NOVIDADES DO “FANDAVENTURAS”

“Mantendo a cabeça e os ombros bem acima dos históricos e ficcionais salteadores de estrada que o cinema, os livros, a literatura de cordel, os folhetins de terror e as histórias aos quadradinhos popularizaram, surge a figura de Dick Turpin. Ele foi o único salteador de estrada que se tornou um verdadeiro herói popular inglês. Um novelista pegou um dia na tradição oral deste destemido salteador-cavaleiro e introduziu-o numa novela que tornou famoso o nome de Dick Turpin por todo o mundo ocidental. O nome desse novelista era William Harrison Ainsworth e a novela chamava-se “Rookwood”.

O próximo número do Fandaventuras — um fanzine criado em Julho de 1990, portanto já quase com 27 anos de existência, e que José Pires relançou recentemente, com novas reedições de grandes autores clássicos ingleses — oferece-nos uma magnífica adaptação da obra de William Harrison Ainsworth, com desenhos do incomparável Tony Weare (já depois de ter abandonado a série Matt Marriott), publicada na revista Look and Learn, em 1980. Um clássico da literatura popular inglesa do século XVIII,  em que certamente Walter Booth se terá inspirado para criar o seu Captain Moonlight. Uma peça de colecionador!

E a propósito de Walter Booth convém lembrar que sai também este mês outro número do Fandaventuras (mas em formato especial, à italiana), com a reedição integral da série “Os Companheiros de Londres”, aventura que obteve grande êxito n’O Mosquito, em 1943, e que confirma em absoluto os excepcionais dotes de ilustrador deste célebre pioneiro da época áurea da BD inglesa.

Outra reedição de um clássico dos anos ’30, reproduzido directamente das páginas do semanário inglês Puck (onde Walter Booth publicou a maioria das suas obras), portanto com uma qualidade fora de série… como, aliás, tem sido timbre do Fandaventuras!

A título de curiosidade, recordamos que José Pires já reeditou, em vários volumes de formato à italiana, todas as grandes criações de Walter Booth, desde Rob the Rover (Pelo Mundo Fora) e Orphans of the Sea (O Gavião dos Mares) até Captain Moonlight (O Capitão Meia-Noite), que fizeram também as delícias dos leitores d’O Mosquito. Faltava apenas, nesse formato, apresentar “Os Companheiros de Londres (Chums of London Town), que fica agora, num só volume, ao dispor de todos os coleccionadores do Fandaventuras.

Estes fanzines estarão brevemente à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

FANZINES DE JOSÉ PIRES (FEVEREIRO 2017)

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Por cortesia de José Pires, nosso amigo de longa data, companheiro de muitas tertúlias desde os tempos heróicos em que lançámos o Fandaventuras e o Fandwestern, dois fanzines que ainda estão em publicação, graças ao incansável labor deste apaixonado pela BD clássica, que os edita mensalmente, com infalível pontualidade (mas agora a solo), apresentamos as edições distribuídas em Fevereiro, com novos episódios de duas séries carismáticas (Matt Marriott Terry e os Piratas) e a reedição da primeira história desenhada pelo saudoso artista português Vítor Péon para a mítica revista O Mosquito, na sua estreia, em 1943, como autor de banda desenhada.

Neste número, figura também uma história curta de Péon, com o título “Traidor em Fuga”, realizada em 1946 para O Pluto, revista dirigida e editada por Roussado Pinto, em que Péon foi o principal colaborador artístico, ilustrando-a de uma ponta à outra, num alarde de talento, versatilidade e energia criativa.

Estes fanzines já se encontram à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não mora na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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Recorde-se que Terry e os Piratas foi apresentada na fase final d’O Mosquito (1952-53) e posteriormente no Mundo de Aventuras, quando era desenhada por George Wunder, sucessor de Milton Caniff. Quanto a Matt Marriott é uma série inglesa, também em tiras diárias, desenhada por Tony Weare e escrita por James Edgar, que aborda com extraordinário realismo a colonização do Oeste americano em finais do século XIX, distanciando-se dos westerns da série B, nomeadamente os de feição mais juvenil.

