Apresentação

Este não é (mais) um bloguePlumCatPlume sobre gatos… apesar do nome ter sido inspirado por um gato que vive com os seus donos (eu, Jorge Magalhães, e a Catherine Labey), numa casa cheia de livros, jornais e revistas (muitos já envelhecidos pelo tempo, embora ainda não cheirem a mofo!).

Como devem calcular, o nosso gato não tem nada de letrado, apesar do seu convívio íntimo com os livros… que, como outros bichanos que já viveram nesta casa, gosta de expressar amorosamente com umas arranhadelas à socapa naquelas caixas em que costumo guardar o que não posso ter à mão (porque o espaço já não alberga mais estantes); e digo à socapa porque ele (aliás, ela… mas o sexo, ou género, para o caso não interessa) sabe muito bem que fico zangado quando descubro nessas preciosas caixas (ou “arcas dos tesouros”, como lhes poderia chamar, em sentido figurado, se fosse mais vaidoso) as marcas das suas unhas. Felizmente que as revistas e os livros estão bem resguardados, e com a protecção suplementar de uma fita adesiva para restaurar os danos, as minhas caixas de cartão resistem a (quase) tudo!

Bem, mas já é tempo de começar a retirar dessas caixas (nalgumas das quais já não mexo há muito tempo) todas as suas “relíquias” de papel, adquiridas ao longo de anos e anos, em pesquisas e giros incansáveis pelos alfarrabistas de Lisboa, Porto, Madrid, Barcelona e outras cidades, quando tinha mais dinheiro nos bolsos e mais entusiasmo por essa actividade, que me permitia também viajar, conhecer outros “colegas de ofício” e entabular com eles amigáveis relações (e transacções quase sempre frutuosas para ambas as partes).

Hoje há menos alfarrabistas, tanto em Lisboa como noutros sítios aonde já não vou há muito tempo, e o material de colecção é cada vez mais raro, tornando-se tão dispendioso que não está ao alcance de qualquer um, sobretudo dos jovens, uma espécie etária que na sua larga maioria já não se interessa, infelizmente, pelos livros e pelas revistas de antanho.

Espero que o nosso Gato Alfarrabista, como tantos outros blogues que em boa hora invadiram a blogosfera (e aos quais desde já saudamos com amizade e apreço) — não deixando, graças às virtualidades mediáticas deste novo e espantoso meio de comunicação, morrer o interesse pela BD, a Literatura, o Cinema ou as Artes em geral —, possa também dar um contributo, ainda que modesto, para o renascimento de uma cultura popular que, na minha etapa infanto-juvenil, conseguia chegar a largas camadas da população, com o intuito de divertir as mentes mas também de esclarecer e instruir os espíritos.

E essa aprendizagem — através de muitos livros de aventuras, de Verne a Salgari, de Bonneau a Sabatini, de Burroughs a Haggard, e de revistas tão carismáticas como O Mosquito, o Diabrete ou o Cavaleiro Andante — foi para mim e para muitos confrades da minha geração, hoje já bem instalados na “terceira idade”, um dos mais preciosos tesouros que encontrámos e usufruímos na vida… e uma das experiências que recordamos com mais saudosismo!