EXPOSIÇÃO DE ORIGINAIS DE AUGUSTO TRIGO NA BEDETECA DA AMADORA

Bedeteca Amadora

Com a presença dos autores, Augusto Trigo e Jorge Magalhães, foi inaugurada no passado dia 23 uma exposição com cerca de 30 originais pertencentes ao acervo da Bedeteca da Amadora, que estará patente numa das suas salas até ao próximo dia 26 de Agosto.

À sessão, apresentada por Pedro Mota, presidente do Clube Português de Banda Desenhada — entidade que propôs esta mostra à Bedeteca, integrando-a na celebração do seu 40º aniversário —, assistiram várias figuras do nosso meio bedéfilo, como José Ruy, Fernando Relvas (e esposa), Catherine Labey, Irene Trigo (e sua mãe), Carlos Gonçalves, Geraldes Lino, Cândida Silva (coordenadora da Bedeteca), Pedro Moura, Carlos Moreno, Monique Roque, e um público pouco numeroso, mas atento e interessado, que seguiu com curiosidade, como demonstram as fotos inseridas mais abaixo, os comentários de Augusto Trigo, perante as pranchas expostas, e do seu argumentista, ambos notoriamente satisfeitos por recordarem um tempo em que “trabalhavam para revistas, sem pensarem sequer na hipótese de terem as suas histórias publicadas em álbuns”. Isto é, um tempo em que havia mais segurança e mais oportunidades para os autores de BD.

Expo Trigo - Foto 1

Finda a apresentação do seu trabalho, a veterana dupla foi entrevistada por uma repórter da TVA (Televisão da Amadora), antes de passar à sala seguinte, onde está patente outra excelente exposição intitulada “As Jóias da Bedeteca”, com originais de vários autores portugueses e estrangeiros que fazem parte do valioso espólio desta instituição.

Expo Trigo - 2

Graças aos bons préstimos de João Francisco, um bedéfilo oriundo do Seixal, que quis testemunhar de viva voz o seu apreço pela obra de Trigo & Magalhães — o que deixou o argumentista (e autor destas linhas) também muito lisonjeado —, apresentamos seguidamente mais algumas imagens deste evento, com os nossos agradecimentos ao jovem amante da 9ª Arte (e coleccionador de mérito, pelo que nos foi dado apreciar), cujos talentos fotográficos aqui ficam também registados.

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PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DO CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA NA BEDETECA DA AMADORA

inauguração da expo Trigo-Magalhães.png

Em Outubro de 1982, terminava a revista Tintin portuguesa, que desde 1968 marcou gerações de leitores. No momento em que a banda desenhada em Portugal fez a transição dos jornais e revistas para os álbuns, destacaram-se as obras da autoria de Augusto Trigo e Jorge Magalhães.

“A Moura Cassima”, terceiro título da colecção Lendas de Portugal em Banda Desenhada, foi o primeiro álbum distinguido na Amadora com o prémio para o melhor álbum português de banda desenhada, em 1992. Dez anos antes, o Clube Português de Banda Desenhada distinguia os dois autores com o Troféu O Mosquito, reconhecendo Jorge Magalhães como Melhor Argumentista do Ano de 1981 e Augusto Trigo como Revelação do Ano de 1981.

35 anos depois desse 1981 que revelava Trigo, num ano em que Magalhães completa 40 anos de actividade como argumentista, justifica-se uma exposição da histórica dupla, na cidade que ainda distinguiria os dois autores com o mais prestigiado prémio da BD portuguesa, o Troféu Honra (Jorge Magalhães em 1999, e Augusto Trigo em 2000).

A exposição, presente na Bedeteca da Amadora a partir de 23 de Junho, parte dos muitos originais que Augusto Trigo doou ao Município da Amadora e que estão no edifício da Biblioteca Municipal, onde funciona a Bedeteca.

Para além da apreciação da notável técnica individual que distingue cada um dos dois autores, a mostra permitirá abordar a temática do trabalho em colaboração entre argumentista e desenhador, e observar a forma de abordagem a diferentes géneros que se afirmaram na banda desenhada.