Muitos dos seus episódios foram publicados no Mundo de Aventuras (formato pequeno) e na Colecção Tigre, como o que deu o título a este número do Fandwestern.

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A PRIMEIRA AVENTURA DO MAJOR ALVEGA

Como já foi largamente noticiado, a mini-série de banda desenhada clássica dos anos 60 e 70 inserida na revista Visão iniciou-se com uma aventura do popularíssimo Major Alvega (aliás, Battler Britton), publicada no semanário juvenil O Falcão nº 577, em 17/8/1971, e reeditada anos depois no nº 1247 da mesma revista.

Esta dinâmica série inglesa, nascida em 7/1/1956 na revista Sun, com desenhos de Geoff Campion e guiões de Mike Butterworth (a que se seguiriam muitos outros criadores, de várias nacionalidades), fez também dezenas de aparições em episódios mais longos publicados em revistas de formato de bolso que granjearam, na época, grande sucesso: War Picture Library, Thriller Picture Library e Air Ace Picture Library, todas com o selo da Amalgamated Press/Fleetway/IPC, editora de antigas tradições localizada em Londres.

Falcão 371 - Major Alvega 175O formato e o número de páginas d’O Falcão (2ª série) eram idênticos aos dessas revistas de bolso, embora não constituíssem uma novidade no nosso mercado, pois algumas publicações da Agência Portuguesa de Revistas (APR) já o tinham adoptado muito antes. Mas O Falcão soube rechear as páginas da sua nova série com o melhor material e os mais célebres heróis oriundos das Picture Libraries, dividindo essas histórias em várias séries que abarcavam tanto o western, o policial, a ficção científica e o género histórico, como as aventuras de guerra e espionagem. 

Nestas foi o Major Alvega (assim baptizado pelo editor da revista, Mário do Rosário, num momento de feliz inspiração) que se destacou como grande favorito, permanecendo em contacto com os leitores até ao penúltimo número (1285) de um título que durou cerca de 30 anos, fazendo durante esse período acesa concorrência ao veterano Mundo de Aventuras.

Viusão - Falcão 577 170Tamanha foi a celebridade que o “ás” da RAF alcançou no nosso país que até deu origem, como é sabido, a uma série da RTP (1998-1999) interpretada por actores portugueses e de formato bastante original, pois misturava imagens reais com cenas de animação computorizada. O resultado foi mais do que satisfa- tório e o êxito da série chegou mesmo a transpor as fronteiras da RTP, que a vendeu para vários países.

Em 1989, o Major Alvega fez uma breve reaparição nas páginas da revista mensal Selecções BD (2ª série), que publicou dois dos primeiros episódios desenhados por Geoff Campion, num exímio estilo realista que dava grande dinamismo à acção bélica da série. A título de curiosidade, reproduzimos um deles (que é precisamente o primeiro de um longo rosário de aventuras) e o artigo de apresentação, da autoria de Carlos Pessoa, ambos publicados no nº 2 (Dezembro de 1998) de Selecções BD (coordenada, então, por mim).

Registe-se também a espectacular “ressurreição” de Battler Britton numa graphic novel editada em 2006 pela DC Comics, com argumento de Garth Ennis e desenhos de Colin Wilson, que chegou a ser publicada em Portugal.  

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Num próximo post dedicado ao Major Alvega, divulgaremos uma lista dos seus episódios publicados n’O Falcão, em que se destacam desenhadores da craveira de Colin Merret, Solano Lopez, José Ortiz, Luis Bermejo e Hugo Pratt, entre muitos outros. A propósito, o episódio agora incluído na mini-série da Visão (que o reeditou em fac-simile, mas num formato maior que o das versões originais e num papel de má qualidade, demasiado transparente) foi desenhado pelo artista britânico George Stokes, criador de uma excelente série western largamente difundida no Mundo de Aventuras e noutras publicações de há 40/50 anos: Wes  Slade. Muitos leitores desse tempo talvez ainda se lembrem dela.

