CITAÇÃO DO MÊS – 12

SALGUEIRO MAIA (Capitão de Abril)Citação do mês - Salgueiro Maia 132

Vinheta extraída do álbum «Salgueiro Maia – O Rosto da Liberdade», com texto e desenhos de António Martins (edição da Câmara Municipal de Santarém, 1999)

A HISTÓRIA DE PORTUGAL EM BD – 12

SALGUEIRO MAIA, HERÓI DO 25 DE ABRIL

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Salgueiro Maia 2      108Reviver a epopeia do jovem capitão Salgueiro Maia, um dos verdadeiros heróis da Revolução dos Cravos, que enfrentou corajosamente as forças da ditadura muito superiores em número, comandadas por oficiais fanáticos, prontos a disparar sobre as suas tropas — vindas de Santarém para ocupar o Terreiro do Paço e sitiar os ministérios —, é como ver desfilar no fundo da memória os vultos de outros heróicos portugueses que, desde remotas eras, se engrandeceram com feitos notáveis, ao serviço da Pátria. A BD também o homenageou, no 25º aniversário do 25 de Abril, com um belo álbum ilustrado por António Martins (edição da Câmara Municipal de Santarém, 32 págs., 1999).

Se há datas históricas que importa preservar em democracia, contra todas as investidas dos que, no mundo actual, sobrepõem os interesses económicos ao espírito nacionalista e patriótico, o 25 de Abril é uma delas! E Salgueiro Maia é a expressão mais nobre dos seus ideais!

Salgueiro Maia 3 e 4

Natural de Castelo de Vide, Salgueiro Maia tinha 29 anos quando participou na revolução; com larga experiência de operações militares adquirida na guerra do Ultramar, foi um dos “conspiradores” do chamado Movimento dos Capitães, que deu origem ao MFA (Movimento das Forças Armadas). Sempre coerente com as suas posições políticas e ideológicas, não quis assumir protagonismos e remeteu-se a uma modéstia exemplar, ao contrário de alguns dos seus camaradas, durante os anos agitados dos primeiros governos constitucionais. Morreu em 1992, aos 47 anos, com o posto de tenente-coronel. Tem uma estátua e nome de rua em Santarém, tal como em Castelo de Vide, onde foi sepultado.

Infelizmente, apesar destas homenagens, a sua memória vai caindo no esquecimento, sinal de degradação dos valores democráticos que ele convictamente defendeu, na acção firme e destemida à frente do regimento da Escola Prática de Cavalaria de Santarém.

Salgueiro Maia 5 e 6

A aurora da liberdade nasceu com os heróis que pegaram em armas, com os poetas, com os músicos, com os idealistas, com o povo que encheu as ruas, saudando a queda do regime e o fim da ditadura. Embora mais pálida, ela continua a iluminar o nosso horizonte e a acalentar as nossas esperanças… Porque é preciso não desistir do 25 de Abril!

Recordamos seguidamente um poema de Manuel Alegre dedicado a Salgueiro Maia, nas páginas do álbum onde a figura do intrépido capitão de Abril foi fielmente retratada por António Martins — um excelente desenhador, que merece também a nossa homenagem, mas cuja obra em BD permanece quase desconhecida.

Salgueiro Maia 7 e 8