HOMENAGEM AO “SETE DE ESPADAS”

Uma bela homenagem ao saudoso “Sete de Espadas”, nome mítico do Policiário português, inserida no jornal Público (edição do passado dia 23 de Julho), de onde a reproduzimos, com a devida vénia ao seu autor, Luís Pessoa, outra destacada figura das lides policiárias. “Sete de Espadas” faleceu em 10 de Dezembro de 2008.

Associamo-nos também a esta homenagem à sua memória, recordando com emoção os tempos felizes dos convívios do Mundo de Aventuras e do “Mistério… Policiário”, realizados mensalmente em todo o país, que relançaram a carreira do “Sete” como orientador de rubricas da especialidade (praticamente suspensas desde finais dos anos 1950), e criaram uma ponte entre gerações que ainda hoje perdura.

Dupla página de “Mistério… Policiário” publicada no “Mundo de Aventuras” nº 77, de 20/3/1975. O cabeçalho foi desenhado por Jorge Mendonça.

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NO ANIVERSÁRIO DE ROUSSADO PINTO (14/7/1926)

Ross Pinto - eu, ross pynn

Nota: A capa com que abrimos este post é de um livro quase biográfico que Frank Gold, pseudónimo de Luís Campos (outro escritor policial português), dedicou a Roussado Pinto, metendo-se na pele de um dos seus célebres heterónimos, para o encarnar como “autor, personagem e mito”, e fingindo ser o herói da sua própria história.

Kansas nº 9 (Ibis)Roussado Pinto nasceu em 14 de Julho de 1926. Se fosse ainda vivo, estaria hoje a celebrar o seu 89º aniversário. Os homens passam e as obras ficam. Por isso, cabe-nos a nós, seus leitores, admiradores e amigos, evocar essa efeméride, honrando a sua memória e o seu nome, através de uma das realidades mais marcantes da sua existência: a obra incomensurável que nos legou, como escritor, jornalista e editor (dando primazia, nesta função, às revistas para os mais jovens e à banda desenhada).

Honrar o seu nome significa inevitavelmente recordar alguns dos pseudónimos que o celebrizaram, como os de Edgar Caygill e Ross Pynn. Usou-os em muitas obras, de maior ou menor importância e simbolismo na sua carreira, não porque quisesse passar, à força, por um escritor estrangeiro, mas porque sabia, com a sua profunda intuição literária, que esses nomes possuíam uma carga onírica que não se desvaneceria com o tempo, dando-lhe assim uma espécie de passaporte para a imortalidade.Ross Pynn - 1, 2, 3

Geralmente, na literatura policial (mas não só), os pseudónimos cristalizam-se como nomes reais, definitivos, fazendo esquecer os de baptismo. É assim também no cinema e noutras artes onde florescem a imaginação, o espírito, o onirismo e a fantasia. Actores e artistas perduram e mitificam-se na pele das personagens que criaram e dos nomes que adoptaram… às vezes, como no cinema, por imposição alheia.

Quanto a Roussado Pinto, sabemos que esse fenómeno de transfiguração não “matou” a identidade do criador — antes pelo contrário, tornou-a indissociável dos seus outros nomes, fundindo-os num mesmo corpus literário, que nenhum dos seus leitores desconhece. A fama e a forte personalidade do autor operaram automaticamente (e voluntariamente) essa simbiose. Mas nem todos os seus heterónimos tiveram vida longa.

Homenageamos hoje, na data do seu aniversário (como já fizemos noutras ocasiões), a memória deste lendário e infatigável novelista popular — autêntico trabalhador da “oficina do imaginário”, que dispersou humildemente a sua veia literária por uma enorme variedade de Ross Pinto - Vasco duro 345géneros —, dando a conhecer um artigo biográfico de Raul Ribeiro, extraído de uma publicação quase esquecida: o XYZ Magazine, edição do saudoso Sete de Espadas, outro grande nome da literatura (ou melhor) da problemística policiária portuguesa.

Apresentamos também algumas capas das inúmeras obras que Roussado Pinto escreveu com os seus dois pseudónimos mais famosos e com o seu próprio nome… por vezes, num registo neo-realista, bem diferente daquele a que nos habituou, como autor de romances e antologias policiais ou de novelas de aventuras. Sem esquecer que foi também argumentista de histórias aos quadradinhos e que criou e dirigiu alguns dos títulos mais emblemáticos da BD portuguesa, como O Pluto, Titã, Flecha, ValenteZakarellaGrilo e Jornal do Cuto.

No jornalismo, a sua coroa de glória foi, sem dúvida, o Jornal do Incrível, cujos destinos dirigiu com mão de mestre até ao dia em que o coração, mais uma vez, lhe falhou. E sem esperança de retorno… apesar de ter apenas 58 anos. Partiu o homem, mas ficou a lenda que há muito começara a tomar forma. E que ainda hoje povoa o imaginário dos que leram as obras de um tal Ross Pynn — personagem que, na realidade, nunca existiu!

Ross Pinto - Artigo 1 e 2Ross Pinto - artigo 3344

Quadras e Marchas populares

“OLHA O BALÃO!”

Versos da Pal (Palmira Bruno Ferreira), uma simpática presença feminina, das mais assíduas nos convívios do Mundo de Aventuras organizados pelo saudoso Sete de Espadas (pseudónimo de Manuel José Piedade Lattas), que coordenou durante muitos anos no       MA (2ª série) a popular e concorrida rubrica “Mistério Policiário”.

XYZ magazine  440À Pal, infelizmente também já desaparecida, aqui fica esta singela homenagem, com a poesia, a musicalidade    e o ritmo das suas quadras, inspiradas por uma tradição que não morreu, nem morrerá (apesar de todas as crises!) na alma do povo alfacinha e tripeiro: os festejos dos Santos Populares.

Em memória da Pal, que conhecemos nesses calorosos convívios do Mundo de Aventuras, fomos respigar as suas saborosas quadras a uma publicação criada pelo Sete de Espadas: o Xys Magazine (para ler os versos, clicar em cima da imagem e ampliá-la com um segundo clic).

OLHA O BALÃO!  44130 anos antes, em 1952, o Cavaleiro Andante evocou também os Santos Populares com a festiva capa do nº 23, em que, rivalizando com as fogueiras e os balões dos arraiais, brilhava o esfuziante talento de Fernando Bento.

CAVALEIRO ANDANTE Nº 23Nesse número e no seguinte, a revista ofereceu aos seus leitores, em vistosas separatas, com desenhos de José Manuel Soares, o desfile das marchas lisboetas, cujos ecos alegres devem ter animado ainda mais a comemoração dos primeiros seis meses de vida do garrido semanário.

Graças a José Menezes, a quem endereçamos os nossos agradecimentos, é-nos possível apresentar neste blogue as referidas separatas do Cavaleiro Andante, que provavelmente nunca tinham sido apreciadas pela grande maioria dos nossos leitores.

Marchas 1

Marchas 2