AMADORA BD 2014 – 2

AmadoraBD

Entrega de prémios, com actuação de António Chainho

A cerimónia de entrega dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada do Amadora BD 2014 – 25.º Festival Internacional de Banda Desenhada – realiza-se este sábado, 1 de Novembro, às 19h, nos Recreios da Amadora.

Durante o evento serão conhecidos os vencedores deste ano relativos às categorias: Melhor Álbum Português, Melhor Argumento de Álbum Português, Melhor Desenho de Álbum Português, Melhor Álbum de Autor Português em Língua Estrangeira, Melhor Álbum de Autor Estrangeiro, Melhor Álbum de Tiras Humorísticas, Melhor Ilustração de Livro Infantil (autor português), Prémio Clássicos da 9.ª Arte, Melhor Fanzine e o Troféu de Honra, atribuído a uma personalidade com notável carreira ligada à BD.

Num ano em que o Festival assinala e comemora diversas datas importantes, nomeadamente os 25 anos do próprio Festival, os 75 anos do Batman, os 50 anos da Mafalda ou os 70 anos de carreira do autor José Ruy, o evento de entrega de prémios do Amadora BD conta com a actuação de António Chainho, que está prestes a comemorar 50 anos de carreira, bodas de ouro de um casamento feliz e generoso com a guitarra portuguesa, o seu instrumento de sempre.

_Ant-Chainho LR CLG

Também ele morador na Amadora, iniciou a sua carreira acompanhando grandes nomes do fado, saiu de Lisboa e ganhou o mundo, abrindo depois novos horizontes à guitarra portuguesa, atravessou com ela as fronteiras do fado e juntou-se a outras vozes e a outros instrumentos, de todos os continentes, sempre com salas cheias. Foi ainda o fundador das Escolas da Guitarra Portuguesa, com o seu nome, onde lecciona numa base regular. No âmbito da comemoração dos 50 anos de carreira, em 2015, António Chainho prepara-se para gravar um novo disco, com novas composições.

Este sábado, António Chainho vai estar em palco com Filipa Pais — que desde a “Guitarra e Outras Mulheres” tem sido uma presença regular nos seus espectáculos e fará parte do novo trabalho para dar voz a algumas das suas composições — e com os companheiros de há muito: Ciro Bertini (no baixo), o homem dos múltiplos instrumentos, e o guitarrista Tiago de Oliveira (na viola), ambos músicos de eleição, que conhecem melhor do que ninguém a mágica forma de tocar de Mestre António Chainho e o trinar da sua guitarra.

A entrada na cerimónia de entrega dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada do Amadora BD é gratuita, embora limitada à lotação da sala.

O Amadora BD decorre até dia 9 de Novembro, no Fórum Luís de Camões e em diversos locais, na Amadora e em Lisboa. Mais informações sobre o Festival disponíveis em www.amadorabd.com.

MULHERES FANTÁSTICAS – 3

MULHER ALADA

Mulher alada 140

A mulher frágil, a mulher criança, de formas ainda indefinidas, que descobre o desejo e o prazer depois de se transformar em mariposa e em mulher adulta. Criação de António Carichas, na história “O Planeta dos Seres Alados”, publicada no Mundo de Aventuras nº 260, 2ª série, de 21 de Setembro de 1978.

 

TINTIN EM LISBOA?

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Por gentileza de um amigo, sempre atento às novidades que circulam no Facebook (sobretudo as de cariz mais inédito ou especial), partilhamos com os nossos visitantes esta capa do que pode parecer, à primeira vista, um novo álbum de Tintin — facto que, a ser verdade, geraria uma onda de entusiasmo em todo o mundo, Lisboa 2tornando-se o mais estrondoso êxito editorial desta década.

O encanto de Lisboa e o seu renome entre as cidades mais acolhedoras do nosso planeta justificam a escolha… mesmo sem disfarçar a alusão às intempéries que se têm abatido sobre a bela princesa do Tejo, com efeitos calamitosos, como as recentes inundações que (mais uma vez) atingiram várias zonas da baixa lisboeta.

