NOVA PALESTRA NO CPBD SOBRE “A LEI DA SELVA” DE EDUARDO TEIXEIRA COELHO

No próximo sábado, dia 6 de Maio, na sede do Clube Português de Banda Desenhada, realiza-se mais uma palestra do ciclo “A Lei da Selva de Eduardo Teixeira Coelho”, que será igualmente apresentada por Mestre José Ruy, autor do powerpoint que ilustrará essa sessão, com numerosos exemplos da arte magistral de E. T. Coelho.

Aproveitamos a oportunidade para mostrar seguidamente algumas imagens da sessão anterior, realizada em 22 de Abril p.p., que embora pouco concorrida mereceu o interesse e o aplauso de todos os presentes, premiando o mérito da obra e a feliz ideia de José Ruy de homenagear um dos melhores trabalhos de E. T. Coelho e Raul Correia para O Mosquito, recentemente reeditado, pela primeira vez, em álbum.

As fotos são de Dâmaso Afonso, activo membro do CPBD, a quem saudamos com amizade, agradecendo novamente a prestimosa colaboração que tem oferecido aos blogues da nossa Loja de Papel.

DIAS 22 E 29 DE ABRIL: DUAS PALESTRAS NO CPBD SOBRE “A LEI DA SELVA” DE E.T. COELHO

Na continuidade das iniciativas que tem organizado com frequência na sua nova sede, o Clube Português de Banda Desenhada anuncia mais duas palestras, a realizar nos próximos dias 22 e 29 de Abril, pelas 17h00, e dedicadas, com o precioso apoio de um dos seus mais ilustres consócios, mestre José Ruy, à obra-prima de Eduardo Teixeira Coelho “A Lei da Selva”, publicada em 1948 na mítica revista O Mosquito e reeditada finalmente em livro, há alguns meses, por Manuel Caldas.

À parte o interesse específico do tema — apresentado de forma inédita, a partir da leitura de um excelente estudo de Domingos Isabelinho —, este evento representa um progresso para o CPBD, que está agora equipado com meios técnicos (PowerPoint) que lhe permitem valorizar enormemente as suas sessões. 

O BOLETIM DO CPBD CONTINUA EM PUBLICAÇÃO

O Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) acaba de editar o nº 143 do seu Boletim, com data de Fevereiro de 2017, um dos fanzines mais antigos em publicação, não só em Portugal como em toda a Europa, e que pela sua qualidade e longevidade merece ombrear com os melhores (como, aliás, tem sido realçado por vários especialistas).

Neste número, dedicado ao Titã — uma revista de BD dos anos 1950, editada pela Fomento de Publicações em moldes inovadores, mas que não teve o sucesso esperado, devido à forte concorrência do Cavaleiro Andante e do Mundo de Aventuras —, destaca-se um excelente artigo sobre este tema, da autoria de Ricardo Leite Pinto, sobrinho do saudoso Roussado Pinto, incontornável pioneiro da “época de ouro” da BD portuguesa, que no Titã exerceu as funções de novelista/argumentista, redactor principal e, a breve trecho, director, depois de ter saído do Mundo de Aventuras e da Agência Portuguesa de Revistas.

No Titã colaboraram também alguns desenhadores portugueses, já nessa época com largo e invejável currículo, como Vítor Péon, José Garcês e José Ruy, devendo-se a Péon e ao seu traço dinâmico a capa do 1º número e a história “Circos em Luta”, cujo herói, criado por Edgar (Roussado Pinto) Caygill, se chamava nem mais nem menos… Titã!

Completa este número um artigo de Carlos Gonçalves sobre a magnífica arte de E.T. Coelho, com uma galeria de trabalhos deste grande desenhador para O Mosquito, que estiveram patentes, até há pouco tempo, numa exposição realizada pelo CPBD na sua nova sede.

