IMAGENS DO PASSADO: “OS BEATLES”

Quatro lendas da música “pop” que revolucionaram a sociedade de uma época, em todo o mundo ocidental, sobretudo entre a juventude… numa foto dos seus primeiros tempos, publicada na revista Zorro nº 110 (14/11/1964). Da esquerda para a direita: John Lennon, Ringo Starr, Georges Harrison e Paul McCartney.

Foi Larry Barnes quem os descobriu, durante uma digressão na Escócia, em 1960. Ringo Starr só se juntou ao grupo em 1962. A sua primeira gravação data de Setembro de 1961 e incluiu dois trechos: “Love me do” e uma nova versão de um velho êxito: “P. S. I love you”. Esse primeiro disco não chamou muito as atenções. Mas o segundo, com o título “Please, please me”, bateu todos os recordes.

A partir desse estrondoso êxito, a carreira ascensional dos Beatles tornou-se um fenómeno, difundindo a sua imagem e a sua música em todo o mundo. Ainda hoje são uma lenda, que influenciou várias gerações!

O REGRESSO DE RIC HOCHET – 4

Ric Hochet - Relevez le gant! 467

1959 foi o ano em que o jovem repórter do La Rafale deu mais um passo importante (e decisivo) na sua carreira — até aí limitada, como já referimos, a curtos e esporádicos episódios completos —, tornando-se titular, no Tintin belga, de uma sensacional novidade: uma rubrica com o título Relevez le gant!, constituída por uma série de problemas policiais cuja decifração desafiava, na melhor tradição de Agatha Christie e Hercule Poirot, a argúcia e as faculdades dedutivas dos leitores.

Alguns desses casos, em que Ric Hochet estava sempre acompanhado pelo inspector Bourdon, foram também publicados no semanário O Falcão (1ª série), que chegou mesmo a instituir um concurso, com regulamento, destinado aos jovens sherlocks portugueses. E foi também n’O Falcão (nº 60, de 4/2/1960) que apareceu um dos primeiros episódios de Ric Hochet, com o título Ric Hochet e a “Sombra” (Ric Hochet contre l’Ombre).

Ric Hochet - Aceite o desafio + O Sombra

Pormenor curioso: enquanto que no Cavaleiro Andante e no Zorro o jovem repórter criminologista foi baptizado com nomes portugueses (embora vivesse na Cidade-Luz, trabalhando para um jornal parisiense), n’O Falcão, manteve o seu próprio nome, o que prova que a censura nada teve a ver com essa mudança de identidade.

Em 1962, Ric Hochet foi ainda protagonista de uma longa novela de mistério com o título Monsieur X frappe à minuit, cujo texto tinha também a assinatura de André-Paul Duchâteau, o argumentista que se tornou o parceiro ideal de Tibet quando a sua nova criação começou finalmente a aparecer em histórias de “longa metragem”, conquistando, em pouco tempo, o estatuto de grande vedeta do jornal Tintin.

A título de curiosidade mostramos duas páginas dessa novela, ilustrada por Tibet, tal como foi publicada no Zorro, a partir do nº 33 (25/5/1963), com um título semelhante: O sr. X ataca à meia-noite. Tempo depois, o destemido e arguto “Mário João” transitou para as histórias aos quadradinhos, vivendo três novas aventuras que o tornaram ainda mais popular entre os leitores da revista, muitos dos quais desconheciam o seu verdadeiro nome.

Ric Hochet - Sr. X

Na época anterior à consagração de Ric Hochet (que só chegou tardiamente, depois de um longo caminho, como já vimos), Tibet estava ainda “colado” à imagem de Chick Bill, o seu personagem de maior êxito, ao ponto de aparecer vestido de cowboy numa curiosa “pantomina” em que vários colaboradores do Tintin assumiam a aparência dos heróis que lhes tinham dado justa fama, “disfarçados” com a sua habitual indumentária.

Essa página, que a seguir apresentamos, foi publicada no nº 12 (14º ano), de 25/3/1959, e nela podemos reconhecer as veras efígies de alguns dos mais populares autores da BD franco-belga, fazendo honrosa companhia a Tibet.

Ric Hochet - Tintin 12

Recordamos novamente que o jornal Público, em parceria com as Edições Asa, brindou os apreciadores desta série (entre os quais nos incluímos) com algumas aventuras inéditas do dinâmico repórter detective, inseridas na colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” (12 álbuns). Os leitores interessados encontram um amplo noticiário sobre essa colecção no blogue A Montra dos Livros.

