COLECÇÕES DE CROMOS – 5

História de portugal cabeçalho

História de portugal capa 1ª edição171Como já assinalámos, esteve patente na Biblioteca Nacional, encerrando hoje, uma mostra comemorativa do lançamento, há 60 anos, de uma das mais apreciadas colecções de cromos que circularam no nosso país — obra de um ilustrador e pintor de reais méritos, Carlos Alberto Santos, então ainda no limiar da juventude e de uma fértil carreira artística. 

Trata-se da História de Portugal, a primeira colecção temática deste género, editada pela Agência Portuguesa de Revistas (APR) em Outubro de 1953, depois de outros êxitos que abriram caminho a uma nova espécie de cromos, que se vendiam separadamente em “envelopes-surpresa”, por 40 centavos, e não, como dantes, nas mercearias e confeitarias, a embrulhar caramelos e rebuçados.

Carlos Alberto foi um dos principais artistas portugueses a distinguir-se nesta popular modalidade, com um apurado sentido gráfico e estético na realização das pequenas estampas, primeiro a preto e branco — como na História de Portugal, cuja colorização era dada nas provas em “azul” — e mais tarde em cores directas, com guache, num estilo mais próximo dos seus trabalhos pictóricos.

Apesar de ter feito banda desenhada para algumas revistas da APR, como o Mundo de Aventuras, foi nas colecções de cromos, destinadas a um público mais heterogéneo, que averbou os seus maiores êxitos. Trajos Típicos de Todo o Mundo, História de Lisboa, Camões, Pedro Álvares Cabral, Romeu e Julieta, são exemplos paradigmáticos de trabalhos primorosos no campo didáctico e artístico.

História de portugal contracapa e rosto História de portugal pág 1+2História de portugal pág 3+4

Colecção formada inicialmente por 203 cromos, com textos de António Feio, a História de Portugal obteve um êxito retumbante, que se saldou por contínuas reedições até à 17ª, em 1973, já depois de Carlos Alberto ter abandonado a APR. Um êxito comercial e artístico absoluto que, em termos lucrativos, pouco rendeu, porém, ao seu criador gráfico.

História de portugal pág 5+6História de portugal pág 7+8

História de portugal pequena 1Posteriormente, à figura do general Craveiro Lopes, no cromo nº 203, vieram juntar-se as do almirante Américo Tomás, novo presidente da República, e do professor Marcelo Caetano, presidente do Conselho, sendo este, portanto, o cromo que encerrou a caderneta.

Para a 10ª edição, de 1964, com um formato diferente, quase quadrangular (22 x 21,5 cms), Carlos Alberto realizou uma nova capa, cuja imagem se popularizou também entre os coleccionadores, mantendo-se esse formato até à última edição. Devido ao novo modelo, que inaugurou com pompa a “Colecção Ecléctica”, cada página tinha lugar apenas para quatro estampas.

História de portugal último cromo edição pequena186O fim da colecção coincidiu com o fim do regime, derrubado pela “revolução dos cravos”, e com uma nova era, em que o planeamento editorial da APR sofreu profundas alterações, perdendo definitivamente o seu cariz tradicionalista, familiar e pedagógico, de que a História de Portugal e outras colecções de cromos eram um dos símbolos mais radiosos.

História de portugal capa e ccapa edição pequenaHistória de portugal pequena 2 +3

História de portugal anúncio1Ainda hoje, porém, esta magnífica colecção possui uma aura de mítica beleza e de fascínio para várias gerações, que foram atraídas pelo apelo da História e pela arte insuperável das imagens de Carlos Alberto, largamente publicitadas no Mundo de Aventuras e noutras publicações da APR (mas sem uma referência explícita ao seu autor).

História de portugal anúncio 2Como afirmou João Manuel Mimoso, um dos organizadores da mostra da Biblioteca Nacional (o outro foi Leonardo De Sá), “a História de Portugal tornou-se a colecção de maior sucesso no país, estabelecendo um padrão de qualidade raramente igualado no campo do cromo comercial. (…) É instrutivo verificar como a subtileza dos tons e a riqueza de pormenores se perdem nas impressões baratas e como, apesar disso, a paixão pela qualidade, que no artista é um reflexo da sua natureza, o levou a continuar a desenhar e pintar com um detalhe que os cromos, tal como eram finalmente publicados, não justificavam” [in catálogo da exposição de homenagem a C. Alberto, realizada na Casa Roque Gameiro – Amadora BD 2005].

