AS QUATRO ESTAÇÕES – 11

FÉRIAS FELIZES

A felicidade mais pura irradiada por uma jovem banhista que goza a plenitude das sensações estivais em comunhão com o sol, o céu dourado, o mar liso como um espelho e o aroma salgado da brisa, num plácido dia de Agosto… ou a eterna alegoria do Verão e das férias na inspirada síntese gráfica de MÉCO, um dos mais talentosos e apreciados ilustradores que despontaram nas revistas infanto-juvenis, como Joaninha e O Papagaio, em meados do século XX.

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RELENDO “A BALADA DO MAR SALGADO” COMO INTRÓITO ÀS NOVAS AVENTURAS DE CORTO MALTESE

Texto de Jorge Magalhães, publicado em Selecções BD (2ª série) nº 6, Abril 1999. Refira-se a este propósito a excelente reedição de “A Balada do Mar Salgado”, com o selo da Arte de Autor, que surgiu nos escaparates em Junho deste ano, recuperando o prefácio da edição de 1991, assinado por Umberto Eco. Uma boa leitura de férias!   

“Sou o Oceano Pacífico e sou o Maior. É assim que me chamam há já muito tempo, embora não seja verdade que eu seja sempre pacífico”. É com esta frase que começa “A Balada do Mar Salgado”, a história em que surge pela primeira vez Corto Maltese, personagem considerada por muitos a maior criação de Hugo Pratt e que nasceu na revista italiana Sgt. Kirk, a 10 de Julho de 1967, comemorando, portanto, 50 anos em 2017.

Para os nostálgicos de Corto Maltese e para os (raros) leitores que ainda não se aventuraram no seu fascinante universo, recomendamos também outro álbum da Arte de Autor com as novas aventuras do “marinheiro das sete partidas”, recriadas magistral- mente por dois autores espanhóis: Rubén Pellejero e Juan Díaz Canales.

Resumo: Acabado de chegar ao Panamá, acompanhado por Rasputine, Corto Maltese está novamente de partida! O destino é São Francisco e a sua Exposição Internacional, onde espera encontrar um amigo de longa data, o escritor Jack London. Em troca de lhe fazer chegar uma carta, London promete a Corto uma nova aventura… e um misterioso tesouro! Corto Maltese inicia assim um longo périplo pelas vastas extensões geladas do Grande Norte, numa viagem pautada por inúmeros perigos e ameaças. Porque, sob o sol da meia-noite, há outros predadores que rondam para além dos lobos e dos ursos…

Criada graficamente por Rubén Pellejero, com um traço muito semelhante ao de Hugo Pratt, e com argumento de Juan Díaz Canales, esta obra, cuja acção decorre no Alaska em 1915, é a primeira história de Corto Maltese escrita sem a participação do mestre veneziano e foi inicialmente publicada em França, em Setembro de 2015.

“TERRY E OS PIRATAS” – 7º VOLUME (JULHO 2017)

Entre as muito boas edições de BD que continuam a aparecer nas bancas, este mês de Julho ficou também assinalado, na área dos fanzines (edições mais modestas e de pequena tiragem, mas igualmente dignas de louvor), pela saída de mais um número do FandClassics dedicado à série Terry e os Piratas, a famosa criação de Milton Caniff, praticamente inédita em Portugal, que o esforçado faneditor José Pires está apostado em apresentar na íntegra, escalonada por 25 volumes, com mais de 70 páginas cada.

Uma tarefa quase homérica, mas de que o nosso bom amigo e camarada (experimen- tado nestas lides) se tem saído a contento, com infalível regularidade, pois a colecção (de cadência mensal) já vai no 7º volume e o número de leitores não pára de aumentar.

Estes fanzines (de tiragem limitada) podem ser encomendados directamente a José Pires, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt

CORTO MALTESE – 50 ANOS DEPOIS

Este notável texto de Francisco Louçã, dedicado a Corto Maltese, demonstra que a BD já chegou a todos os quadrantes, mesmo aos mais improváveis. Como gostaríamos que o exemplo de Francisco Louçã, manifesto conhecedor e apreciador da 9ª Arte, fosse seguido por outros políticos… Só lhes faria bem!

O REGRESSO DE VALÉRIAN E LAURELINE, AGENTES ESPÁCIO-TEMPORAIS

Uma nova colecção de BD com a garantia de qualidade ASA/Público, constituída por 12 volumes cronológicos (11 dos quais álbuns duplos), que pretende homenagear uma das melhores séries europeias de Ficção Científica, criada há 50 anos, na mítica revista Pilote, por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières.

O 1º volume (englobando as histórias “Sonhos Maus” e “A Cidade das Águas Movediças”) estará à venda esta 4ª feira, dia 26 de Julho — véspera da estreia nas salas portuguesas de uma grande produção cinematográfica, com a assinatura do célebre realizador francês Luc Besson“Valérian e a Cidade dos Mil Planetas”.

Entre nós, esta magnífica série de BD foi anteriormente publicada nas revistas Tintin, Flecha 2000, Público Júnior, Jornal da BD Selecções BD (1ª série), e em álbum pela Meribérica (20 vols.) e pela ASA (dois vols., um deles duplo). A presente colecção inclui um álbum inédito: “Recordações de Futuros” (originalmente publicado em 2013).