Trata-se da primeira colaboração do Clube Português de Banda Desenhada com a Bedeteca da Amadora, permitindo ao município associar-se à celebração do 40.º aniversário do Clube, e permitindo ao Clube concretizar uma apresentação com outras possibilidades ao nível do requinte de forma, susceptíveis até de atrair a malta jovem, como diria o Machado-Dias.

Sobretudo, permite-se à banda desenhada portuguesa reconhecer e homenagear o trabalho em colaboração de dois autores fundamentais na sua história recente.

CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA

Os principais álbuns de Trigo & Magalhães:

Capas álbuns Trigo-Magalhães

Excalibur, a Espada Mágica
– O Anel Mágico (Meribérica)
Lendas de Portugal em Banda Desenhada
– A Lenda do rei Rodrigo / A Moura Encantada (Asa)
– A Lenda de Gaia / A Dama Pé-de-Cabra (Asa)
– A Moura Cassima (Asa)
Luz do Oriente (Futura)
Ranger
– A Vingança do Elefante (Meribérica)
Wakantanka
– O Bisonte Negro (Edinter)
– O Povo Serpente (Meribérica)

 

O HUMOR DE AUGUSTO TRIGO – 4

Trigo Boas festas

O ano passado, nesta mesma data, apresentámos alguns cartões de Boas Festas com que Augusto Trigo nos brindou em sucessivas quadras natalícias, escolhendo quase sempre as paisagens africanas que tanto ama, principalmente as da sua Guiné natal, como cenário das visitas do simpático e bonacheirão velhote de barbas brancas.

Desse gesto de amizade, fraterno e caloroso, que se renova todos os anos, mostramos hoje mais dois exemplos, com a beleza, a graça e o colorido que são apanágio da arte multifacetada de Augusto Trigo: os cartões recebidos em 2013 e 2014.

Trigo cartão 2013   257Trigo cartão 2014

FELIZ E PRÓSPERO ANO NOVO PARA TODOS, SÃO OS VOTOS DO “GATO ALFARRABISTA”

O HUMOR DE AUGUSTO TRIGO – 3

Image converted using ifftoanyAté há pouco tempo, Augusto Trigo colaborou num órgão de imprensa de grande tiragem, o Correio da Manhã, onde surgiram diariamente, desde meados de 2011, pequenos cartoons duplos com a sua assinatura, iguais à primeira vista, mas que encerravam sempre oito diferenças, escon- didas nalguns pormenores do desenho. Trabalho singelo, sem pretensões (para uma faixa pouco exigente de leitores amantes deste género de passatempos), que A. Trigo caprichou, no entanto, em rechear de graça e fantasia, mostrando o seu virtuosismo numa linha espirituosa e às vezes, até, picaresca e atrevida. Ou seja, transformando esses cartoons em peças dignas de um olhar mais atento.

Aqui têm alguns exemplos, com cenas de um tema sempre presente nestes meses de estio: a época balnear, que continua a atrair muita gente às praias… apesar do Verão já não ser o que era, como afirmam convictamente os meteorologistas e os vendedores de bolas-de-berlim, cujo negócio tem ido por “água abaixo”.

(Lembro-me bem delas, quando, ainda rapazote, frequentava, por hábito e por gosto, a Costa de Caparica. Mesmo com alguma areia à mistura, porque as comia tão sofregamente que nem limpava os dedos, eram um pitéu delicioso!).

Diferenças Trigo - 1 e 2

Diferenças Trigo - 3 e 4

Diferenças Trigo - 5 e 6

Diferenças Trigo - 7 e 8

O HUMOR DE AUGUSTO TRIGO – 2

Image converted using ifftoanyMais conhecido pelos seus inúmeros admiradores como desenhador de estilo “sério”, de um realismo objectivo e quase fotográfico, Augusto Trigo — cuja carreira se iniciou oficialmente em 1980, no Mundo de Aventuras e no suplemento Quadradinhos, do extinto diário A Capital —, tem desde há muito revelado outras facetas do seu ecléctico talento, distinguindo-se também como um notável desenhador humorístico, já com vários trabalhos desse género publicados em jornais, revistas, fanzines, álbuns e até livros didácticos.

