TINTIN EM LISBOA?

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Por gentileza de um amigo, sempre atento às novidades que circulam no Facebook (sobretudo as de cariz mais inédito ou especial), partilhamos com os nossos visitantes esta capa do que pode parecer, à primeira vista, um novo álbum de Tintin — facto que, a ser verdade, geraria uma onda de entusiasmo em todo o mundo, Lisboa 2tornando-se o mais estrondoso êxito editorial desta década.

O encanto de Lisboa e o seu renome entre as cidades mais acolhedoras do nosso planeta justificam a escolha… mesmo sem disfarçar a alusão às intempéries que se têm abatido sobre a bela princesa do Tejo, com efeitos calamitosos, como as recentes inundações que (mais uma vez) atingiram várias zonas da baixa lisboeta.

Até se lê na dita capa o nome de uma editora que parece inspirado pelas cheias: Marca D’Água. O grafismo imita muito bem o estilo inconfundível de Hergé, mas o nome do mimético desenhador não é mencionado na ilustração.

Jo, Zette e JockoNesta cena surge também uma personagem oriunda de outra famosa criação de Hergé (não tão célebre como Tintin, mas bastante conhecida em Portugal). Serão capazes de identificá-la?

Posto isto — e para não aumentarmos o alvoroço que já deve reinar nalguns espíritos mais crédulos ou mais fantasistas —, leiam com atenção as primeiras linhas que escrevemos e desiludam-se… pois a sensacional “novidade” não passa de uma paródia às inundações que têm ocorrido em Lisboa (tal como em anos anteriores… o mal já vem de longe), e sobretudo numa altura em que se fala da saída de António Costa da Câmara Municipal por causa da sua candidatura a Secretário-Geral do PS. Uma “chuva” de críticas abateu-se também sobre o autarca… atribuindo-lhe culpas pelos efeitos do temporal que nem a S. Pedro tentariam assacar!

Aproveitando a deixa, sugerimos outros temas de flagrante actualidade para as próximas “aventuras” do famoso repórter, que continua bem vivo trinta e um anos após a morte do seu ilustre criador: Tintin e a Abertura das Aulas e Tintin e a Reforma da Justiça (intrigantes meandros da sociedade portuguesa, em que o nosso herói certamente encontrará bastos estímulos para a sua insaciável curiosidade e para o seu espírito dinâmico e inventivo, atraído por desafios de toda a espécie).

Então, já adivinharam o nome do outro herói juvenil que figura na ilustração que encabeça este post? Pois é verdade, trata-se sem dúvida de um dos elementos da bizarra pandilha Jo, Zette e Jocko, que em Portugal surgiu pela primeira vez, com o mesmo nome, nas páginas da revista Zorro, sucessora do Cavaleiro Andante.

Le Manitoba ne répond plus +m LÉruption du Karamako

O autor deste saboroso pastiche, cujo anonimato se perde na multidão de talentosos humoristas que pululam na Net, baseou-se num episódio dessa série intitulado “A Erupção do Karamako” (onde não faltam catástrofes naturais), publicado no Zorro entre os nºs 141 a 192 (1965-66), e mais tarde em álbum pela Verbo (1981-82), na colecção “Aventuras de Joana, João e do macaco Simão”, dedicada a esta criação de Hergé, cuja estreia se deu na revista francesa Coeurs Vaillants, em Janeiro de 1936.

Graças ao amigo que nos enviou esta curiosidade, “tintinófilo” de gema e profundo conhecedor da obra de Hergé, aqui fica também a vinheta original que serviu de inspiração à presente “capa”, com algumas diferenças subtis que tornam ainda mais curioso um (atento e estimulante) exercício comparativo.

Tintin em Lisboa - originalE viva a imaginação… até ao regresso a sério de Tintin e dos seus companheiros de aventura, já anunciado para os próximos decénios! Lá para 2052… o que nos desperta uma dúvida: já terá nascido quem os irá recriar?

CITAÇÃO DO MÊS – 5

EURICO FONSECA

História Breve da Astronáutica

“Para muitas pessoas, a Astronáutica começou no dia 4 de Outubro de 1957. A sua história é curta e quase insípida. Para outras, para aquelas que acompanharam sempre o velho sonho, a História da Astronáutica não é apenas a citação mecânica e fria de êxitos e decepções, de distâncias, velocidades, pesos e forças. É algo de belo e de épico.

Desde as lendas indianas e chinesas até aos escritores gregos, desde os homens que revolucionaram a Astronomia até aos fogueteiros de há cem anos e aos sonhadores de há meio século, há mil momentos de beleza, comédia e drama que permanecem ignorados.

(…) A História da Astronáutica não começou quando o primeiro satélite artificial entrou em órbita. É tão velha como a Humanidade. Nasceu quando os homens tiveram consciência, pela primeira vez, de que o seu espírito estava acima do dos animais… e, por isso, não se podia conter nas coisas terrenas.”

Introdução à “História Breve da Astronáutica” (Verbo, 1960)