CIÊNCIA E BANDA DESENHADA: O CÉREBRO HUMANO, ESSE DESCONHECIDO

História realizada por João Ramalho Santos e Sara Varela Amaral (coordenação e texto), e por André Caetano (ilustrações), que reproduzimos do jornal Público (edição de 24 de Março de 2017), com a devida vénia e parabéns aos seus autores. É pena que exemplos deste tipo (e com este planeamento) não sejam mais frequentes, utilizando a banda desenhada como suporte para a divulgação científica junto do grande público.

O REGRESSO DE ASTÉRIX E OBÉLIX

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Notícia publicada no jornal Público (edição de 20/1/2017), de onde a reproduzimos, com a devida vénia. Nesta nova aventura, como foi revelado na conferência de imprensa realizada nesse mesmo dia, em Paris, Astérix e Obélix fazem nova digressão fora da Gália, visitando monumentos históricos e, sobretudo, apreciando a gastronomia local. O novo álbum (37º da série), cujo título ainda se desconhece, tem a assinatura da mesma talentosa dupla de autores que realizou os dois volumes anteriores: Jean-Yves Ferri e Didier Conrad, cujo trabalho mereceu unânimes elogios tanto do público como da crítica, confirmando a escolha acertada de Albert Uderzo.

Mas a nova aventura de Astérix e Obélix não será o único acontecimento deste ano em que se comemoram o 90º aniversário do nascimento de Uderzo e o 40º da morte de René Goscinny, os míticos criadores dos dois heróis gauleses. Já no 1º semestre sairá uma nova edição de Astérix entre os Belgas, o último álbum assinado por ambos. E em Bruxelas uma grande exposição no Centro Belga da Banda Desenhada, a decorrer entre 16 de Maio e 3 de Setembro, homenageará a genial dupla que inventou na revista Pilote um dos maiores sucessos editoriais em língua francesa.

AMADORA BD 2016: HOMENAGENS E RETROSPECTIVAS

Artigo publicado no jornal Público, edição de 21/10/2016, de onde o reproduzimos com a devida vénia ao seu autor.

“OS TEMPOS ESTÃO A MUDAR”

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A propósito de um facto que está a causar polémica (como muitas outras coisas, neste mundo cheio de contradições e de vozes dissonantes), reproduzimos gostosamente, com a devida vénia, um cartoon de Luís Afonso, habitual colaborador do jornal Público, onde a sua apreciada rubrica de comentário humorístico, Bartoon, surge diariamente.

“The times they are a’ changin'” é o refrão de um famoso tema musical de Bob Dylan, cuja letra aqui recordamos em homenagem ao novo Prémio Nobel, distinguido com o máximo galardão da Literatura “por ter criado novas expressões poéticas na tradição da canção americana”. O que, polémicas à parte, é a cabal expressão da verdade…

«Come gather ’round people where ever you roam
And admit that the waters around you have grown
And accept it that soon you’ll be drenched to the bone
If your time to you is worth savin’
Then you better start swimmin’ or you’ll sink like a stone,
For the times they are a’ changin’!

Come writers and critics who prophesy with your pen
And keep your eyes wide the chance won’t come again
And don’t speak too soon for the wheel’s still in spin
And there’s no tellin’ who that it’s namin’
For the loser now will be later to win
For the times they are a’ changin’!

Come senators, congressmen please heed the call
Don’t stand in the doorway don’t block up the hall
For he that gets hurt will be he who has stalled
There’s a battle outside and it’s ragin’
It’ll soon shake your windows and rattle your walls
For the times they are a’ changin’!

Come mothers and fathers throughout the land
And don’t criticize what you can’t understand
Your sons and your daughters are beyond your command
Your old road is rapidly agin’
Please get out of the new one if you can’t lend your hand
For the times they are a’ changin’!

The line it is drawn the curse it is cast
The slow one now will later be fast
As the present now will later be past
The order is rapidly fadin’
And the first one now will later be last
For the times they are a’ changin’!»

Written by Bob Dylan • Copyright © Bob Dylan Music Co.

 

SANTO ANTÓNIO EM BANDA DESENHADA – UMA NOVA OBRA DE JOSÉ GARCÊS

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Com este novo lançamento, o Público e a Europress põem à disposição de todos os devotos de Santo António (e dos leigos que são apreciadores de Banda Desenhada) um belo álbum realizado por Mestre José Garcês, decano da BD portuguesa, que em 2016 celebra 70 anos de meritória carreira como autor de vasta obra de índole recreativa, didáctica e cultural. Citando o Público:

“Na sua narrativa fluida e envolvente, José Garcês recria a vida, os milagres e a herança de Santo António, um homem comum com qualidades invulgares que o transformaram em ícone da Igreja Católica e da cultura popular”.

Uma obra a vários títulos assinalável, que demonstra o vigor e a paixão com que, nesta fase da sua carreira, José Garcês continua a abordar temas e personagens da nossa História que lhe são caros.

