2ª MOSTRA DO CLUBE TEX PORTUGAL

TEX REGRESSA EM GRANDE FORMA A ANADIA

2ª-Mostra-do-Clube-Tex-Portugal-Anadia-2015-Arte-de-Stefano-Biglia

Os visitantes da 2ª Mostra organizada pelo Clube Tex Portugal, que irá decorrer novamente no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, durante os dias 9 e 10 de Maio — e que contará, este ano, com a presença de duas “atracções” especiais, os consagrados desenhadores Pasquale Frisenda e Stefano Biglia —, têm à sua disposição um alojamento privilegiado no Hotel Cabecinho, de Anadia, a dois passos do local da exposição, onde estarão patentes 20 pranchas (metade delas inéditas) dos dois notáveis mestres italianos.

Para mais informações, quem quiser beneficiar do preço especial concedido por aquela moderna unidade hoteleira, durante o evento, deverá consultar o blogue português do Tex em http://texwillerblog.com/wordpress/?p=59074

Pasquale-Frisenda-estará-na-2ª-Mostra-do-Clube-Tex-Portugal-para-autografar-Patagónia-aos-seus-fãs

Registe-se que cada um dos autores italianos, como forma de agradecimento por este convite, fará uma ilustração de Tex exclusiva para o evento de Anadia. Os bedéfilos presentes, nos dias 9 e 10 de Maio, na capital bairradina, receberão uma cópia de alta qualidade (em formato A4) dessas ilustrações, devidamente autografada, já que a Direcção do Clube Tex Portugal deseja oferecer uma recordação especial a quem prestigiar o evento, marcando presença na bela cidade do leitão assado e do espumante.

Stefano-Biglia-estará-presente-na-2ª-Mostra-do-Clube-Tex-Portugal-onde-fará-alguns-desenhos-para-gáudio-do-público

Mas os sócios do Clube, mesmo aqueles que não puderem deslocar-se a Anadia, terão igualmente direito a possuir cópias desses originais, dedicadas e autografadas pelos seus autores — um brinde que a Direcção do Clube deseja oferecer novamente a TODOS os sócios, como forma de gratidão por continuarem a apoiar o Clube Tex Portugal.

Nota importante: para fazer parte do Clube — cujos estatutos podem ser consultados em http://texwillerblog.com/wordpress/?page_id=47999 — e usufruir de todos os brindes e regalias, entre os quais se inclui a revista do Clube, é necessário pagar uma jóia de inscrição de 5,00 € e uma quota mensal de 2,00 €.

(As imagens que ilustram este post foram extraídas, com a devida vénia, do Tex Willer Blog).

Logótipo do Clube Tex Portugal

CONTOS E LENDAS – 1

HISTÓRIAS DOS VELHOS DEUSES (por Marcelo de Morais) – I

Marcelo de Morais 1         023Com um fundo heróico e aventuroso, inspirado nas lendas da mitologia grega, “Os 12 Trabalhos de Hércules”, episódio da série “Histórias dos Velhos Deuses”, foi um dos expoentes máximos da obra de Marcelo de Morais (que também assinava Moraes) publicada no Diabrete, depois da sua passagem pelo Camarada, onde criou, entre outros, dois heróis memoráveis: o Inspector Litos e o aspirante a detective Vic Este, protagonistas de duas séries policiais que demonstravam a sua aptidão para um género realista narrado de forma caricatural.

Embora o estilo gráfico reflectisse uma forte influência da chamada “escola de Bruxelas” (vulgo escola de Hergé), os argumentos não seguiam a mesma linha, procurando inspiração em temas e personagens que fugissem aos estereótipos da tradicional BD de aventuras, como a maioria, aliás, das histórias do Camarada, cujo cariz mais nacionalista (sem pendor ideológico) agradava profundamente aos seus leitores.

Marcelo de Morais 1ANesse aspecto, a revista editada pela Mocidade Portuguesa distinguiu-se, pelo lado positivo, de todas as suas congéneres, sem cair em ladainhas de louvor ao regime nem em excessos patrióticos ditados pela evocação sistemática de feitos históricos, mas dando até preferência a cenários contemporâneos e a heróis comuns, como os de Marcelo de Morais, que se identificavam com uma certa forma de ser e estar no mundo, típica dos portugueses de todas as eras.