No site da nossa maior instituição cultural, guardiã de um valioso património literário, científico e artístico com séculos de história, está disponível um catálogo dessa excelente mostra, em formato ebook, que pode ser descarregado mediante o pagamento de uma  importância simbólica.

Ver informações em http://livrariaonline.bnportugal.pt/Issue.aspx?i=2188

GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 4

ROB THE ROVER – A Saga do Submarplano (por Walter Booth)

Pelo Mundo Fora127Finda a publicação das trepidantes aventuras do Capitão Meia-Noite (obra completa em quatro volumes), José Pires, incansável na sua actividade de faneditor, tem já em preparação a famosa saga do Submarplano (também oriunda do Puck), um longo ciclo de aventuras de Rob the Rover, o mais carismático herói d’O Mosquito e da BD inglesa no segundo quartel do século passado, com o cunho inédito de se tratar de uma história com alguns ingredientes de espionagem, em que Rob, o Dr. Seymour (inventor do maravilhoso Submarplano, o primeiro avião submersível da História) e os seus dois inseparáveis companheiros, Mabel e o velho Dan, enfrentam a tenaz perseguição de um bando de implacáveis espiões, dotados de poderosos recursos tecnológicos, que tentam apoderar-se do Submarplano a todo o custo. Mais uma vez, Walter Booth faz gala do seu espírito criativo, como um émulo de Júlio Verne, antecipando-se aos progressos da aviação e dos meios bélicos (em vésperas da 2ª Guerra Mundial), e até ao mais mediático invento do século XX: a televisão.

Outra magnífica obra do genial mestre inglês, precursor mundial da BD de aventuras em estilo realista, que nenhum dos seus admiradores portugueses deve deixar de (re)ler — até porque também ficou incompleta n’O Mosquito —, e cuja extensão muito acima da média obrigou José Pires a dividi-la em seis volumes do Fandaventuras Especial.

poster-fandaventuras

Eis, em “ante-estreia”, as respectivas capas, com cenas panorâmicas de grande impacto visual e gráfico, que espelham todo o talento de Walter Booth, o seu sentido da composição, da perspectiva, das proporções, o seu apuro documental, a variedade geográfica e o dinamismo que introduzia em cada vinheta e em cada página.

Façam desde já as vossas reservas, porque a tiragem será limitada. O 1º tomo tem lançamento previsto durante o Amadora BD 2013, que se inicia este fim-de-semana, decorrendo até ao próximo dia 10 de Novembro.

Cap. M-N Capa-IPag.-03Pag.-12Pág.-14Pag.-29

CURIOSIDADES DO “DIABRETE” – 5

Diabrete título concurso 12 meses 1

Aqui têm mais duas peripécias do Pimpão, um cachorro que parece quase humano e até gosta de ir ao cinema… mas, como tantos homens e crianças, não sabe comportar-se devidamente em locais públicos.

Tal como as que já apresentámos no nosso Gato Alfarrabista — que não se importa de ter     o Pimpão como convidado —, estas tiras foram publicadas, em 1949, na secção infantil “República dos Miúdos” do jornal República, e reproduzimo-las, com a devida vénia, da página de José Cambraia no Facebook.

Pimpão no cinema e químico

Como estamos em Outubro, que antigamente era o mês do adeus às férias grandes e do regresso às aulas, surge hoje na nossa galeria a respectiva página, publicada no Diabrete     nº 802, de 7/3/1951, onde o Concurso dos 12 Meses, ilustrado por Cambraia, com versos de Adolfo Simões Müller, continuava a ser um êxito.

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A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM BD – 5

OUTRA VEZ FÁTIMA

Ao que recentemente apurámos, com base numa informação de Carlos Gonçalves, estudioso e coleccionador com profundos conhecimentos sobre a BD portuguesa e brasileira, o álbum Notre-Dame de Fatima, com texto de Agnès Richomme e desenhos de Robert Rigot (a que fizemos referência num post anterior que pode ser visto aqui), foi o segundo de temática mariana realizado por estes autores. O primeiro teve honras de edição portuguesa em 1954 (Ano Mariano), pelo Secretariado Nacional de Catequese, com o título Nossa Mãe, Nossa Rainha (A Vida de Nossa Senhora), mas só na parte final relatava os milagres e as aparições de Fátima. Trata-se do nº 2 da colecção Belles Histoires et Belles Vies, publicado pela primeira vez em 1949, com o título La Belle Vie de Notre-Dame (informação de Leonardo De Sá), mais tarde abreviado para Marie de Nazareth.

