“TERRY E OS PIRATAS” – 9º VOLUME (SETEMBRO 2017)

Continuando a manter uma regularidade e uma periodicidade sem pausas, José Pires lançou este mês mais dois volumes das séries que tem em publicação, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral, quase totalmente inédita entre nós, abrangerá 25 números do FandClassics, cada um deles com cerca de 70 páginas. O preço não varia, fixando-se nos 15 euros. 

No Fandwestern (um dos mais antigos fanzines portugueses) continua a publicação de outra grande série clássica, Matt Marriott, já com mais de cinco dezenas de episódios reeditados, a partir do material disponível em antigas publicações, mas também de tiras originais pertencentes a um dos maiores fãs da série. Outra colecção, portanto, a não perder, pois faz justiça ao magnífico trabalho de Tony Weare, resgatando-o do inglório olvido a que foi votado tanto em Inglaterra como noutros países.

Estes fanzines (de tiragem bastante limitada) podem ser encomendados directamente a José Pires, escrevendo para o e-mail gussy.pires@sapo.pt

(Nota: para ver mais informações sobre os fanzines editados em Setembro por José Pires, consultar o blogue “A Montra dos Livros”).

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A QUINZENA CÓMICA – 42

Como não foram só as capas a contribuir para o retumbante êxito do Cara Alegre na década de 1950 (em que foi lançada a sua 1ª série), apresentamos hoje mais uma página do seu bem recheado sumário, extraída do nº 88, de 1/9/1954, com uma ilustração cujo estilo lembra o do notável cartoonist norte-americano Don Flowers (1908-1968) — que, aliás, também marcou presença no Cara Alegre. Quanto ao “conteúdo” da saborosa anedota, quantos homens não gostariam de estar no lugar deste noivo?

DOM AFONSO HENRIQUES NA BANDA DESENHADA – UMA GRANDE EXPOSIÇÃO EM VISEU

Conforme notícia que atempadamente divulgámos, abriu ao público no passado dia 27 de Agosto, em pleno Pavilhão Multiusos da Feira de São Mateus, a exposição intitulada “Dom Afonso Henriques na Banda Desenhada” — uma organização do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), com o apoio da Câmara Municipal daquela cidade, da Viseu Marca e do IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude).

Os nossos colegas do BDBD, Luiz Beira e Carlos Rico, estiveram lá, aquando da inauguração, e fizeram uma magnífica reportagem fotográfica que pode ser vista no seu blogue: http://bloguedebd.blogspot.pt/2017/09/d-afonso-henriques-na-bd-reportagem.html

Antes da inauguração da exposição no Pavilhão Multiusos — segundo informa o BDBD —, teve lugar, mesmo ao lado, num pequeno mas acolhedor auditório, o lançamento oficial do álbum “D. Afonso Henriques – A Balada da Conquista de Lisboa”, narrativa extraída da obra “O Caminho do Oriente”, com texto de Raul Correia e desenhos de E. T. Coelho, cuja capa aqui reproduzimos, com a devida vénia ao BDBD e ao GICAV.

A sessão teve início com um curto mas interessante vídeo, onde o numeroso público presente visionou imagens virtuais da nova Arena de Viseu, um espaço magnífico completamente apetrechado para receber eventos culturais e desportivos, que em breve (crê-se que dentro de um ano) tomará o lugar do Pavilhão Multiusos. A cerimónia teve a participação do Director Executivo da Viseu Marca, Dr. Jorge Sobrado, da Presidente do GICAV, Drª. Filipa Mendes, e de Carlos Almeida, coordenador do GICAV responsável pela área da Banda Desenhada.

Após o lançamento do álbum, seguiu-se a inauguração oficial da exposição, um conjunto de vinte painéis em grande formato, com exemplos de praticamente todas as BD’s onde a figura de D. Afonso Henriques, o Conquistador, foi retratada por desenhadores de várias gerações, entre os quais, além de E. T. Coelho, Artur Correia, Baptista Mendes, Carlos Alberto, Carlos Rico, Eugénio Silva, Filipe Abranches, José Antunes, José Garcês, José Projecto, José Ruy, Pedro Castro, Pedro Massano, Santos Costa e Vítor Péon.