As imagens reproduzidas neste post foram extraídas, com a devida vénia, do blogue Sítio dos Fanzines de Banda Desenhada, orientado por Geraldes Lino, cuja consulta recomendamos a todos os interessados por este aliciante tema que o mestre Lino conhece e aborda como poucos. Ou melhor dizendo, como ninguém!

Nota: nos nossos blogues A Montra dos Livros e O Voo d’O Mosquito podem ver também este post com mais imagens.

A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM BD – 15

VASCO DA GAMA E O CAMINHO MARÍTIMO PARA A ÍNDIA

Conforme informação recolhida, com a devida vénia, no conhecido blogue Divulgando Banda Desenhada, eficientemente coordenado por Geraldes Lino, nosso amigo de longa data e bedéfilo dos “quatro costados”, a página supra, dedicada ao épico feito do navegador português Vasco da Gama, foi publicada na revista Eagle nº 50 (22/3/1951).

Embora o facto mereça relevo — pois os ingleses sempre ligaram mais importância aos seus feitos e aos seus heróis marítimos do que aos de outras nações —, não deixa de chamar a atenção a falta de autenticidade de alguns pormenores, a começar, desde logo, pelos navios, que pouco se parecem com as pequenas e frágeis caravelas portuguesas, de velame reduzido, facilmente manobráveis, mesmo no mar alto; pelo contrário, as imagens desta página lembram os pesados galeões dos séculos XVI e XVII com que os marinheiros e corsários ingleses conquistaram, a ferro e fogo, o domínio dos mares.

Na última vinheta, a fantasia do desenhador (cujo nome nós também ignoramos) foi ainda mais longe, ao transformar Belém, um local quase ermo, nessa época, num subúrbio ridente e populoso da capital portuguesa — que o êxito das expedições marítimas à Costa da Mina tinha transformado numa das mais ricas da Europa desse tempo.

Neste “quadradinho”, a imagem de quatro navios é outro atropelo ao rigor histórico, pois, na verdade, apenas dois regressaram da longa e tormentosa travessia até à Índia, em busca “de especiarias e de cristãos”. Os outros tiveram destino diferente: a caravela de Bartolomeu Dias deixou a frota, logo no início da viagem, para se dirigir à feitoria de S. Jorge da Mina, enquanto que a nau S. Rafael, capitaneada por Paulo da Gama, irmão do capitão-mor da armada, foi destruída pelo fogo, na costa de Mombaça, por ordem de Vasco da Gama (tal como acontecera à nau dos mantimentos, na viagem de ida, ao aportarem à Angra de São Braz), porque já eram poucos os marinheiros, no regresso da Índia, tornando ainda mais difícil a manobra e pondo em risco o sucesso da expedição.

Mais haveria a dizer, mormente quanto à estadia dos portugueses em Calecute, que não foi tão pacífica e festiva, nem tão longa, como o autor do texto dá a entender. Mas ficamos por aqui, sublinhando apenas, mais uma vez, a falta de rigor documental e histórico desta rubrica, pois a heróica epopeia de Vasco da Gama — magistralmente descrita por E.T. Coelho na sua obra-prima “O Caminho do Oriente” (Os Lusíadas da BD Portuguesa) — merecia outra abordagem, numa revista tão emblemática como a Eagle.    

Razão tem aquele velho ditado português: “no melhor pano cai a nódoa”…

CITAÇÃO DO MÊS – 29

EDUARDO TEIXEIRA COELHO

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«Geralmente eu aparecia com as páginas prontas e umas notas a lápis debaixo de cada boneco, e a partir dali ele [Raul Correia] escrevia. Sempre foi assim em todas as histórias. E era simples. Naturalmente, às vezes dizia-lhe o que pensava fazer».

 (Excerto de uma entrevista publicada em Selecções BD nº 1, 2ª série, Novembro de 1998, a primeira que E. T. Coelho concedeu a uma revista portuguesa).

