VISEU REALIZA EXPOSIÇÃO SOBRE DOM AFONSO HENRIQUES NA BANDA DESENHADA

No próximo domingo, 27 de Agosto, pelas 16:00 horas, será inaugurada em Viseu, no Pavilhão Multiusos da Feira de São Mateus, uma exposição sobre o primeiro Rei de Portugal, denominada “Dom Afonso Henriques na Banda Desenhada”.

A organização é do Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu (GICAV) e conta com a colaboração da Câmara Municipal de Viseu, da Viseu Marca e do Instituto Português do Desporto e Juventude. Durante o evento, será lançado um álbum com a reedição de um magnífico trabalho de Eduardo Teixeira Coelho, nome incontornável da BD portuguesa.

A mostra, comissariada por Carlos Almeida, é constituída por vinte painéis em grande formato, com exemplos das várias adaptações à BD da vida e dos feitos de Dom Afonso Henriques, e estará patente ao público até 17 de Setembro.

(Notícia respigada do nosso colega BDBD, orientado por Carlos Rico e Luiz Beira, que promete publicar uma reportagem fotográfica completa do evento durante os próximos dias. Na impossibilidade de também estarmos presentes, agradecemos ao GICAV, na pessoa de Luís Filipe e Carlos Almeida, o convite que gentilmente nos enviou).

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 11

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Em 1953, depois do desaparecimento d’O Mosquito, E. T. Coelho fez uma breve incursão no Cavaleiro Andante, desenhando a capa do número de Natal desse ano e as dos três primeiros números especiais. No ano seguinte, publicaria no Cavaleiro Andante uma história aos quadradinhos, com uma nova aventura de Falcão Negro, herói criado em 1946 n’O Mosquito, para a qual realizou também uma capa alusiva. Depois, como sabemos, decidiu tentar a sorte noutras paragens, onde o seu excepcional talento artístico encontrou, a breve trecho, muitas oportunidades.

A capa que aqui reproduzimos, sem rivalizar com as de Fernando Bento sobre o mesmo tema, ilustra bem a harmonia do traço e o rigor da composição que caracterizavam o estilo de E. T. Coelho, a par do sereno classicismo da forma, patente na imagem tradicional do Presépio (onde só falta S. José) e nas figuras dos anjos, mimetizando alados querubins como nas gravuras de séculos passados.

“OS DOZE DE INGLATERRA” – por E.T. Coelho (4)

12654220_902723516493237_4320641162970025297_nComo oportunamente informámos, realizou-se no dia 10 de Fevereiro, no Centro Nacional de Cultura, uma sessão de lançamento do álbum “Os Doze de Inglaterra”, com desenhos de Eduardo Teixeira Coelho, editado pela Gradiva. Ao assinalável evento deram ainda maior brilho as intervenções de três ilustres oradores: Dr. Guilherme Oliveira Martins, Dr. Guilherme Valente (editor da Gradiva) e Mestre José Ruy, que coordenou esta edição.

Recordamos que a história “Os Doze de Inglaterra”, considerada unanimemente como uma obra-prima da BD portuguesa, foi publicada n’O Mosquito, em 1950-51, numa fase da revista que não primava pela excelência gráfica, nem pelo respeito devido às obras dos seus colaboradores artísticos, visto que o abundante texto das legendas “usurpava”, por vezes, o espaço destinado aos desenhos, causando-lhes danos parciais, mas irreparáveis, como aconteceu em muitas páginas desta magnífica criação de Eduardo Teixeira Coelho.

Felizmente, José Ruy (com a intenção de preservar um precioso espólio) guardou as respectivas provas de impressão e foi a partir desse primitivo material, com os desenhos sem cortes, que foi possível restaurar, de forma quase perfeita, a beleza da arte inigualável de um dos maiores ilustradores portugueses de todos os tempos.

12 de I - Mosquito 1294 959Segundo revelações de José Ruy — que assistiu à realização desta obra, por partilhar, na época, um atelier com E.T. Coelho, sito na Calçada do Sacramento, em Lisboa —, a impressão d’O Mosquito era feita nas oficinas da Bertrand & Irmãos, mas estava confiada a aprendizes (talvez por se tratar — a ironia é nossa — de uma revista juvenil!), enfermando inevi- tavelmente de muitas “mazelas”, agravadas pelo tamanho das legendas escritas por Raul Correia, numa prosa de pitoresco recorte literário, mas por vezes demasiado redun- dante, inspirada, como sustenta José Ruy, num opúsculo da autoria de António Campos Júnior (1850-1917), consagrado autor de narrativas históricas, cuja obra mais célebre é “A Ala dos Namorados”, publicada em 1905.

