POSTAIS ILUSTRADOS – 17

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Aqui estão, a fechar o ano de 2016 — em que este blogue conseguiu cumprir mais uma etapa do seu programa, a caminho do 4º aniversário, apesar de ter visto crescer a Loja de Papel a que pertence —, os últimos postais desta série, ilustrados por dois grandes nomes da BD portuguesa, cada um dentro do seu género. Se Júlio Gil adoptou um estilo de figuração narrativa, próximo da BD e da ilustração, Carlos Roque, desenhador humorístico por excelência, preferiu o cartoon, condensando as ideias do mote — isto é, as qualidades de rapazes e raparigas, segundo os meses de nascimento — numa única imagem (ou “boneco”, como espirituosamente chamava aos seus desenhos).

O resultado, em qualquer dos casos, é excelente e estas colecções de postais que a Pórtico editou nos anos 1960 primam pela originalidade, pela fantasia, pelo colorido e pelo traço de dois ilustradores que se distinguiram nas páginas de uma publicação da Mocidade Portuguesa, o Camarada, seguindo depois outros caminhos, marcados por ideais políticos diferentes. Pois, se Júlio Gil foi sempre um artista do regime, fiel às orientações do Estado Novo (o que não invalida nenhum dos seus méritos profissionais), Carlos Roque optou pela emigração e fixou residência em Bruxelas, trabalhando para revistas como o Tintin e o Spirou, em ambiente mais democrático…

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O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 13

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A fechar este breve e evocativo ciclo, com mais capas de Natal que embelezaram algumas revistas juvenis portuguesas, como O Mundo de Aventuras, o Cavaleiro Andante e o Camarada, apresentamos outra capa ilustrada por Carlos Alberto Santos para o Jornal do Cuto, desta vez a traço e mantendo as mesmas características tradicionais de representação da imagem do Presépio.

A única diferença relativamente à que figura num post anterior, dedicado ao mesmo artista, que podem (re)ver aqui, é que Carlos Alberto mudou a indumentária de São José, dando-lhe um aspecto mais condizente com o que rezam os textos evangélicos, pois era hebreu, natural da Galileia, e não árabe.

Demonstrámos assim, com esta selecção de treze capas, que a maioria dos nossos desenhadores ao serviço de revistas para a juventude foi fiel às tradições sacras do Presépio, retratando as suas principais figuras, a Virgem Maria, o Menino Jesus e São José, quase sempre da mesma maneira. Uma das poucas excepções à regra (e sem dúvida a mais notável) foi Fernando Bento.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 12

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Esta magnífica capa de Júlio Gil, um dos maiores mestres da ilustração e da BD portuguesas, merece figurar também nesta antologia, pela delicadeza e simplicidade com que descreve, com um traço sóbrio e espontâneo, de suave textura, a imagem enternecedora do Menino Deus nos braços de Sua Mãe.

Fugindo ao cenário tradicional do Presépio, Júlio Gil consegue sugerir a sua evocação de forma mais singela e, ao mesmo tempo, mais refinada, espelhando numa feliz síntese gráfica o significado profundo da Natividade e da mensagem redentora que ela fez chegar a todo o mundo e ao coração dos homens.

Com esta capa o quinzenário Camarada celebrou mais um Natal com os seus leitores, tornando ainda mais especial o número 26 (2ª série, 6º ano), publicado em 25/12/1963.   

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 11

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Em 1953, depois do desaparecimento d’O Mosquito, E. T. Coelho fez uma breve incursão no Cavaleiro Andante, desenhando a capa do número de Natal desse ano e as dos três primeiros números especiais. No ano seguinte, publicaria no Cavaleiro Andante uma história aos quadradinhos, com uma nova aventura de Falcão Negro, herói criado em 1946 n’O Mosquito, para a qual realizou também uma capa alusiva. Depois, como sabemos, decidiu tentar a sorte noutras paragens, onde o seu excepcional talento artístico encontrou, a breve trecho, muitas oportunidades.

A capa que aqui reproduzimos, sem rivalizar com as de Fernando Bento sobre o mesmo tema, ilustra bem a harmonia do traço e o rigor da composição que caracterizavam o estilo de E. T. Coelho, a par do sereno classicismo da forma, patente na imagem tradicional do Presépio (onde só falta S. José) e nas figuras dos anjos, mimetizando alados querubins como nas gravuras de séculos passados.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 10

Prosseguimos esta série com mais uma belíssima e original composição de Fernando Bento, o único desenhador português que soube representar o Presépio nas capas natalícias das revistas juvenis fugindo sempre às concepções mais tradicionalistas.

A extraordinária e versátil imaginação de Fernando Bento fervilhava de imagens que nunca se repetiam, mesmo quando abordava os mesmos temas, ano após ano, como no caso das capas de Natal do Cavaleiro Andante e dos seus números especiais.

