O ELEFANTE QUE VIAJOU ATÉ À TURQUIA…

João Amaral (A Viagem do Elefante em turco)

A notícia chegou-nos há dias, transmitida quase sorrateiramente pelo blogue do João Amaral, cuja proverbial modéstia o impede de “embandeirar em arco” quando o sucesso (merecidamente) lhe bate à porta… como já aconteceu diversas vezes.

Desta feita, a sua carreira de indiscutível mérito, num percurso sempre ascendente, teve mais um prémio com a edição no estrangeiro da sua obra mais apreciada: a adaptação do romance de José Saramago “A Viagem do Elefante”.

Sublinhe-se que este marco é ainda mais importante porque se trata de uma edição em turco (com a chancela da editora Kirmizikedi), país onde nunca um autor português de Banda Desenhada teve a sorte de ver, até hoje, a sua obra divulgada a par da de um Prémio Nobel da Literatura. Nem em nenhum outro local do mundo, aliás…

João Amaral fez uma aposta ganhadora ao investir o seu amor à BD, o seu talento, a sua fé e a sua capacidade de trabalho num projecto que, à partida, estava eivado de dificuldades. Mas porfiou e venceu… como atesta o êxito da edição portuguesa, rapidamente esgotada (e que recebeu os maiores elogios da própria viúva de Saramago), e agora esta edição numa língua “bizarra” e num país onde não imaginávamos que a obra de José Saramago e a Banda Desenhada eram tão populares.

Parabéns, João Amaral, por este novo sucesso! E confiantes no dom que tens de nos surpreender, continuaremos à espera, com muita expectativa e curiosidade, dos teus próximos trabalhos. A viagem no dorso da BD (e do elefante) continua…

Advertisements

PARADA DA PARÓDIA – 15

O QUE NÃO SE VÊ NÃO OFENDE

Museu Capitolini (Roma)

«Para evitar embaraços e num gesto de respeito pelo presidente iraniano Hassan Rouhani, que cumpre por estes dias uma visita oficial a Itália, todas as esculturas de nus no Museu Capitolini, em Roma, foram tapadas com painéis brancos. O museu foi o local escolhido, esta segunda-feira [25 de Janeiro], para o encontro entre Rouhani e o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi. Mas ao longo dos corredores por ambos percorridos, nenhuma das estátuas mais atrevidas ficou à vista».

Esta notícia respigada do Expresso tem um inevitável contraponto cómico, que já inspirou alguns cartoonistas menos respeitosos da etiqueta do que o primeiro-ministro italiano… se é que se pode chamar respeito pela “etiqueta” à deferência levada ao cúmulo de um governante por outro que professa religião diferente.

Parece-nos menos ridícula a engenhosa solução proposta por um criativo humorista italiano… considerando que as estátuas nuas são uma obra de arte e não têm culpa do seu “atrevimento”, nem de estarem expostas num museu que alguns políticos gostam de transformar em sala de visitas.

Quando a censura chega aos museus, então é melhor fechá-los (porque este incidente poderá repetir-se)… ou proibir a entrada aos políticos!

O MELHOR ÁLBUM (HUMORÍSTICO) DE 2015

Jim del Monaco 8 A- ASA

Não temos dúvidas em considerar, declarando-o publicamente, que para nós o melhor álbum do ano findo, na categoria de humor, foi o que nos trouxe o regresso dos carismáricos personagens da saga de Jim del Monaco, criada há mais de 30 anos pela talentosa dupla Luís Louro e Tozé Simões — nessa altura ainda muito jovem, mas já impelida pela irresistível vontade de agitar o pacato meio da BD nacional com o efervescente humor dos seus singulares heróis (e heroína).

Jim del Monaco 8 Foto 970E a aposta foi bem sucedida, graças não só à insofismável energia criativa da inseparável dupla, como à empatia que soube gerar com os leitores logo nos primeiros episódios, publicados em páginas de jornais e revistas (com maior destaque no Mosquito – 5ª série) e, um pouco mais tarde, em sucessivos álbuns pelas editoras Futura (quatro) e Asa (sete).

