I.R.$ – UMA NOVA COLECÇÃO DA PARCERIA PÚBLICO/ASA (POR STEPHEN DESBERG E BERNARD VRANCKEN)

Uma nova colecção de BD franco-belga, inédita ainda em português, com argumento de Stephen Desberg e desenhos de Bernard Vrancken, que faz o leitor mergulhar no mundo da alta finança, com toda a corrupção que o envolve. Larry B. Max é um agente dos assuntos fiscais que tem na sua mira os “paraísos” onde o dinheiro circula livremente e as teias da corrupção ocultam grandes fortunas obtidas por meios ilícitos.

Uma série de enredo original, constituída por nove volumes duplos (cada um deles com uma aventura completa), que estará semanalmente nas bancas, a partir de hoje, 28 de Fevereiro. Outro grande lançamento editorial deste ano de 2018 que, para os leitores de Banda Desenhada, promete ser fértil em novidades.

Advertisements

UMA NOVA AVENTURA DE ASTÉRIX E OBÉLIX

Acontecimento editorial do ano, a nova aventura de Astérix e Obélix, os dois inseparáveis gauleses, chega com a sua habitual mão-cheia de tabefes e dentes partidos, os seus inimitáveis jogos de palavras e a sua “justa dose” de História revisitada, para gáudio dos apreciadores de aventuras rocambolescas.

O álbum da ASA, cuja capa retrata a grande corrida por etapas que serve de pano de fundo ao episódio (quase uma recriação da Volta à Itália em bicicleta!), já está à venda em muitas livrarias do país. Há também uma edição em mirandês.

Na Grande Corrida Transitálica, na qual participam representantes de vários povos da Antiguidade, conseguirão os bravos Gauleses suplantar todas as artimanhas e golpes sujos a que recorrem os orgulhosos Romanos, apostados em sair sempre vencedores? E quanto às outras equipas adversárias, conseguirão eles fazer face aos intrépidos Bretões? Ser mais rápidos do que os Persas ou os Sármatas? Não perder terreno perante os valorosos Godos? Isto para já não falar de outros povos itálicos, desejosos também de vencer a prova, pois não vêem com bons olhos a hegemonia de Roma!

“AIRBORNE 44 “ – EPISÓDIOS DA 2ª GUERRA MUNDIAL

Uma excelente série franco-belga, em seis volumes, apresentada numa nova colecção Público/Asa, que recria episódios da 2ª Guerra Mundial em tom épico e realista, com cores, texto e desenhos de Philippe Jarbinet. No primeiro díptico (já nas bancas), é abordada a renhida batalha das Ardenas, que vibrou um golpe decisivo na resistência do exército alemão. O 3º volume foi hoje posto à venda.

IN MEMORIAM: CARLOS ALBERTO SANTOS (1933-2016)

carlos-alberto-santos

A Banda Desenhada, a Cultura e as Artes Plásticas portuguesas acabam de ficar mais pobres, pois perderam um dos seus maiores valores das últimas décadas…

Com 83 anos, faleceu ontem de madrugada, no Hospital Egas Moniz, onde estava internado há vários dias, devido ao súbito agravamento do seu estado de saúde, o pintor e ilustrador Carlos Alberto Ferreira dos Santos, nascido em 18 de Julho de 1933, em Lisboa, e cuja carreira artística começou bem cedo, depois de ter entrado como aprendiz para a Bertrand & Irmãos, apenas com 10 anos de idade. Consolidando essa iniciação nas artes gráficas, trabalhou também na Fotogravura Nacional e no atelier de publicidade de José David. 