DIA 16: ASSEMBLEIA GERAL DO CPBD

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No próximo sábado, dia 16 de Abril, pelas 15h30, na sede do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), sita na Avenida do Brasil 52A, Reboleira (Amadora), haverá nova reunião da sua Assembleia Geral, para tomar várias deliberações urgentes no âmbito dos processos de obtenção de apoio em curso (ratificação das contas de 2013 e 2014, orçamento e plano de actividades de 2016).

Serão ainda votadas as contas de 2015 e prestada informação aos associados sobre a recente actividade do Clube, projectos futuros e outras questões de interesse geral. Está  também prevista a distribuição aos sócios do nº 142 (Abril 2016) do Boletim do CPBD, dedicado a duas exposições marcantes inauguradas na sua sede, em Janeiro último: Os 80 anos d’O Mosquito e Tributo a Eduardo Teixeira Coelho.

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EXPOSIÇÃO “OS DOZE DE INGLATERRA” – POR EDUARDO TEIXEIRA COELHO – NA BEDETECA DA AMADORA

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Bedeteca | Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos

18 de FEVEREIRO a 24 de MARÇO – Horário: 3ª feira a sábado,

das 10h00 às 18h00

A Bedeteca da Amadora inaugura no próximo dia 18 de Fevereiro, pelas 21h30, a exposição “Os Doze de Inglaterra”, do autor português de Banda Desenhada Eduardo Teixeira Coelho. Esta mostra é constituída por materiais originais de impressão da obra em causa, impressões do livro e arte original do artista, do acervo da Bedeteca.

Durante a inauguração da exposição, o livro será apresentado pelo artista José Ruy – autor de Banda Desenhada, ilustrador e pintor –, e por Rogério Miguel Puga – professor auxiliar da Universidade Nova de Lisboa.

Mais informações:
Bedeteca | Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, 2º Piso | Av. Conde Castro Guimarães 6, Venteira (2720-119 Amadora)
Telefone: 214 369 054 | Fax: 214 948 777

Nota: Agradecemos a Mestre José Ruy a informação que nos permitiu rectificar a notícia colhida no página de Facebook da Amadora.Liga, que hoje de manhã ainda não tinha sido actualizada.

O CARNAVAL DO “DIABRETE”… HÁ 72 ANOS!

Em 1944, iniciando uma tradição que se manteve até ao último ano da sua existência, o Diabrete festejou o Carnaval “a época do sonho”, em que “os meninos e as meninas se mascaram e se julgam transportados, por graça de misteriosa varinha de condão, a um mundo distante e diferente” — com uma feliz iniciativa que iria espalhar a alegria e o alvoroço entre alguns dos seus leitores mais folgazões, residentes de norte a sul do país.

Como estava escrito em letras gordas no rodapé da primeira página do nº 163, dado à estampa em 12 de Fevereiro de 1944, a oito dias do início da quadra carnavalesca, esse número inseria nada mais nada menos do que “6 fatos de máscara”.

Aqui têm, na mesma imagem, o cabeçalho e o rodapé desse número.

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Claro que não se tratava de máscaras completas, como nas lojas, mas sim de “seis lindíssimos figurinos” criados por um exímio desenhador, cujo nome já era bem conhecido da juventude portuguesa, sobretudo daquela que não dispensava a leitura, todas as semanas, do seu “grande camaradão”. Ora o Diabrete enfrentava, nessa época, a larga audiência e a radiosa fama do seu principal concorrente, O Mosquito, onde fazia também brilhante figura outro notável desenhador português: Eduardo Teixeira Coelho.

Mas o facto de ambas competirem no mesmo terreno com todas as “armas” ao seu alcance, não significava que as hostes estivessem divididas, isto é, muitos leitores d’O Mosquito gostavam também de ler o Diabrete, e vice-versa. E o apreço que nutriam pelo talento de E.T. Coelho, então ainda na fase de ilustrador, com um pujante estilo realista que rivalizava com os dos melhores artistas estrangeiros do seu género, equiparava-se ao que sentiam pelos trabalhos de Fernando Bento, cuja pitoresca arte decorativa dava uma alegre vivacidade e uma sofisticação especial a todos os números do Diabrete.

