UM NOVO ÁLBUM DE JOSÉ RUY : “NASCIDA DAS ÁGUAS E O 16 DE MARÇO DE 1974”

Este novo álbum de Mestre José Ruy (com a chancela da Âncora Editora), cujo lançamento está para breve, foi oficialmente apresentado, em 16 de Março p.p., no Centro Cultural das Caldas da Rainha, com a presença do autor e de Otelo Saraiva de Carvalho, um dos principais protagonistas da Revolução dos Cravos e do golpe falhado das Caldas que a antecedeu, em 16 de Março desse mesmo ano.

Trata-se de uma reedição do álbum de José Ruy anteriormente editado pela ASA (1999), mas agora numa nova versão, acrescida — como documenta o próprio título e a capa — do relato minucioso dos acontecimentos de 16 de Março, um dia que também ficou para a História, como ansiado prenúncio de uma nova era.

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OLHA AS LINDAS MARCHAS!

Pelo traço de Mestre José Ruy, em Quadradinhos nº 54, 2ª série, de 20/6/1981 (suplemento do extinto vespertino A Capital, dirigido por Adolfo Simões Müller), chega-nos um pitoresco desfile das marchas populares desse festivo mês de Junho, enquadradas por famosos heróis de papel, de arquinho e balão em punho, que ainda hoje fazem as delícias dos seus inúmeros admiradores, num renovado preito de homenagem aos magistrais artistas que os criaram há muitas décadas.

E até Tom Sawyer e Ivanhoe se aliaram à festa… como convidados especiais do Quadradinhos, um suplemento que, fiel ao lema do seu director, procurava não só divertir como instruir, fomentando também entre os mais jovens o convívio com os heróis dos clássicos literários, através da fusão entre o texto e a imagem.   

ENTREVISTAS COM JOSÉ RUY – 1

capa-carolina-de-jose-ruy167O jornal Correio da Manhã, na sua revista Domingo (edição de 20 de Novembro p.p.), publicou com grande destaque uma reportagem no estúdio de José Ruy, homenageando assim a vasta obra e os 72 anos de laboriosa carreira, na área das artes gráficas, da ilustração e da BD, do insigne Mestre da BD portuguesa, que continua imparável, com o mesmo entusiasmo e vigor criativo de outros tempos — como se os anos não diminuíssem a sua fibra de lutador —, anunciando para breve dois novos álbuns, depois do lançamento, durante o recente Festival de BD da Amadora, da obra “Carolina Beatriz Ângelo – Pioneira na Cirurgia e no Voto”, que teve o alto patrocínio da Ordem dos Médicos (Secção Regional do Sul).

Reproduzimos seguidamente a referida entrevista do Correio da Manhã, com a devida vénia aos seus autores, os repórteres Vanessa Fidalgo e Pedro Catarino, e ao jornal — que, de vez em quando, tem dedicado especial atenção à BD portuguesa e a artistas como José Ruy, com uma longa experiência e muitas histórias para contar.
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A reportagem no estúdio do “Mestre dos Quadradinhos” foi também gravada pela CMTV, num vídeo com a duração de 5 minutos, que pode ser visto abrindo este link: ttp://videos.sapo.pt/YprKGvqpDTj9HVc0rTHp

JOSÉ RUY – A PAIXÃO DO DESENHO – 11

OS CAVALEIROS DO VALE NEGRO (1ª parte)

José Ruy (1950)Hoje, dia de aniversário de Mestre José Ruy, a quem endereçamos com muita amizade os nossos parabéns e votos de longa vida, começamos a publicar mais uma história realizada nos primórdios da sua carreira, quando ele era um dos mais jovens e mais activos colaboradores d’O Papagaio, vistoso semanário infanto-juvenil cuja redacção era chefiada, nessa época, por Carlos Cascais. José Ruy tinha, então, apenas 17 anos e as suas inspirações artísticas vinham de temas como as aventuras na selva, policiais, de piratas e de cowboys.

Género difícil e exigente mas apaixonante, o western, com as suas ramificações literárias e cinematográficas, que o fascinavam desde a infância, foi para José Ruy uma experiência nova nas páginas d’O Papagaio, que a acolheu com as devidas honras, reservando-lhe lugar condigno e as suas cores mais garridas, nos nºs 665 a 681, publicados entre 8 de Janeiro e 29 de Abril de 1948.

