em Moura, às 15:00 horas, uma exposição de trabalhos de Artur Correia, nome incontornável da Banda Desenhada e do Cinema de Animação recentemente desaparecido, como noticiámos.

A exposição, organizada pela Câmara Municipal de Moura, está inserida na 38ª edição da Feira do Livro e decorre no Parque de Feira e Exposições (pavilhão 2) daquela cidade, até ao próximo dia 26 de Abril.

Mais do que uma exposição sobre o conjunto da vasta obra de Artur Correia (iniciada, em 1948, n’O Papagaio), esta significativa mostra detém-se, maioritariamente, em material poucas vezes ou nunca antes exposto em público: esboços, ilustrações avulsas, argumentos e guiões, pranchas inéditas, cartunes, projectos começados e nunca concluídos, storyboards, postais ilustrados, jogos, revistas, capas de discos, filmes de animação, cartões de Aniversário e de Natal personalizados… Enfim, um vasto e diversificado leque de trabalhos que, certamente, encantarão quem tiver a oportunidade de ir a Moura, no coração do Alentejo.

E muita gente da “tribo” da BD se perfila já para marcar presença no dia 21 de Abril, sábado, data da sessão de homenagem póstuma, que inclui também o lançamento de mais um número dos “Cadernos Moura BD”, dedicado a Artur Correia (com duas histórias inéditas: “Donzela que vai à Guerra” e “A Nau Catrineta”). Será, também, exposto um conjunto de testemunhos (escritos e desenhados) de colegas de ofício e amigos de Artur Correia, que quiseram, dessa forma, associar-se a esta bela homenagem.

Nota: noticiário extraído do blogue BDBD (http://bloguedebd.blogspot.pt), a cargo de Luiz Beira e Carlos Rico. Em devido tempo, como anunciou, este blogue publicará a reportagem que se impõe sobre a meritória iniciativa da Câmara Municipal de Moura. Até lá, porque não uma visita à Feira do Livro e à grande exposição de Artur Correia, no próximo dia 21 de Abril?

EXPOSIÇÃO “GENTE DA AMADORA – HISTÓRIA E MEMÓRIAS ILUSTRADAS”

No próximo sábado, 14 de Abril, pelas 16:00 horas, é inaugurada na Casa Roque Gameiro a exposição “Gente da Amadora – História e Memória Ilustradas”, uma mostra sobre personagens históricas da cidade da Amadora (a capital portuguesa da BD), produzida a partir das ilustrações de Nuno Saraiva que serviram de tema à imagem gráfica da última edição do Festival Amadora BD (Outubro e Novembro de 2017).

Entre as personagens representadas, figuram cinco indelevelmente ligadas ao mundo da 9ª Arte: Stuart Carvalhais, António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio), José Garcês, José Ruy e Vasco Granja, todos eles moradores ou naturais desta cidade.

A organização é da Câmara Municipal da Amadora. A Casa Roque Gameiro — um dos seus edifícios históricos de mais artísticas tradições — fica na Praceta 1º de Dezembro, nº 2, Venteira-Amadora, e abre todos os dias, excepto às segundas-feiras e aos feriados.

Contactos: 21 436 90 58 / http://www.cm-amadora.pt

(Nota: texto adaptado do blogue BDBD).

A BD ITALIANA EM DESTAQUE NUMA NOVA COLECÇÃO PÚBLICO/LEVOIR

Mais uma boa notícia para o público bedéfilo: vai estar nas bancas, durante 10 semanas, já a partir da próxima 5ª feira, dia 12 de Abril, uma colecção de álbuns cartonados, dedicada aos principais heróis da Sergio Bonelli Editore, muitos deles só conhecidos em Portugal através das edições brasileiras (cuja distribuição entre nós está suspensa, irremediavelmente, há muitos meses).

O volume que abre a colecção, intitulado “A Lenda de Tex”, assinala mais uma etapa na carreira internacional deste consagrado ícone da BD western, que começou a ser publicado também em Portugal por editoras independentes como a Polvo, depois de uma solitária presença numa colectânea do Correio da Manhã. 

Alargando o universo texiano a histórias e heróis de outro género, igualmente célebres (como Dylan Dog, Dampyr, Martin MystèreJúlia, Dragonero e Mister No), a Levoir e o jornal Público merecem fartos aplausos, por apresentarem, pela primeira vez, no nosso mercado obras relevantes de alguns dos melhores autores italianos da actualidade. Um lançamento vaticinado ao êxito e que se espera tenha continuidade, pois no vasto catálogo da Sergio Bonelli não falta por onde escolher… 

UM GRANDE OVO DE PÁSCOA

Eis mais uma capa d’O Papagaio, revista infanto-juvenil de grata memória, tão popular na sua época como O Mosquito e o Diabrete, embora não tivesse conseguido sobreviver à sua concorrência, tornando-se em 1949 (depois do nº 722) um efémero suplemento da revista de actualidades Flama, pertencente também à editora Rádio Renascença.