Até se lê na dita capa o nome de uma editora que parece inspirado pelas cheias: Marca D’Água. O grafismo imita muito bem o estilo inconfundível de Hergé, mas o nome do mimético desenhador não é mencionado na ilustração.

Jo, Zette e JockoNesta cena surge também uma personagem oriunda de outra famosa criação de Hergé (não tão célebre como Tintin, mas bastante conhecida em Portugal). Serão capazes de identificá-la?

Posto isto — e para não aumentarmos o alvoroço que já deve reinar nalguns espíritos mais crédulos ou mais fantasistas —, leiam com atenção as primeiras linhas que escrevemos e desiludam-se… pois a sensacional “novidade” não passa de uma paródia às inundações que têm ocorrido em Lisboa (tal como em anos anteriores… o mal já vem de longe), e sobretudo numa altura em que se fala da saída de António Costa da Câmara Municipal por causa da sua candidatura a Secretário-Geral do PS. Uma “chuva” de críticas abateu-se também sobre o autarca… atribuindo-lhe culpas pelos efeitos do temporal que nem a S. Pedro tentariam assacar!

Aproveitando a deixa, sugerimos outros temas de flagrante actualidade para as próximas “aventuras” do famoso repórter, que continua bem vivo trinta e um anos após a morte do seu ilustre criador: Tintin e a Abertura das Aulas e Tintin e a Reforma da Justiça (intrigantes meandros da sociedade portuguesa, em que o nosso herói certamente encontrará bastos estímulos para a sua insaciável curiosidade e para o seu espírito dinâmico e inventivo, atraído por desafios de toda a espécie).

Então, já adivinharam o nome do outro herói juvenil que figura na ilustração que encabeça este post? Pois é verdade, trata-se sem dúvida de um dos elementos da bizarra pandilha Jo, Zette e Jocko, que em Portugal surgiu pela primeira vez, com o mesmo nome, nas páginas da revista Zorro, sucessora do Cavaleiro Andante.

Le Manitoba ne répond plus +m LÉruption du Karamako

O autor deste saboroso pastiche, cujo anonimato se perde na multidão de talentosos humoristas que pululam na Net, baseou-se num episódio dessa série intitulado “A Erupção do Karamako” (onde não faltam catástrofes naturais), publicado no Zorro entre os nºs 141 a 192 (1965-66), e mais tarde em álbum pela Verbo (1981-82), na colecção “Aventuras de Joana, João e do macaco Simão”, dedicada a esta criação de Hergé, cuja estreia se deu na revista francesa Coeurs Vaillants, em Janeiro de 1936.

Graças ao amigo que nos enviou esta curiosidade, “tintinófilo” de gema e profundo conhecedor da obra de Hergé, aqui fica também a vinheta original que serviu de inspiração à presente “capa”, com algumas diferenças subtis que tornam ainda mais curioso um (atento e estimulante) exercício comparativo.

Tintin em Lisboa - originalE viva a imaginação… até ao regresso a sério de Tintin e dos seus companheiros de aventura, já anunciado para os próximos decénios! Lá para 2052… o que nos desperta uma dúvida: já terá nascido quem os irá recriar?

AMADORA BD 2014 – 1

AMADORABD CABEÇALHO

Apurados candidatos aos Prémios Nacionais de Banda Desenhada

Amadora, 15 de Outubro de 2014 Depois de reunido o júri dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada, cujos resultados serão conhecidos na noite de sábado, 1 de Novembro, foram nomeadas as seguintes obras, divididas pelas nove categorias a concurso:

Melhor Álbum Português

A Batalha 14 de Agosto de 1385, de Pedro Massano (Gradiva)

O Desenhador Defunto, de Francisco Sousa Lobo (Chili com Carne)

Hawk, de André Oliveira, Osvaldo Medina e Inês Falcão Ferreira (Kingpin Books)

Super Pig: O Impaciente Inglês, de Mário Freitas, André Pereira e Bernardo Majer (Kingpin Books)