Trinta anos volvidos, após terem miste- riosamente desaparecido nas profundezas da selva africana onde se desenrolavam as suas aventuras — tão hilariantes quanto fantasistas, denotando um potencial inventivo capaz de fazer inveja a muitas outras séries cómicas —, Jim del Monaco e os seus pitorescos companheiros reapareceram de forma quase inesperada, saudados com júbilo por um punhado de acérrimosJim del Monaco 8 Poster971 admiradores que confiaram sempre no seu regresso, e dispostos a enfrentar um novo ciclo de aventurosas peripécias — reconquistando o seu lugar ao sol num mundo completa- mente estranho, insólito, dominado por influências corporativas globais e por hábitos, conceitos e tecnologias com que há três décadas ninguém sonhava… mas que para os nossos heróis, fiéis às origens, pouco contam! Simples acidentes de percurso, vulgares fait-divers numa exótica existência que agora recomeça… mais rocambolesca e delirante, como ardente- mente desejamos, do que nunca!

Bem-vindo, Jim del Monaco, e que continues a seguir destemidamente os mesmos trilhos que conduzem à aventura, em companhia da Gina (autêntica “bomba” sexual) e do Tião (símbolo do negro ingénuo e fiel, como na BD de outros tempos), armados com o vosso humor escatológico, numa selva de “cartão” como era a de Hollywood, onde vivem outros icónicos heróis, eternamente jovens, porque ali o tempo não existe; e onde os perigos mais incríveis vos espreitam, materializados por alguns nefandos vilões, de histriónica catadura, e por ferozes bandos de animais e outras criaturas selvagens, cheias de lúbricas intenções, que pululam na fértil imaginação dos vossos (também sempre jovens) autores.

Tão habituados a seguir as vossas pisadas, imitando-vos em poses fotográficas onde não se nota a patine do tempo, que ainda gostam de fingir que são tão aventureiros como vocês! Como se os autores se pudessem metamorfosear nas personagens que criaram (neste caso, apenas numa… o protagonista da série). Pobres sonhadores!

Jim del Monaco 8 O cemitério dos elefantes e O Macaco de Bili

“O MOSQUITO” EM FOCO NA BIBLIOTECA NACIONAL

O Mosquito na Biblioteca Nacional

Mais uma boa notícia que nos chega através do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD): o aniversário d’O Mosquito, que já foi alvo de diversas comemorações em Aveiro, Lisboa e Amadora — como é do conhecimento dos nossos leitores —, será também solene e mediaticamente celebrado no mais erudito santuário da cultura portuguesa, a Biblioteca Nacional, onde uma exposição com o título 80 Anos d’O Mosquito, comissariada por Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso, ambos membros do CPBD, será inaugurada já no próximo dia 26 de Janeiro, decorrendo até ao final de Fevereiro.

Com este tipo de consagração oficial, que confere a uma mítica revista de Banda Desenhada um estatuto ainda mais invejável entre os seus pares, nunca sonharam, com toda a certeza, os seus fundadores: Raul Correia (o Avozinho) e António Cardoso Lopes Jr. (o Tiotónio). Nem, muito menos, o seu numeroso público infanto-juvenil… que aprendeu com as histórias aos quadradinhos (de vários e talentosos autores) e a prosa do Avozinho (entre outras) a aumentar também a sua cultura!

OS 80 ANOS D’O MOSQUITO

IMAGENS DE UM ANIVERSÁRIO

2675

Conforme oportunamente anunciámos, realizou-se no passado sábado, dia 16 do corrente mês de Janeiro, o tradicional almoço-convívio d’O Mosquito, organizado por Leonardo De Sá e que teve como anfitrião, repetindo um ritual do agrado de todos, o Restaurante Pessoa, sito na baixa lisboeta, próximo da Praça da Figueira.

Mas como se tratava de celebrar, simbolicamente, o 80º aniversário da mais carismática revista da BD portuguesa, a afluência de convivas foi tão grande que o repasto já não pôde ter lugar na acolhedora sala do 1º andar, transferindo-se para o rés-do-chão, espaço onde a intimidade e o convívio foram mais afectados, por causa da distância entre as mesas e do próprio ambiente mais ruidoso da sala.

Tanto assim que muitos dos presentes nem chegaram a ouvir os “discursos” da praxe, assinalando condignamente o relevo da efeméride, proferidos por três ilustres membros dessa numerosa e grada assembleia (repleta também de veteranos): José Ruy, Guilherme Valente, editor da Gradiva, e António Martinó.