O REGRESSO DE RIC HOCHET – 2

Ric Hochet - La Rafale 226

Na imagem que escolhemos para encabeçar esta página, extraída da história Mystère à Porquerolles, outra empolgante aventura de Ric Hochet, um jovem jornalista de investigação (como agora se diz), atraído pela solução dos casos mais bizarros e intrincados, vê-se uma panorâmica da redacção do jornal onde trabalha, o diário de grande tiragem La Rafale (em português, A Rajada, título que, aliás, figura no primeiro episódio desta série publicado em Portugal, uma curta história em que Ric Hochet não passa ainda de um pequeno vendedor de jornais com aspirações a detective).

Ric Hochet Tintin 21 - 1962 225Esse episódio, como já referimos num post anterior, foi dado à estampa pelo Cavaleiro Andante, pouco tempo depois da sua publicação original no Tintin belga, em 30 de Março de 1955. Mas, nessa altura, Tibet, o criador gráfico da série, estava ocupado com outras personagens e mal imaginava o destino que a evolução da figura de Ric Hochet e a empatia gerada com os leitores reservavam à sua nova e ainda incipiente criação.

Só anos depois, quando se aliou ao argumentista André-Paul Duchâteau, mestre em intrigas policiais do género das de Agatha Christie e de outros autores anglo-saxónicos, a série ganhou “asas”, abalançando-se a mais altos voos com histórias longas como Signé Caméleón, em que Ric Hochet enfrenta, pela primeira vez, um dos seus piores inimigos, o astucioso e tenaz Camaleão, empenhado numa implacável vendetta contra o comissário de polícia Bourdon, cuja Ric Hochet contra o Carrasco Bertrand 1sobrinha Nadine desempenha, desde os primeiros episódios, o papel de “noiva eterna” do intrépido jornalista.

Neste post apresentamos, como curiosidade, uma capa do Tintin belga alusiva à aventura já citada, Mystère à Porquerolles (3º episódio na cronologia de Ric Hochet), que em Portugal foi reproduzida na revista Zorro, com o título “O Caso dos Quadros Roubados”.

A popularidade crescente de Ric Hochet, aliada ao êxito da literatura policial no nosso país, foi um factor determinante na sua publicação em álbum, iniciada pela Livraria Bertrand em 1973, com o episódio “Ric Hochet contra o Carrasco”, que agora está de novo nas bancas, integrado na colecção que o jornal Público e as Edições Asa em boa hora dedicaram a esta carismática personagem, recordando algumas das suas melhores aventuras, em grande parte inéditas em Portugal, e apresentando também o mais recente episódio da série, realizado por uma nova e talentosa dupla: o desenhador Zidrou e o argumentista Simon Van Leimt (ver post de 11/6/2015, sobre este álbum, no blogue A Montra dos Livros).

Ric Hochet - público 3

O REGRESSO DE RIC HOCHET – 1

Tibet, Duchateau e Ric Hochet

Ric Hochet (50 ans)Depois da Colecção Novela Gráfica, de tão boa (e ainda recente) memória, a BD regressa hoje ao jornal Público com uma nova série temática, em que figuram 12 aventuras de um dos mais carismáticos heróis da BD franco-belga, criado há 60 anos na revista Tintin por André-Paul Duchâteau e Tibet (aliás, Gilbert Gascard (1931-2010), nome de baptismo que não passou à história, pelo menos entre os fãs de Ric Hochet).      

Largamente divulgada também em Portugal, embora sem regularidade e numa proporção muito inferior à dos episódios  publicados na versãoRic Hochet (álbuns) francófona, que deram origem a mais de 80 álbuns (de publicação anual ininterrupta até 2010!), a série estreou-se entre nós no Cavaleiro Andante nº 183, de 2 de Julho de 1955, com um episódio completo de quatro páginas em que Ric Hochet se metamorfoseou num adolescente português chamado João Nuno, por força de um hábito que se generalizara na maioria das nossas revistas de BD, apostadas em nacionalizar o nome dos seus principais personagens. A censura, é claro, também contribuiu para isso…Ric Hochet CA 183 204

Registe-se, como efe- méride, que a primei- ra entrada em cena deste juvenil herói — na figura de um ardina bem vestido (ao contrário dos que se viam, nessa época, pelas ruas de Lisboa), e ainda com os traços caricaturais que eram típicos do estilo de Tibet, nos primeiros anos da sua carreira — teve lugar em 30 de Março de 1955, no nº 13 (10º ano) do Tintin belga, precisamente com o curto episódio que o Cavaleiro Andante não tardaria a reproduzir, embora com outro título na ilustração de capa.

