FIGURAS E FACTOS QUE MUDARAM O MUNDO – 2

DOIS PAPAS SANTOS (1)

Dois Papas Santos

As recentes cerimónias de canonização, no Vaticano, de dois Papas que foram as figuras mais marcantes da Igreja Católica, durante o século XX — João XXIII e João Paulo II, um de nacionalidade italiana, o outro polaca —, trouxeram-me à memória dois relatos biográficos, sob a forma de narrativa em banda desenhada, publicados em duas conhecidas revistas juvenis, ambos com o traço de grandes mestres já desaparecidos.

Brasão pontifício de João XXIIIO primeiro, dedicado a João XXIII — o Papa que era, para os fiéis, a bondade personificada, autor das encíclicas Mater et Magistra e Pacem in Terris —, surgiu no Tintin belga nº 29 (18º ano), de 16/7/1963, com o título “Jean XXIII, curé du monde”, inserindo-se no género de histórias curtas, documentais e biográficas, de que Fred Funcken (1921-2013), com os seus profundos conhecimentos históricos sobre todas as épocas, foi um dos mais prolíficos e exímios criadores, auxiliado por sua mulher e colaboradora de longa data, Liliane.

Desenhador perfeccionista, mas extremamente rápido, a quem eram confiados os trabalhos mais urgentes pela redacção do Tintin (segundo revelou sua filha Claudine), Funcken, com o precioso apoio de Liliane, que se encarregava eficazmente das artes-finais e da cor, teve o condão de realizar centenas de “histoires authentiques”, que eram, no Tintin e no Spirou, a parte mais didáctica, destinada a promover um certo conceito de seriedade e de apreço pela cultura, junto dos leitores e sobretudo dos críticos mais acérrimos das histórias aos quadradinhos.

fred funcken e lilianeMas a verdade é que os jovens gostavam de saciar nessa lúdica fonte a sua sede de conhecimentos e Funcken tornou-se, por isso, embora de forma discreta, a condizer com a sua modéstia, um dos mais lidos e apreciados colaboradores do prestigioso semanário belga, durante quase duas décadas. Nesta questão, falo por mim e por alguns dos meus antigos colegas de liceu, um grupo de fiéis e militantes leitores do Cavaleiro Andante, onde muitas histórias curtas e duas das mais célebres personagens da dupla Liliane & F. Funcken foram apresentadas a partir do 3º ano (1954).

Continuei sempre a acompanhar os seus trabalhos noutras publicações portuguesas — com destaque para O Falcão, Zorro, Pisca-Pisca, Nau Catrineta —, e mais tarde, quando assumi a coordenação do Mundo de Aventuras, Funcken foi um dos desenhadores predilectos da minha infância que procurei também trazer para as suas páginas.

Aqui têm, como referido no início deste post, uma curta mas completa biografia do Santo Papa João XXIII, com desenhos de Liliane & Fred Funcken e textos de Step, na versão publicada pelo Mundo de Aventuras nº 453 (2ª série), de 17/6/1982.

João XXIII - 1 e 2João XXIII - 3 660

 

“A BATALHA” – NOVO ÁLBUM DE PEDRO MASSANO

massano, ruy e coelhoPedro Massano, um dos nossos artistas gráficos que mais se tem distinguido na área da BD histórica, sobretudo nos últimos anos — não pela quantidade, mas pela qualidade, com obras de relevo como Mataram-no Duas Vezes: A Lei do Trabuco e do Punhal, A Conquista de Lisboa (em dois volumes) e Le Deuil Impossible (também em dois volumes, publicados em França pela prestigiosa Glénat) —, deu recentemente à estampa um novo trabalho do género, com o selo da Gradiva, dedicado a um dos mais célebres e decisivos acontecimentos da História de Portugal: a batalha de Aljubarrota, travada em 14 de Agosto de 1385, entre as hostes do Mestre de Avis, D. João I, e as do Rei de Castela, pretendente ao trono português, pelo casamento com a Infanta D. Beatriz.

Nessa memorável liça, as reduzidas hostes comandadas pelo Condestável Nuno Álvares Pereira derrotaram quase por milagre o exército inimigo, que, apesar de uma esmagadora superioridade numérica, debandou em desordem, deixando no terreno a fina-flor dos seus combatentes, entre os quais muitos cavaleiros de outras nacionalidades.

