POSTAIS ILUSTRADOS – 16

Embora estas colecções de postais nada tenham a ver com a astrologia, devem ter despertado, como é óbvio, a curiosidade de muitos jovens, atraídos pelos coloridos tópicos sobre as principais qualidades relacionadas com os meses do seu nascimento.

Claro que quem era crente na influência dos astros confiava cegamente nesses tópicos, deslumbrando-se com os revérberos do seu próprio ego (mesmo ainda hoje, em que a personalidade da juventude é muito diferente, qual o rapaz ou a rapariga que não gosta de ver as suas qualidades realçadas?).

Outros, e devem ter sido a maioria, apreciaram, sobretudo, as qualidades artísticas dos postais, obra de Júlio Gil e Carlos Roque, dois dos melhores ilustradores portugueses dessa época, cujas carreiras tiveram notável impulso nas páginas do Camarada, embora seguindo depois rumos muito diferentes.

No próximo mês de Dezembro publicaremos os últimos postais desta série criada pela Pórtico, nos anos 1960, uma casa editora voltada para o público juvenil (à sombra da Mocidade Portuguesa), que procurou fomentar o seu gosto pela leitura e por outros passatempos lúdicos com colecções de livros, jogos, postais, etc…

REPORTAGEM DO GRANDE ENCONTRO NO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

Nota prévia: na impossibilidade, que humildemente reconhecemos, de melhor descrever o memorável evento levado a efeito pelo CPBD na sua nova sede, em 15 do corrente mês de Outubro — com uma palestra proferida por um ilustre convidado, o Dr. António Mega Ferreira, e a inauguração simultânea de três magníficas exposições (que os visitantes do Festival da Amadora também não devem perder) —, transcrevemos, com muita admiração e amizade, o expressivo texto do Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, publicado no seu blogue Largo dos Correios, que continua a ser um sítio de paragem obrigatória e prolongada, nas nossas frequentes rondas pela Internet.

A curiosa foto-montagem que documenta o aludido evento é também obra do Professor Martinó, mas infelizmente, por razões de espaço, já conhecidas dos nossos visitantes habituais, não podemos apresentá-la na íntegra, remetendo-os, por isso, para o Largo dos Correios (https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/10/19/cpbd-quatro-em-um/) e para A Montra dos Livros (https://amontradoslivros.wordpress.com/2016/10/26/reportagem-do-grande-encontro-no-clube-portugues-de-banda-desenhada/), onde foi reproduzida a reportagem que Luiz Beira fez para o seu blogue BDBD.

CPBD – Quatro em um!

por António Martinó

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Na tarde do passado sábado cumpriu-se o anunciado programa organizado pelo Clube Português de Banda Desenhada na sua sede da Amadora. E creio que o comentário pessoal que se impõe à partida é a recomendação aos dirigentes para que dotem as instalações de maior abundância de cadeiras a fim de que todos os assistentes possam ter lugar sentado…

Esta é uma ligeira e simpática ironia que, no entanto, reflecte com rigor o êxito da iniciativa. Nunca tinha visto tanta gente interessada na sede, incluindo talvez o próprio dia festivo da inauguração.

A verdade é que a oferta programada era aliciante, com três exposições e um colóquio, quase um festival…

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Diversificado por diversas salas, o espaço dedicado à Star Wars (Guerra da Estrelas) contém uma panóplia muito variada de produtos relacionados com o autêntico mito em que a série se foi tornando ao longo dos anos. As figuras dos heróis, os cromos coleccionáveis de caderneta, os brinquedos, os jogos e as colecções de revistas e álbuns ocupam uma parte considerável da mostra, que integra expositores horizontais e painéis nas paredes. Confesso que não sou propriamente um fã do tema, pelo que me impressionou sobretudo a variedade apresentada e a atenção a esta dedicada.