E aqui têm o 1º episódio das aventuras do famoso Major Alvega (aliás, Battler Briton).

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O REGRESSO DE RIC HOCHET – 4

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1959 foi o ano em que o jovem repórter do La Rafale deu mais um passo importante (e decisivo) na sua carreira — até aí limitada, como já referimos, a curtos e esporádicos episódios completos —, tornando-se titular, no Tintin belga, de uma sensacional novidade: uma rubrica com o título Relevez le gant!, constituída por uma série de problemas policiais cuja decifração desafiava, na melhor tradição de Agatha Christie e Hercule Poirot, a argúcia e as faculdades dedutivas dos leitores.

Alguns desses casos, em que Ric Hochet estava sempre acompanhado pelo inspector Bourdon, foram também publicados no semanário O Falcão (1ª série), que chegou mesmo a instituir um concurso, com regulamento, destinado aos jovens sherlocks portugueses. E foi também n’O Falcão (nº 60, de 4/2/1960) que apareceu um dos primeiros episódios de Ric Hochet, com o título Ric Hochet e a “Sombra” (Ric Hochet contre l’Ombre).

Ric Hochet - Aceite o desafio + O Sombra

Pormenor curioso: enquanto que no Cavaleiro Andante e no Zorro o jovem repórter criminologista foi baptizado com nomes portugueses (embora vivesse na Cidade-Luz, trabalhando para um jornal parisiense), n’O Falcão, manteve o seu próprio nome, o que prova que a censura nada teve a ver com essa mudança de identidade.

Em 1962, Ric Hochet foi ainda protagonista de uma longa novela de mistério com o título Monsieur X frappe à minuit, cujo texto tinha também a assinatura de André-Paul Duchâteau, o argumentista que se tornou o parceiro ideal de Tibet quando a sua nova criação começou finalmente a aparecer em histórias de “longa metragem”, conquistando, em pouco tempo, o estatuto de grande vedeta do jornal Tintin.

A título de curiosidade mostramos duas páginas dessa novela, ilustrada por Tibet, tal como foi publicada no Zorro, a partir do nº 33 (25/5/1963), com um título semelhante: O sr. X ataca à meia-noite. Tempo depois, o destemido e arguto “Mário João” transitou para as histórias aos quadradinhos, vivendo três novas aventuras que o tornaram ainda mais popular entre os leitores da revista, muitos dos quais desconheciam o seu verdadeiro nome.

Ric Hochet - Sr. X

Na época anterior à consagração de Ric Hochet (que só chegou tardiamente, depois de um longo caminho, como já vimos), Tibet estava ainda “colado” à imagem de Chick Bill, o seu personagem de maior êxito, ao ponto de aparecer vestido de cowboy numa curiosa “pantomina” em que vários colaboradores do Tintin assumiam a aparência dos heróis que lhes tinham dado justa fama, “disfarçados” com a sua habitual indumentária.

Essa página, que a seguir apresentamos, foi publicada no nº 12 (14º ano), de 25/3/1959, e nela podemos reconhecer as veras efígies de alguns dos mais populares autores da BD franco-belga, fazendo honrosa companhia a Tibet.

Ric Hochet - Tintin 12

Recordamos novamente que o jornal Público, em parceria com as Edições Asa, brindou os apreciadores desta série (entre os quais nos incluímos) com algumas aventuras inéditas do dinâmico repórter detective, inseridas na colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” (12 álbuns). Os leitores interessados encontram um amplo noticiário sobre essa colecção no blogue A Montra dos Livros.

O REGRESSO DE RIC HOCHET – 3

Ric Hochet 10 - Les Cinq Revenants

Tintin 18 - 1959Como já tivemos ocasião de referir, Ric Hochet estreou-se num curto episódio publicado em 30 de Março de 1955, no Tintin belga nº 13 (10º ano), episódio esse que entre nós foi dado à estampa no Cavaleiro Andante nº 183, de 2 de Julho de 1955. O pequeno ardina que apregoava a plenos pulmões o diário La Rafale (em português, A Rajada) estava prestes a descobrir a pista de um misterioso espião, revelando assim dotes de argúcia e de coragem que iriam guindá-lo a um lugar com que nunca sonhara: o de repórter do grande periódico onde trabalhavam alguns dos melhores jornalistas franceses, às ordens do chefe de redacção Bob Drumont.

