CLÁSSICOS ILUSTRADOS – 1

“A Carta Roubada” (Edgar Allan Poe)

Nesta nova categoria do nosso Gato Alfarrabista vamos dar as boas-vindas aos “Clássicos Ilustrados” — título carismático, tão lato quanto redutor, oriundo de uma célebre colecção norte-americana, publicada em várias línguas (e de que proximamente falaremos), título esse que se implantou no vocabulário de um género também conhecido pela designação mais erudita de literatura gráfica (graphic novel).

Iniciamos a nossa fértil safra com um escritor cuja fantástica imaginação contagiou muitos autores de BD, entre os quais merecem ser citados os nomes de dois portugueses: mestre Fernando Bento e Catherine Labey. Por dever de cortesia, começamos pelas senhoras…

Edgard Allan Poe - 1Quem é que não conhece a obra de Edgar Allan Poe (1809-1849), não só através dos seus contos, dos seus poemas, das suas narrativas fantásticas, mas também das várias interpretações que surgiram no cinema (as melhores realizadas por Roger Corman), na ilustração e na BD?

Artistas das mais variadas tendências — desde grandes mestres como Gustave Doré, Arthur Rackham, Edmond Dulac, William Heath Robinson, Alberto Breccia, Reed Crandall, Richard Corben, Bernie Wrightson, Craig Russell, José Ortiz, Carlos Gimenez, Dino Battaglia, Horácio Lalia, até aos novos talentos da era digital como Fabrice Druet, Benjamin Lacombe, Jean-Louis Thouard, Paul Marcel e outros — extrapolaram os sonhos de Poe para os transformarem em visões ainda mais surrealistas e fantásticas.

Edgard Allan Poe - 2Recordo-me de ter lido pela primeira vez, ainda menino e moço, algumas das suas histórias no Diabrete, que publicou em folhetins, entre os nºs 474 e 502, os “Contos Fantásticos”, com ilustrações ao estilo das gravuras do século XIX. Foi essa versão que me despertou o interesse pela obra do mestre do terror, começando pelas suas narrativas de carácter menos mórbido e alucinante, como “O Escaravelho de Ouro”, “Os Crimes da Rua Morgue” e “A Carta Roubada”, precursoras de um género que, nos finais desse século, começaria a ser apelidado de literatura de mistério, dedutiva ou policial.

edgard-allan-poe-3Estimulado tanto por essas latentes memórias como pelo fascínio sempre crescente que outras leituras de Poe (em livro, mas também em banda desenhada) ajudaram a radicar no meu espírito, meti mãos, muitos anos depois, à adaptação de dois contos que elegera entre os meus favoritos: “A Carta Roubada” e “Manuscrito Encontrado numa Garrafa” (este com alguns laivos de fantástico), ambos publicados no Mundo de Aventuras, com desenhos de Catherine Labey.

Caso raro entre as personalidades femininas ligadas ao nosso meio bedéfilo dos últimos 30 anos, pela fluidez, a espontaneidade e a delicada síntese do seu traço — e também pela especialização noutras vertentes, como editora, tradutora, retocadora e legendadora —, Catherine Labey iniciou a sua carreira no Fungagá da Bicharada, ilustrando guiões de Júlio Isidro, Maria Alberta Menéres e outros, em histórias infantis, e estreou-se no género realista adaptando de forma segura alguns contos de Mário-Henrique Leiria, cujo surrealismo latente apelava à sua imaginação.

mundo-de-aventuras-498364A esse passo em frente, numa carreira ainda breve, proporcionado pelo Mundo de Aventuras, correspondeu, algum tempo depois, uma nova experiência gráfica e estética, com desenvoltas composições de página e um estilo já mais maduro e evoluído, acentuado pelos profundos contrastes do preto e branco, que trocaria, mais tarde, pelo uso da cor, suavizando o seu traço.

Refiro-me aos dois citados contos de Poe e a outra célebre história clássica da literatura policial, escrita por Maurice Leblanc: “A Prisão de Arsène Lupin”, cuja adaptação foi também publicada no Mundo de Aventuras, depois da sua estreia, em 1981, no suple- mento Quadradinhos, do diário lisboeta A Capital.