Já quanto à exposição organizada com pretexto no ABC-zinho foi bem maior o meu interesse, até porque um armário cheio de fragmentos desses jornais, nas suas várias séries, constituiu um dos encantos da minha velha casa de infância e juventude portalegrense. Nomes e obras dos seus maiores criadores nacionais, e tantos foram, Cottinelli Telmo, Henrique Marques Júnior, Ana de Castro Osório, Stuart Carvalhais, Rocha Vieira, Emérico Nunes, Carlos Botelho, Ilberino dos Santos, Amélia Pai da Vida, António Cardoso Lopes, Filipe Rei e outros, preenchem o fascinante conteúdo de várias das páginas expostas, numa interessante e completa retrospectiva. Mas também alguns criadores estrangeiros como Alain Saint-Ogan, George Edward, A. B. Payne e Louis Forton, sobretudo, estão ali representados.

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Num magnífico e oportuno complemento às páginas do jornal, estão ainda expostas três construções de armar, devidamente montadas em três dimensões: um teatrinho de brincar (a sério!), um hidroavião e um presépio. Fica assim muito bem documentada a riqueza das separatas então divulgadas.

O ABC-zinho desempenhou nos tempos pioneiros da crónica dos quadradinhos nacionais um relevante papel que o CPBD em boa hora agora recordou, quando se aproxima a efeméride do seu centenário.

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Mas a exposição rainha é a dedicada a Fernando Bento, um dos maiores criadores nacionais de banda desenhada portuguesa de todos os tempos. O seu papel dominante em jornais como o Diabrete e o Cavaleiro Andante, sobretudo, marcou-lhe um lugar incontornável na galeria das referências da nossa 9.ª Arte.

A inestimável cumplicidade da sua viúva, D. Arlete Bento, gentilmente presente, permitiu ao CPBD a apresentação de algumas dezenas de preciosos originais do autor, quase todos relativos à vastíssima produção publicada no Cavaleiro Andante e também no Diabrete, páginas ou pranchas de diversas aventuras originais ou adaptadas, assim como capas e cromos. Também alguns dos álbuns mais representativos e volumes ilustrados pelo mestre figuram nessa exposição bastante significativa, reveladora da sua arte muito expressiva. Verdadeiras obras-primas dos quadradinhos estão ali representadas. 

Tive a imensa ventura de, pelos anos 80 e a pretexto das primeiras realizações públicas do CPBD na antiga FIL, conhecer e privar com Fernando Bento. A sua extraordinária qualidade como criador de quadradinhos tinha uma contrapartida personalizada nas suas naturais modéstia e afabilidade. Guardo com carinho as preciosas dedicatórias com que enriqueceu o meu espólio de álbuns e outras memórias da BD, onde destaco o incontornável Beau Geste.

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Só por si, este trio de exposições seria bastante para marcar um dia inesquecível na crónica de um Clube agora renascido, com imparável dinamismo. Mas a tarde não se resumiu a este brilhante acervo cultural.

Convidado para o efeito, pontualmente compareceu o dr. António Mega Ferreira. Na sequência da série de depoimentos de ilustres personalidades de reconhecido destaque nacional na vida social, política e cultural, em boa hora iniciada com o dr. Guilherme d’Oliveira Martins, coube agora a oportunidade do cidadão a quem se devem, entre muitos outros notáveis desempenhos, a organização da EXPO’98 e as presidências do Oceanário de Lisboa e do Centro Cultural de Belém.

Mega Ferreira começou por se considerar um vulgar apreciador dos quadradinhos, sem direito a qualquer especial menção. Pura ilusão pois à medida que o seu aliciante discurso, espontâneo e cativante, se foi desenrolando e “aquecendo”, o que revelou foi uma invulgar sensibilidade e aproximação à banda desenhada do seu tempo, incluindo a actualidade. O Cavaleiro Andante e Fernando Bento, que constituíam a atmosfera de uma sala tornada quase mágica e irreal por aquele afectuoso desfilar de memórias, ganharam vida própria.

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O invulgar jornalista e laureado escritor revelou-se ali como um contista oral de primeira água, deslumbrando os atentos ouvintes que, repito, excederam os lugares sentados disponíveis.

