O GATO ALFARRABISTA FAZ HOJE ANOS

DIÁLOGO ENTRE O PAI NATAL E O SEU FIEL AJUDANTE

— Olha lá, onde é que puseste a prenda para o Magalhães?

— Prenda?! Qual prenda?!… Chefe, não sei se se lembra, mas o Natal já passou…

— Idiota! Quantas vezes já te disse que o Gato Alfarrabista faz anos em Janeiro? Hoje é o dia do seu 4º aniversário!

— Não me lembrei, chefe… desculpe…

— Ora canta lá comigo: Como o Natal é recente e continua a nevar, toma lá outro presente e não pares de “miar”!

Mete bem isto na cabeça, ouviste? É para o Gato Alfarrabista… E agora despacha-te e vai entregar a prenda da minha parte, porque esse pessoal merece!

Nota: ilustração de Sergei, extraída, com a devida vénia, do mini-álbum “Crise?! Qual Crise?! Um Pequeno Conto de Natal” (edição Grafe Publicidade, Dezembro 2008).

ALMOÇO-CONVÍVIO DOS 81 ANOS D’O MOSQUITO

Organizado como habitualmente, nos últimos anos, por Leonardo De Sá, realiza-se no próximo sábado, dia 14 de Janeiro, num restaurante lisboeta, o já tradicional almoço- -convívio comemorativo do aniversário da mítica revista O Mosquito, cujos leitores e admiradores continuam a ser numerosos e unidos pelo mesmo espírito de fraterna camaradagem que levou à formação da primeira tertúlia de “mosquiteiros”, em Janeiro de 1986 (como noticiou, com destaque, a imprensa da época), não perdendo, por isso, a ocasião de festejar este aniversário simbólico de uma revista cuja 1ª série se extinguiu há mais de seis décadas.
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Notícia publicada no vespertino Diário Popular, em 15/1/1986.

Por feliz coincidência, este almoço decorrerá, como há 31 anos, no mesmo dia que assinala a data oficial de nascimento d’O Mosquito: 14 de Janeiro de 1936.

CAVALEIRO ANDANTE – UMA REVISTA DE BD QUE FEZ HISTÓRIA ENTRE A “GENTE NOVA”

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Se tivesse sobrevivido mais seis décadas — feito ao alcance, por razões óbvias, de poucas publicações periódicas, a começar pelas de banda desenhada —, o Cavaleiro Andante, nascido em 5 de Janeiro de 1952, faria hoje 65 anos!

Efeméride meramente simbólica, mas que nos apraz registar, mais uma vez, em honra de uma emblemática revista, de características únicas no seu género, editada pela Empresa Nacional de Publicidade e dirigida por Adolfo Simões Müller, que introduziu em Portugal, na esteira de Tintin e de Hergé — embora estes fossem oriundos d’O Papagaio e do Diabrete —, os maiores heróis e autores da BD franco-belga, como Blake e Mortimer (de Edgar P. Jacobs), Lucky Luke (de Morris), Michel Vaillant (de Jean Graton), Dan Cooper (de Albert Weinberg), Buck Danny (de Hubinon e Charlier), Jerry Spring (de Jijé), Ric Hochet (de Tibet e Duchâteau), a par de outras grandes criações europeias.

Por outro lado, se o Cavaleiro Andante tivesse tido existência mais efémera, como algumas revistas do seu tempo — que viveram pouco mais do que as rosas —, talvez não tivessem florescido nas suas páginas muitas obras que enriqueceram o património artístico da BD portuguesa, com a assinatura de Fernando Bento, José Ruy, José Garcês, Artur Correia, Fernandes Silva, José Manuel Soares e Stuart Carvalhais.

Honra, pois, a uma saudosa revista que durou apenas uma década, mas sem a qual a história da BD portuguesa teria ficado, certamente, mais pobre!

A GRANDE AVENTURA DO JORNAL TINTIN

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Depois do Paris Match, que lhe dedicou um número especial com 112 páginas, recheadas de artigos, entrevistas e imagens de interesse histórico, a revista especializada dBD assinalou também o 70º aniversário do Tintin belga, nascido em 26 de Setembro de 1946, por iniciativa de Raymond Leblanc, fundador das Éditions du Lombard, e sob a direcção artística do mais famoso autor dessa época, Georges Rémi (Hergé), a quem coube a tarefa de reunir uma ecléctica equipa de colaboradores, da qual fizeram parte, nos primeiros tempos, Edgar Pierre Jacobs, Jacques Laudy, Paul Cuvelier, Le Rallic e ele próprio.