Rigot capa e página

Carlos Gonçalves, a quem expressamos, mais uma vez, o nosso reconhecimento, enviou-nos também duas páginas da história publicada na colecção brasileira Série Sagrada, da Ebal (série normal e série especial), com sugestivas capas de António Euzebio e Monteiro Filho (respectivamente), já apresentadas nesta rubrica. Infelizmente, continuamos a desconhecer o autor dos desenhos, embora possa tratar-se, como sugeriu Carlos Gonçalves, de um dos artistas referidos: Monteiro Filho. Aqui fica o registo.

Coleção serie sagrada

img489Outra interessantíssima versão de que Carlos Gonçalves nos deu conhecimento surgiu em 1952 no livrinho Fátima Para os Vossos Filhos, escrito em verso por Rui Santos, com imagens de um dos nossos mais talentosos ilustradores infantis, o saudoso Méco, de seu nome António Serra Alves Mendes, pai de outro artista que lhe seguiu com sucesso os passos: Zé Manel.

Não se trata de uma história aos quadradinhos (embora com vinhetas sequenciais), mas poder apreciar um trabalho raro de Méco, numa das áreas em que mais se distinguiu, a ilustração para crianças, com toda a singeleza e prazenteiro encanto que caracteriza o seu estilo, é motivo suficiente para o incluirmos nesta lista.

Nascido em 1915 e falecido tragicamente em 1957, quando passeava de barco com o filho, Méco deixou magníficos exemplos da sua arte inconfundível em revistas tão carismáticas como O Papagaio (onde eu li, pela primeira vez, As Minas de Salomão, aventuras fantásticas transfiguradas pelo seu traço semi-caricatural), O Senhor Doutor e Joaninha.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 3

O REGRESSO DO CAPITÃO MEIA-NOITE

Ilustração capa Cap MN 2

Como já noticiámos, esta famosa série da época pioneira da BD inglesa foi recuperada integralmente por José Pires, a partir das páginas originais publicadas, entre 1936 e 1939, no semanário Puck — muitas delas com balões que, na edição d’O Mosquito, nunca apareceram, “apagados” pela mão de Cardoso Lopes para dar mais homogeneidade ao jornal, onde imperava em todas as páginas, até nas legendas das histórias aos quadradinhos, a prosa de um exímio mestre da literatura infanto-juvenil: Raul Correia.

Pag.-03

Após o excelente acolhimento dispensado aos dois tomos anteriores, cuja pequena tiragem se esgotou rapidamente, dando azo a uma segunda edição, José Pires não descansou à sombra do êxito e já tem prontos o 3º e o 4º volumes, com novos episódios das trepidantes aventuras do destemido Capitão Meia-Noite, o defensor dos pobres, dos fracos, dos espoliados, contra os abusos de nobres sem escrúpulos e dos seus sicários, numa Inglaterra rural do século XVIII fielmente retratada por Walter Booth — um dos maiores mestres da BD inglesa, que projectou em muitos países, com o seu estilo límpido e elegante, a temática aventurosa de género realista.

Capitão Meia Noite volume 3Capitao Meia Noite volume 4-IVCap M-N

Mais dois números do Fandaventuras Especial a não perder, pelo preço unitário de 10 €, com 66 páginas (mais capas), na sua maioria reproduzidas do Puck, portanto com muito melhor qualidade do que n’O Mosquito. Fica assim completa a reedição desta magistral e histórica saga de aventuras, que os leitores da velha guarda nunca esqueceram, agora pela primeira vez apresentada entre nós numa versão sem cortes e respeitando a ordem original dos episódios, o que n’O Mosquito não aconteceu. Antes que estes volumes se esgotem rapidamente, como os anteriores, o melhor é encomendá-los ao editor pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt ou dar um salto, para quem estiver em Lisboa, à loja de José Vilela, Escadinhas do Duque nº 19-A, 1200-155.

C-N Pag.-003Cap. M-N pág 16Cap. M-N pág 44Cap. M-N pág.45

EXPOSIÇÃO DE CARLOS ALBERTO SANTOS NA BIBLIOTECA NACIONAL

BNEncontro

Por ocasião da mostra que comemora o 60º aniversário da publicação da caderneta de cromos História de Portugal, patente até ao final do mês na BNP, organiza-se um Encontro nesta Sexta-feira, 18 de Outubro, pelas 18 horas, que contará com a presença do desenhador Carlos Alberto Santos.