Embora não seja, por isso, uma novidade absoluta para muitos dos que nos lêem (e relembro que apareceu também nos Cadernos Sobreda BD), este trabalho de Catherine Labey pareceu-me digno de uma nova apresentação, como homenagem ao génio de Edgar Allan Poe — cujo espírito visionário e atormentado parece harmonizar-se estranhamente com os tempos esquizofrénicos que vivemos — e ao talento artístico daquela que tem sido, de há muitos anos a esta parte, minha fiel companheira, auxiliar e colaboradora.

Cadernos Sobreda - carta roubada 1 e 2Cadernos Sobreda - carta roubada 3 e 4Cadernos Sobreda - carta roubada 5 e 6cadernos-sobreda-carta-roubada-7 e 8

 

JOSÉ BAPTISTA (JOBAT)

RETROSPECTIVA – 3

Na terceira parte desta retrospectiva dedicada à memória e à obra do nosso querido            amigo José Baptista (Jobat), apresentamos o segundo e último episódio da sua única série policial, publicado no Mundo de Aventuras nos 452 a 461, entre 17/4 e 19/6/1958.

Jobat - 9ª Arte - Anuncio P&B452Como frisámos anteriormente, Luís Vilar, o audaz protagonista desta aventura, em que procura deslindar “Um Caso de Contrabando”, tem agora outra ocupação profissional, passando de detective a repórter jornalístico e fazendo do seu novo papel um meio eficaz para combater o crime, sem recorrer a armas de fogo, como no caso anterior, “O Fim da Quadrilha”, mas voltando a fazer bom uso dos punhos. A completa reviravolta na identidade deste curioso personagem (com uma profissão pouco comum no historial da BD portuguesa) não chegou a ser explicada por José Baptista nas notas que escreveu sobre os cenários reais onde localizou esse episódio — a cidade algarvia de Loulé, de onde era oriundo —, quando se decidiu também a reeditá-lo na rubrica “9ª Arte”, que criou no jornal O Louletano (entretanto, já desaparecido).

Divulgamos hoje um excerto do seu artigo, juntamente com as primeiras páginas de “Um Caso de Contrabando”, tal como saíram (a cores) no Mundo de Aventuras, visto o episódio (retocado em parte por Jobat) ter ficado incompleto n’O Louletano, cujo último número apareceu nas bancas em 27/7/2012.

Jobat - 9ª Arte - Páginas esquecidas451«O tempo, esse imperceptível eterno presente, fugaz e volátil como o fumo que se evola de distraído cigarro entre os dedos, passa rápido, invisível e sorrateiro sobre os nossos sonhos, ale­grias e tristezas, inclusive sobre aquilo que profissionalmente produzimos, de tal maneira o ocultando sob a patine do passado que muito do que fizemos quase o ignoramos ou esquecemos. Esta pseudo introspecção filosófica — se sem pretensões assim a podemos classificar —, surge a propósito da série que hoje damos à estampa, nesta página e rubrica: uma velhinha BD, com o per­sonagem Luís Vilar, de minha autoria, publicada no já longínquo ano de 1958 na revista juvenil “Mundo de Aventuras”.

É relutantemente que a publico, tal como o anterior episódio, há semanas atrás, por insistência do velho amigo e colaborador Jorge Magalhães, e isto por razões várias, a primeira das quais, por eu ser o coordenador desta página e poder parecer pretensão minha dar primazia aos meus trabalhos, o que de todo não corresponde ao meu intento; depois, pela antiguidade e ingenuidade da série, tanto na trama como na execução, aceitável nessa época, na tentativa de criar um personagem, algo a que todos os ilustradores aspiram, mas que ficou pelos dois episódios publicados. Só a argumentação desse querido amigo, justa quanto baste, me demoveu da intenção de não a publicar.

Ao analisar a época, ambiente e recordações interligadas com a feitura desta BD, ressaltam elementos curiosos, quiçá biográficos, nunca antes relatados, que é útil referir para que não fiquem de todo no esquecimento. O meu amor atávico pela terra madrasta onde nasci, está indelevelmente manifestado, subtilmente oculto, nalgumas vinhetas desta história.