Infelizmente, desperdiçando a oportunidade de ser uma colecção integral, passou ao lado das histórias curtas publicadas na revista Pilote Super Pocket (1969/70), que a Meribérica também coligiu, num raro volume intitulado “Pelos Caminhos do Espaço”.

HOMENAGEM AO “SETE DE ESPADAS”

Uma bela homenagem ao saudoso “Sete de Espadas”, nome mítico do Policiário português, inserida no jornal Público (edição do passado dia 23 de Julho), de onde a reproduzimos, com a devida vénia ao seu autor, Luís Pessoa, outra destacada figura das lides policiárias. “Sete de Espadas” faleceu em 10 de Dezembro de 2008.

Associamo-nos também a esta homenagem à sua memória, recordando com emoção os tempos felizes dos convívios do Mundo de Aventuras e do “Mistério… Policiário”, realizados mensalmente em todo o país, que relançaram a carreira do “Sete” como orientador de rubricas da especialidade (praticamente suspensas desde finais dos anos 1950), e criaram uma ponte entre gerações que ainda hoje perdura.

Dupla página de “Mistério… Policiário” publicada no “Mundo de Aventuras” nº 77, de 20/3/1975. O cabeçalho foi desenhado por Jorge Mendonça.

PARABÉNS, MESTRE JOSÉ GARCÊS!

Muitas décadas depois da sua memorável estreia nas páginas d’O Mosquito (1946), José Garcês (que comemora hoje, 23 de Julho, mais um aniversário) continua a produzir histórias aos quadradinhos, como documentam dois trabalhos de notável erudição publicados em 2016, concretizando projectos antigos que o venerando mestre conseguiu ainda levar a cabo: uma minuciosa e apaixonante biografia de Santo António de Lisboa, publicada com a chancela da EuroPress (e que este ano, em Junho, voltou às bancas), e outra excelente monografia sobre um tema em que Garcês se tornou também um dos nossos maiores espe- cialistas: a história das cidades portuguesas. Depois de Porto, Guarda, Ourém, Oliveira do Hospital, Pinhel, Faro e Olhão, foi a vez de Silves, num álbum editado em Outubro de 2016 pela respectiva Câmara Municipal, mas cuja realização remonta a 2009/2010. O “compasso de espera” deveu-se como sempre ao excesso de burocracia, que domina ainda grandes áreas da administração pública.

Mas valeu a pena o esforço da edilidade para romper essas barreiras, pois o álbum (em edição brochada e cartonada) representa uma preciosa homenagem à antiquíssima urbe algarvia recheada de tradições, revelando inúmeros factos da sua história, com o rigor documental e artístico que é apanágio de Garcês e a harmonia e beleza gráfica que caracterizam, desde há muito, o seu estilo — bem patentes na maravilhosa recriação da célebre “Lenda das Amendoeiras em Flor”, com que encerra mais um álbum digno inegavelmente de figurar entre as suas melhores obras sobre esta temática.

A QUINZENA CÓMICA – 39

Se a barafunda já era assim, em 1952, nos transportes públicos de Lisboa (como parodia José Viana nesta capa do Cara Alegre), imagine-se como será agora, com tantos turistas no Verão a enxamear a capital portuguesa, desde que esta ficou na “moda”. O que vale é que muitos deles preferem andar a pé… E por onde andam hoje os nossos humoristas (os émulos de Viana, Stuart, Vilhena)… que só se interessam pela política e até se esquecem dos turistas? Rima e é verdade!

CONVERSAS SOBRE BANDA DESENHADA – 2

No passado dia 8 de Julho, como oportunamente informámos, teve lugar na Bedeteca José de Matos-Cruz (ala da Biblioteca Municipal de Cascais – S. Domingos de Rana), a 3ª Conversa sobre BD moderada pelo próprio José de Matos-Cruz, especialista e crítico de cinema, com vasta obra publicada, historiador, coleccionador e divulgador pioneiro da Banda Desenhada em Portugal (Copra, Ploc!, Mundo de Aventuras, Boomovimento, etc).

Desta feita, os convidados foram o escritor/argumentista Jorge Magalhães e a desenhadora e artista plástica Catherine Labey, ambos profissionais de BD desde a década de 1970, nas mais diversas áreas, e que continuam a alimentar o seu gosto pela 9ª Arte, dedicando-se ludicamente, na idade da reforma, à actividade de bloggers

Perante um público assíduo — entre o qual tivemos a grata surpresa de ver, além de Mestre José Garcês e esposa, e do desenhador João Amaral e esposa, uma bela “embaixada” da família de Jorge Magalhães, com a filha Maria José Pereira (editora da Babel) e o genro, dois netos e duas bisnetas — , falaram ambos das suas carreiras (muitas vezes em comum), apoiados por uma apresentação em “Powerpoint” de obras que consideram as mais representativas dessa colaboração mútua ou com outros autores. Na sua intervenção, Jorge Magalhães, autor multifacetado, dissertou também sobre o seu longo percurso nas revistas e editoras onde trabalhou, desde o Mundo de Aventuras (APR) às Selecções BD (Meribérica), passando por muitas outras.

Eis um breve registo fotográfico dessa sessão, que nos foi enviado por João Camacho, técnico superior da Câmara Municipal de Cascais, a quem publicamente agradecemos. Seguem-se algumas imagens extraídas dos dois “powerpoints”.