Leonardo De Sá fará uma intervenção sobre o percurso artístico do ilustrador e João Manuel Mimoso abordará o seu trabalho na História de Portugal e noutras colecções de cromos que realizou, a que se seguirá uma breve visita guiada à exposição.

Detalhes aqui:

http://www.bnportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=859

O catálogo desta mostra está disponível em formato ebook, também no site da BNP (mas requer a prévia instalação do leitor Adobe Digital Editions (ADE) disponibilizado gratuitamente pela Adobe):

http://livrariaonline.bnportugal.pt/Issue.aspx?i=2188

A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM BD – 4

FÁTIMA, TERRA ELEITA DE NOSSA SENHORA

Fátima - Notre-Dame de FatimaUm dos temas religiosos mais em foco na nossa história contemporânea e no seio da igreja católica — as aparições e os milagres de Fátima —, foi também objecto de muitas abordagens em álbuns e revistas de BD, de diversas procedências, merecendo especial relevo, pelo trabalho documental e artístico, a que foi dada à estampa, com texto de Agnès Richomme e desenhos do veterano Robert Rigot (1908-1998), na colecção das Editions Fleurus, Belles Histoires et Belles Vies, uma das mais célebres de temática religiosa em língua francesa.

Não é possível classificá-la, em rigor, como uma história aos quadradinhos, pois nessa colecção o texto tinha primazia sobre as imagens, que eram apenas quatro por página. No entanto, merece destaque a minúcia histórica do relato, com 164 vinhetas, e o apuro, a harmonia, a exactidão factual (até no retrato dos três pastorinhos) que caracterizam os desenhos de Robert Rigot, realçados pelos suaves tons em lavis. Segundo conseguimos apurar, a primeira edição deste álbum data de 1961.

Fátima - Notre-DAme de Fátima 1 e 2Fátima - Notre-Dame de Fatima - 3 e 4

Queremos também assinalar, pela sua novidade e raridade, algumas publicações de origem mexicana, entre as quais uma de produção mais recente (Abril de 2001), que ostenta o nº 66 da colecção Hombres y Héroes, da editorial Novedades, com capa de Francisco Samaniego e guião de Victor Manuel Yañez, realizado por um desenhador sem grandes credenciais, pelo menos por estas bandas, de seu nome Gregório Grande (note-se que o formato da revista até é bastante pequeno: 13 x 14,5 cms).

Notre-Dame de Fátima quadro

Fátima - Quien fuéNo México, país católico, o culto mariano também é seguido com devoção por milhões de fiéis, não sendo, pois, de admirar que tenhamos encontrado mais revistas, de várias editoras, com a história de Fátima, duas delas impressas a sépia, com argumento de Francisco Gurza e desenhos do mesmo artista, por sinal de bom nível, António Gutierrez, mas em colecções distintas: Biografias Selectas nº 127 (Abril de 1961), da Editorial Argumentos (Edar), e Quien Fue…? nºs 15 e 16 (Fevereiro de 1981), da Editorial Vid; a terceira, de aspecto mais modesto, com o selo da Editorial Pin-Pon, pertence à colecção Vidas Ejemplares y Milagros (nº 33, Maio de 1984) e tem guião de J. Santoyos e desenhos de Pedro Morales, cujos trabalhos também nunca chegaram ao continente europeu.

Fátima - Biografias Selectes capa e 1Fátima - Biografias Selectes 2 e 3Fátima - Vidas ejemplares - capa e 1

Noutro país, o Brasil, onde o catolicismo é a religião dominante, temos notícia de mais uma versão dos milagres de Fátima, publicada na revista Série Sagrada nº 2 (Outubro de 1953), da Ebal (Editora Brasil-América), com uma capa muito semelhante à da revista mexicana Quien Fue…?, mas não podemos fornecer mais pormenores sobre esta edição, porque nem o nosso gato conseguiu ainda encontrá-la cá em casa. A Ebal apresentou também a história dos pastorinhos, com uma capa diferente, na Série Sagrada Especial nº 1. Aqui ficam essas capas, retiradas do site guiaebal: http://guiaebal.com/index.htmlque recomendamos vivamente a todos os interessados pelas publicações desta antiga editora.