Esta sugestiva capa de 1948 — com um enorme ovo da Páscoa, simbolicamente recheado de guloseimas, para alegria da miudagem — foi obra de Jorge Brandeiro (Rembrandas), um dos mais prolíficos colaboradores d’O Papagaio, nesta fase em que, além das aventuras de Tim-Tim, a garrida revista, dirigida por Laurinda Borges Magalhães, se ufanava de publicar várias histórias de autores portugueses, ao contrário dos seus rivais, que dedicavam mais de metade das suas páginas aos autores estrangeiros. No caso d’O Papagaio eram apenas duas (num total de doze), com o já famoso herói criado por Hergé.

Talvez por isso, quando ficou sem o exclusivo de Tim-Tim — que assentou arraiais no Diabrete, realizando um sonho antigo de Adolfo Simões Müller, director desta revista —, O Papagaio viu fugir a sua “galinha dos ovos de ouro”, sentindo que o fim estava próximo, mau grado o valor dos seus colaboradores nacionais, todos ainda jovens: José Ruy, Vítor Silva, Artur Correia, Jorge Brandeiro, Rodrigues Neves, Carlos Cascais, Roussado Pinto e outros.

Feliz Páscoa de 2018 para todos os nossos leitores, colegas e amigos!

O NOSSO “IRMÃO” MAIS NOVO

Tenho o grande prazer de anunciar, finalmente, o aparecimento na Loja de Papel do meu “irmão” mais novo, O Gato Alfarrabista Júnior, cujos primeiros posts podem visitar clicando aquiEstejam, pois, atentos ao Júnior, que promete seguir os alvitres do “mano” mais velho…. para aprender a “gatinhar” sozinho.

Quando chegar ao Gato Alfarrabista Júnior, se clicar na palavra Início, na barra preta debaixo do cabeçalho, para activar o side bar, aparecerá o último post publicado e bastará recuar para ver os outros.

UM NOVO ÁLBUM DE JOSÉ RUY : “NASCIDA DAS ÁGUAS E O 16 DE MARÇO DE 1974”

Este novo álbum de Mestre José Ruy (com a chancela da Âncora Editora), cujo lançamento está para breve, foi oficialmente apresentado, em 16 de Março p.p., no Centro Cultural das Caldas da Rainha, com a presença do autor e de Otelo Saraiva de Carvalho, um dos principais protagonistas da Revolução dos Cravos e do golpe falhado das Caldas que a antecedeu, em 16 de Março desse mesmo ano.

Trata-se de uma reedição do álbum de José Ruy anteriormente editado pela ASA (1999), mas agora numa nova versão, acrescida — como documenta o próprio título e a capa — do relato minucioso dos acontecimentos de 16 de Março, um dia que também ficou para a História, como ansiado prenúncio de uma nova era.

IN MEMORIAM: SERVAIS TIAGO (1925-2018)

Lisboeta, nascido a 16 de Junho de 1925, Armando de Almeida Servais Tiago colaborou em revistas como Sempre-em-Pé, Filmagem, O Mosquito, Diabrete, Cartaz, Riso Mundial, O Século, Boletim do Clube Português de Banda Desenhada ou Almada BD Fanzine.

Foi um desenhador de estilo caricatural e humorístico, sendo “Barnabé” (que se estreou em 1945 n’O Mosquito) o seu personagem de BD mais emblemático. Fez ilustrações e capas de livros, tendo-se, também, dedicado ao cinema de animação (criou os estúdios Movicine), obtendo alguns prémios em festivais internacionais.

Em 1943, com apenas 18 anos de idade, produziu “Automania”, filme inspirado no grafismo de Walt Disney e dos seus colaboradores — que, aliás, também imitava nas suas histórias aos quadradinhos —, com o qual venceu várias competições, incluindo o prémio Galo de Ouro da Pathé-Baby, o Troféu Ferrania e a Taça do Melhor Filme do Concurso Nacional de Cinema de Amadores. Ainda hoje, segundo Paulo Cambraia, é o filme português de animação original mais antigo, completo e em bom estado.

Em 1946, Servais Tiago começou a trabalhar nos estúdios Kapa, onde adquiriu conhecimentos mais profundos sobre a técnica de animação. Fez vários filmes publicitários, dos quais se destacam “Perfumes Kimono” (1946) e “Malhas Locitay” (1946), realizando ainda os primeiros filmes de animação portugueses a cores: “Tricocida” (1955) e “Grandella” (1956). Para a RTP, da qual foi também colaborador, criou o famoso “Zé Sempre em Pé”.

Servais Tiago faleceu tragicamente em Lisboa, no passado mês de Fevereiro, vítima de atropelamento. Com 92 anos, era o decano dos autores portugueses de BD e um dos últimos pioneiros do cinema de animação (como Artur Correia, de quem foi grande amigo), mas nunca teve as homenagens que merecia. Nem sequer depois da sua morte…

Nota: parte deste texto foi adaptado dos blogues BDBD e Animação Portuguesa. Ver “post” mais completo, com vídeo, no blogue A Montra dos Livros.