“Continua o enigma sobre o opúsculo que eu vi o ETC manusear, da «autoria» de Campos Júnior; este nome estava impresso na capa branca só com letras. O Coelho desenhava ao meu lado (tínhamos, nessa altura, um ateliê na Calçada do Sacramento, onde também o Mário Costa, aguarelista, tinha o seu no sótão, enquanto que o nosso era numa sala com janela para a rua). Até a autoria desse texto está em dúvida quanto a ser de Campos Júnior. Umas fontes afirmam que sim, outras que não, e o seu biógrafo não incluiu este romance na sua obra, mas que vi essa publicação, não tenho dúvida.

Sempre pensei que Raul Correia teria outro exemplar, pois este nunca deixou de estar em poder do ETC. Mas é certo que o Coelho desenvolveu «buchas» nos episódios picarescos da aventura do Magriço. Certo, certo, é que o Raul Correia escrevia as legendas com base nos desenhos, como fazia com todas as histórias, criando uma bela e «extensa» prosa que subia pelas pernas das personagens, tapando-lhes grandes partes.

O Coelho nunca se insurgiu, aceitava isso como um ‘Karma’, sem nunca se impor. E ia desenhando, sabendo que partes da composição seriam amputadas. E, nessa altura, não se vislumbrava a hipótese de ser reeditada. Procurei nesta edição cortar as redundâncias do texto, poupando assim muito espaço e fazendo coincidir, em cada vinheta, o assunto que aí se desenvolve”.

doze-de-inglaterra-cnc-2E o resultado está à vista, acrescentamos nós — graças à dedicação, ao brio profissional e ao esforço desinteressado de José Ruy, cuja carreira  acompanhou muito de perto a d’O Mosquito, durante a sua época de maior apogeu —, num belo álbum da Gradiva que fará certamente as delícias de todos os admiradores do talento ímpar de E.T. Coelho, e também de uma nova geração que, por lamentável lapso dos nossos editores, nas últimas três décadas, desconhece quase em absoluto a obra e a importância deste autor.

Aqui fica, pois, um breve registo com imagens do encontro realizado há 15 dias no Centro Nacional de Cultura, para apresentação, como já referimos, do álbum “Os Doze de Inglaterra”, uma das maiores obras-primas de E.T. Coelho. As fotos são de José Boldt, a quem agradecemos (assim como a José Ruy) a amável e sempre pronta colaboração.

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OS 80 ANOS D’O MOSQUITO

IMAGENS DE UM ANIVERSÁRIO

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Conforme oportunamente anunciámos, realizou-se no passado sábado, dia 16 do corrente mês de Janeiro, o tradicional almoço-convívio d’O Mosquito, organizado por Leonardo De Sá e que teve como anfitrião, repetindo um ritual do agrado de todos, o Restaurante Pessoa, sito na baixa lisboeta, próximo da Praça da Figueira.

Mas como se tratava de celebrar, simbolicamente, o 80º aniversário da mais carismática revista da BD portuguesa, a afluência de convivas foi tão grande que o repasto já não pôde ter lugar na acolhedora sala do 1º andar, transferindo-se para o rés-do-chão, espaço onde a intimidade e o convívio foram mais afectados, por causa da distância entre as mesas e do próprio ambiente mais ruidoso da sala.

Tanto assim que muitos dos presentes nem chegaram a ouvir os “discursos” da praxe, assinalando condignamente o relevo da efeméride, proferidos por três ilustres membros dessa numerosa e grada assembleia (repleta também de veteranos): José Ruy, Guilherme Valente, editor da Gradiva, e António Martinó.

Foi este último quem nos enviou, poucas horas depois, algumas fotos do convívio, as primeiras que publicamos neste blogue, com agradecimentos ao seu autor e nosso estimado amigo, que quis brindar-nos, cordialmente, com uma recordação pessoal do evento, focando-nos com a sua objectiva em todas essas imagens.

Passe a imodéstia, escolhemos aquelas em que não fazemos pior figura.

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As restantes fotos foram tiradas também por António Martinó, no Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), onde continuaram, à tarde, as homenagens ao mítico aniversariante, com um colóquio proferido por José Ruy sobre o seu início nas artes gráficas, como colaborador d’O Mosquito, e a abertura de duas exposições que estarão patentes aos sábados, durante várias semanas, na sede do Clube: “Tributo a Eduardo Teixeira Coelho” e “Os 80 Anos d’O Mosquito”.

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ALMOÇO-CONVÍVIO D’O MOSQUITO

No próximo dia 16 de Janeiro, sábado, realiza-se o já tradicional almoço-convívio entre leitores e admiradores da mítica revista “O Mosquito”. Depois do repasto, pelas 16:00 horas, haverá um colóquio com José Ruy (“Como entrei para O Mosquito”), nas novas instalações do Clube Português de Banda Desenhada, à Amadora (antigo CNBDI). E pelas 18:00 horas, como já anunciámos, serão inauguradas no mesmo local duas exposições: “80 anos d’O Mosquito” e “Tributo a Eduardo Teixeira Coelho”.