Tão intemporal como o célebre herói que lhe deu o nome, o semanário “dos jovens dos 7 aos 77 anos” (que já não se publica desde 1988) continua a perdurar na memória dos seus fiéis leitores espalhados pelo mundo — e que em Portugal, graças a uma edição lançada em Junho de 1968, foram também da ordem das dezenas de milhares.

Nessas luxuosas publicações, recentemente distribuídas nas bancas portuguesas e que recomendamos sem reservas a todos os tintinófilos, em geral, e aos visitantes deste blogue, em particular, constam várias homenagens aos principais heróis da revista e seus autores, com destaque para uma grande entrevista com Raymond Leblanc (no Paris Match Hors-Série) e para séries emblemáticas como Blake e Mortimer, Alix, Dan Cooper, Chlorophylle, Modeste et Pompon, Ric Hochet, Michel Vaillant, Corentin, Thorgal, Bernard Prince e muitas outras, à testa das quais figura naturalmente o incontornável personagem que deu fama, glória e fortuna ao seu criador: o sempre jovem Tintin, que Hergé quis que morresse com ele, mas que afinal lhe sobreviveu mesmo sem viver novas aventuras, para deleite de quem ainda sonha com um mundo transfigurado pela inocente magia do exotismo.

FERNANDO BENTO – UMA MEMÓRIA SEMPRE VIVA

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Ilustrador, pintor, caricaturista, figurinista, cenógrafo (e muito mais), Fernando Bento foi um autor versátil, polivalente, que deu vida e colorido a algumas das mais belas páginas publicadas em jornais infanto-juvenis, como Diabrete, Pim-Pam-Pum, Cavaleiro Andante, O Pajem, na fase mais criativa e original de uma longa e esplendorosa carreira.

Assinalando o 20º aniversário da sua morte (14 de Setembro de 1996) — como fez, com a oportunidade e o primor habituais, o nosso colega Largo dos Correios, cujos posts diários consideramos de consulta obrigatória —, queremos também recordar uma entrevista do saudoso Mestre, que o semanário de actualidades O Século Ilustrado (então, muito em voga) publicou no nº 961, de 2 de Junho de 1956.

Sob o título “No Banco dos Réus”, esse tipo de entrevista consistia num singelo questionário, que pouco tinha de particular no tocante a aspectos de índole profissional, cingindo-se a temas mais genéricos e banais, a que os entrevistados deveriam responder com ligeireza (temperada de ironia) e bom-humor. Fernando Bento não fugiu à regra, entrando no “jogo” sem reticências, mesmo que uma das suas respostas possa suscitar alguma surpresa. Mas convém não esquecer a época e o seu contexto…

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A GRANDE FAMÍLIA DO “MUNDO DE AVENTURAS”

Assinalando o 67º aniversário do Mundo de Aventuras — cujo primeiro número surgiu nas bancas em 18 de Agosto de 1949, aguardado com grande expectativa pelo público juvenil, depois de uma massiva campanha publicitária, que teve eco em todo o país —, recordamos outra data festiva e simbólica (a do 20º aniversário do MA) e um número especial (o 1038 da 1ª série) com 120 páginas, onde foram evocados, numa curiosa reportagem fotográfica, vários elementos da sua redacção e do seu sector comercial e gráfico, do mais importante ao mais humilde. Aqui a reproduzimos para memória futura…

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Era o ano de 1969 e a equipa, entretanto, tinha-se renovado, mas o MA não esqueceu também os seus colaboradores mais antigos, alguns dos quais já tinham partido para outras “aventuras”, como Vítor Péon e Roussado Pinto, ou já habitavam outros “mundos”, em companhia dos mais emblemáticos heróis da Banda Desenhada, cujo destino é eterno — tal como o dos lendários heróis da Mitologia.

Por muito estranho que pareça, a verdade é que revistas como o Mundo de Aventuras — ou como O Mosquito, O Papagaio, o Diabrete, o Cavaleiro Andante, o Tintin — também não morrem, porque a sua existência física se prolonga numa espécie de estado imaterial e etéreo, onde a essência dos sonhos continua a acalentar aquele sentimento mágico que as suas páginas despertaram no espírito de milhares de leitores.

Parabéns por mais este aniversário, Mundo de Aventuras!!!  