O seu enorme talento começou a notabilizar-se noutra empresa de grandes dimensões, a Aguiar & Dias (vulgo APR ou Agência Portuguesa de Revistas), onde colaborou assiduamente desde o 1º número do Mundo de Aventuras, integrando pouco tempo depois o seu quadro de desenhadores privativos.  Embora relativamente escassa no campo da Banda Desenhada, a sua produção como ilustrador é vasta e diversificada, com destaque para a “História de Portugal” em cromos, um grande sucesso editorial, e outras valiosas colecções do mesmo género, assim como para o álbum “Camões – Sua Vida Aventurosa”, editado pela APR em 1972 e anos depois reeditado, a cores, pela ASA. Foi também autor das mais eróticas ilustrações da BD portuguesa, para a revista Zakarella da Portugal Press.

carlos-alberto-alvarro-coutinho-o-magrico

Mais vasta e rica ainda é a sua obra como pintor, consagrada à divulgação dos grandes heróis e dos feitos mais relevantes da nossa História Pátria. Com efeito, foi a pintura (e só ela) que lhe permitiu exteriorizar a sua verdadeira personalidade artística. As suas telas estão espalhadas por diversas instituições públicas e particulares, como o Museu Militar do Porto, suscitando também o interesse de coleccionadores de todo o mundo.

O funeral de Carlos Alberto realiza-se na próxima quinta-feira, às 11h00, no cemitério do Alto de S. João, depois da missa de corpo presente, pelas 10h30, na Igreja do Santo Condestável, bairro de Campo de Ourique (onde o artista casou, em Janeiro de 1959, com a pintora Maria de Lurdes Paes).

Em memória de um extraordinário vulto das artes gráficas e plásticas portuguesas dos últimos 60 anos e de um homem de gentileza ímpar, reproduzimos seguidamente um artigo publicado na revista Temas nº 3 (Abril de 2000), em que se evoca o seu percurso, breve mas igualmente extraordinário, como banda desenhista.

carlos-alberto-e-a-bd-005

Nota – Tive a grande honra de colaborar com Carlos Alberto, como argumentista, num projecto que me encheu de satisfação (mas que seria a sua última obra em banda desenhada): a história “O Rei de Nápoles”, com 14 páginas a cores, publicada no 4º volume da colecção Contos Tradicionais Portugueses em BD, das Edições ASA (1993).

Na cena de abertura dessa história, de ambiente medieval, propus-lhe retratar uma caçada a um dos muitos animais selvagens que povoavam as florestas europeias desse tempo. Mas Carlos Alberto opôs-se, alegando respeitar, por princípio humanitário, a vida dos animais, qualquer que fosse a sua espécie. E a cena ficou assim…

rei-de-napoles-vigneta-006

Infelizmente, os seus problemas de visão afastaram-no definitivamente da BD e até da ilustração, para se dedicar apenas à pintura, onde deixou obras que perpetuam a tradição dos grandes mestres figurativos, honrando o nosso património artístico e cultural. Mas as suas criações para o Mundo de Aventuras, o Jornal do Cuto e outras revistas de banda desenhada também não serão esquecidas!

O “RALLY” DOS QUATRO MAGNÍFICOS – 3

EPÍLOGO (QUE ERA PARA SER UMA INTRODUÇÃO)

Em Janeiro de 2003, fui convidado pelas Edições Asa (que ainda não pertenciam ao Grupo Leya) para coordenar um livro dedicado a Vasco Granja, nome emblemático da comunicação social portuguesa nos últimos decénios do século passado, figura incontornável de programas de televisão e de colóquios, exposições e festivais de Banda Desenhada, que se realizaram, nessa época, um pouco por toda a Europa.

Granja livroPioneiro de uma abordagem mais intelectual à Narração Figurativa, 9ª Arte ou Banda Desenhada (termo que foi o primeiro a intro- duzir no nosso léxico), como se convencionou chamar, desde então, às tradicionais histórias aos quadradinhos, Vasco Granja foi alvo, nesse livro, de especial homenagem por diversos autores de BD, entre os mais notáveis do nosso meio, alguns dos quais (a maioria, aliás) ilustraram guiões escritos por mim, em que ele, Vasco, era a personagem principal.