Zona de Desconforto, de vários autores (Chili com Carne)

Melhor Argumento para Álbum Português

André Oliveira, Hawk (Kingpin Books)

Filipe Melo, Dog Mendonça e Pizzaboy III – Requiem (Tinta da China)

Francisco Sousa Lobo, O Desenhador Defunto (Chili com Carne)

Mário Freitas, Super Pig: O Impaciente Inglês (Kingpin Books)

Nuno Duarte, F(r)icções (El Pep)

Pedro Massano, A Batalha 14 de Agosto de 1385 (Gradiva)

Melhor Desenho para Álbum Português

André Pereira, Super Pig: O Impaciente Inglês (Kingpin Books)

Diniz Conefrey, Os Labirintos da Água (Quarto de Jade)

Francisco Sousa Lobo, O Desenhador Defunto (Chili com Carne)

João Sequeira, F(r)icções (El Pep)

Osvaldo Medina, Hawk (Kingpin Books)

Pedro Massano, A Batalha 14 de Agosto de 1385 (Gradiva)

Melhor Álbum de Autor Português em Língua Estrangeira

Living Will Nº1, de André Oliveira e Joana Afonso (Ave Rara)

The Mighty Enlil, de Pedro Cruz (El Pep)

Safe Place, de André Pereira e Paula Almeida (Kingpin Books)

Propaganda, de Joana Estrela (Plana Press)

The Untold Tales of Dog Mendonça and Pizzaboy, de Filipe Melo (Dark Horse Comics)

Melhor Álbum de Autor Estrangeiro

Ardalén, de Miguelanxo Prado (Asa)

Duas Luas, de André Diniz e Pablo Mayer (Polvo)

Eu Mato Gigantes, de Joe Kelly e JM Ken Niimura (Kingpon Books)

Jim Curioso: Viagem ao Coração do Oceano, de Matthias Picard (Polvo)

As Serpentes de Água, de Tony Sandoval (Kingpin Books)

Melhor Álbum de Tiras Humorísticas

Há Piores 3 – Até ao Âmago!, de Geral e Derradé (Polvo)

No Presépio, de Álvaro e José Pinto Carneiro (Insónia/Álvaro Santos)

Tiras do Baralho, de André Oliveira e Pedro Carvalho (El Pep)

Melhor Ilustração de Livro Infantil (Autor Português)

Afonso Cruz, Capital (Pato Lógico)

Catarina Sobral, O Meu Avô (Orfeu Negro)

João Fazenda, Histórias Tradicionais Portuguesas (Caminho)

Madalena Matoso, Com o Tempo (Planeta Tangerina)

Nuno Saraiva, Aníbal Milhais, Um Herói chamado Milhões (Pato Lógico/Imprensa Nacional Casa da Moeda)

Vera Tavares, Lôá Perdida no Paraíso (Tinta da China)

Clássicos da 9.ª Arte

Crise nas Terras Infinitas Vols. 1 e 2, de Marv Wolfman e George Pérez (Panini/Levoir)

Maus, de Art Spiegelman (Bertrand Editora)

Naruto Vol. 1, de Masashi Kishimoto (Devir)

A Pior Banda do Mundo Vol. 1, de José Carlos Fernandes (Devir)

Portugueses na Grande Guerra, de Carlos Baptista Mendes (Arcádia)

Fanzines

BDLP #4, de João Mascarenhas (Extractus/Olindomar Estúdio)

Espaço Marginal, de Marco Silva (Instituto Politécnico de Beja)

Juvebêdê, de Carlos Cunha (Associação Juvemedia)

O júri dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada é constituído por Nelson Dona, director do AmadoraBD (e em representação da Presidente da Câmara Municipal da Amadora, Carla Tavares), Joana Afonso, autora de BD, Luís Salvado, jornalista e especialista bedéfilo, comissário da exposição central, António Dâmaso Afonso, coleccionador de BD, e Sara Figueiredo Costa, comissária da exposição central.

