A PROPÓSITO DO “DIABRETE”…

CICATRIZES DA MEMÓRIA

Mais uma vez, no seu magnífico e multifacetado blogue Largo dos Correios — ao qual, sob outros pretextos, já fizemos referência, salientando o interesse, a admiração e o prazer que sempre nos suscita a sua leitura —, o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho escreveu um texto memorável, daqueles que apetece ler e reler muitas vezes (até nas entrelinhas, pelo que nelas extravasa de forte e espontânea emoção), dedicado a uma das principais revistas portuguesas de BD, o popular Diabrete, elegendo-a como a publicação mais marcante nas suas vivências infantis, por razões de profunda comunhão afectiva, cultural e espiritual, em que se fundem outros elos de tocante origem familiar.

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É esse post, que o habitual primor literário do seu autor refina com o estro sentimental das divagações à flor da memória (e da alma)… tantos anos decorridos sobre o nascimento do Diabrete, cujo clamoroso anúncio teve também um eco mediático no mais ilustre dos seus parentes, o Diário de Notícias… é esse post, com o título “Uma cicatriz de estimação”, que queremos assinalar nas nossas colunas, em sinal de pública homenagem a um blogue que, dia após dia, desde há muitos meses, nos tem proporcionado inúmeros e saborosos momentos de encanto, de apelo à memória, de descoberta, de conhecimento, de reflexão e de partilha, sobre os mais variados assuntos, incluindo obviamente o tema que mais nos liga ao seu mentor: as histórias aos quadradinhos.

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Consideramos, a este respeito, os artigos do Professor Martinó, nas linhas mestras com que talentosa e pitorescamente se tecem, um insofismável exemplo do interesse esclarecido, como competente avaliador da sua vertente lúdica e pedagógica (para além de outras razões, mais íntimas, antigas e genuínas, manifestadas em particular neste texto), que o seu espírito também nutre por um género sem o qual a arte popular figurativa não se teria enraizado tão profundamente nas mentes e nos corações infanto-juvenis.

Remetemos-vos, pois, para o excelente artigo do Largo dos Correios dedicado ao Diabrete, em que logo de início se destaca um curioso e alusivo documento — que reproduzimos com a devida vénia, como iniludível exemplo do gracioso estilo gráfico de Fernando Bento, principal colaborador artístico do “grande camaradão”, desde o seu primeiro número.

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Podem aceder directamente ao Largo dos Correios e ao post em questão no link seguinte:

http://largodoscorreios.wordpress.com/2014/09/26/uma-cicatriz-de-estimacao/

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IN MEMORIAM

MISTER BO ALENTEJANO

Mr Bo caricaturaCriado por Sergio Bonelli (1932-2011), durante as suas visitas à Amazónia, o célebre aventureiro Mister No teve um contraponto humorístico na figura de Mister Bo, que não é outro senão o próprio Sergio, em pose natural, reflectindo o lado mais “pacato” e bonacheirão da sua versátil e fascinante personalidade. No fundo, Sergio foi também um aventureiro, um globetrotter que sentia a ânsia de conhecer novos horizontes, como os heróis das suas histórias, mas que, ao partir, levava sempre consigo o apelo das suas raízes ancestrais.

A Itália foi a pátria que, no seu coração, partilhou o amor a outras terras, sobretudo ao Brasil e à Amazónia, terras que ele percorreu incansavelmente, de lés a lés, não como um turista, mas na pele de um viajante  a quem os próprios nativos tratavam como amigo.  

Eis como eu e o Carlos Rico, alentejano de cepa e exímio cartoonista, homenageámos a memória de Sergio Bonelli, transformado em cantante de um grupo coral daquela ridente província, na pessoa de Mister Bo. Claro que este nunca pôs os pés no Alentejo, mas a ideia surgiu assim mesmo… tão espontaneamente como se fosse inspirada pelo próprio Sergio, que também não conheceu o nosso país, embora compreendesse e falasse o idioma português (do Brasil) sem qualquer dificuldade.

