“OS TEMPOS ESTÃO A MUDAR”

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A propósito de um facto que está a causar polémica (como muitas outras coisas, neste mundo cheio de contradições e de vozes dissonantes), reproduzimos gostosamente, com a devida vénia, um cartoon de Luís Afonso, habitual colaborador do jornal Público, onde a sua apreciada rubrica de comentário humorístico, Bartoon, surge diariamente.

“The times they are a’ changin'” é o refrão de um famoso tema musical de Bob Dylan, cuja letra aqui recordamos em homenagem ao novo Prémio Nobel, distinguido com o máximo galardão da Literatura “por ter criado novas expressões poéticas na tradição da canção americana”. O que, polémicas à parte, é a cabal expressão da verdade…

«Come gather ’round people where ever you roam
And admit that the waters around you have grown
And accept it that soon you’ll be drenched to the bone
If your time to you is worth savin’
Then you better start swimmin’ or you’ll sink like a stone,
For the times they are a’ changin’!

Come writers and critics who prophesy with your pen
And keep your eyes wide the chance won’t come again
And don’t speak too soon for the wheel’s still in spin
And there’s no tellin’ who that it’s namin’
For the loser now will be later to win
For the times they are a’ changin’!

Come senators, congressmen please heed the call
Don’t stand in the doorway don’t block up the hall
For he that gets hurt will be he who has stalled
There’s a battle outside and it’s ragin’
It’ll soon shake your windows and rattle your walls
For the times they are a’ changin’!

Come mothers and fathers throughout the land
And don’t criticize what you can’t understand
Your sons and your daughters are beyond your command
Your old road is rapidly agin’
Please get out of the new one if you can’t lend your hand
For the times they are a’ changin’!

The line it is drawn the curse it is cast
The slow one now will later be fast
As the present now will later be past
The order is rapidly fadin’
And the first one now will later be last
For the times they are a’ changin’!»

Written by Bob Dylan • Copyright © Bob Dylan Music Co.

 

PARADA DA PARÓDIA – 17

OS “LESADOS” DO PANAMÁ

Charlie Hebdo (Panamá)

Este cartoon do Charlie Hebdo (a revista satírica sempre em cima dos acontecimentos, mesmo daqueles que directa e tragicamente a atingiram, em 2015) já corre as redes sociais, glosando o tema que tanta celeuma tem provocado, desde que rebentou o escândalo dos “papéis do Panamá”. Isto é, da fuga de informações relacionada com os paraísos ficais onde muita gente, da mais séria (em aparência) à menos recomendável, guarda desde há muito o seu dinheiro, para que o rasto deste não possa ser detectado por quem zela pelo dinheiro dos contribuintes… obrigando-os a pagar mais impostos.

Como escreveu o jornalista Nuno Saraiva, do Diário de Notícias, “os ricos há muito que não escondem o seu dinheiro debaixo do colchão. Fazem-no em paraísos fiscais para não deixar rasto e fugir aos impostos. E o mundo, a cada novo escândalo, continua a abrir a boca de espanto. Santa ingenuidade!”

Resta acrescentar que o autor desta capa do Charlie Hebdo (nº 1237, de 6/4/2016) foi Vuillemin, um dos melhores desenhadores satíricos franceses (idolatrado por alguns grupos de críticos — e de leitores — e detestado por outros). Lembram-se dele? O seu aproveitamento da frase que ficou famosa, Je suis Charlie, depois dos atentados de Paris, em Janeiro de 2015, pode parecer uma piada de mau gosto… Mas que melhor slogan para esta nova manifestação silenciosa, contra aquilo a que os beneficiários dos offshores,  retratados pelo traço grotesco de Vuillemin, chamam “terrorismo fiscal”?

PARADA DA PARÓDIA – 16

A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM 12 PARÁGRAFOS

Artur Correia - D. Afonso I.jpg

Nos primeiros tempos da monarquia, numa feia noite de Dezembro, o rei veio à varanda do seu palácio cheio de luzes e reparou que a cidade estava escura como breu.

Chamou o seu grão-mestre e ordenou-lhe:

— Antes do Natal quero ver a cidade toda iluminada. Toma lá 500 cruzados e trata já de resolver o problema.

O grão-mestre chamou o burgomestre e ordenou-lhe:

— O nosso rei quer a cidade toda iluminada antes ainda do Natal. Toma lá 200 cruzados e trata imediatamente de resolver o problema.

O burgomestre chamou o seu secretário e disse-lhe:

— O nosso rei ordenou que puséssemos a cidade toda iluminada na quadra do Natal. Toma lá 50 cruzados e trata imediatamente de resolver o problema.

O secretário obedeceu e redigiu um edital nos seguintes termos:

“Por ordem de El-Rei, em todas as ruas e em todas as casas deve imediatamente ser colocada iluminação de Natal. Quem não cumprir esta ordem será açoitado”.

Dias depois, o rei veio à varanda do seu palácio e, ao ver a cidade profusamente iluminada, exclamou:

— Que lindo! Abençoado dinheiro que gastei. Valeu a pena!

E foi assim, há oito séculos, que Portugal começou a funcionar… e com esta “boa ordem” se tem governado até hoje…

(Nota: ilustração de Mestre Artur Correia. Texto adaptado de autor anónimo)

PARADA DA PARÓDIA – 15

O QUE NÃO SE VÊ NÃO OFENDE

Museu Capitolini (Roma)

«Para evitar embaraços e num gesto de respeito pelo presidente iraniano Hassan Rouhani, que cumpre por estes dias uma visita oficial a Itália, todas as esculturas de nus no Museu Capitolini, em Roma, foram tapadas com painéis brancos. O museu foi o local escolhido, esta segunda-feira [25 de Janeiro], para o encontro entre Rouhani e o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi. Mas ao longo dos corredores por ambos percorridos, nenhuma das estátuas mais atrevidas ficou à vista».

Esta notícia respigada do Expresso tem um inevitável contraponto cómico, que já inspirou alguns cartoonistas menos respeitosos da etiqueta do que o primeiro-ministro italiano… se é que se pode chamar respeito pela “etiqueta” à deferência levada ao cúmulo de um governante por outro que professa religião diferente.

Parece-nos menos ridícula a engenhosa solução proposta por um criativo humorista italiano… considerando que as estátuas nuas são uma obra de arte e não têm culpa do seu “atrevimento”, nem de estarem expostas num museu que alguns políticos gostam de transformar em sala de visitas.

Quando a censura chega aos museus, então é melhor fechá-los (porque este incidente poderá repetir-se)… ou proibir a entrada aos políticos!

PARADA DA PARÓDIA – 14

ACORDOS “MATRIMONIAIS”

Cartoon - Inimigo Público 2

Mais um cartoon sobre a actualidade política nacional, pelo acerado traço de António Jorge Gonçalves, que não resistimos a reproduzir, com a devida vénia, de O Inimigo Público (edição de 23/10/2015), incontornável suplemento humorístico do jornal Público, que sai às sextas-feiras.

PARADA DA PARÓDIA – 11

NAS VÉSPERAS DE UM REFERENDO “EXPLOSIVO”…

Inimigo Público - Grécia

Ou as troikas e a União Europeia à beira de um “ataque suicida”!

Com uma larga e merecida vénia aos colaboradores do Inimigo Público — “irreverente” suplemento satírico do jornal Público, que sai às sextas-feiras —, onde este cartoon foi dado à estampa na edição de 26 de Junho de 2015.