Todas as obras integram a exposição Ano Editorial Português do Amadora BD, no Fórum Luís de Camões. Os vencedores serão conhecidos a 1 de Novembro, na habitual cerimónia de Entrega de Prémios do Amadora BD.

FÁTIMA, 13 DE OUTUBRO

Diabrete 865   090

O calendário das celebrações Marianas na Cova da Iria atinge o seu ponto alto a 13 de Outubro, atraindo sempre muitos peregrinos (mesmo com mau tempo) ao Santuário onde se erguem a magnífica Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima e a Basílica da Santíssima Trindade, a par da vetusta Capelinha das Aparições.

Nesta data, há 63 anos, isto é, em 13/10/1951, o Diabrete dedicou a capa do seu nº 865, com uma bela ilustração de Marcelo de Morais, ao acontecimento que abalou os primórdios do regime republicano em Portugal e as suas relações com a Igreja Católica.

Em cores suaves, planas, e num estilo de linhas quase geométricas que combinava singeleza, harmonia e modernidade, o desenhador evocou a imagem tradicional dos três devotos pastorinhos perante a Virgem Maria, que lhes apareceu envolta num halo de mistério, pairando como uma nuvem sobre os ramos de uma azinheira.

Já aqui fizemos referência, algumas vezes, aos trabalhos que este excelente artista, um dos maiores expoentes da nova vaga da ilustração e da BD portuguesas, na segunda metade do século XX, produziu para vários jornais e revistas, nomeadamente o Diabrete, onde se distinguiu também, nessa época, como um dos seus melhores colaboradores.

A prová-lo estão as dezenas de ilustrações, páginas de curiosidades, passatempos e histórias aos quadradinhos, com o seu peculiar estilo “linha clara”, que rechearam o popular bissemanário juvenil, ombreando dignamente com a obra de Fernando Bento, Fernandes Silva e outros notáveis autores portugueses, nessa última e interessantíssima etapa da carreira do “grande camaradão”.

 

CENTENÁRIO DE JIJÉ CELEBRADO TAMBÉM EM VISEU

Cartaz-Jijé-Viseu

Depois de ter estado patente em Moura, nos passados meses de Junho e Julho, a exposição comemorativa do 1º centenário do nascimento de Joseph Gillain (Jijé), um dos maiores autores da BD franco-belga, mestre de mestres, com uma vasta obra conhecida em Portugal (mas só parcialmente divulgada em revistas como Cavaleiro Andante, Zorro, Mundo de Aventuras, Spirou, e nalguns álbuns das editoras Meribérica e Edições 70), surgiu agora também na histórica cidade de Viriato, por iniciativa do Gicav – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, em conjunto com o respectivo município.

Comissariada por Luiz Beira, esta Mostra, com a apresentação de vários painéis dedicados às mais representativas personagens do fascinante e heteróclito universo criativo de Joseph Gillain, desde Spirou e Fantasio a Jerry Spring, foi inaugurada dia 4 do corrente, na Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva, onde permanecerá até final deste mês.

Autoretrato de Jijé    803

CITAÇÃO DO MÊS – 5

EURICO FONSECA

História Breve da Astronáutica

“Para muitas pessoas, a Astronáutica começou no dia 4 de Outubro de 1957. A sua história é curta e quase insípida. Para outras, para aquelas que acompanharam sempre o velho sonho, a História da Astronáutica não é apenas a citação mecânica e fria de êxitos e decepções, de distâncias, velocidades, pesos e forças. É algo de belo e de épico.

Desde as lendas indianas e chinesas até aos escritores gregos, desde os homens que revolucionaram a Astronomia até aos fogueteiros de há cem anos e aos sonhadores de há meio século, há mil momentos de beleza, comédia e drama que permanecem ignorados.

(…) A História da Astronáutica não começou quando o primeiro satélite artificial entrou em órbita. É tão velha como a Humanidade. Nasceu quando os homens tiveram consciência, pela primeira vez, de que o seu espírito estava acima do dos animais… e, por isso, não se podia conter nas coisas terrenas.”

Introdução à “História Breve da Astronáutica” (Verbo, 1960)