Trabalho monumental, com 86 pranchas — cuja alta qualidade gráfica e de reconstituição histórica, baseada nas crónicas da época (em especial as de Fernão Lopes e Froissart), tem obtido os maiores elogios da crítica e grande adesão dos leitores, ao ponto de já estar quase esgotado —, este novo álbum de Pedro Massano, que levou quatro anos a realizar, será apresentado pelo jornalista Carlos Pessoa, durante uma sessão, com entrada livre, que terá lugar amanhã na Livraria Férin, pelas 18h30. Aqui fica o respectivo convite…

novo álbum do Pedro Massano655Aljubarrota - Massano

 

NOVOS DA BD PORTUGUESA (HÁ 36 ANOS) – 1

“ALUCINAÇÃO” – por CARLOS PLÁCIDO

MA 206Nos anos 70 e 80 do século passado, o Mundo de Aventuras (MA) — que ia, então, na sua 2ª série, iniciada em Outubro de 1973 — foi o maior dinamizador da BD portuguesa, ao abrir as suas páginas não só a autores já consagrados, como Vítor Péon, Baptista Mendes, António Barata, José Garcês, Fernando Bento, José Ruy, Artur Correia e outros com uma carreira em ascensão, como Vassalo Miranda e Catherine Labey, mas sobretudo oferecendo a primeira oportunidade a muitos novos e talentosos desenhadores — alguns dos quais viriam a fazer carreira, como Augusto Trigo, Zenetto, Palma, Luís Nunes, José Projecto, Luís Louro, Santos Costa, tanto na BD como noutras áreas, nomeadamente a ilustração e a publicidade. Outros, porém, apesar das potencialidades reve- ladas, não encontraram no meio as condições e o incentivo suficientes para desen- volverem uma actividade ligada à BD e às artes gráficas e “desapareceram” pelo caminho, dedicando-se, como é óbvio, a outras mais seguras e rentáveis profissões.

MA 556   639Ainda hoje, ao folhear esses números do Mundo de Aventuras, recordo, com uma pontinha de orgulho e nostalgia, os tempos áureos em que o MA (que coordenei, na sua última fase, entre Maio de 1974 e Janeiro de 1987) foi o trampolim e um banco de ensaio para uma geração de jovens candidatos a autores de BD, que puderam expressar as suas aptidões de forma livre, sem condicionalismos (a não ser o número limite de páginas, dez por cada história), numa das rubricas mais emblemáticas dessa fase da revista, a que dei o título “Novos da Banda Desenhada Portuguesa”.

Para a maior parte deles, foi não só a primeira vez que viram os seus trabalhos publicados, como também a primeira remuneração que receberam por essa actividade, pois registe-se que esses novos colaboradores também eram pagos, tal como os seus “colegas” com currículo profissional, embora logicamente a tabela destes se cifrasse por valores mais elevados. Alguns passaram mesmo, tempos depois, à categoria de colaboradores efectivos, realizando capas e histórias publicadas com maior destaque na revista.

MA 334 VINHETA     640Vem toda esta conversa a propósito da ideia que teve o nosso Gato Alfarrabista de “ressuscitar” algumas dessas obras surgidas há mais de três décadas no MA, pois poderemos assim contribuir, decerto, para um melhor conhecimento de uma faceta quase obscura da BD portuguesa — que se consubstanciou, em condições diferentes, no movimento imparável e renovador dos fanzines, visível ainda hoje, com maior expressão, nas redes informáticas (websites e webzines), mas que também continua a manter a sua tradicional matriz tipográfica.

Nessa rubrica “Novos da Banda Desenhada Portuguesa”, iniciada no nº 151, de 19/8/1976, um dos nomes que mais se distinguiram foi o de Carlos Plácido (que assinava Karluz Placydu), autor cuja imaginação fantasista, no limiar do surrealismo, criou histórias recheadas de referências simbólicas (sobretudo ao 25 de Abril), num estilo simultaneamente realista e abstracto, lírico e psicadélico, em que se destaca a densidade cromática do preto e branco, acentuada pelos tons aguarelados de algumas imagens, e a geometria harmónica das composições labirínticas.