Esta que aqui reproduzimos, em mais um preito de homenagem ao génio criativo de um dos maiores mestres das artes gráficas portuguesas, pertence ao número especial que saiu no Natal de 1953, estava então Fernando Bento, aos 43 anos, na plenitude da sua carreira e da sua forma artística.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 9

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Mais uma capa do Mundo de Aventuras (nº 123, de 20 de Dezembro de 1951), a segunda de tema natalício ilustrada por Vítor Péon, num número que, além de uma história completa de Mandrake (e do sorteio de 10 bicicletas entre todos os seus compradores!), pouco mais tinha de especial e de alusivo à quadra. Mas merece também destaque a aventura de Cisco Kid intitulada “A Cidade da Alegria”, em que pela primeira vez os leitores do Mundo de Aventuras puderam admirar uma foto de José Luís Salinas, autor dos magníficos desenhos desta série que muito iria dar que falar.

Curiosamente, em todas as suas composições natalícias — como as que já apresentámos neste blogue, relativas às capas d’O Pluto nº 5 e do Mundo de Aventuras nº 71 (1ª série) — Péon escolheu o tema do Presépio, ilustrando-o sempre de forma tradicional, com um traço sugestivo e de inspiração barroca, que os leitores, também rendidos ao seu talento como autor de histórias aos quadradinhos (e neste número são nada menos do que três, incluindo uma aventura de Tomahawk Tom), devem ter sobejamente apreciado.

UMA HISTÓRIA VERDADEIRA DE NATAL

“Napoleão foi grande”, escreveu Tolstoi em Guerra e Paz, “porque se colocou acima da revolução, esmagou os abusos e conservou tudo o que ela tinha de bom, a emancipação dos preconceitos, a igualdade dos cidadãos, a liberdade da imprensa e da palavra”.

conde-de-lavaletteMas Napoleão foi grande, também, porque os seus amigos nunca o abandonaram. Homens como o conde Antoine-Marie Chamans de Lavalette (1769-1830), seu ajudante de campo, de quem ele diria mais tarde: “é a honra, a probidade e a rectidão em pessoa”, foram-lhe sempre dedicados, do princípio ao fim da grande epopeia napoleónica.

Depois da derrota, na batalha de Waterloo, esses fiéis amigos do imperador pagaram com a vida o seu juramento de lealdade. Lavalette, condenado à guilhotina, conseguiu evadir-se, durante o Natal de 1815. Essa rocambolesca evasão já a contámos aos leitores do Mundo de Aventuras, no número especial de Natal de 1975, de onde o artigo seguinte, com ilustrações de Baptista Mendes, foi reproduzido.

Lavalette era de origem humilde. Mas, na época do Império, qualquer pessoa podia ascender às posições mais honrosas, mesmo alguém que fora um simples soldado da Guarda Nacional, quando a revolução contra a monarquia mergulhou a França num mar de sangue. Vinte anos depois, em recompensa dos valiosos serviços prestados à pátria (e a Napoleão), já era par de França. O obscuro guarda-nacional, o humilde filho de operários, galgou em tão pouco tempo os mais altos degraus da hierarquia social. 

napoleao-a-cavaloMas a “águia” napoleónica estava prestes a ensaiar o seu último voo… Waterloo, o fim de todos os sonhos de grandeza. Napoleão tinha um encontro marcado com a fatalidade numa pequena ilha do Atlântico: Santa Helena. Nenhum dos seus partidários, porém, traiu a palavra dada. Labédoyère e Ney, que se lhe juntaram durante a marcha triunfal para Paris, foram fuzilados, e Lavalette, que fora o principal artífice da sua evasão do primeiro exílio, na ilha de Elba, viu suspender-se sobre ele o sangrento cutelo da guilhotina.

Preso numa cela da Conciergerie, sabia que também tinha os dias contados. Debalde sua mulher implorou o perdão do rei. Todos os ouvidos se fecharam às súplicas da nobre dama. Depois, foi a fuga de Lavalette, em circunstâncias extraordinárias, ajudado por alguns homens de origens e crenças políticas diferentes, que o milagre da fraternidade (ou seria de Natal?) uniu no esquecimento dos seus ódios e rivalidades.  

Os Homens e a Histórias - cabeçalhoTexto de Jorge Magalhães ◊ Ilustrações de Baptista Mendes

TUDO COMEÇOU COM O RATO MICKEY!

walt-disneyReza a lenda que Walt Disney, artista pobre, sem esperança de triunfar no meio cinematográfico, onde era um ilustre desconhecido, foi “ajudado” por um rato que lhe fazia companhia no seu estúdio e que ele, certo dia, resolveu desenhar, baptizando-o com o nome de Mickey, num assomo de genial inspiração.

Depois, a lenda transformou-se em história, onde ficaram gravados com letras de ouro os nomes de Disney, de Mickey e de outras célebres personagens criadas (ou revividas) pelo seu fabuloso e mágico mundo dos desenhos animados: Pinóquio, Branca de Neve, DumboDonald, Peter Pan, Cinderela e muitas mais.

Um mundo onde o real se confunde com a fantasia e o sonho transporta o espírito dos espectadores de todas as idades nas suas asas douradas. Walt Disney morreu há 50 anos, rico como Crésus, mas nunca esqueceu o ratinho que lhe deu alento e esperança quando o seu estúdio não passava de um humilde apartamento.

Em homenagem à memória do maior mago do cinema, apresentamos um trabalho que lhe foi dedicado pelo Diabrete, no seu nº 790, de 24/1/1951, com o traço de outro consagrado humorista, o excelente desenhador português Marcelo de Moraes.
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