Só meses depois, no nº 5 (11º ano), de 1 de Fevereiro de 1956, Ric Hochet reapareceu noutra história curta, já com um aspecto diferente, mais velho e promovido a repórter do periódico La Rafale, onde continuou a somar proezas detectivescas aos casos jornalísticos.

Tintin 13 e 5

Mas, nessa altura, tanto Tibet como Duchâteau estavam ainda muito longe de planear um futuro radioso e cheio de aventuras para o seu juvenil herói, de espírito arguto e destemido como o dos mais célebres detectives… Ric Hochet album ca 103embora já tivessem consciência, certamente, do seu grande potencial. Esse futuro acabaria por guindar os três ao topo da fama nas páginas do Tintin, onde Ric Hochet — depois do seu primeiro caso policial de “longa metragem”, com o título “Signé Caméléon” (1961), estreado entre nós num Álbum do Cavaleiro Andante — foi, durante muitos anos, um imbatível campeão de popularidade, classificando-se sempre em primeiro lugar nos inquéritos realizados às preferências dos leitores.

A propósito do título da presente colecção: “Os Ric Hochet Zorro 156Piores Inimigos de Ric Hochet”, deve- mos recordar que o Camaleão teve a primazia, desafiando o repórter detective (e o seu amigo Inspector Bourdon) no citado episódio de estreia e voltando ao ataque em L’Ombre de Caméléon (1964), aventura que os leitores portugueses puderam apreciar no Zorro, sucessor do Cavaleiro Andante.

Reproduzimos seguidamente o texto de apresentação inserido no Público de 29 de Maio p.p., referente ao álbum com que se inicia esta colectânea, uma aventura inédita de Ric Hochet (onde o Camaleão reaparece em grande estilo!), assinada pela dupla que assegurou a continuidade da herança artística de Tibet e Duchâteau, cinco anos depois do desaparecimento do primeiro e da publicação do penúltimo álbum da série.

Ric Hochet público - 1

 

TINTIN EM LISBOA?

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Por gentileza de um amigo, sempre atento às novidades que circulam no Facebook (sobretudo as de cariz mais inédito ou especial), partilhamos com os nossos visitantes esta capa do que pode parecer, à primeira vista, um novo álbum de Tintin — facto que, a ser verdade, geraria uma onda de entusiasmo em todo o mundo, Lisboa 2tornando-se o mais estrondoso êxito editorial desta década.

O encanto de Lisboa e o seu renome entre as cidades mais acolhedoras do nosso planeta justificam a escolha… mesmo sem disfarçar a alusão às intempéries que se têm abatido sobre a bela princesa do Tejo, com efeitos calamitosos, como as recentes inundações que (mais uma vez) atingiram várias zonas da baixa lisboeta.

Até se lê na dita capa o nome de uma editora que parece inspirado pelas cheias: Marca D’Água. O grafismo imita muito bem o estilo inconfundível de Hergé, mas o nome do mimético desenhador não é mencionado na ilustração.

Jo, Zette e JockoNesta cena surge também uma personagem oriunda de outra famosa criação de Hergé (não tão célebre como Tintin, mas bastante conhecida em Portugal). Serão capazes de identificá-la?

Posto isto — e para não aumentarmos o alvoroço que já deve reinar nalguns espíritos mais crédulos ou mais fantasistas —, leiam com atenção as primeiras linhas que escrevemos e desiludam-se… pois a sensacional “novidade” não passa de uma paródia às inundações que têm ocorrido em Lisboa (tal como em anos anteriores… o mal já vem de longe), e sobretudo numa altura em que se fala da saída de António Costa da Câmara Municipal por causa da sua candidatura a Secretário-Geral do PS. Uma “chuva” de críticas abateu-se também sobre o autarca… atribuindo-lhe culpas pelos efeitos do temporal que nem a S. Pedro tentariam assacar!

Aproveitando a deixa, sugerimos outros temas de flagrante actualidade para as próximas “aventuras” do famoso repórter, que continua bem vivo trinta e um anos após a morte do seu ilustre criador: Tintin e a Abertura das Aulas e Tintin e a Reforma da Justiça (intrigantes meandros da sociedade portuguesa, em que o nosso herói certamente encontrará bastos estímulos para a sua insaciável curiosidade e para o seu espírito dinâmico e inventivo, atraído por desafios de toda a espécie).