Resta acrescentar que, transposta para a actualidade, esta história (dada à estampa no MA nº 239, de 18/5/1978) nada perderia do seu rico simbolismo libertário.

MA - ALUCINAÇÃO 1 e 2MA - ALUCINAÇÃO 3 e 4MA - ALUCINAÇÃO 5 e 6

 

ABRIL E A “VISÃO” NA CASA DA BD

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Este ano, o CNBDI assinala os 40 Anos da Revolução de Abril com um (re)encontro dos artistas que colaboraram na Visão, a mítica revista nascida em 1975 e que encetaria um novo capítulo na história da BD nacional.

Estão já confirmadas as presenças dos artistas António Pilar, Carlos Barradas, Carlos Zíngaro, Pedro Massano e Victor Mesquita.

Este serão conta também com a participação musical de Francisco Fanhais, conhecida voz de Abril, ex-sacerdote católico, condecorado com a Ordem da Liberdade, em 1995.

Na próxima terça-feira, 29 de Abril, às 21h00, o CNBDI espera por todos os que quiserem associar-se a este encontro com tão notáveis artistas, e que será certamente uma excelente forma de comemorar a Revolução dos Cravos na casa da Banda Desenhada.

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O 25 DE ABRIL E A LIBERDADE

Neste dia em que se celebra o 40º aniversário da Revolução dos Cravos, que pôs fim a uma longa ditadura (de quase meio século!) e instaurou finalmente em Portugal a democracia e os direitos, liberdades e garantias assegurados por uma nova Constituição, convém frisar que, apesar de todos os graves problemas de ordem social e económica com que nos debatemos, a liberdade é um bem (talvez o mais precioso dom da democracia) que ainda não nos foi retirado. Sobretudo a liberdade de expressão… Saibamos continuar a defendê-la, como um dos nossos direitos fundamentais!

As democracias não desaparecem por causa dos problemas económicos, ou da sujeição às leis mercantilistas, mas entram em crise quando lhes impõem a mordaça do silêncio e da “opinião oficial”, como parece que alguns seguidores do Big Brother tentam agora fazer, para impedir que se apresentem e discutam alternativas.

Não há futuro, em liberdade e em democracia, sem alternativas, sem pluralismo, sem esperança, sem o genuíno espírito de Abril!…

Grandola A suivre

 

CURIOSIDADES DO “DIABRETE” – 11

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Foi muito antes das celebrações da Páscoa que o Diabrete apresentou aos seus leitores, no nº 798, de 21 de Fevereiro de 1951, esta bela ilustração de José Cambraia, acompanhada pelos versos de Adolfo Simões Müller, cujo suave lirismo tinha também profundo eco nos espíritos juvenis, moldados naquele tempo, de austero e doutrinário regime, pelo culto da religião, da pátria e da família.

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No mesmo número do Diabrete saíram mais algumas curiosas informações sobre a origem do calendário e do nome dos meses, decerto com o louvável propósito de que todos os amigos do “grande camaradão” fizessem boa figura nas aulas de História e nos serões familiares. Recordemos que nessa época, em que o aparelho de rádio ocupava o lugar do televisor, o ambiente dos lares domésticos era animado por outros sons e pelo lúdico, salutar convívio entre os mais novos e os mais velhos.

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O HUMOR NO 25 DE ABRIL

Cartaz 40 anos do 25 de abril

Abriu em 15 deste mês a exposição colectiva de humor gráfico “40 Anos de Abril”, que decorrerá até dia 4 de Maio, no Espaço Inovinter, em Moura.

A mostra faz uma viagem pelos cartunes e caricaturas que os principais jornais nacionais (e alguns regionais)  publicaram nos dias 25 de Abril de cada ano (desde 1974 até ao presente).

Da exposição fazem parte trabalhos de cartunistas como Martins, José de Lemos, Sam, Onofre Varella, José Bandeira, Zé Oliveira, Ricardo Galvão, Álvaro, Carlos Rico, Hermínio Felizardo, Carlos LaranjeiraLuís Afonso, etc.

A organização é da Câmara Municipal de Moura, a produção é de Humorgrafe/Osvaldo de Sousa e conta com o apoio do Pólo de Moura da Inovinter.