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A página que acima reproduzimos, com uma sugestiva ilustração de Fernando Bento, abria as “cortinas” de um “palco” onde se exibiam seis maravilhosos e originais trajos de Carnaval (nada fáceis de confeccionar, aliás!), criados pelo traço exuberante e pela pueril fantasia de um desenhador cuja carreira começara precisamente no teatro.

Para tornar a sua “ideia luminosa, espantosa e estonteante” ainda mais irresistível, o Diabrete decidiu promover uma espécie de concurso entre as hábeis mães (ou tias e avós) costureiras, oferecendo aliciantes prémios aos seus leitores mais prendados, isto é, vestidos a preceito e prontos a posar para o fotógrafo. Naquele trágico tempo de guerra, cujos ecos ribombavam ainda além-fronteiras, e de carestia para inúmeras famílias portuguesas, não eram muitos, certamente, os miúdos que podiam dar-se ao luxo de pedir aos pais uma boneca ou uma bola de futebol! Nem sequer de concretizar um sonho ainda mais ambicioso: tomar parte num desfile de máscaras carnavalescas.

Quanto aos vistosos figurinos criados por Fernando Bento (em que os rapazes estavam em supremacia), note-se que foram inspirados nalguns dos personagens que animavam as páginas do Diabrete (menos o Tarzan, que só usava tanga!), com relevo para um dos mais carismáticos: o azougado saloio Zé Quitolas, com o seu trajo típico e o seu “burrico” pela trela, que graças ao versátil traço de Fernando Bento tantas e tão divertidas peripécias proporcionou aos pequenos leitores do “grande camaradão de todos os sábados”.

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OS DOZE DE INGLATERRA – por E.T. Coelho (3)

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A propósito do álbum “Os Doze de Inglaterra”, reedição de uma magnífica narrativa histórica de E.T. Coelho, publicada originalmente n’O Mosquito, em 1950/51, informamos que a editora Gradiva irá lançá-lo dentro de dias no mercado, como confirma o convite que já recebemos e que com todo o prazer divulgamos neste blogue.

os-doze-de-inglaterra-2Mas já houve uma espécie de lançamento prévio durante a tertúlia d’O Mosquito efectuada, como habitualmente, em meados de Janeiro, com um almoço-convívio em que participaram, num ambiente de viva cama- radagem, mais de meia centena de efusivos “mosquiteiros”. O director da Gradiva, dr. Guilherme Valente, aproveitou a ocasião para expor pela primeira vez em público um exemplar do álbum, acabado de sair dos prelos, e algumas páginas impressas em grande formato, para que fosse possível admirar ao pormenor toda a beleza, realismo e perfeição desta extraordinária obra de arte, com mais de 100 páginas, que graças aos bons ofícios de José Ruy, um velho amigo e profundo admirador de E.T. Coelho — de quem foi companheiro de tertúlias e colega de trabalho n’O Mosquito —, pôde ser fielmente restaurada, na sua integral dimen- são estética e tipográfica, expurgando-a dos defeitos com que apareceu na revista, sobretudo os cortes nos desenhos, por causa das legendas com demasiado texto. Houve, por isso, que refazer essas legendas, tarefa também a cargo de José Ruy — que merece indiscutivelmente um grande voto de louvor por todo o empenho com que se dedicou, colaborando graciosamente com a Gradiva, à realização desta obra.

Os nossos leitores podem apreciar neste post uma página da nova versão de “Os Doze de Inglaterra” e uma breve reportagem fotográfica (a cargo de José Boldt) da “ante-estreia” do álbum que o editor Guilherme Valente quis mostrar a todos os admiradores de E.T. Coelho (e muitos eram) presentes no convívio comemorativo dos 80 anos d’O Mosquito.

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