Uma tarde invulgar e um pleno êxito ali aconteceram no passado sábado na Amadora, capital portuguesa da Banda Desenhada, título que ficou amplamente confirmado. Os membros do CPBD a quem se deveu a arrojada iniciativa, nomeadamente Carlos Gonçalves, Geraldes Lino, Moreno Martins, João Manuel Mimoso e outros que porventura omito e por isso me desculpo, estão de parabéns. O numeroso e valioso conjunto dos interessados presentes avalizou o valor do excepcional evento e terá servido de reconhecimento, gratidão e estímulo para as aventuras a continuar no próximo número…

                                                                                           António Martinó de Azevedo Coutinho

AMADORA BD 2016: HOMENAGENS E RETROSPECTIVAS

Artigo publicado no jornal Público, edição de 21/10/2016, de onde o reproduzimos com a devida vénia ao seu autor.

AMADORA BD 2016 (PROGRAMAÇÃO)

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A 27ª edição do Amadora BD, organizada pela Câmara Municipal da Amadora, decorre entre os dias 21 de Outubro e 6 de Novembro de 2016.

O núcleo central das exposições acontece, como vem sendo habitual, no Fórum Luís de Camões, e a programação satélite tem lugar na Bedeteca da Amadora, na Galeria Municipal Artur Bual e na Casa da Cerca. A par das exposições, a programação inclui sessões de autógrafos, apresentações e lançamentos, sessões de cinema e workshops.

Paralelamente, no âmbito da Trienal de Arquitetura, decorrerá a exposição “Limites da Paisagem”, na Casa Roque Gameiro, na Amadora.

O tema da exposição central deste ano é “O Espaço e o Tempo na Banda Desenhada”. Esta exposição explora a evolução das noções de Espaço e Tempo, enquanto sistema conceptual, na Banda Desenhada, organizando-as em três categorias, que correspondem a períodos de uma certa constância nos paradigmas existenciais: Classicismo (Aristóteles e Euclides); Modernismo (Newton e Monge); e Contemporâneo (Einstein e Heisenberg).

O autor em destaque é Marco Mendes, vencedor do Prémio de Melhor Álbum Português de Banda Desenhada 2015, com o álbum “Zombie” (ed. Mundo Fantasma/Associação Turbina). “Zombie” consiste numa banda desenhada com ilustração e argumento de Marco Mendes, com texto de Samuel Buton e design de Virgínia Valente (Not-Wolf). A obra debruça-se sobre o tema da juventude, emigração, praxes e o significado da “dança macabra”, tendo como pano de fundo o contexto social nacional.

A par destes destaques, o Festival associa-se às comemorações dos 70 anos de Lucky Luke, com uma exposição evocativa. Tex, outro famoso herói do Oeste, e a BD de Pasquale Frisenda, autor de “Patagónia” (Polvo Editora), estão também em evidência.

Ver toda a informação em https://amadorabd.com/

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“OS TEMPOS ESTÃO A MUDAR”

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A propósito de um facto que está a causar polémica (como muitas outras coisas, neste mundo cheio de contradições e de vozes dissonantes), reproduzimos gostosamente, com a devida vénia, um cartoon de Luís Afonso, habitual colaborador do jornal Público, onde a sua apreciada rubrica de comentário humorístico, Bartoon, surge diariamente.

“The times they are a’ changin'” é o refrão de um famoso tema musical de Bob Dylan, cuja letra aqui recordamos em homenagem ao novo Prémio Nobel, distinguido com o máximo galardão da Literatura “por ter criado novas expressões poéticas na tradição da canção americana”. O que, polémicas à parte, é a cabal expressão da verdade…

«Come gather ’round people where ever you roam
And admit that the waters around you have grown
And accept it that soon you’ll be drenched to the bone
If your time to you is worth savin’
Then you better start swimmin’ or you’ll sink like a stone,
For the times they are a’ changin’!