Jobat - Luis Vilar anúncio 444Não será por acaso — para quem atento acompanhar o seu desenrolar — o local de destino escolhido pelo jornalista na gare da Estação de Sul e Sueste, nessa altura o ponto de embarque rumo ao Algarve, para iniciar a sua investigação, inserido na última vinheta da página 2. Nem tão pouco o encontro com alguém, neste caso um fortuito “João Carlos” — que não poderia, por óbvios motivos, chamar-se José Batista —, também com destino a Loulé (1a vinheta da pág. 3), bem como a frase dita quando salta para o barco (vinheta 5 da mesma página). Ainda hoje conservo esse rolo, bom para transporte de originais, como recordação — não sei se dessa história, se desse tempo… ou de mim.

Era comum, nessa altura, alguns amantes da pesca estarem de cana em riste no cais de embarque (vinheta 6). Na pág. 5 (3a vinheta da 2a tira), há uma referência desgarrada a um “Tista”, diminutivo que comummente utilizavam, referindo-se a mim, e na 1a vinheta da 3a tira, uma chaminé rústica caracte­riza genericamente o Algarve, apenas por não possuir fotos de Loulé quan­do desenhei essa página».

Jobat - Luis Vilar 1  e 2

Jobat - Luis Vilar 3 e 4

Jobat - Luis Vilar 5  e capa MA

SANTO ANTÓNIO DE LISBOA

No nº 830, de 13 de Junho de 1951, o Diabrete (que ia no seu último ano de publicação) evocou a figura de Santo António, patrono dos Santos Populares e das festas de Lisboa, com uma belíssima capa ilustrada por Marcelo de Moraes, jovem artista, de seguro talento, que fora uma das maiores revelações do Camarada e já ascendera a um plano de real mérito, ombreando com Fernando Bento, Fernandes Silva, Nuno San-Payo e outros, nas coloridas páginas do Diabrete.

DIABRETE - S- ANTÓNIO

Quadras e Marchas populares

“OLHA O BALÃO!”

Versos da Pal (Palmira Bruno Ferreira), uma simpática presença feminina, das mais assíduas nos convívios do Mundo de Aventuras organizados pelo saudoso Sete de Espadas (pseudónimo de Manuel José Piedade Lattas), que coordenou durante muitos anos no       MA (2ª série) a popular e concorrida rubrica “Mistério Policiário”.

XYZ magazine  440À Pal, infelizmente também já desaparecida, aqui fica esta singela homenagem, com a poesia, a musicalidade    e o ritmo das suas quadras, inspiradas por uma tradição que não morreu, nem morrerá (apesar de todas as crises!) na alma do povo alfacinha e tripeiro: os festejos dos Santos Populares.

Em memória da Pal, que conhecemos nesses calorosos convívios do Mundo de Aventuras, fomos respigar as suas saborosas quadras a uma publicação criada pelo Sete de Espadas: o Xys Magazine (para ler os versos, clicar em cima da imagem e ampliá-la com um segundo clic).

OLHA O BALÃO!  44130 anos antes, em 1952, o Cavaleiro Andante evocou também os Santos Populares com a festiva capa do nº 23, em que, rivalizando com as fogueiras e os balões dos arraiais, brilhava o esfuziante talento de Fernando Bento.

CAVALEIRO ANDANTE Nº 23Nesse número e no seguinte, a revista ofereceu aos seus leitores, em vistosas separatas, com desenhos de José Manuel Soares, o desfile das marchas lisboetas, cujos ecos alegres devem ter animado ainda mais a comemoração dos primeiros seis meses de vida do garrido semanário.

Graças a José Menezes, a quem endereçamos os nossos agradecimentos, é-nos possível apresentar neste blogue as referidas separatas do Cavaleiro Andante, que provavelmente nunca tinham sido apreciadas pela grande maioria dos nossos leitores.

Marchas 1

Marchas 2

 

A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM BD – 1

Capa TintinPor curioso ou invulgar que pareça, o facto é que vários desenhadores estrangeiros, uns mais conhecidos do que outros (ou absolutamente anónimos), já abordaram temas da nossa História Pátria, sobretudo os belgas — como, por exemplo, Fred Funcken, Fernand Cheneval, Jean Torton, Eddy Paape, Felicísimo Coria —, mas também artistas italianos, franceses, espanhóis, mexicanos (entre aqueles que conheço), com especial predilecção pelas figuras mais carismáticas do nosso passado: Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Fernão de Magalhães, Bartolomeu Dias, Infante D. Henrique, Infante Santo, Luís de Camões, Inês de Castro, Bartolomeu de Gusmão, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, etc.