Tintin 34 - 1959Ric Hochet viria também a tornar-se amigo e auxiliar (precioso, diga-se de passagem) do comissário de polícia Bourdon — cuja gentil sobrinha Nadine seria candidata a um lugar especial no seu coração — e a enfrentar formidáveis adversários, bandidos da pior espécie, com nomes sinistros como Le Bourreau (“O Carrasco”), e ligações, nalguns casos, a redes criminosas internacionais. Mas tudo isso só se tornaria realidade um pouco mais tarde, porque entretanto o jovem repórter passou fugazmente nas páginas do Tintin, onde viveu apenas algumas curtas peripécias, espaçadas no tempo (de 1955 a 1959) — como Enquete chez les “timbrés” e Ric Hochet contre l’Ombre, já com argumentos de André-Paul Duchâteau —, rodeado de campeões da popularidade como Tintin e Michel Vaillant, Blake e Mortimer, Pom e Teddy, Dan Cooper e Chick Bill.

Tintin 18 - 1954Esta última série era, aliás, a “coqueluche” de Tibet, o futuro criador de Ric Hochet, e uma das mais requisitadas pelos leitores da revista, que punham também no topo das suas preferências os heróis e os desenhadores de traços mais humorísticos. Tibet era já uma das vedetas do Tintin, embora ainda longe dos índices de popularidade que registaria com Ric Hochet. Poucos meses antes de dar vida ao jovem aspirante a repórter detective criou outra curta série, inti- tulada La Famille Petitoux, que o Cavaleiro Andante reproduziu nos nºs 132 e 149 (1954), com um nome menos estranho para os jovens lusitanos: A Família Castanheira.

Nessa época, meados dos anos 50, uma das décadas mais gloriosas no historial do popular semanário belga, Tibet tinha a cabeça cheia de projectos, mas o seu estilo de linhas quase caricaturais identificava-se sobretudo com a série que lhe abrira as portas do êxito, aquela em que figuravam o alegre cowboy Chick Bill e os seus patuscos companheiros Kid Ordinn, Dog Bull e Petit Caniche. Sintomaticamente, Tibet não quis que os traços fisionómicos da sua nova criação destoassem muito dos de Chick Bill, devido à similaridade de estilos, que só se alteraria quando Ric Hochet começou também a viver aventuras de longa duração, num registo mais realista e de acção mais trepidante, passando primeiro por uma curiosa fase de amadu- recimento, em moldes diferentes da BD. Veremos, muito em breve, como isso aconteceu…

Recordamos novamente que o jornal Público, em parceria com as Edições Asa, está a publicar uma colecção dedicada a Ric Hochet, que inclui vários álbuns inéditos em Portugal. Podem ler todas as notícias sobre essa colecção no blogue A Montra dos Livros.

O REGRESSO DE RIC HOCHET – 2

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Na imagem que escolhemos para encabeçar esta página, extraída da história Mystère à Porquerolles, outra empolgante aventura de Ric Hochet, um jovem jornalista de investigação (como agora se diz), atraído pela solução dos casos mais bizarros e intrincados, vê-se uma panorâmica da redacção do jornal onde trabalha, o diário de grande tiragem La Rafale (em português, A Rajada, título que, aliás, figura no primeiro episódio desta série publicado em Portugal, uma curta história em que Ric Hochet não passa ainda de um pequeno vendedor de jornais com aspirações a detective).

Ric Hochet Tintin 21 - 1962 225Esse episódio, como já referimos num post anterior, foi dado à estampa pelo Cavaleiro Andante, pouco tempo depois da sua publicação original no Tintin belga, em 30 de Março de 1955. Mas, nessa altura, Tibet, o criador gráfico da série, estava ocupado com outras personagens e mal imaginava o destino que a evolução da figura de Ric Hochet e a empatia gerada com os leitores reservavam à sua nova e ainda incipiente criação.