No Diabrete, onde pontificava o grande mestre da ilustração Fernando Bento, terá sido relativamente fácil a Marcelo de Morais fazer vingar o seu estilo, graças à presença assídua do mais célebre herói da BD europeia. Mas não existiam ainda condições para que Marcelo pudesse repetir os êxitos do Camarada, criando outras personagens fixas que, como o Inspector Litos e o jovem estudante de arquitectura (e autor de “aventuras em quadradinhos”!) Vic Este, conquistassem também o apreço dos leitores. Marcelo de Morais 2Tanto mais que era difícil competir com heróis como Tintin e Bob e Bobette, ou seja, com a mestria dos dois maiores expoentes da emergente escola franco-belga: Hergé e Willy Wandersteen.

Tendo de escolher outro caminho, o jovem arquitecto — vocação que transmitira ao seu herói Vic Este — optou, e bem, pelos assuntos didácticos, pelas biografias de célebres actores de cinema, pelos passatempos e pelas curiosidades, conseguindo, no cômputo geral, um crédito bastante positivo com toda a inovação, jovialidade e modernismo artístico que trouxe ao Diabrete, cujo aspecto gráfico, durante esse período, se alterou profundamente.

Marcelo de Morais 3Para o historial da revista ficaram criações risonhas e de amena leitura, em rubricas como “Desenhos Animados”, “Histórias dos Velhos Deuses”, “Sabias Isto?”, “Tudo Isto… e um Prémio Também!”, e algumas histórias aos quadradinhos como “O Terrível Combate” e “A Fórmula Secreta”, em que aperfeiçoou o seu modelo de realismo caricatural. Ou seja, nesta fase da revista a presença de Marcelo de Morais não passou despercebida, tor- nando-se tão assídua e importante como a de Fernando Bento e de outros autores.

Começamos hoje a apresentar “Os 12 Trabalhos de Hércules”, outra faceta (algo bicéfala) do trabalho humorístico de Marcelo de Morais, cujo teor didáctico estava em perfeita harmonia com a orientação geral do Diabrete nessa última etapa da sua existência, em que procurava abertamente, sem esquecer a vertente lúdica, cultivar o espírito dos mais jovens com páginas recheadas de textos culturais e de rubricas com conhecimentos úteis.   

Trabalhos Hérculo  1 e 2Trabalhos Hérculo  3 e 4 Trabalhos Hérculo  5 e 6

Brevemente apresentaremos a segunda e última parte desta história, estreada no nº 794 (7/2/1951) e concluída no nº 806 (21/3/1951) do “grande camaradão”.

POSTAIS ILUSTRADOS – 8

LUA DE MEL

Eis mais três curiosos postais, os últimos que arranjámos até agora da série infantil realizada por Alfredo de Morais (1872-1971), notável e prolífico ilustrador, e aguarelista de igual mérito, que espraiou o seu fértil talento, durante várias décadas, por dezenas de jornais, livros, revistas, folhetos, almanaques, cartazes, postais, praticamente por tudo o que era impresso em papel, numa febril actividade criativa que, mau grado a constante pressão de um meio avaro e limitado (o mundo dos editores e das tipografias), o guindou incon- testavelmente à galeria dos maiores artistas gráficos de raiz popular — pois foi reconhecido e apreciado, sobretudo, pelas “massas” — que a ilustração portuguesa já conheceu.

Alfredo de Morais dedicou-se também às histórias aos quadradinhos e à literatura infanto- -juvenil, tendo deixado nesta área alguns dos seus melhores trabalhos artísticos, como as ilustrações para a Colecção Manecas e a Colecção Salgari, duas célebres edições da Livraria Romano Torres que fizeram as delícias de muitos jovens nascidos no século XX.

Lua de mel  3

PÁGINAS SOLTAS – 1

AS IMPRECAÇÕES DO CAPITÃO HADDOCKTintin - Haddock 1

Haddock (delírio)É frequente os mais carismáticos heróis da Banda Desenhada terem um parceiro, um inseparável amigo e companheiro de aventuras, que serve quase sempre de seu contraponto, distinguindo-se por possuir outros dons e outras características (que também caem no goto dos leitores), mostrando uma faceta mais humana, com defeitos e virtudes — o que contribui para elevar o padrão das suas aventuras, sem prejuízo do estatuto mítico do herói principal. Isto tanto nas séries realistas como nas humorísticas…

Nesta peculiar categoria de personagens secundárias que rapidamente ascendem também ao “estrelato”, vem-nos de imediato à memória a incontornável figura do Capitão Haddock, talvez o mais famoso de todos os comparsas que enriqueceram criações emblemáticas, onde a aliança entre duas personagens, mesmo que diametralmente opostas, pede meças aos heróis solitários… embora já sejam poucos os que seguem este caminho.

