AMADORA BD 2017 – UM FESTIVAL QUE TEM POR TEMA A REPORTAGEM

Cumprindo uma tradição já com 28 anos, o Amadora BD está de novo em destaque, no final deste mês de Outubro (é oficialmente inaugurado hoje, sexta-feira, dia 27, no Fórum Luís de Camões, e encerra em 12 de Novembro), com um vasto programa subordinado ao tema “A Reportagem na Banda Desenhada”.

Pontos fortes: a exposição dedicada a Nuno Saraiva, autor da obra Tudo Isto é Fado, prémio de Melhor Álbum Português em 2016 (da sua autoria é também o “populoso” cartaz do Festival, acima reproduzido); e as exposições evocativas O Espírito de Will Eisner Jack Kirby – 100 anos de um Visionário, em homenagem a dois “monstros sagrados”, ambos já centenários, pelo extraordinário contributo que deram a um dos meios de expressão mais dinâmicos do nosso tempo, revolucionando graficamente a forma de contar histórias e influenciando com a sua obra as futuras gerações artísticas.

Reproduzimos também um artigo publicado no semanário Expresso de 21 do corrente, que complementa esta breve informação sobre o Amadora BD 2017 — e aconselhamos os mais interessados a consultar o blogue Divulgando Banda Desenhada, onde Geraldes Lino acompanha o programa do Amadora BD com a sua hábil faceta de repórter.

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UMA NOVA AVENTURA DE ASTÉRIX E OBÉLIX

Acontecimento editorial do ano, a nova aventura de Astérix e Obélix, os dois inseparáveis gauleses, chega com a sua habitual mão-cheia de tabefes e dentes partidos, os seus inimitáveis jogos de palavras e a sua “justa dose” de História revisitada, para gáudio dos apreciadores de aventuras rocambolescas.

O álbum da ASA, cuja capa retrata a grande corrida por etapas que serve de pano de fundo ao episódio (quase uma recriação da Volta à Itália em bicicleta!), já está à venda em muitas livrarias do país. Há também uma edição em mirandês.

Na Grande Corrida Transitálica, na qual participam representantes de vários povos da Antiguidade, conseguirão os bravos Gauleses suplantar todas as artimanhas e golpes sujos a que recorrem os orgulhosos Romanos, apostados em sair sempre vencedores? E quanto às outras equipas adversárias, conseguirão eles fazer face aos intrépidos Bretões? Ser mais rápidos do que os Persas ou os Sármatas? Não perder terreno perante os valorosos Godos? Isto para já não falar de outros povos itálicos, desejosos também de vencer a prova, pois não vêem com bons olhos a hegemonia de Roma!

ERA UMA VEZ UMA GATA…

Mounette, a gentil Mounette que me conquistou desde o primeiro instante… que há dez anos «escreveu as suas memórias» no computador com a ajuda dos meus dedos… sentada ao meu colo, com gestos de ternura da pata para a minha cara, com vigorosas lambidelas (beijinhos) no meu queixo… que virou bibliotecária no meu blogue para apresentar os meus contos em BD… a minha companheira peluda, que também conquistou o Jorge (ela é figura de proa no cabeçalho do «Gato Alfarrabista», inspiradora do nome deste blogue)…

Gata encontrada na rua, de nobreza natural, que alegrou a nossa vida nestes dez anos. Chegou cá a casa aos sete meses, segundo o veterinário, e agora partiu para o Paraíso dos Gatos, levada por um maldito cancro.

Pequena criatura adorável e inspiradora de muitas obras minhas, agradeço-te do fundo do coração a alegria de viver que partilhaste connosco. Descansa em paz.

Catherine Labey

“FUN LOVING BIRDS”

por Marita Moreno Ferreira (artista plástica e escritora)

Porque tudo o que precisamos na vida é de cor e animação. Não precisamos do veneno destilado vinte e quatro horas pela auto-intitulada comunicação social, nem das redes sociais. (Já repararam como se assemelham cada vez mais, sem controlo e sem regra?)

Também não precisamos das pessoas que, pessoalmente, invadem o espaço que temos com elas para destilar amarguras e fel, doenças e problemas, conflitos e raiva.