Foi este último quem nos enviou, poucas horas depois, algumas fotos do convívio, as primeiras que publicamos neste blogue, com agradecimentos ao seu autor e nosso estimado amigo, que quis brindar-nos, cordialmente, com uma recordação pessoal do evento, focando-nos com a sua objectiva em todas essas imagens.

Passe a imodéstia, escolhemos aquelas em que não fazemos pior figura.

2489 e 2500

2505 e2606

2611e 2569

2590 & 2610

As restantes fotos foram tiradas também por António Martinó, no Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), onde continuaram, à tarde, as homenagens ao mítico aniversariante, com um colóquio proferido por José Ruy sobre o seu início nas artes gráficas, como colaborador d’O Mosquito, e a abertura de duas exposições que estarão patentes aos sábados, durante várias semanas, na sede do Clube: “Tributo a Eduardo Teixeira Coelho” e “Os 80 Anos d’O Mosquito”.

2660 e 2658

2614 e 2655

2647 e 2669

2667 e 2677

A QUINZENA CÓMICA – 10

DUAS GERAÇÕES

Cara Alegre 25 e 71Ainda no “rescaldo” das festas de Natal e Ano Novo, apresentamos mais duas capas do Cara Alegre alusivas a essas quadras, em que José Viana, com o seu inspirado sentido de humor, mostra como em certos assuntos as diferenças entre gerações são menores do que parecem. Sobretudo quando pai e filho pensam da mesma maneira…

HOJE FAZEMOS ANOS… EM BOA COMPANHIA!

3º aniversário do gato alfarrabista

Era nossa intenção comemorar o 3º aniversário deste blogue de forma algo especial, mas as limitações a que estamos sujeitos, de momento, condicionados pela assistência técnica que a Catherine Labey, por motivos de força maior, está impedida de nos prestar assiduamente, durante algum tempo, obrigam-nos a ser mais modestos nos nossos propósitos.

E assim O Gato Alfarrabista, para se manter activo, contando com menos recursos técnicos (e com menos espaço), teve de reduzir a programação de Janeiro aos “serviços mínimos”, isto é, a posts sobre notícias que nos são enviadas ou respeitantes a outros acontecimentos especiais que têm lugar também este mês, como o aniversário d’O Mosquito, cujos 80 anos de existência — não real, estatística, mas caldeada na memória e no afecto dos seus inúmeros leitores que jamais o esqueceram, alguns dos quais também já Mosquito 648alcançaram, ou ultrapassaram, essa respeitável idade — serão festejados, como habitualmente, num almoço- -convívio a realizar hoje, pelas 12h30, num restaurante da baixa lisboeta (coincidindo, portanto, com o nosso aniversário).

Uma honrosa coincidência, aliás, que muito desvanece O Gato Alfarrabista, sempre disposto a evocar a memória e as glórias de uma das mais prestigiadas revistas da BD portuguesa — à qual a nossa Loja de Papel quis prestar também homenagem, criando em 1/8/2014 um blogue com o seu nome: O Voo d’O Mosquito (https://ovoodomosquito.wordpress.com)

Quanto a nós, esperamos continuar na senda de um contínuo progresso, apresentando posts mais frequentes e mais bem elaborados, como já aconteceu em 2015, com um saldo francamente positivo: 208 posts publicados, um aumento de 20% em relação ao nosso 2º ano de existência. E com um número também nitidamente superior de visitantes, muitos deles regulares (cerca de 41.000 visitas, oriundas de 86 países, com predomínio de Portugal, Brasil e França, segundo o relatório da WordPress), número que esperamos possa continuar a crescer. O dia mais activo do ano foi 17 de Outubro, com 360 visitas, e o post mais lido, segundo o mesmo útil e eficiente relatório, foi “A História de Portugal em BD – 3” (A conquista de Ceuta).

Como podem verificar na nossa coluna de Archives, Outubro e Dezembro foram os meses mais “produtivos”, com 24 e 28 posts, respectivamente… quase um por dia. “Cada vez melhor” continuará, pois, a ser o lema com que procuraremos nortear a nossa acção, seguindo o exemplo d’O Mosquito (que nos perdoem esta pequena vaidade!), um aclamado jornal infanto-juvenil cujos maiores trunfos foram sempre a atenção que deu aos desejos dos leitores e a ambição de superar as suas expectativas, ano após ano.