Algumas dessas histórias, com poucas páginas e de cariz eminentemente documental e biográfico (mas de leitura amena e instrutiva, vertente que também se deve enaltecer, pois é uma das melhores formas de divulgação histórica, científica e de outros tópicos), surgiram entre nós no Tintin, no Pisca-Pisca e no Mundo de Aventuras (2ª série), com a assinatura de conceituados mestres da BD europeia, como os que atrás citámos, colaboradores habituais do Tintin e do Spirou belgas, onde a tradição das histórias curtas de cariz biográfico perdurou durante muitos anos.

21887_138184_3 copyO seu inegável sucesso ficou   a dever-se, nomeadamente,    à famosa série “Les Belles Histoires de l’oncle Paul”, iniciada em 1951 no Spirou, por Jean-Michel Charlier e Eddy Paape, e retomada  por Octave Joly e uma legião de desenhadores, na sua maioria belgas, muitos dos quais fizeram aí o seu tirocínio, antes de se abalançarem a outros (e mais largos) voos.

Nesta nova rubrica do Gato Alfarrabista, tencionamos divulgar alguns desses episódios oriundos do Tintin e do Spirou, já publicados ou ainda inéditos entre nós, começando por uma das “belles histoires de l’oncle Paul”, dedicada àquele que é um dos símbolos máximos da nossa identidade humanística, social e cultural como nação independente e secular: Luís de Camões (ou Luis de Camoëns, em francês e castelhano).

Los Lusiadas431No caso do autor d’Os Lusíadas, a sua obra que ganhou projecção universal também foi adaptada à BD por desenhadores portugueses (José Ruy), italo-brasileiros (Nico Rosso) e mexicanos (Juan Manuel Campos). E deve haver mais…

Resta acrescentar que George Langlais (Gal) é o nome do desenhador da curta biografia que a seguir apresentamos, “Camoëns, le poète soldat”, publicada no Spirou nº 853, de 19 de Agosto de 1954, e até hoje inédita entre nós.

Pormenor curioso: nesta versão, Camões não usa a venda no olho direito, como é vulgarmente retratado, embora o desenhador (e o anónimo argumentista) não se tenham esquecido de referir o incidente bélico em que o nosso vate perdeu essa vista. Distracção ou simplesmente falta de rigor?

Camões, le poète soldat - 1 e 2

Camões, le poète soldat - 3 e 4

FERNANDO BENTO E O CAVALEIRO ANDANTE – 1

O DIA DE PORTUGAL… HÁ 57 ANOS

Foi assim, através da arte sempre original, atraente e superlativa de Fernando Bento, que    o Cavaleiro Andante, no seu nº 232, celebrou o 10 de Junho de 1956 — ontem como hoje chamado Dia de Camões, Dia de Portugal. Com a diferença de que, nessa época, se fazia abertamente a apologia daquelas figuras que eram consideradas os grandes heróis, os grandes obreiros da nossa gesta histórica, procurando fixá-las no imaginário de todos os miúdos com idade escolar. Outros tempos e outros rumos ideológicos…

Mas o que queremos é chamar a atenção para o estilo inconfundível e o poder altamente sugestivo do grafismo de Mestre Fernando Bento e para o fascínio que ele exercia sobre os leitores infanto-juvenis, numa época em que História, aventura, religião, raça, nacionalismo e propaganda estavam intimamente associados.

Cavaleiro Andante 10 de junho

JOSÉ RUY – A PAIXÃO DO DESENHO – 5

RAPTORES – 1

José Ruy - Papagaio -Raptores 406Apresentamos hoje uma nova história de José Ruy, publicada em 1949 na revista de actualidades Flama, quando esta passou a inserir como suplemento (não destacável) o extinto jornal infantil O Papagaio, semanário de nobres tradições que fora o encanto da miudagem desde 1935 até 1949, ano em que saiu o seu último número, o 722, como revista independente.