Só anos depois, quando se aliou ao argumentista André-Paul Duchâteau, mestre em intrigas policiais do género das de Agatha Christie e de outros autores anglo-saxónicos, a série ganhou “asas”, abalançando-se a mais altos voos com histórias longas como Signé Caméleón, em que Ric Hochet enfrenta, pela primeira vez, um dos seus piores inimigos, o astucioso e tenaz Camaleão, empenhado numa implacável vendetta contra o comissário de polícia Bourdon, cuja Ric Hochet contra o Carrasco Bertrand 1sobrinha Nadine desempenha, desde os primeiros episódios, o papel de “noiva eterna” do intrépido jornalista.

Neste post apresentamos, como curiosidade, uma capa do Tintin belga alusiva à aventura já citada, Mystère à Porquerolles (3º episódio na cronologia de Ric Hochet), que em Portugal foi reproduzida na revista Zorro, com o título “O Caso dos Quadros Roubados”.

A popularidade crescente de Ric Hochet, aliada ao êxito da literatura policial no nosso país, foi um factor determinante na sua publicação em álbum, iniciada pela Livraria Bertrand em 1973, com o episódio “Ric Hochet contra o Carrasco”, que agora está de novo nas bancas, integrado na colecção que o jornal Público e as Edições Asa em boa hora dedicaram a esta carismática personagem, recordando algumas das suas melhores aventuras, em grande parte inéditas em Portugal, e apresentando também o mais recente episódio da série, realizado por uma nova e talentosa dupla: o desenhador Zidrou e o argumentista Simon Van Leimt (ver post de 11/6/2015, sobre este álbum, no blogue A Montra dos Livros).

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O REGRESSO DE RIC HOCHET – 1

Tibet, Duchateau e Ric Hochet

Ric Hochet (50 ans)Depois da Colecção Novela Gráfica, de tão boa (e ainda recente) memória, a BD regressa hoje ao jornal Público com uma nova série temática, em que figuram 12 aventuras de um dos mais carismáticos heróis da BD franco-belga, criado há 60 anos na revista Tintin por André-Paul Duchâteau e Tibet (aliás, Gilbert Gascard (1931-2010), nome de baptismo que não passou à história, pelo menos entre os fãs de Ric Hochet).      

Largamente divulgada também em Portugal, embora sem regularidade e numa proporção muito inferior à dos episódios  publicados na versãoRic Hochet (álbuns) francófona, que deram origem a mais de 80 álbuns (de publicação anual ininterrupta até 2010!), a série estreou-se entre nós no Cavaleiro Andante nº 183, de 2 de Julho de 1955, com um episódio completo de quatro páginas em que Ric Hochet se metamorfoseou num adolescente português chamado João Nuno, por força de um hábito que se generalizara na maioria das nossas revistas de BD, apostadas em nacionalizar o nome dos seus principais personagens. A censura, é claro, também contribuiu para isso…Ric Hochet CA 183 204

Registe-se, como efe- méride, que a primei- ra entrada em cena deste juvenil herói — na figura de um ardina bem vestido (ao contrário dos que se viam, nessa época, pelas ruas de Lisboa), e ainda com os traços caricaturais que eram típicos do estilo de Tibet, nos primeiros anos da sua carreira — teve lugar em 30 de Março de 1955, no nº 13 (10º ano) do Tintin belga, precisamente com o curto episódio que o Cavaleiro Andante não tardaria a reproduzir, embora com outro título na ilustração de capa.

Só meses depois, no nº 5 (11º ano), de 1 de Fevereiro de 1956, Ric Hochet reapareceu noutra história curta, já com um aspecto diferente, mais velho e promovido a repórter do periódico La Rafale, onde continuou a somar proezas detectivescas aos casos jornalísticos.