Então, já adivinharam o nome do outro herói juvenil que figura na ilustração que encabeça este post? Pois é verdade, trata-se sem dúvida de um dos elementos da bizarra pandilha Jo, Zette e Jocko, que em Portugal surgiu pela primeira vez, com o mesmo nome, nas páginas da revista Zorro, sucessora do Cavaleiro Andante.

Le Manitoba ne répond plus +m LÉruption du Karamako

O autor deste saboroso pastiche, cujo anonimato se perde na multidão de talentosos humoristas que pululam na Net, baseou-se num episódio dessa série intitulado “A Erupção do Karamako” (onde não faltam catástrofes naturais), publicado no Zorro entre os nºs 141 a 192 (1965-66), e mais tarde em álbum pela Verbo (1981-82), na colecção “Aventuras de Joana, João e do macaco Simão”, dedicada a esta criação de Hergé, cuja estreia se deu na revista francesa Coeurs Vaillants, em Janeiro de 1936.

Graças ao amigo que nos enviou esta curiosidade, “tintinófilo” de gema e profundo conhecedor da obra de Hergé, aqui fica também a vinheta original que serviu de inspiração à presente “capa”, com algumas diferenças subtis que tornam ainda mais curioso um (atento e estimulante) exercício comparativo.

Tintin em Lisboa - originalE viva a imaginação… até ao regresso a sério de Tintin e dos seus companheiros de aventura, já anunciado para os próximos decénios! Lá para 2052… o que nos desperta uma dúvida: já terá nascido quem os irá recriar?

AS QUATRO ESTAÇÕES – 5

NOITES DE VERÃO E DE FESTA

São João - Zorro nº 192   806Do segundo santo que preside aos festejos populares do mês de Junho pouco se fala, mas as suas celebrações na capital do Norte (logo a seguir ao solstício de Verão) são tão animadas como as de Santo António, patrono dos arraiais e das marchas lisboetas, e as de São Pedro, em Sintra.

As revistas juvenis de outros tempos também mantinham viva a tradição, reproduzindo em garridas ilustrações a magia dessas noites cheias de música, de foguetes, de fogo de artifício, de cen- telhas rubras como as fogueiras — e o encanto e sabor das quadras típicas, recendentes a cravos e a manjericos, cuja inspiração nasceu do amor român- tico e da elegia profana dos Santos Populares.

Aqui têm dois sugestivos exemplos desse imaginário juvenil ilustrado, numa romagem de saudade aos anos 60, onde fomos encontrar o Zorro nº 192, de 11/6/1966 (que com esta capa se despediu “estrondosamente” dos seus leitores), e a Fagulha nº 155, de 15/6/1964, cuja capa é da autoria de Bixa, uma das suas melhores colaboradoras… e com o nome mais comprido: Maria Antónia de Assunção Roque Gameiro Martins Barata Pereira Cabral.

São João - fagulha 155 804

 

O ZORRO DE FERNANDO BENTO

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Embora não me conste ter havido uma edição portuguesa em livro de “O Sinal do Zorro”, a obra mundialmente famosa de Johnston McCulley, lembro a título de curiosidade que o Diabrete, em 1949, ofereceu aos seus leitores, a partir do nº 597, uma  adaptação desse romance, com 43 capítulos recheados de magníficas ilustrações de Fernando Bento, tão fieis à imagem do mítico personagem que se gravaram fortemente na memória dos leitores.

Outra adaptação da mesma novela surgiu (bastante a propósito) na revista Zorro, durante o ano de 1964, desta vez com ilustrações a lavis de outro mestre da BD portuguesa: José Garcês.

O nosso Gato Alfarrabista tem o prazer de apresentar aos seus leitores algumas das magníficas imagens de Fernando Bento publicadas no Diabrete, com um Zorro que se distingue pela elegância e leveza de movimentos, o porte romântico e audacioso, a aura de mistério e de fascínio que o envolve, quando usa o capuz para encobrir a sua identidade — e pelo cunho verídico (no sentido de fidelidade ao ambiente e aos elementos originais) que o saudoso mestre imprimia a todas as suas criações inspiradas em figuras literárias.

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       Zorro Bento 13

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       Zorro Bento 4 e 9

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