José Ruy foi um dos colaboradores mais assíduos na última fase do garrido semanário, onde, aliás, viu materializar-se a sua paixão pelo desenho, com a revelação ao público dos seus primeiros e ainda modestos trabalhos. Mas a evolução foi tão rápida que até podemos dizer, em jeito de brincadeira, que a sua mão era mais veloz a desenhar, com a perícia adquirida pela prática, do que as gazelas e outros animais da selva que tanto gostava de reproduzir nas suas histórias de ambiente africano.

No suplemento da Flama, que numa primeira fase tinha apenas uma ou duas páginas,      José Ruy teve menos espaço ao seu dispor, mas curiosamente foi nele que a sua veia artística começou a sobressair, de forma mais notória, aos olhos dos que seguiam, então,     as suas narrativas ilustradas (pois era também o autor do texto) e dos que hoje, a outra distância no tempo, melhor podem ajuizar desses progressos.

Prova disso são as maravilhosas “Lendas Japonesas” — que eu sempre considerei dignas do epíteto de obras-primas —, cuja publicação teve início no nº 86 da Flama, com o episódio intitulado “Amaterasu, a Deusa da Luz do Sol”, refeito muitos anos depois por José Ruy para a 2ª série de Selecções BD.

José Ruy - Papagaio 2  407Mas, voltando à história que hoje recordamos…   De extensão acima da média, relativamente aos outros episódios que Mestre José Ruy publicou nessa série d’O Papagaio, este é mais um exemplo da rápida sucessão de rasgos criativos que evidenciavam a crescente maturidade gráfica do seu traço, ainda longe da perfeição nalguns pormenores, mas cada vez mais seguro e harmonioso, conjugando estilização e dinamismo, plasticidade e equilíbrio, com um bom doseamento dos fundos, das sombras, da perspectiva e das formas, sobretudo no que diz respeito aos enquadramentos, às paisagens (neste caso, marítimas) e à figura humana, com destaque para a expressiva galeria de rostos, em que continuou a servir-se de modelos, seguindo o exemplo (e os conselhos) de E. T. Coelho.

Voltaremos ao assunto, até porque há muito ainda para dizer sobre esta história e os seus protagonistas, um dos quais, o ágil e destemido Nito, já tinha aparecido em anteriores aventuras d’O Papagaio — como documenta a nossa imagem. E ninguém melhor do que José Ruy, com a sua memória sempre viva, para desfiar esses comentários…

Boa leitura!

Raptores 1 e 2

Raptores 3 e 4

COLECÇÕES DE CROMOS – 3

OS TRÊS MOSQUETEIROS (ESPADACHINS E CARAMELOS)

 Digitalizar0017A título de curiosidade — e aproveitando uma preciosa informação de Carlos Gonçalves, que deve ser um dos maiores coleccionadores portugueses de cromos e tem, portanto, vastos conhecimentos sobre o assunto —, importa referir outra colecção baseada também no romance de Alexandre Dumas, que surgiu no nosso mercado antes da novidade em “envelopes surpresa” lançada em 1952 pela Agência Portuguesa de Revistas (APR).

Segundo Carlos Gonçalves, esses cromos, editados pela Confeitaria S. Mamede, devem datar de um período próximo da estreia do filme da Metro-Goldwin-Mayer (MGM), em 1948, pois a capa da caderneta ostenta uma fotografia com os seus dois principais intérpretes, Lana Turner e Gene Kelly. Uma capa, aliás, bastante atraente, superior até, no nosso entender, à da APR, e que foi nitidamente escolhida por motivos publicitários. Outra particularidade curiosa é esses cromos serem oriundos de uma colecção francesa ilustrada por artista desconhecido (colecção que nada tem a ver com o filme da MGM). Obviamente que não se trata de uma história aos quadradinhos, no sentido tradicional do termo, mas como documentam as imagens juntas (que se devem, mais uma vez, à grande amabilidade de Carlos Gonçalves) a narrativa é composta por quadros com uma ligação sequencial e os desenhos têm uma qualidade artística bastante apreciável. Como devem calcular, esta colecção é extremamente rara.

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