Tintin - Capa CaranguejoTintin conheceu-o na aventura “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” (Le crabe aux pinces d’or), em que Haddock fazia o papel de um marinheiro alcoólico e embrutecido, com frequentes acessos de cólera, alucinações e perdas de memória, mas que graças à amizade com o jovem aventureiro conseguiu regenerar-se, passando a ter hábitos mais moderados. Excepto quanto à linguagem… que, pelo contrário, se tornou ainda mais irascível, recheada de extravagantes expressões oriundas de um copioso “jargão” que o velho marinheiro se compraz em refinar, somando-lhe novas injúrias, como uma espécie de glossário que não se cansa de rever e enriquecer.

Tintin - Haddock 2 a 5

Mais tarde, ao desvendar o segredo da “Licorne”, Haddock fica na posse de um nome aristocrático e de um sumptuoso palacete em Moulinsart, onde habita, em boa paz e harmonia, juntamente com Tintin, o professor Tournesol e o mordomo Nestor… mas nem por isso aprendeu a refrear os seus excessos de linguagem.

Aqui têm mais um hilariante exemplo (à boa maneira de Hergé) dessas intempestivas manifestações de mau humor — quase sempre provocadas por peripécias que bulem com os seus sentimentos e a sua noção de justiça, mas também, sob o efeito do álcool, com o seu vício e o seu feitio brigão —, extraído igualmente do episódio “O Caranguejo das Tenazes de Ouro”, que é um autêntico festival de impropérios!

Tintin - Haddock 6 a 9

Tintin - Cavaleiro Andante capa nº 405Ninguém consegue ter como Haddock, na ponta da língua, um vocabulário tão truculento, tão vivo, tão espontâneo, de tão grande riqueza e variedade verbal, lembrando uma torrente que jorra de um geiser fumegante ou uma cascata que rola fragorosamente por uma encosta, abafando todos os outros ruídos. Sobretudo quando ele usa um megafone, como na cena seguinte, a todos os títulos memorável, de Coke en stock.

Esta página foi publicada no Cavaleiro Andante nº 405, de 3/10/1959, revista onde Haddock ficou conhecido como Capitão Rosa, nome que o Diabrete tinha sido o primeiro a consagrar entre os leitores portugueses.

Tintin - mercadores de ébano

VASCO GRANJA – VIVÊNCIA E MEMÓRIA

EXPOSIÇÃO NO CENTRO CULTURAL DE CASCAIS

Vasco Granja foto455

Vasco Granja panfleto 1456A incontornável relação de Vasco Granja com os desenhos animados — à qual ficou a dever grande parte do seu renome como figura pública e a sua aura junto dos mais (e dos menos) jovens —, foi pretexto para uma pequena mas notável exposição inaugurada na passada sexta-feira, dia 6 de Março, no Centro Cultural de Cascais, com a presença de distintas personalidades como Carlos Carreiras, Presidente do município, José de Matos-Cruz, comissário da exposição, e Cecília Granja, filha de Vasco Granja e principal herdeira e curadora do seu precioso espólio.

O numeroso público presente ficou encantado não só com o acervo bibliográfico e fotográfico exposto, constituído na sua maioria por obras sobre cinema de animação, em várias línguas, mas também com os filmes projectados durante a sessão, nomeadamente diversas curtas-metragens de Tex Avery, que com zelo e paciência Cecília e os seus familiares recuperaram digitalmente das gravações em VHS conservadas por Vasco Granja, com “religioso” fervor, no seu santuário doméstico, cheio de relíquias de duas (ou mais) carreiras paralelas, marcadas por inúmeros contactos internacionais.

Vasco Granja panfleto 2  457A exposição Vasco Granja e o Cinema de Animação, patrocinada pela Fundação D. Luís I, estará patente no Centro Cultural de Cascais até ao próximo dia 19 de Abril e merece uma visita de todos os que se deslocarem à bela vila da linha do Estoril, onde as actividades recreativas e culturais têm estado em foco nos últimos anos, graças ao dinamismo dos seus responsáveis autárquicos, em colaboração com diversas entidades.

Transcrevemos seguidamente, com o maior prazer, um folheto editado no âmbito desta mostra, em cujos textos José de Matos-Cruz, Cecília Granja e outros familiares do homenageado contextualizaram o fecundo percurso biográfico e profissional de Vasco Granja, um dos maiores dinamizadores culturais da sociedade portuguesa, nos anos 50 a 90, cuja presença em inúmeros programas da RTP ainda hoje é calorosamente recordada por muitos dos seus admiradores.

Amador esclarecido — que conviveu com literatos, artistas, críticos, cineastas, editores, desenhadores —, autodidacta de grande craveira intelectual, foi também Vasco Granja que introduziu no nosso léxico a expressão “banda desenhada”, hoje genericamente consagrada, em detrimento da tradicional “histórias aos quadradinhos”.