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Mas, nessa altura, tanto Tibet como Duchâteau estavam ainda muito longe de planear um futuro radioso e cheio de aventuras para o seu juvenil herói, de espírito arguto e destemido como o dos mais célebres detectives… Ric Hochet album ca 103embora já tivessem consciência, certamente, do seu grande potencial. Esse futuro acabaria por guindar os três ao topo da fama nas páginas do Tintin, onde Ric Hochet — depois do seu primeiro caso policial de “longa metragem”, com o título “Signé Caméléon” (1961), estreado entre nós num Álbum do Cavaleiro Andante — foi, durante muitos anos, um imbatível campeão de popularidade, classificando-se sempre em primeiro lugar nos inquéritos realizados às preferências dos leitores.

A propósito do título da presente colecção: “Os Ric Hochet Zorro 156Piores Inimigos de Ric Hochet”, deve- mos recordar que o Camaleão teve a primazia, desafiando o repórter detective (e o seu amigo Inspector Bourdon) no citado episódio de estreia e voltando ao ataque em L’Ombre de Caméléon (1964), aventura que os leitores portugueses puderam apreciar no Zorro, sucessor do Cavaleiro Andante.

Reproduzimos seguidamente o texto de apresentação inserido no Público de 29 de Maio p.p., referente ao álbum com que se inicia esta colectânea, uma aventura inédita de Ric Hochet (onde o Camaleão reaparece em grande estilo!), assinada pela dupla que assegurou a continuidade da herança artística de Tibet e Duchâteau, cinco anos depois do desaparecimento do primeiro e da publicação do penúltimo álbum da série.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 8

MAIS EPISÓDIOS DE UMA FAMOSA SÉRIE

INGLESA NO “FANDAVENTURAS” ESPECIAL

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Imparável na sua actividade de faneditor — apesar de alguns problemas de saúde, de que já está felizmente recuperado —, José Pires acaba de nos brindar com mais dois volumes da saga “O Gavião dos Mares”, uma série clássica inglesa dos anos 30 magistralmente ilustrada por Walter Booth, pioneiro da BD de aventuras em estilo realista, que em 1920, muito antes de qualquer outro artista do seu género, criou a primeira longa série de aventuras com um herói titular: Rob the Rover.

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Estes novos volumes da epopeia marítima “O Gavião dos Mares” (outra das suas obras- -primas) reproduzem, curiosamente, um episódio passado em terra, com o título original For the King (“Pelo Rei!”), cuja acção se desenrola na época da guerra civil inglesa entre os “Realistas”, partidários do ocupante do trono, Carlos I, e os “Puritanos”, seguidores de Oliver Cromwell, também conhecidos pelo nome de “Cabeças Redondas”.

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Publicada em 1935-36 no célebre semanário inglês Puck, onde se estrearam também outras famosas séries de Walter Booth, como Rob the Rover e Captain Moonlight, esta segunda e extensa parte de “O Gavião dos Mares” (Orphans of the Sea) tem outra particularidade curiosa, no que se refere à sua publicação em Portugal, pois quase duas dezenas de páginas não apareceram n’O Mosquito, entre 1941 e 1942, devido às contingências da guerra que assolava, então, grande parte do continente europeu.

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Essas páginas inéditas que os leitores d’O Mosquito foram privados de ler — embora sem se aperceberem, graças à habilidade narrativa com que Raul Correia traduzia e adaptava as legendas, compondo à sua maneira a acção das sequências incompletas —, estão presentes nos dois volumes do Fandaventuras Especial postos agora à venda, e que poderão ser directamente encomendados ao seu editor pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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Cada fascículo desta magnífica obra, impressa em bom papel, com cerca de 70 páginas — que foram objecto de um meticuloso trabalho de restauro, a partir de exemplares do Puck e de cópias obtidas na British Library —, custa apenas 10 €. Muito em breve, segundo nos informa José Pires, será também distribuído o 6º volume, com a última parte de “O Gavião dos Mares”, intitulada “O Cruzeiro do Sea Hawk” (The Cruiser of the Sea Hawk).