UM DUPLO ANIVERSÁRIO

Parabéns, Fulvia! 2

Decorrido um ano desde a criação do blogue Franco Caprioli – o desenhador dos mares do sonho, onde homenageamos a memória e a obra de um grande ícone da Banda Desenhada, saudamos todos os nossos visitantes, admiradores da arte de Caprioli (que são cada vez mais numerosos!), e muito especialmente a nossa amiga Fulvia, filha dilecta do Mestre italiano, que hoje festeja também o seu aniversário.

MUITOS PARABÉNS, FULVIA!

(A imagem deste post é uma composição de Catherine Labey, sobre um desenho de Caprioli, com os retratos de Fulvia e do seu pai).

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(As duas páginas supra foram reproduzidas do dvd (e-book) editado pelo Gicav – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, em Agosto de 2012, aquando das celebrações do 1º centenário do nascimento de Franco Caprioli).

VISITA À BIBLIOTECA NACIONAL (OU O APELO D’O MOSQUITO OCTOGENÁRIO) NUM DIA CHUVOSO…

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O frio, a chuva, os transportes (e até as muletas da Catherine), nada nos impediu de assistir às palestras sobre os 80 anos da mítica revista O Mosquito, realizadas na passada 4ª feira, 17 do corrente, no auditório da Biblioteca Nacional. Infelizmente, o caótico trânsito lisboeta (que piora sempre em dias de chuva) retardou a nossa chegada ao local e só assistimos à última parte da palestra de abertura, proferida por João Manuel Mimoso, sobre o tema 17 anos de capas d’O Mosquito, acompanhada pela projecção de diapositivos.

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Logo a seguir, o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho falou do seu percurso no mundo das histórias aos quadradinhos — como se chamava, então, singelamente, a banda desenhada —, desde a sua infância, em Portalegre, e depois durante os seus anos de acção pedagógica, tanto no ensino primário como nos cursos secundário e superior. A terminar, rendendo uma justa homenagem ao seu amigo Hélder Pacheco, outro insigne professor e homem de cultura, portuense de gema, leu um texto inédito que prendeu a atenção da audiência, intitulado Há muito tempo, quando éramos pequenos, evocando memórias pessoais de Hélder Pacheco ligadas à mais popular revista infanto-juvenil de outros tempos, adorada por todos os garotos, de norte a sul do país, que já andavam na escola.

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Mestre José Ruy partilhou também connosco memórias vividas na redacção e nas oficinas d’O Mosquito, com o seu jeito descontraído, aberto e afável de comunicar, desfiando peripécias curiosas e factos que marcaram a relação entre os dois sonhadores e paladinos que criaram o “mito” mais duradouro da BD portuguesa: António Cardoso Lopes Jr. e Raul Correia, ambos residentes na Amadora, a cidade onde efectivamente nasceu O Mosquito e onde hoje funciona também a sede do Clube Português de Banda Desenhada, promotor desta iniciativa numa oportuna e louvável parceria com a Biblioteca Nacional.

Carlos Gonçalves, grande coleccionador (e conhecedor) das preciosidades que são as construções de armar e as separatas que muitas revistas infanto-juvenis publicaram ao longo da sua existência, mostrou reproduções digitais desses suplementos, assim como fotos de certas construções já montadas, como algumas peças do célebre Cortejo Real (construção publicada na revista O Senhor Doutor, que foi contemporânea d’O Mosquito).

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Depois de uma animada sessão de comentários, que prolongaram os temas das palestras durante mais meia-hora, todos nos dirigimos à sala onde a exposição comemorativa dos 80 anos d’O Mosquito, exposta em várias vitrines, foi apresentada e comentada pelos seus comissários, João Mimoso e Carlos Gonçalves. Nem mesmo a Catherine (embaraçada com as muletas) ficou para trás, tal era a sua ânsia de ver a exposição. Pena foi que o folheto alusivo a esta mostra já tivesse “voado”, como folhas secas num dia de vento…

Aqui reproduzimos algumas fotos da memorável sessão na Biblioteca Nacional, gentilmente cedidas pelo nosso amigo António Martinó (autor do blogue de referência Largo dos Correios, onde poderão ler, na íntegra, o magnifico texto de Hélder Pacheco), tiradas por ele e pelo seu neto Manuel, o mais jovem elemento da assistência, brilhante estudante universitário e que denota possuir também excelentes dotes de fotógrafo. A ambos os nossos agradecimentos, com as mais afectuosas saudações “mosquiteiras”.

Nota: Esta reportagem, com mais imagens, vai ser também postada no nosso blogue irmão (ano e meio mais novo) O Voo d’O Mosquito.

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