NAQUELE TEMPO – 1

A PAIXÃO DE CRISTO (segundo Paul Cuvelier)

Paul Cuvelier (auto-retrato)Nesta quadra pascal, em que as tradições familiares e religiosas são mais unas e ungidas de fé do que noutras celebrações litúrgicas (pelo menos, nos países em que predomina o catolicismo), queremos recordar outro grande autor da escola franco-belga, Paul Cuvelier (1923-1978), pintor por vocação e artista profissional de BD por acaso e necessidade de ganhar a vida, cuja obra ainda hoje figura nos melhores compêndios dedicados à 9ª Arte, como um modelo estético e figurativo de excepcional beleza, nomeadamente a sua grande série Corentin Feldoë, nascida em 1946, com o primeiro número da revista Tintin.        

Sujeito a profundas crises de depressão, que limitavam a sua capacidade de trabalho e a vontade de obedecer às exigências dos editores e do público — fazendo-o trocar com frequência as histórias aos quadradinhos pela pintura, onde encontrava um lenitivo para as suas frustrações como autor de BD —, Cuvelier - Epoxy     634Cuvelier realizou também algumas histórias de cariz mais adulto, entre elas a admirável Epoxy, cujo argumento, proposto por Jean Van Hamme, lhe permitiu ilustrar um tema em que podia dar largas à sua mestria no desenho anatómico e à voluptuo- sidade das formas femininas.

Tintin nº 9 (1949)Em 1984, a Lombard, editora para a qual Cuvelier trabalhou durante grande parte da sua carreira, de- dicou-lhe um magnífico livro recheado de ilustrações, Corentin et les Chemins du Merveilleux, por onde des- filaram outras personagens e séries oriundas do seu fervilhante mas atormentado espírito criativo: Line, Wapi, Flamme d’Argent, Tom Colby, etc.

No género juvenil, foi também autor de algumas excelentes histórias curtas, com destaque para um episódio bíblico publicado no Tintin nº 13 (8º ano), de 1/4/1953, com o título “En ce temps-là”. Em Portugal, a sua estreia ocorreu no Cavaleiro Andante nº 171, de 9/4/1955, onde as aventuras de Corentin não tardariam também a ter um lugar especial (depois de fugaz passagem pelo Titã, revista de vida efémera, mas conteúdo digno de nota), continuando posteriormente, ainda com maior destaque, na edição portuguesa da epónima revista belga e no Mundo de Aventuras Especial.

Cuvelier - CA 422  e capa MA 10

Como referimos na abertura, esta Sexta-Feira Santa parece-nos um bom pretexto para homenagearmos Paul Cuvelier e a sua curta mas relevante obra de feição clássica, que tantos admiradores lhe granjeou entre o seu público mais fiel — o leitorado juvenil—, apresentando, na versão do Tintin, a história da Paixão de Cristo, cujo traço primoroso, em que ressaltam a perfeição anatómica e a fidelidade dos décors, parece inspirado pelas magistrais criações dos mestres da escola flamenga.

En ce temps-là  1 e 2En ce temps-là 3  e 4En ce temps-là 5       633

Nota: Por coincidência, o excelente blogue Largo dos Correios, superiormente escrito e orientado pelo Professor António Martinó Coutinho, um mestre da pedagogia e da palavra, que muito tem ensinado sobre BD (mas não só) — e cujas elogiosas referências ao Gato Alfarrabista muito nos orgulham e incentivam, pois não se devem apenas à gentileza entre confrades, por partilharmos agora a blogosfera, onde encetámos uma nova amizade —, o Largo dos Correios, como íamos dizendo, dedicou também um post a Paul Cuvelier, reproduzindo na íntegra esta história de Páscoa e outra preciosidade do Tintin belga, a capa do nº 13 (8º ano), realizada por Hergé (como podem ver e apreciar em http://largodoscorreios.wordpress.com/2014/04/17/feliz-pascoa-com-tintin/).

Esta coincidência — ou melhor, convergência de ideias e de gostos — não impede que, ao iniciarmos uma nova rubrica, façamos também uma modesta homenagem ao grande mestre da escola de Bruxelas (um caso ímpar entre a equipa artística do Tintin), tal como há semanas já tínhamos planeado.