Série Sagrada nº 2 e especial (Ebal)jpg Segundo Leonardo De Sá, a quem agradecemos a “dica” e as imagens (fornecidas há mais de três anos!), a desaparecida Editorial Campo Verde, com gráfica própria na Venda Nova, publicou em 1978 um pequeno álbum sobre esta temática, intitulado “O Milagre de Fátima”, com desenhos do prometedor estreante Duarte Gravato. Milagre de Fátima capa e page

Fátima Pisca-PiscaMas as versões que mais despertaram o meu interesse, apesar do seu reduzido número de páginas — à parte, bem entendido, a de E.T. Coelho, cujo texto me coube escrever, publicada em1985 pela Editorial Futura e reeditada em 2001 pela Meribérica —, foram as que surgiram nas páginas de duas das mais importantes revistas europeias, o Tintin e o Spirou, com a assinatura de dois grandes mestres da BD belga: Eddy Paape (1920-2012) e Fernand Cheneval (1918-1991). Enquanto que a primeira, “Le Soleil Danse à Fatima”, é ainda inédita entre nós, a segunda, “Fátima, Terre Élue de Notre-Dame”, com o sóbrio e esmerado traço de Cheneval — outro artista que se especializou no domínio das histórias curtas com temas documentais e didácticos —, foi publicada duas vezes em português, por intermédio do Pisca-Pisca nº 15 (Maio de 1969) e do Mundo de Aventuras nº 448, de 13-5-1982 (neste a preto e branco, com uma capa alegórica de Augusto Trigo).

Aqui têm ambas, nas respectivas versões integrais em francês, oriundas do Spirou nº 1252 (12-4-1962) e do Tintin nº 43, 18º ano (22-10-1963). Os argumentos, pela mesma ordem, são de Octave Joly e Yves Duval, nomes tão ilustres no meio bedéfilo franco-belga como os dos seus colaboradores artísticos. Resta ao nosso gato desejar a todos boa leitura!

Nota: um artigo muito interessante, com informações complementares sobre este tema, pode (e deve) ser lido no blogue BDBD:  http://bloguedebd.blogspot.pt

Fátima - Paape - 1 e 2Fátima - Paape - 3 e 4Fátima - Cheneval - 1 e 2Fátima - Cheneval - 3

LIVROS INFANTIS & OUTRAS CURIOSIDADES – 2

O MILAGRE DE FÁTIMA por Leyguarda Ferreira

O milagre de Fátima - capaVoltando à temática mariana, na área infanto-juvenil,  queremos também destacar outra obra profusamente ilustrada, desta feita por Júlio Amorim (1909-1988), cujos trabalhos, num estilo quase hierático mas singularmente atractivo, eram bem conhecidos dos leitores da famosa Colecção Manecas — uma das publicações de referência dos miúdos portugueses —, lançada em meados dos anos 20 pela Editorial Romano Torres.

Foi nessa colecção que surgiu, há mais de 60 anos, um pequeno livro intitulado “O Milagre de Fátima”, com texto de Leyguarda Ferreira, nome também bastante popular na literatura infanto-juvenil dessa época, e ilustrações de Amorim, que realizou, além da capa, uma dúzia de vinhetas com imagens de belo efeito, impressas a três cores, como frisos a engalanar várias páginas. Contemplando-as em sequência, até parece que estamos a ver uma história com o ritmo narrativo da banda desenhada.

Nota: Agradecemos a Leonardo De Sá as informações que amavelmente nos prestou sobre Júlio Amorim (ler o seu comentário).

O milagre de Fátima - rosto e pág 1O milagre de Fátima - pág 2   135O milagre de Fátima - pág 3    136O milagre de Fátima - pág 4   137O milagre de Fátima - pág 5    138O milagre de Fátima - pág 6     139 O milagre de Fátima - pág 7      140O milagre de Fátima - pág 8     141

LIVROS INFANTIS & OUTRAS CURIOSIDADES – 1

THE STORY OF FATIMA for children

Assinalando as celebrações marianas de 13 de Outubro na Cova da Iria e em Roma, na presença do Papa, eis uma curiosidade de outros tempos…

The story of Fátima129

Livrinho de 20 páginas, formato 16 x 21,6 cms, publicado em data indeterminada pela célebre editora infantil Majora, do Porto, com uma versão em inglês da história de Fátima, aprovada pelas autoridades eclesiásticas e pela censura, como era obrigatório no anterior regime, e recheado de ilustrações de Laura Costa (1910-1992), artista cujo traço onírico, de suave beleza estética, encantou muitas crianças, nas décadas de 40 e 50 do século passado. É provável existir também uma versão em português.