Como as anteriores que já aqui apresentámos, esta ilustração viu a luz do dia, em 2012, no Tex Willer Blog, o blogue nacional dedicado à mais famosa personagem dos quadradinhos italianos, criação de Gian Luigi Bonelli, prosseguida por outros argumentistas, entre os quais o mui ilustre Sergio (Guido Nolitta) Bonelli.

Mr BO Alentejano

IN MEMORIAM

UM NOME PARA A ETERNIDADE

Sergio BonelliSergio Bonelli foi, na sua área profissional, a última grande “persona” do mundo da BD, um vulto tão carismático, influente e respeitável como Raymond Leblanc e Charles Dupuis, um editor à moda antiga que amava profundamente a sua profissão, os seus colaboradores e os seus leitores, em função dos quais sonhava, criava e trabalhava.

Autor inspirado, como seu pai — o mítico Gian Luigi Bonelli, pai literário de Tex —, homem de cultura e, ao mesmo tempo, escritor popular que soube enriquecer e dignificar as suas criações, bom comunicador, pessoa de afectos e de largos horizontes, que conheceu o mundo e fez inúmeros amigos em toda a parte, com o seu espírito ameno, generoso e cativante, Sergio Bonelli é uma daquelas figuras que não se apagará nunca da memória desses amigos e mesmo de quem não teve o privilégio de o conhecer pessoalmente, mas criou também laços duradouros com a sua personalidade intelectual, através da obra sem paralelo que construiu, num percurso de várias décadas.

Quanto aos seus heróis (especialmente Tex, Zagor e Mister No), indestrutíveis e universais como tantas personagens míticas da Banda Desenhada, continuarão a viver no espírito de muitos milhares de leitores, que verão sempre, ao seu lado, a sombra do grande Mestre, do editor idealista (mas seguro do seu caminho e das suas intenções) e do criador talentoso que foi Sergio (Guido Nolitta) Bonelli.

Eis outra homenagem que lhe prestámos em 2012, associando-nos à iniciativa do Tex Willer Blog, comemorativa do 1º aniversário do seu inesperado falecimento, em 26/9/2011.  Unforgettable Mr. Bonelli

IN MEMORIAM

Título Bonelli

Ao aproximar-se o 3º aniversário do falecimento de Sergio Bonelli, o grande editor e autor de fumetti, que muitos recordam com o nome de Guido Nolitta, o seu mais célebre pseudónimo, este blogue apresenta algumas homenagens que lhe foram prestadas, em 2012, por Catherine Labey e Jorge Magalhães (quando este ainda não pensava aventurar-se na blogosfera), tal como apareceram no Tex Willer Blog o blogue português patrocinado pelo mais famoso herói da BD italiana —, ao qual endereçamos, na pessoa dos seus coordenadores, as nossas calorosas saudações texianas.

Sergio Bonelli, nascido em Milão em 2 de Dezembro de 1932, faleceu em Monza em 26 de Setembro de 2011, com 78 anos de idade.

My name is Bonelli, SergioBonelli copy

REGRESSO ÀS AULAS

IMAGINAÇÃO & BOM GOSTO

google - rentrée des classes

Assinalando a rentrée des classes, ou seja, o início de um novo ano lectivo, o Google apresentou mais um doodle, com o estilismo, a fantasia e o bom gosto dos seus sedutores conceitos gráficos, a que já nos habituou nos últimos tempos.

Cumprindo simultaneamente uma função lúdica e informativa, o Google continua, dessa forma, a associar a actualidade (mormente alguns eventos mediáticos, como o recente Campeonato Mundial de Futebol) à evocação de figuras e factos históricos, no domínio das artes e das ciências. Alguns desses doodles já passaram por este blogue.

Embora, como “motor de busca”, não lhe caiba desempenhar na sua área um papel de enciclopédia — mais a cargo de outras redes como a Wikipédia —, ao lembrar esse tipo de efemérides o Google está, no fim de contas, a prestar um bom serviço à cultura… e os internautas interessados por esses temas agradecem a “dica”.