THE HOUSE OF CORTO MALTESE

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“O marinheiro da BD ganhou casa no Cais do Sodré”

Artigo de Mara Gonçalves (Público, suplemento Fugas, em 6/8/2016)

“Hello! You are in the House of Corto Maltese. Who you are? You want to come to the discovery of the world of Corto Maltese? You are in Lisbona. Lisbona.”

Neste bar quase tudo se inspira nas aventuras da mítica personagem de banda desenhada criada por Hugo Pratt, desde o nome à decoração ou à carta de cocktails. Até este velho telefone, que nos interpela na casa de banho com uma voz entre o fantasmagórico e o vilanesco, definitivamente surreal.

“Rasputin, is you? Give me the letter I want. We need this map to discover the secret.”

A gravação, em loop contínuo, é a mais recente criação artística de Filipe Dias, o capitão-mor deste pequeno navio atracado desde o final do ano passado na Rua da Boavista, em Lisboa. “Não era aquele fã, mas sempre tive uma pequena paixão por esta personagem”, conta o designer de 42 anos. Daí que Corto Maltese — e o amigo e rival Rasputin — tenham sido a escolha natural quando quis homenagear os marinheiros que outrora navegavam pelas ruas do Cais do Sodré, aqui a dois passos, então bairro de prostitutas e má fama.

Um pouco por todo o espaço há, por isso, objectos que remetem para o universo dos barcos e das grandes aventuras pelo mundo e, claro, recortes das bandas desenhadas e colecções encadernadas das histórias criadas por Pratt, nos anos de 1970-90. Na parede, um mapa surge em destaque para assinalar as Viagens de Corto Maltese, mas, entretanto, “as pessoas começaram a pôr os países de onde vinham ou que tinham visitado”. Pioneses coloridos despontam do México, da Colômbia e do Brasil, do Mali, de França, Japão, Irão ou da Tailândia.

Na lista de bebidas, mais mundo. Runs, vodkas e gins chegam às prateleiras vindos dos quatro cantos do planeta. Só os vinhos são todos portugueses, maioritariamente do Alentejo e de Lisboa. Mas até aqui Filipe Dias procura ter, “por norma”, marcas “difíceis de encontrar noutros bares e que não sejam vendidas nas grandes superfícies comerciais”. E, depois, há cocktails com nomes inspirados no universo Corto Maltese, sempre feitos à base de rum, lima, mel e açúcar amarelo.

Corto Maltese no Cais do Sodré

Ainda está softly open — como se lê na porta envidraçada — e tudo manter-se-á “sempre em mudança”, da decoração às cartas de bebidas e de petiscos (há sempre algo para forrar o estômago, mas sem menu fixo, indo de fatias de pizza a conservas ou sandes de presunto). A ideia é criar um “espaço cool”, onde as pessoas possam vir “conhecer um pouco a história do comic”. Mas também “um pouco da história do bairro”. As duas homenagens misturam-se numa profusão de objectos antigos, colagens, pinturas, camadas, sobreposições e pormenores que se acumulam em cada recanto, num estilo descontraído e despretensioso.

“Queremos mostrar que, mesmo com pouco orçamento, é possível fazer uma homenagem aos sítios que estão a desaparecer em Lisboa e na Europa porque os novos senhorios compram [os espaços] e, sem saberem a história, fazem tudo de novo e completamente diferente daquilo que eram”, conta o responsável.

Os balcões vieram de casas vizinhas, os copos desemparelhados sentam-se em velhas mesas de costura (as máquinas foram cobertas de dourados ou rosa fúcsia e os carros de linhas substituídos por rolhas de cortiça), pequenas televisões transmitem filmes a preto e branco, há telefonias e máquinas registadoras de outros tempos. O bar é também uma espécie de showroom do trabalho da CortoMundo, empresa de design liderada por Filipe Dias, que criou algumas das peças transformadas. “Está tudo à venda, é uma questão de falarmos”, ri-se Filipe Dias.

Corto Maltese nunca passou por Portugal nas suas aventuras além-mar, mas Hugo Pratt viajou pelo país várias vezes. Numa entrevista ao Público, em 1992, o autor italiano, que viria a falecer três anos depois, defendeu que a capital lusa tinha “mudado muito”. “Antes, Lisboa era uma cidade cosmopolita, depois tornou-se uma cidade turística.” Portugal tinha-se tornado “um produto de postcard e folclore”. Nunca saberemos o que Pratt diria desta House of Corto Maltese, mas deixamos a imaginação fluir numa viagem no tempo da sua obra e do país, até a música nos embalar por outras paragens longínquas.

CARLOS ROQUE: DEZ ANOS DE MÁGOA E DE SAUDADE

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Artigo de Carlos Pessoa publicado no jornal Público, de 1/8/2006. Carlos Santos Roque nasceu em Lisboa, em 12/4/1936, e faleceu na Bélgica, em 27/7/2006.

Páginas de Carlos Roque publicadas originalmente no Tintin e no Spirou (cortesia do BDBD, blogue orientado por Carlos Rico e Luiz Beira).