Vasco Granja panfleto 3 e 4Vasco Granja panfleto 5 e 6

IN MEMORIAM

Leonard Nimoy

Sempre o veremos, ao relembrar a sua carreira, na figura do frio e distante Mr. Spock, o extraterrestre de orelhas pontiagudas que dava lições aos humanos na série Star Trek, ensinando-lhes, com a sua proverbial (e estudada) fleuma, o valor das emoções.

Star Trek (Mr. Spock)Leonard Nimoy morreu há uma semana, com 83 anos, vítima de uma doença grave que o seu alter-ego vulca- niano teria certamente debelado com os transcendentes poderes mentais e espirituais que possuía. Morreu o actor, mas a personagem que interpretou na TV e no Cinema, com um brilho que irradiou também para outros medias — especialmente para os comics, cujas edições ajudaram a fomentar o culto trekkiano entre milhares de fãs, dando aos seus heróis outro rosto e outra mística —, o inefável Mr. Spock, esse perdurará ainda por muito tempo num recanto da memória visual, pragmática e selectiva, que guarda das épocas, das culturas, das ciências e das artes, o melhor (e mais emblemático) de todas elas.

Reproduzimos seguidamente, com a devida vénia, um artigo publicado no Público de 28 de Fevereiro p.p., em que “a longa e próspera vida de Mr. Spock” é fielmente evocada.      JM

Público mr spock

CALENDÁRIOS ILUSTRADOS – 1

Natal - Diabrete 1947O número de Natal do Diabrete de 1947, que tinha na capa uma fogosa ilustração de Fernando Bento, retratando a eufórica alegria de dois miúdos no “dia mais belo do ano”, e era preenchido por histórias do próprio Bento e de outros excelentes colaboradores artísticos, como Emilio Freixas, Luís de Barros, Vítor Péon e Burne Hogarth — genial desenhador de Tarzan, um dos heróis que apareciam há mais tempo nas suas páginas —, foi para mim, numa altura em que começava a sentir-me algo desiludido com O Mosquito (então a atravessar uma fase decadente), uma edição muito especial, que ainda hoje, quando a folheio, me traz ao espírito saudosas e inefáveis recordações.

Um dos motivos, para mim, com mais interesse deste número duplo (32 páginas), eram, na altura, as histórias de Vítor Péon que o recheavam de ponta a ponta (nada mais nada menos do que quatro), principalmente uma vibrante aventura de cowboys, com o A revolta dos Navajos solotítulo “A Revolta dos Navajos”, cujas oito páginas (metade das quais a cores) formavam outro volume da tradicional colecção de fascículos com histórias completas que o Diabrete inseria, como “prenda” de Natal, nessas edições especiais (e excepcionais) ansiosamente aguardadas pelo seu público mais fiel.

Outro memorável (e precioso) brinde deste número bem condimentado de acção, aventura, humor, encanto, arte e fantasia — onde também não faltava, servido pelo traço esfuziante de Fernando Bento, o estro poético e literário do seu director Adolfo Simões Müller —, foi o calendário para 1948 publicado nas páginas centrais, outro trabalho da lavra do prolífico Vítor Péon, desenhador de traço clássico e realista, mostrando, para surpresa e gáudio dos leitores do Diabrete, o seu jeito humorístico, em doze pitorescos “quadradinhos” transbordantes de jovialidade.

Calendário Bento 1947

A bem-dizer, este curioso calendário ilustrado serve só para os dois primeiros meses do ano em curso, que começou também numa terça-feira, mas não é bissexto. Diabrete - VelhoOutra(s) importante(s) diferença(s)… é que já não há fotógrafos ambulantes nas praias (substituídos pelos telemóveis); as aulas, mesmo nas escolas primárias, reabrem mais cedo (a não ser quando o Ministério decide criar a confusão); as famílias, no S. Martinho, entretêm-se, como todas as noites, a ver telenovelas; e, no Natal, o que os mais novos esperam encontrar no sapatinho são “brinquedos” mais sofisticados do que aqueles com que se contentavam os seus avós.

Quanto ao “dia das mentiras”, graças aos novos meios de informação, multiplicou-se como as ervas daninhas, proliferando em todos os dias do ano. Talvez por isso é cada vez menor a atenção que desperta… embora possa tornar-se um potencial candidato a património cultural da Humanidade! Sinal dos tempos modernos… em que nem tudo o que é diferente tem o significado de mudou para melhor, como alguns governantes nos querem fazer crer!