POSTAIS ILUSTRADOS – 6

SEXO FRACO E SEXO FORTE

Sexo 1 e 2

Mais quatro exemplos da arte de Alfredo Januário de Moraes (1872-1971), um dos maiores ilustradores e aguarelistas portugueses do século XX, que entre as suas inúmeras facetas também cultivou a de humorista satírico. O tema que escolheu para mais esta série de postais, com um espírito brejeiro refinado pelo estilo picaresco, foi o da relação entre os sexos (hoje, diz-se géneros, em linguagem de mercearia… talvez por ser mais “socialmente” correcto do que sexo fraco e sexo forte).

Mas, como as imagens e os versos jocosamente parodiam, há diferenças físicas (e semânticas) que não devem ser levadas a sério, pela simples razão de que… tanto ontem como hoje… em casa quem manda são elas!

Sexo 3015Sexo 4016

EFEMÉRIDES

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Aniversário Cath

Já aqui apresentámos alguns curiosos e atraentes doodles (logos) criados pelo Google, geralmente a propósito de uma data, comemorativa do aniversário de figuras célebres, ou de acontecimentos mediáticos como o último Campeonato Mundial de Futebol, disputado em terras brasileiras.

Mas hoje, dia 8 de Setembro, fomos completamente apanhados de surpresa pelo tema que o Google dedicou a uma pessoa para nós muito especial, que nesta data celebra também um aniversário natalício: Catherine Labey.

Aqui têm, como comprovativo, o “delicioso” doodle com que a Catherine foi presenteada por um dos maiores portais da Net e que lhe soube tão bem, podemos garantir-vos, como as outras guloseimas que saboreou durante o dia.

Obrigado, Google!

GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 8

MAIS EPISÓDIOS DE UMA FAMOSA SÉRIE

INGLESA NO “FANDAVENTURAS” ESPECIAL

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Imparável na sua actividade de faneditor — apesar de alguns problemas de saúde, de que já está felizmente recuperado —, José Pires acaba de nos brindar com mais dois volumes da saga “O Gavião dos Mares”, uma série clássica inglesa dos anos 30 magistralmente ilustrada por Walter Booth, pioneiro da BD de aventuras em estilo realista, que em 1920, muito antes de qualquer outro artista do seu género, criou a primeira longa série de aventuras com um herói titular: Rob the Rover.

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Estes novos volumes da epopeia marítima “O Gavião dos Mares” (outra das suas obras- -primas) reproduzem, curiosamente, um episódio passado em terra, com o título original For the King (“Pelo Rei!”), cuja acção se desenrola na época da guerra civil inglesa entre os “Realistas”, partidários do ocupante do trono, Carlos I, e os “Puritanos”, seguidores de Oliver Cromwell, também conhecidos pelo nome de “Cabeças Redondas”.

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Publicada em 1935-36 no célebre semanário inglês Puck, onde se estrearam também outras famosas séries de Walter Booth, como Rob the Rover e Captain Moonlight, esta segunda e extensa parte de “O Gavião dos Mares” (Orphans of the Sea) tem outra particularidade curiosa, no que se refere à sua publicação em Portugal, pois quase duas dezenas de páginas não apareceram n’O Mosquito, entre 1941 e 1942, devido às contingências da guerra que assolava, então, grande parte do continente europeu.

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Essas páginas inéditas que os leitores d’O Mosquito foram privados de ler — embora sem se aperceberem, graças à habilidade narrativa com que Raul Correia traduzia e adaptava as legendas, compondo à sua maneira a acção das sequências incompletas —, estão presentes nos dois volumes do Fandaventuras Especial postos agora à venda, e que poderão ser directamente encomendados ao seu editor pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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Cada fascículo desta magnífica obra, impressa em bom papel, com cerca de 70 páginas — que foram objecto de um meticuloso trabalho de restauro, a partir de exemplares do Puck e de cópias obtidas na British Library —, custa apenas 10 €. Muito em breve, segundo nos informa José Pires, será também distribuído o 6º volume, com a última parte de “O Gavião dos Mares”, intitulada “O Cruzeiro do Sea Hawk” (The Cruiser of the Sea Hawk).

Uma série de grande qualidade a não perder, com o primoroso traço de Walter Booth, numa espectacular edição que José Pires levou a cabo em tempo recorde, concretizando, assim, um dos seus maiores sonhos como leitor da “época de ouro” d’O Mosquito.

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