Conseguimos reunir uma numerosa equipa — 14 desenhadores! —, mas outros ficaram de fora por razões várias que os impediram de aceitar o nosso convite. Uma delas foi a falta de tempo, por estarem ocupados com outros trabalhos. Tive, assim, de abandonar, com muita pena, algumas ideias já postas em prática e que eram destinadas a desenhadores específicos, aqueles que me pareciam ter mais aptidões ou predisposição para as ilustrar. O conto humorístico que publicámos neste blogue, com o título supra, em honra de outra grande personalidade da BD portuguesa, foi inspirado numa dessas ideias que não passaram do esboço de um guião.

A recente morte de Mário do Rosário — uma das figuras que participavam nessa história, ao lado de Vasco Granja e de outros ilustres comparsas — despertou-me memórias adormecidas e o desejo de construir uma narrativa, refazendo um tema que, há treze anos, não cheguei a concluir para ser transformado em imagens. Espero que o resultado, tanto tempo depois, seja digno da pequena homenagem que quisemos prestar a quatro grandes pioneiros da BD portuguesa, e em particular àquele cuja obra, como director e editor da emblemática 2ª série d’O Falcão, marcou também uma época.

O MELHOR ÁLBUM (HUMORÍSTICO) DE 2015

Jim del Monaco 8 A- ASA

Não temos dúvidas em considerar, declarando-o publicamente, que para nós o melhor álbum do ano findo, na categoria de humor, foi o que nos trouxe o regresso dos carismáricos personagens da saga de Jim del Monaco, criada há mais de 30 anos pela talentosa dupla Luís Louro e Tozé Simões — nessa altura ainda muito jovem, mas já impelida pela irresistível vontade de agitar o pacato meio da BD nacional com o efervescente humor dos seus singulares heróis (e heroína).

Jim del Monaco 8 Foto 970E a aposta foi bem sucedida, graças não só à insofismável energia criativa da inseparável dupla, como à empatia que soube gerar com os leitores logo nos primeiros episódios, publicados em páginas de jornais e revistas (com maior destaque no Mosquito – 5ª série) e, um pouco mais tarde, em sucessivos álbuns pelas editoras Futura (quatro) e Asa (sete).

Trinta anos volvidos, após terem miste- riosamente desaparecido nas profundezas da selva africana onde se desenrolavam as suas aventuras — tão hilariantes quanto fantasistas, denotando um potencial inventivo capaz de fazer inveja a muitas outras séries cómicas —, Jim del Monaco e os seus pitorescos companheiros reapareceram de forma quase inesperada, saudados com júbilo por um punhado de acérrimosJim del Monaco 8 Poster971 admiradores que confiaram sempre no seu regresso, e dispostos a enfrentar um novo ciclo de aventurosas peripécias — reconquistando o seu lugar ao sol num mundo completa- mente estranho, insólito, dominado por influências corporativas globais e por hábitos, conceitos e tecnologias com que há três décadas ninguém sonhava… mas que para os nossos heróis, fiéis às origens, pouco contam! Simples acidentes de percurso, vulgares fait-divers numa exótica existência que agora recomeça… mais rocambolesca e delirante, como ardente- mente desejamos, do que nunca!

Bem-vindo, Jim del Monaco, e que continues a seguir destemidamente os mesmos trilhos que conduzem à aventura, em companhia da Gina (autêntica “bomba” sexual) e do Tião (símbolo do negro ingénuo e fiel, como na BD de outros tempos), armados com o vosso humor escatológico, numa selva de “cartão” como era a de Hollywood, onde vivem outros icónicos heróis, eternamente jovens, porque ali o tempo não existe; e onde os perigos mais incríveis vos espreitam, materializados por alguns nefandos vilões, de histriónica catadura, e por ferozes bandos de animais e outras criaturas selvagens, cheias de lúbricas intenções, que pululam na fértil imaginação dos vossos (também sempre jovens) autores.

Tão habituados a seguir as vossas pisadas, imitando-vos em poses fotográficas onde não se nota a patine do tempo, que ainda gostam de fingir que são tão aventureiros como vocês! Como se os autores se pudessem metamorfosear nas personagens que criaram (neste caso, apenas numa… o protagonista da série). Pobres sonhadores!

Jim del Monaco 8 O cemitério dos elefantes e O Macaco de Bili