Tudo o que precisamos é de silêncio, risos, tranquilidade, alegria. E como se estivéssemos a navegar num mar de escolhos trazidos pelos acidentes e tragédias alheios, evitar a todo o custo embates com essa realidade.

É impossível recordar como chegámos a este mundo de horrores, em que ninguém tem espaço para coisas normais e amáveis. Ao ponto de já se levar a mal que alguém esteja feliz e normal, que se achem os namoros ridículos e descabidos, a boa disposição um insulto para quem já acorda em fúria com o mundo.

A cada um o seu tipo de masoquismo preferido. Ou colorido, bom humor e convicção de que se pode viver num mundo e numa realidade completamente diferentes, em que os problemas e catástrofes também existem, mas não definem os nossos dias nem o que somos.

Resgatemos a velha convicção de que também vale a pena viver bons momentos. Felicidades!

O CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA REALIZA NOVA ASSEMBLEIA GERAL E ESTREIA 4 EXPOSIÇÕES

Por António Martinó de Azevedo Coutinho (do blogue Largo dos Correios)

O Clube Português de Banda Desenhada convocou os seus associados para participarem numa Assembleia Geral, que se irá realizar no próximo dia 14 de Outubro (sábado), pelas 16H00, nas instalações da sede, sita na Avenida do Brasil, 52A – Falagueira – 2700-134 Amadora. A referida Assembleia terá como ordem de trabalhos a eleição dos elementos constantes de uma lista, conhecida e divulgada, candidata aos Órgãos Sociais do CPBD para o novo mandato de 2017/2019.

Os nomes propostos confirmam, na prática, os responsáveis pela corrente gestão do Clube, autores de uma obra a todos os títulos notável. Creio, por isso e dada a unanimidade reconhecida, que a continuação do excelente trabalho realizado está amplamente assegurada (…) e a qualidade/quantidade da obra é tanto mais válida quanto se deve reconhecer que este exuberante período se seguiu a décadas em que o Clube apenas sobreviveu dada a militância de uma meia dúzia de apaixonados pelos quadradinhos que nunca deixou morrer uma chama “sagrada” mínima.

A sede disponibilizada pela autarquia da Amadora, capital nacional da BD, proporcionou um local que tem sido constantemente dinamizado com diversas realizações, para além das intervenções do Clube noutros locais como, por exemplo, a Bedeteca da Amadora ou a Biblioteca Nacional de Lisboa.

No próprio dia da Assembleia Geral do Clube Português de Banda Desenhada, a nossa sede vai ser local de abertura de mais quatro (!) exposições públicas, cujos convites se anexam. Como exemplo de esclarecida, permanente e coerente intervenção em defesa da causa dos quadradinhos, dificilmente se poderia exigir mais ao CPBD…

Tenho orgulho em pertencer a uma associação tão dinâmica e tão bem dirigida, crescentemente merecedora de reconhecimento cultural público.

Nota: Texto reproduzido, com a devida vénia, do blogue “Largo dos Correios”, superiormente administrado por António Martinó de Azevedo Coutinho.

A VIDA DE CHE EM BD – UMA OBRA MÍTICA FINALMENTE EDITADA EM PORTUGAL

Chega dentro de dias às bancas, numa edição Público/Levoir, a biografia do ícone da Revolução Cubana, escrita por Héctor Germán Oesterheld e ilustrada por Alberto e Enrique Breccia, expoentes máximos da BD argentina e mundial. Lançada com grande êxito logo após o assassinato de Che Guevara, a sua difusão foi proibida, sendo mesmo ordenada a destruição das pranchas originais pela ditadura militar argentina. O misterioso desaparecimento do próprio Oesterheld e as lendas em torno da primeira reedição da obra em Espanha elevaram-na a um estatuto mítico.

Mais do que uma obra polémica, A Vida de Che é uma obra-prima da banda desenhada — sob a forma de novela gráfica, quando este termo e o seu conceito ainda não existiam —, pela primeira vez em versão portuguesa, recordando o 50º aniversário da morte de um dos mais célebres guerrilheiros do século XX.