Uma série de grande qualidade a não perder, com o primoroso traço de Walter Booth, numa espectacular edição que José Pires levou a cabo em tempo recorde, concretizando, assim, um dos seus maiores sonhos como leitor da “época de ouro” d’O Mosquito.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 7

ROB THE ROVER (de Walter Booth)

editado em inglês por José Pires.

O Fandaventuras começa a voar mais alto!

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Em Janeiro tínhamos prometido dar-vos, a breve prazo, mais novidades sobre os próximos lançamentos desta fantástica série que José Pires está a reeditar, com impressionante regularidade e grande sucesso, no Fandaventuras Especial. Ora acontece que no final do mês de Março (re)apareceu o primeiro tomo, numa versão em inglês destinada aos países nórdicos, onde a criação de Walter Booth se tornou imensamente popular, tal como aconteceu entre nós, nas décadas de 30 e 40 do século passado, graças ao Tic-Tac e ao Mosquito, que a baptizaram com o apelativo título de “Pelo Mundo Fora”.
1941-28Tendo entrado em contacto, por via de um blogue português muito conhecido (o Bandas Desenhadas), com dois bedéfilos escandinavos, fervorosos admiradores de Rob the Rover — que nos seus países se chamou Willy paa Eventyr —, José Pires, perante o entusiasmo desses correspondentes, que logo espalharam a nova da edição portuguesa pela blogosfera, conquis- tando um largo número de aderentes na Noruega, Suécia e Dinamarca, resolveu, como íamos dizendo, aproveitar esta oportunidade para concretizar um projecto ainda mais ambicioso: o de fazer também uma edição com textos em inglês, de modo a tornar a leitura do Fandaventuras mais acessível aos assi- nantes de outros países europeus, des- conhecedores do nosso idioma.
Com a sua habitual e inesgotável capacidade de trabalho (rapidez e perfeição é o seu lema), o nosso velho amigo não perdeu tempo a passar das intenções aos actos e, como anunciámos, o primeiro volume da saga do Flying Fish (nome que n’O Mosquito foi traduzido para Submarplano) já está disponível, no mesmo formato, ao mesmo preço (10 euros) e com a mesma qualidade dos anteriores.

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Mas agora numa tiragem especial com todos os textos em inglês (mais fiel, portanto, à versão do Puck), destinada a um público muito mais heterogéneo, que decerto a acolherá com o mesmo esfuziante entusiasmo já manifestado pelos leitores portugueses. E não duvidamos de que, mesmo entre estes, haverá também alguns “puristas” interessados em seguir as aventuras de Rob the Rover na sua matriz original.

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Sunbeam747[2]Estreada em 15 de Maio de 1920 nas páginas do Puck, esta longa e fascinante série de aventuras foi a primeira em estilo realista dada à estampa em todo o mundo, mas o seu lugar pioneiro na história da BD está longe de ser reconhecido por todos os especialistas, quer por ignorância quer por subserviência aos modelos e aos autores norte-americanos. A falta de papel que, durante a guerra, afectou drasticamente a actividade da imprensa britânica, foi a principal responsável pelo cancelamento do Puck e do seu congénere Sunbeam, onde as aventuras de Rob the Rover viram abruptamente interrompido um novo capítulo, dei- xando inconsoláveis milhares de admiradores do juvenil herói, que assim terminou, na obscuridade, uma longa e movimentada carreira. Excepto nos países escandinavos, onde com o nome de Willy, como já referimos, prosseguiu, pela mão de outros desenhadores — que lhe deram um cunho gráfico diferente do de Walter Booth —, as suas peripécias de globetrotter, num mundo em que muitas transformações vinham já a caminho.

contra-capa

Por amabilidade de José Pires, a quem agradecemos todas as informações e documentos que nos tem fornecido sobre a sua actividade de faneditor, aqui ficam mais duas capas desta edição verdadeiramente “Special” do seu cada vez mais apreciado Fandaventuras — que agora irá transpor, num largo voo como o do maravilhoso Submarplano, a fronteira do país onde chegou pela primeira vez às mãos do público.

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