Aos nossos visitantes, bem como a todos os colegas e amigos da blogosfera, alguns deles já experimentados internautas, endereçamos calorosos votos de saúde, harmonia, prospe- ridade e muitos êxitos no exercício das suas tarefas.

ALMOÇO-CONVÍVIO D’O MOSQUITO

No próximo dia 16 de Janeiro, sábado, realiza-se o já tradicional almoço-convívio entre leitores e admiradores da mítica revista “O Mosquito”. Depois do repasto, pelas 16:00 horas, haverá um colóquio com José Ruy (“Como entrei para O Mosquito”), nas novas instalações do Clube Português de Banda Desenhada, à Amadora (antigo CNBDI). E pelas 18:00 horas, como já anunciámos, serão inauguradas no mesmo local duas exposições: “80 anos d’O Mosquito” e “Tributo a Eduardo Teixeira Coelho”.

TRÊS HISTÓRICAS REVISTAS DE BD QUE FAZEM ANOS EM JANEIRO E UMA SINGULAR HOMENAGEM DO “LARGO DOS CORREIOS”

Diabrete cabeçalho 052

Nestes primeiros dias de um tristonho e pluvioso mês de Janeiro — daqueles dias em que nem apetece sair de casa, quando se tem a sorte de poder ficar no aconchego doméstico, a nossa “zona de conforto”, sem ser devido a uma incómoda gripe ou a outros motivos de força maior —, celebraram-se dois aniversários que para muitos de nós, bedéfilos inveterados, continuam a ter uma importância especial, pois assinalam o nascimento de duas das mais populares e míticas revistas do género publicadas neste país, o Diabrete e o Cavaleiro Andante, ambas editadas em boa hora pela Empresa Nacional de Publicidade e dirigidas por um dos mais distintos nomes das nossas letras, afeiçoado como poucos à literatura infanto-juvenil e às histórias aos quadradinhos: Adolfo Simões Müller.

Cavaleiro Andante nº 1 (Martinó)Facto curioso e digno de nota: em Janeiro também fazem anos O Mosquito (1936), mais velho cinco anos do que o Diabrete (1941) e dezasseis do que o Cavaleiro Andante (1952), e a sua “irmã” mais nova, a Fagulha (1958). Mas, voltando ao princípio, isto é, ao aniversário das duas revistas que surgem à cabeça de uma longa lista anual que muitos bedéfilos ainda hoje recordam e acarinham com sentida emoção, queremos partilhar com os nossos visitantes e amigos um magnífico texto dedicado ao Diabrete por um dos seus maiores cultores em crónicas que fazem história, o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, cujo prestigioso blogue Largo dos Correios é uma referência incontornável entre todos os que se dedicam à divulgação desta nobre 9ª Arte (embora os conhecimentos, os interesses e os propósitos do Professor Martinó excedam largamente o âmbito das histórias aos quadradinhos e das revistas que lhes deram valioso suporte).

Aqui fica, pois, com a devida vénia ao Largo dos Correios, o link para esse texto admirável e inspirado, que se lê com o mesmo prazer com que degustamos uma rara e saborosa iguaria; e em cuja “inflamada” e apologética evocação do Diabrete e dos seus gloriosos companheiros de aventuras, todos os bedéfilos de alma e coração fervorosamente se revêem: https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/01/04/um-celeste-diabrete/

Largo dos Correios (cabeçalho)

Na senda do aniversário do Diabrete, o Largo dos Correios iniciou oportunamente uma nova rubrica, subordinada ao título Antologia BD, em que começou já a apresentar uma das obras que mais se destacaram na primeira etapa dessa revista, pelo traço desenvolto, de rara elegância e virtuosismo, do seu principal desenhador, Fernando Bento, que deliciou os leitores do “grande camaradão de todos os sábados” com algumas memoráveis adaptações de romances de Jules Verne, entre elas “A Volta ao Mundo em 80 Dias”.

Foi esta a escolha do Largo dos Correios para inaugurar a sua nova rubrica, cujos primeiros posts, com páginas magníficas de Fernando Bento (ainda a ensaiar, airosamente, um estilo realista), poderão apreciar aqui: https://largodoscorreios.wordpress.com/category/historias-aos-quadradinhos/

Diabrete nº 75