 

FIGURAS E FACTOS QUE MUDARAM O MUNDO – 1

A DESCOBERTA DA ILHA DA PÁSCOA

(por YVES DUVAL e RENÉ FOLLET)

Há muito que tínhamos vontade de incluir no Gato Alfarrabista uma rubrica deste género, sob a forma de histórias curtas de BD, em que os temas abordados, de cunho histórico, didáctico e biográfico, têm a assinatura de alguns dos melhores colaboradores artísticos e literários de duas emblemáticas revistas europeias: o Tintin e o Spirou — como, por exemplo, Jean-Michel Charlier, Octave Joly e Yves Duval (argumentistas), Victor Hubinon, Eddy Paape, Jean Graton, Albert Weinberg, Fred Funcken, Édouard Aidans, François Crahenhals, Fernand Cheneval e René Follet, entre outros.

René FolletEste último, um dos mais jovens e brilhantes elementos dessas selectas equipas — que ainda hoje, aos 83 anos, se mantém em actividade, com o mesmo traço desenvolto e elegante e um extraordinário domínio do preto e branco e da cor —, ilustrou o episódio que seguidamente apresentamos, com textos de Yves Duval, relatando a descoberta da famosa Ilha da Páscoa, na Polinésia, cujas misteriosas estátuas de pedra ainda hoje intrigam historiadores, antropólogos e arqueólogos, incapazes de encontrar respostas satisfatórias para a primeira questão que acudiu ao espírito dos navegantes, quando chegaram a terra: como teriam surgido numa ilha tão solitária, quase despovoada na altura do seu desco- brimento, aqueles insólitos e monumentais vestígios de um culto desconhecido?

Estátuas Ilha da Páscoa - 2A ilha, no dialecto dos indígenas, chamava-se Rapa Nui (Ilha Grande) e foi descoberta acidentalmente, em 5 de Abril de 1722, domingo de Páscoa, pelo navegador holandês Jacob Roggeveen, cujo nome hoje poucos recordam. É claro que o seu achado não mudou a história do mundo, mas contribuiu para alterar a noção que muitos europeus, no século XVIII, ainda dele tinham, cobrindo com mais um enigmático véu a origem de algumas culturas do hemisfério sul, engolidas pela voragem do tempo e pelas calamidades provocadas pelo homem. Embora as teorias mais comuns sejam a de que os primitivos habitantes de Rapa Nui eram oriundos da Nova Guiné, como os seus antepassados que viviam nas ilhas Fiji, Samoa e Tonga, e de que a colonização da ilha teve inicio entre 600 e 800 d.C.

Estátuas Moais (Ilha da Páscoa)Hoje, com cerca de 4.000 residentes, cuja vida árdua pouco mudou com os benefícios do turismo e da civilização, a mítica e inóspita ilha de solo vulcânico, exposta às tempestades e aos ventos agrestes do Pacífico sul, pertence à República do Chile, distante dela 3.500 km.

 Património mundial da Unesco, graças às suas estranhas estátuas chamadas Moais, a fantástica Ilha da Páscoa continua a desafiar a curiosidade dos que sonham com mistérios e civilizações desaparecidas.

Praia de Anakena (Ilha da Páscoa)

Resta acrescentar que este breve episódio desenhado por René Follet — e que faz parte, como já referimos, da série de histoires vraies que, em dada altura (anos 50), começaram a aparecer no Tintin e no Spirou, com propósitos nitidamente didácticos, para combater uma corrente de opinião e uma censura cada vez mais hostis contra os alegados “defeitos” (leia-se “má influência”) da banda desenhada —, foi publicado no Tintin nº 14 (10º ano), de 6/4/1955, e surgiu também em Portugal, a primeira vez no Álbum do Cavaleiro Andante nº 15 (Agosto de 1955), e a segunda nas Selecções BD nº 22 (Agosto de 2000).

Cabeçalho francês

Se bem repararem, na versão original, cuja primeira tira reproduzimos acima, a vinheta de abertura foi suprimida, para encaixar o título e os nomes dos autores; mas ela está presente nas duas publicações portuguesas, o que obviamente só as valoriza.

Ilha de Páscoa - 1 e 2

Ilha de Páscoa - 3  e 4