The story of Fátima  2The story of Fátima CC130 copy

CLÁSSICOS ILUSTRADOS – 3

“O Escaravelho de Ouro” (Edgar Allan Poe)

Contos fantásticos - Diabrete107Depois de Catherine Labey, é a vez de prestarmos de novo homenagem ao prolífico talento de Fernando Bento, aproveitando a temática relacionada com Edgar Allan Poe, pois o grande mestre da BD portuguesa que nos presenteou com tantas obras-primas no Diabrete, no Cavaleiro Andante, no Pajem e noutras publicações juvenis, também recriou a seu modo um dos contos mais célebres de Poe, em que o novelista usou habilidosamente a escrita criptográfica para revelar aos leitores o segredo contido num velho pergaminho e num escaravelho dourado com aspecto de caveira. Lemos esta história pela primeira vez no Diabrete, numa adaptação subordinada ao título Contos Fantásticos, publicada em folhetins destacáveis entre os nºs 474 e 502 do “grande camaradão”… e nunca mais a esquecemos!

Amargas foram as horas121Como já referimos num post anterior, a obra de Edgar Allan Poe é bem conhecida, não só através dos seus contos, dos seus poemas, das suas narrativas fantásticas, mas também das várias adaptações que surgiram em inúmeros filmes (os melhores realizados por Roger Corman) e noutros áreas, como a ilustração e a BD; e até em livros de autores que, como Poe, se inspiraram na mais pura fantasia, dando-lhe outra personalidade, outro espírito e outra existência, bem ao jeito dos seus extraordinários personagens (Alberto Fortes: Amargas Foram as Horas – As Aventuras do Pirata Edgar Allan Poe, Editorial Teorema, 2001).

Quanto à arte singular e primorosa de Fernando Bento, ela quase que dispensa apresentações, pois espraia-se por um número incontável de jornais, livros e revistas, num conjunto que surpreende e encanta tanto pela variedade como pela inexcedível fantasia de um traço fluido, irrequieto, versátil e sempre atraente, mesmo quando trai a mão veloz de um desenhador que raramente falhava os seus prazos.

Capa cavaleiro Andante  382No último período da sua colaboração para o Cavaleiro Andante, Bento adaptou dois grandes mestres da literatura policial, Conan Doyle e Edgar Poe, dando-nos do primeiro, com um traço denso, em que só usou o pincel, algumas versões das melhores aventuras de Sherlock Holmes (mesmo as apócrifas, como A Sociedade dos 13), e de Poe uma fiel interpretação do labiríntico enigma descrito em O Escaravelho de Ouro, já sem o fulgor (dirão alguns) dos seus melhores trabalhos, mas de traço ainda vigoroso e expressivo, sublinhando, com o seu apurado jogo de sombras, a atmosfera de mistério, suspense e lúgubre poesia que povoa quase todos os relatos do genial escritor norte-americano.

Spektro125Resta-nos imaginar o que a inspirada visão de Fernando Bento e a magia febril do seu traço poderiam ter feito se, em vez de optar por um clássico da literatura juvenil, também de fundo policial, como Emílio e os Detectives, de Erich Kästner, e por outras obras de célebres escritores como Moby Dick, de Herman Melville, e Scaramouche, de Rafael Sabatini, tivesse dado preferência às fantásticas criações de Edgar Allan Poe, como Os Crimes da Rua Morgue, O Gato Preto, O Poço e o PênduloHop-Frog, O Coração Delator ou Aventuras de Arthur Gordon Pym.

Mas talvez os responsáveis do Cavaleiro Andante não achassem as musas dilectas de Poe — simbolizadas por um “estranho” corvo vindo das trevas da noite, onde adejam o mistério, o insólito, o macabro, o tétrico e o sobrenatural — um dos assuntos mais fascinantes e recomendáveis para apresentar aos seus juvenis leitores. Outros tempos, outras mentalidades…

Escaravelho de Ouro - 01 e 1Escaravelho de Ouro - 2 e 3Escaravelho de Ouro - 4 e 5Escaravelho de Ouro - 6 e 7Escaravelho de Ouro - 8 e 9