Vista parcial da exposição, com o painel dedicado a E.T. Coelho em grande plano, à direita, e ao lado o de José Antunes; também em 1º plano, de costas, o desenhador Baptista Mendes, outro autor com participação nesta grandiosa mostra (foto do BDBD).

LOURO E SIMÕES NO “MUNDO DE AVENTURAS”

Luís Louro e Tozé Simões são hoje dois nomes incontornáveis da BD portuguesa, formando  uma prestigiada e inseparável dupla, com uma carreira semeada de êxitos que lhes proporcionaram uma aura de autores neoclássicos, sobretudo por causa da sua série fetiche Jim del Monaco, onde a aventura e o exotismo, à maneira dos anos trinta, se revestiram de um humor escatológico, desafiando todas as regras de “bom comportamento” dos heróis e das heroínas da BD portuguesa, até essa data.

A propósito de uma recente entrevista que estes dois autores (hoje com mais de cinquenta anos, mas ainda jovens de espírito) concederam ao Diário de Notícias no passado dia 21 de Agosto — e à qual já  fizemos referência nos blogues A Montra dos Livros e O Voo do Mosquito —, queremos recordar aqui a sua estreia, em 1985, no Mundo de Aventuras, que lhes publicou as primeiras histórias, dedicando-lhes no nº 548, de 1 de Abril desse ano, um artigo assinado por Luiz Beira, onde os dois valorosos principiantes já davam sinais, pela forma como encaravam o seu trabalho, de que não brincavam em serviço, preparando-se afanosa- mente, com o zelo de verdadeiros profissionais, para uma carreira a sério na BD. E o êxito não tardou a chegar, pouco tempo depois, com a criação da genial e emblemática série que hoje é unanimemente considerada um clássico, embora este termo, há 30 anos, fosse substituído pelo de vanguardista, como Louro e Simões fazem questão de frisar. Sinal do tempo que passa e do prestígio alcançado por uma das raras séries da BD portuguesa dos últimos decénios que soube conquistar o espaço mítico do imaginário colectivo.

Mas voltando ao Mundo de Aventuras… A revista que os acolheu sem grandes pompas mas lhes proporcionou um auspicioso início de carreira, mostrou-os também, à luz da publicidade, ainda muito jovens (ambos com 19 anos), nesse artigo que gostosamente reproduzimos, assim como a capa de outro número com uma das suas histórias, “Führer”, que deu a Luís Louro a honra de figurar entre os melhores ilustradores do MA.

Quadriculografia — Histórias de Louro e Simões publicadas no Mundo de Aventuras (2ª série): 548 (1 Abril 1985) – “Estupiditia 2” (6 págs.); 556 (1 Agosto 1985) – “Führer” (8 págs.); 565 (15 Dezembro 1985) – “Game Over” (4 págs.).

Em Outubro de 1985, o ano que lhes abriu as portas do êxito, Louro e Simões viram o primeiro episódio de Jim del Monaco publicado no Diário Popular, transitando a série logo de seguida para O Mosquito, da Editorial Futura (nºs 10 e 12, Novembro 1985 e Janeiro 1986), que também lhe dedicou uma colectânea com quatro álbuns, publicando outra história no Almanaque O Mosquito 1987 (Dezembro 1986).

Duas páginas de “Estupiditia 2”, história de Louro e Simões publicada no Mundo de Aventuras 548, de 1 de Abril de 1985

A QUINZENA CÓMICA – 41

Anedotas publicadas no Cara Alegre nº 88, de 1/9/1954, celebrando, ontem como hoje, a festa do futebol… que nesse tempo, sem comentadores de televisão, transferências milionárias e guerras entre claques ou dirigentes de clubes (alguns, ainda por cima, na mira da justiça), talvez parecesse mais genuína.

Mas as paixões clubistas que se traduziam numa rivalidade acesa entre os adeptos do desporto rei, essas não eram muito diferentes do que se vê hoje nos estádios quando os jogos não correm de feição ou quando os árbitros não assinalam as faltas do adversário. Porque a culpa é sempre deles! FORA O ÁRBITRO!!!