Um desses álbuns, a merecer destaque, foi publicado em 2004 pelo Montepio Geral/Associação Mutualista, com uma série de histórias do “herói” Tio Pelicas, criado por Trigo, sob argumento de Paula Guimarães, para uma revista que o Montepio editava periodicamente, destinada em exclusivo aos filhos dos seus sócios.

Trigo - Tio Pelicas capaO Tio Pelicas, como o próprio nome dá a entender, é um simpático pelicano cujos dotes de detective são postos ao serviço da comunidade, sobretudo por causa das patifarias do seu arqui- -inimigo, o maléfico Egoístão, de aspecto sinistro mas bem humano, que como todos os vilões que se prezam também possui um arsenal de armas secretas.

Além do Tio Pelicas e do seu sobrinho Peliquinhas, aparecem mais persona- gens antropomórficas na série, assim como dois animais domésticos, o gato Sapato e o cão Pelicão, dominados pela mesma rivalidade que existe entre os seus donos.

Os temas, muito variados, tinham, por vezes, referências a questões políticas da época, retratando com um traço pitoresco e perfeito locais e figuras que animavam o quotidiano nacional, mas Trigo queixava-se de ter pouco espaço para os desenvolver, pois as histórias não excediam, em regra, duas ou três páginas (embora as que saíram no álbum formem um episódio unitário, dividido em partes mais longas).

Trigo - Tio Pelicas logotipo570Algumas dessas histórias, publicadas entre 2001 e 2003, foram coligidas num número especial da revista do Clube Tio Pelicas (cuja capa reproduzimos), também de distribuição limitada aos sócios, apesar da tiragem de 28.000 exemplares (!), sendo, por isso, tal como as do álbum, uma das obras mais raras e menos conhecidas de Augusto Trigo e, ao mesmo tempo, umas das que melhor atestam as suas reais qualidades de desenhador ambivalente, tão exímio no estilo humorístico como no realista.

Eis dois episódios da série Tio Pelicas Investiga, “A Revolta do Dinheiro” e “A Invasão dos Coelhos Brancos”, respigados da mencionada revista (de formato mais pequeno que o do álbum), e que, curiosamente, até aparentam alguma relação com factos mais actuais — se quisermos também vê-los pelo lado picaresco!

Trigo - Tio Pelicas 1574Pelicano 2Pelicano 3Pelicano 4Pelicano 5Pelicano 6

 

 

     

 

O HUMOR DE AUGUSTO TRIGO – 1

Image converted using ifftoanyGeralmente considerada mais acessível, em termos criativos, do que a BD de estilo realista (o que é um erro), a BD humorística chega, geralmente, a um universo de lei- tores muito mais vasto, o que explica o êxito de grandes séries de renome mundial, publicadas em milhares de jornais e revis- tas, e as exigências que elas impõem, no dia a dia, aos seus autores — visto que a cons- trução de gags para um trabalho dessa natureza, circunscrito quase sempre a um pequeno grupo de personagens e a cená- rios que pouco se renovam, requer doses quase ilimitadas de imaginação. Por isso, são poucos os exemplos de artistas que conseguem, como Augusto Trigo, dividir-se entre os dois campos, demonstrando uma polivalência, uma eficácia e um engenho que tornam difícil escolher a faceta que pesa mais na balança das nossas preferências.

São esses três factores que queremos aqui realçar, apresentando alguns exemplos da vertente humorística, para muitos desconhecida, de um grande e versátil desenhador, de cujas mãos saem sempre trabalhos dignos da nossa admiração — como os cartões de Boas Festas com que nos tem presenteado, desde há vários anos, alguns dos quais (com temas africanos do seu particular afecto) queremos partilhar também convosco, nesta despedida de 2013, desejando a Augusto Trigo a continuação de uma carreira repleta de êxitos, em qualquer das áreas onde sobressai o seu talento.

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