Come writers and critics who prophesy with your pen
And keep your eyes wide the chance won’t come again
And don’t speak too soon for the wheel’s still in spin
And there’s no tellin’ who that it’s namin’
For the loser now will be later to win
For the times they are a’ changin’!

Come senators, congressmen please heed the call
Don’t stand in the doorway don’t block up the hall
For he that gets hurt will be he who has stalled
There’s a battle outside and it’s ragin’
It’ll soon shake your windows and rattle your walls
For the times they are a’ changin’!

Come mothers and fathers throughout the land
And don’t criticize what you can’t understand
Your sons and your daughters are beyond your command
Your old road is rapidly agin’
Please get out of the new one if you can’t lend your hand
For the times they are a’ changin’!

The line it is drawn the curse it is cast
The slow one now will later be fast
As the present now will later be past
The order is rapidly fadin’
And the first one now will later be last
For the times they are a’ changin’!»

Written by Bob Dylan • Copyright © Bob Dylan Music Co.

 

A QUINZENA CÓMICA – 26

CAMPO OU PRAIA?

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Qual o melhor local para passar férias, o campo ou a praia? Cuidado com a resposta, amigo leitor, pois se na praia temos de ter cuidado com os raios de sol e os banhos de mar — evitando também os garotos que passam o tempo a lançar areia para cima de nós, como se não tivessem mais nada que fazer, e os improvisados jogadores de futebol que confundem as balizas com a área onde dormimos tranquilamente a nossa sesta —, no campo há que estar atento aos imprevistos e às presenças indesejáveis que podem perturbar a paz e a intimidade da natureza… como ilustra esta bucólica capa do Cara Alegre, em que é patente o traço humorístico e a assinatura de José Viana.

Mais um bom trabalho deste talentoso e versátil ilustrador, que foi também uma popular vedeta do teatro de revista. 

FERNANDO BENTO E O “ABCZINHO” HOMENAGEADOS PELO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

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Nota: no mesmo dia, 15 de Outubro, às 16h00, como já anunciámos, realiza-se uma palestra com a presença de um ilustre convidado, o Dr. António Mega Ferreira, que abordará o tema “Eu e a BD”. Esta palestra integra-se no ciclo Personalidades Ilustres da Vida Social, Política e Cultural Falam de Banda Desenhada, iniciado em Julho do corrente ano com o Dr. Guilherme de Oliveira Martins.

Finda a palestra, às 17h30, será inaugurada outra exposição patente nas novas e espaçosas instalações do CPBD, sobre o universo multimédia da famosa saga Star Wars, em que figuram revistas, cartazes, cromos, cards, etc, cedidos na sua maioria pelas Bedetecas de Beja e da Amadora. Outra exposição que merece a pena ser visitada, sobretudo pelos fãs desta mítica série.

O Clube Português de Banda Desenhada atinge, assim, o ponto mais alto da sua recente actividade, coincidindo com o 1º aniversário da inauguração da nova sede, em Novembro de 2015, após um protocolo firmado com a Câmara Municipal da Amadora.

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DIA 15: PALESTRA DO DR. ANTÓNIO MEGA FERREIRA NO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

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Nota: no mesmo dia, 15 de Outubro, a partir das 15h30, serão inauguradas no CPBD três exposições sobre os temas ABCzinho – 95 Anos, Homenagem a Fernando Bento e Star Wars (esta depois do colóquio aqui anunciado, que terminará cerca das 17h30).

Um ponto alto nas celebrações de uma data festiva do honroso historial do CPBD, que em Novembro do ano passado inaugurou a sua nova sede, nas espaçosas instalações graciosamente cedidas pela Câmara Municipal da Amadora.

Fazendo o balanço de todo o trabalho abnegadamente realizado durante este período (pois o Clube vive apenas da quotização dos seus sócios), não hesitamos em dar os parabéns ao CPBD e à sua actual direcção, especialmente na pessoa dos três membros mais activos: Carlos Gonçalves, Carlos Moreno e Geraldes Lino.

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