Cavaleiros do Vale Negro - 678A história, com o palpitante título “Os Cavaleiros do Vale Negro”, tinha argumento de Roussado Pinto nos primeiros episódios… mas, como José Ruy nos revelou, essa colaboração foi sol de pouca dura, porque Roussado Pinto, com o seu feitio irrequieto, decidiu, entretanto, experimentar outros voos. O facto, porém, importa ser salientado, não só como uma excepção na carreira de José Ruy (que só repetiria a experiência de desenhar aventuras de cowboys uma única vez), mas também por ter sido a primeira escrita, ainda que parcialmente, por um dos maiores argumentistas da BD portuguesa.

Nos episódios seguintes, José Ruy teve de se desenvencilhar sozinho, mas criar uma história não era problema para ele, como demonstrou sobejamente n’O Papagaio, onde até chegou a ilustrar contos da sua própria autoria… que já revelavam, além do talento artístico, uma veia literária digna do seu fértil imaginário.

A par destas primeiras páginas, reproduzimos seguidamente um breve depoimento com que José Ruy amavelmente satisfez a nossa curiosidade, respondendo a algumas questões que lhe pusemos acerca da sua primeira história de cowboys, de que em breve publicaremos os restantes episódios.

Cavaleiros do Vale negro - 1 e 2Cavaleiros do Vale negro - 3 e 4

Confesso que esta história foi uma das que mais me entusiasmou quando, ainda menino e moço, lia O Papagaio — que, nessa fase, ainda publicava as aventuras de Tintin (O Segredo da Licorne) e prosseguia a sua carreira de vento em popa, com o concurso de uma equipa jovem e talentosa, formada nas suas páginas. As palavras, agora, são de José Ruy:

«Em finais de 1947, perfaziam-se três anos que publicava ininterruptamente as minhas histórias em quadrinhos n’O Papagaio, bem como novelas e contos, quando o Roussado Pinto — que se instalara também na redacção d’O Papagaio — fez a proposta de me escrever um argumento. Era uma novidade para mim, pois até aí sempre fizera os argumentos e guiões para as minhas histórias.

O Roussado Pinto, desde que o seu jornal infanto-juvenil O Pluto acabara, estava a evidenciar-se com as suas novelas e guiões, colaborando em revistas, almanaques, no Século Ilustrado e onde podia. O Tiotónio d’O Mosquito havia-o acolhido na sua redacção, onde eu trabalhava já na selecção litográfica das cores».

Cavaleiros do Vale negro - 5 e 6Cavaleiros do Vale negro - 7 e 8

«Considero ter sido uma experiência agradável e fiquei satisfeito com a ideia. É diferente dialogarmos com alguém que nos apresenta uma ideia já estruturada e a que temos de dar resposta, do que o monólogo que existe quando somos nós próprios a fazer enredo e desenho. Ele descrevia como idealizava a cena, a posição das figuras e outros elementos, os campos de visão, quem falava primeiro e a seguir, o que obrigava a uma certa disciplina na montagem das composições.

Só tinha um contra, dava-me os guiões muito em cima da hora, o que me obrigava a fazer alguns longos serões para não falhar na entrega dos originais.

Algum tempo depois, Roussado Pinto saiu d’O Papagaio e deixou o argumento em meio. Disse-me que lhe desse continuidade, pois achava-me em condições para o fazer. E sem saber de todo o que ele havia idealizado para desfecho da história, lá fui inventando outros episódios até à sua conclusão».

UM NOVO ÁLBUM DE JOSÉ RUY – 2

REPORTAGEM FOTOGRÁFICA DA SESSÃO DE LANÇAMENTO NO MUSEU JOÃO DE DEUS

Museu João de Deus

João de Deus mirandês568Embora não tenhamos podido comparecer, por motivo de força maior, à apresentação do novo álbum de José Ruy, João de Deus – A Magia das Letras (com edição simultânea em mirandês), que teve lugar no Museu João de Deus, em 10 do corrente, é com o maior prazer que apresentamos uma cobertura fotográfica desse evento, feita pelo nosso amigo Dâmaso Afonso, a quem agradecemos uma vez mais toda a colaboração que tem prestado ao nosso blogue, com a sua consumada arte de repórter das imagens.

Na sessão, além de Mestre José Ruy e do editor da Âncora, Dr. Baptista Lopes, intervieram também os ilustres convidados Dr. Guilherme de Oliveira Martins,  presidente do Tribunal de Contas e do Centro Nacional de Cultura, Dr. António de Deus Ramos Ponces de Carvalho, bisneto do biografado e presidente da Direcção da Associação de Jardins-Escolas João de Deus, e Dr. Amadeu José Ferreira, vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e presidente da Associaçon de Lhéngua Mirandesa, que, tal como noutras obras de José Ruy, se encarregou da tradução deste álbum para mirandês.

Ao Museu João de Deus, o autor fez oferta de um original baseado na capa do álbum, com a efígie do venerável poeta e pedagogo, que reproduzimos também neste post

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HOMENAGEM A ARISTIDES DE SOUSA MENDES

JOSÉ RUY EM PARIS – 2

AutógrafosConforme já tivemos ocasião de informar (ver notícia aqui), esteve patente no Consulado Geral de Portugal, em Paris, de 13 de Fevereiro a 6 de Março p.p., a exposição Aristides de Sousa Mendes – Héros de l’Holocauste, organizada pelo Círculo Artístico e Cultural Artur Bual e tendo por tema a obra de José Ruy dedicada ao célebre cônsul português de Bordéus que salvou a vida de milhares de judeus, durante a 2ª Guerra Mundial, ao conceder-lhes vistos de entrada no nosso território, desobedecendo assim às próprias directivas do governo de Salazar — gesto nobre e humanitário que, na sua carreira diplomática e na sua vida privada, acabaria por pagar muito caro.

Essa obra, já traduzida para hebraico, foi agora também editada em França, para ser vendida durante a itinerância da exposição, e brevemente terá também uma versão em inglês, a distribuir no Canadá e noutros países, por iniciativa da Sousa Mendes Foundation, presidida por Louis-Philipe Sousa Mendes, descendente do “herói do Holocausto”. 

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A propósito ainda desta mostra — que já transitou do Consulado português para o Liceu St. Germain e, posteriormente, antes de seguir para Bordéus, como foi anunciado, estará também numa escola do departamento 77, em Paris —, apresentamos mais algumas fotos tiradas no dia da inauguração e gentilmente cedidas por Altina Ribeiro, escritora portuguesa há muito residente em França, a quem expressamos (e a Mestre José Ruy) os nossos melhores agradecimentos.

As legendas são do próprio autor do álbum Aristides de Sousa Mendes – Héros de l’Holocauste, cuja 1ª edição portuguesa remonta a 2004.

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UM NOVO ÁLBUM DE JOSÉ RUY

Com todo o mérito, José Ruy é um dos autores de BD portugueses mais em destaque nas últimas décadas, não só pelo rigor e pela paixão com que sempre se dedicou ao seu labor de artista gráfico, mas também pela extraordinária vitalidade de que continua a dar provas, mesmo depois de ter ultrapassado os 80 anos, num incessante vaivém entre a criação artística (em cujo activo já conta uma vasta quantidade de obras dos mais diversos géneros) e a divulgação didáctica e pedagógica, para a qual reúne também, como todos lhe reconhecem, predicados fora do comum.

O seu novo álbum “João de Deus – A Magia das Letras” (com edição simultânea em mirandês), que será apresentado ao público amanhã, dia 10 de Março, no Museu João de Deus, exprime bem esse compromisso entre a cultura, a arte, o interesse lúdico e o valor pedagógico, através da permanente busca de novos temas — neste caso, mais uma biografia histórica que se lê com curiosidade e proveito, sobre um grande vulto das nossas Letras que prestou inestimáveis serviços ao ensino da Língua Portuguesa. 

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Apresentamos seguidamente duas pranchas deste álbum de José Ruy, a primeira e a última, chamando a atenção para um pormenor curioso: a velhinha que aparece na página final, é a menina que inicia a história e que acompanha todo o percurso narrativo. Através dela e da família, o leitor vai tendo conhecimento da vida e da obra de João de Deus e dos seus descendentes, até aos nossos dias.

João de Deus 1ª e 30ª