GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 7

ROB THE ROVER (de Walter Booth)

editado em inglês por José Pires.

O Fandaventuras começa a voar mais alto!

Centret Poster

Em Janeiro tínhamos prometido dar-vos, a breve prazo, mais novidades sobre os próximos lançamentos desta fantástica série que José Pires está a reeditar, com impressionante regularidade e grande sucesso, no Fandaventuras Especial. Ora acontece que no final do mês de Março (re)apareceu o primeiro tomo, numa versão em inglês destinada aos países nórdicos, onde a criação de Walter Booth se tornou imensamente popular, tal como aconteceu entre nós, nas décadas de 30 e 40 do século passado, graças ao Tic-Tac e ao Mosquito, que a baptizaram com o apelativo título de “Pelo Mundo Fora”.
1941-28Tendo entrado em contacto, por via de um blogue português muito conhecido (o Bandas Desenhadas), com dois bedéfilos escandinavos, fervorosos admiradores de Rob the Rover — que nos seus países se chamou Willy paa Eventyr —, José Pires, perante o entusiasmo desses correspondentes, que logo espalharam a nova da edição portuguesa pela blogosfera, conquis- tando um largo número de aderentes na Noruega, Suécia e Dinamarca, resolveu, como íamos dizendo, aproveitar esta oportunidade para concretizar um projecto ainda mais ambicioso: o de fazer também uma edição com textos em inglês, de modo a tornar a leitura do Fandaventuras mais acessível aos assi- nantes de outros países europeus, des- conhecedores do nosso idioma.
Com a sua habitual e inesgotável capacidade de trabalho (rapidez e perfeição é o seu lema), o nosso velho amigo não perdeu tempo a passar das intenções aos actos e, como anunciámos, o primeiro volume da saga do Flying Fish (nome que n’O Mosquito foi traduzido para Submarplano) já está disponível, no mesmo formato, ao mesmo preço (10 euros) e com a mesma qualidade dos anteriores.

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Mas agora numa tiragem especial com todos os textos em inglês (mais fiel, portanto, à versão do Puck), destinada a um público muito mais heterogéneo, que decerto a acolherá com o mesmo esfuziante entusiasmo já manifestado pelos leitores portugueses. E não duvidamos de que, mesmo entre estes, haverá também alguns “puristas” interessados em seguir as aventuras de Rob the Rover na sua matriz original.

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Sunbeam747[2]Estreada em 15 de Maio de 1920 nas páginas do Puck, esta longa e fascinante série de aventuras foi a primeira em estilo realista dada à estampa em todo o mundo, mas o seu lugar pioneiro na história da BD está longe de ser reconhecido por todos os especialistas, quer por ignorância quer por subserviência aos modelos e aos autores norte-americanos. A falta de papel que, durante a guerra, afectou drasticamente a actividade da imprensa britânica, foi a principal responsável pelo cancelamento do Puck e do seu congénere Sunbeam, onde as aventuras de Rob the Rover viram abruptamente interrompido um novo capítulo, dei- xando inconsoláveis milhares de admiradores do juvenil herói, que assim terminou, na obscuridade, uma longa e movimentada carreira. Excepto nos países escandinavos, onde com o nome de Willy, como já referimos, prosseguiu, pela mão de outros desenhadores — que lhe deram um cunho gráfico diferente do de Walter Booth —, as suas peripécias de globetrotter, num mundo em que muitas transformações vinham já a caminho.

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Por amabilidade de José Pires, a quem agradecemos todas as informações e documentos que nos tem fornecido sobre a sua actividade de faneditor, aqui ficam mais duas capas desta edição verdadeiramente “Special” do seu cada vez mais apreciado Fandaventuras — que agora irá transpor, num largo voo como o do maravilhoso Submarplano, a fronteira do país onde chegou pela primeira vez às mãos do público.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 6

Depois da “Saga do Submarplano”, novos episódios de ROB THE ROVER (por Walter Booth)

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Pois o Rob the Rover está a ir na maior. Estou a encaixar tudo de maneira que a série, embora com as partes saindo separadamente, seja numerada por ordem cronológica. Um pouco como a Guerra das Estrelas, cujo primeiro episódio a aparecer foi o terceiro!

Com o arranjar das imagens (são “apenas” umas dez mil e trezentas!), fui descobrindo coisas muito interessantes que corroboram a opinião que eu já formara. O Booth não devia desenhar a história à página, mas em tiras de três vinhetas. E não devia trabalhar “em cima da hora”, com a rotativa à espera que ele mandasse os originais, mas com bastante antecedência, pois detectei que o Puck chegou a publicar algumas páginas fora de ordem, com páginas posteriores a serem publicadas antes, o que causou algum embaraço, pois, à maneira do Raul Correia, também nos textos se procura “emendar” o disparate. Não creio que mais ninguém tivesse dado pelo engano, mas um tipo que é também autor facilmente detecta enganos deste género. Enfim… A nossa versão até nisso é inovadora: escreve direito por linhas tortas!”

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Isto dizia-nos José Pires, num e-mail que nos enviou há cerca de um mês, completando as informações sobre as novas séries, que já tem em fase adiantada de preparação, da monumental saga Rob The Rover, a obra-prima de Walter Booth e um marco da BD de aventuras em estilo realista, estreada na revista inglesa Puck em 15/5/1920. Graças ao enorme êxito que obteve, a sua publicação prolongou-se por 20 anos, até as restrições impostas pela 2ª Guerra Mundial ditarem o cancelamento do Puck e o inglório fim da série, que apenas sobreviveu durante mais duas semanas nas páginas do Sunbeam.

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Para aguçar o “apetite” dos apreciadores desta magnífica saga, publicada em vários continentes e que os leitores daquele tempo jamais esqueceram — particularmente os jovens portugueses que a descobriram nas páginas d’O Carlitos, do Tic-Tac e d’O Mosquito —, mostramos (em ante-estreia) uma selecção de capas da 1ª parte, intitulada “As Origens” (3 volumes), e da última: “Pelo Mundo Fora” (11 volumes).

Mais um magnífico exemplo da arte de Walter Booth, harmoniosa e perfeita em todos os pormenores, realçada nestas imagens pelas cores que José Pires lhes aplicou com a ajuda do Photoshop… tarefa em que, aliás, já se revelou um verdadeiro mestre!

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 5

Depois da Saga do Submarplano, atenção às Viagens & Aventuras de ROB THE ROVER (por Walter Booth)

Em primeiro lugar, uma boa notícia: já está disponível o 2º volume da série do Submarplano (cuja capa voltamos a reproduzir), numa edição de José Pires, que os interessados poderão obter contactando-o pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt

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Posto isto, vamos a outras (excelentes) novidades… Nas mensagens que temos trocado com José Pires — nosso amigo de longa data e companheiro de muitas tertúlias, trabalhos e peripécias memoráveis —, ele deu-nos nota dos seus próximos e ambiciosos projectos editoriais, relativamente à continuação da magnífica série Rob the Rover, realizada pelo mestre Walter Booth nos tempos heróicos da BD inglesa, de que foi um dos maiores (e mais injustamente ignorados) pioneiros.

Transcrevemos com prazer os comentários de José Pires — nessa informal troca de opiniões por e-mail — e apresentamos algumas das curiosidades que ele já nos enviou, referentes aos novos fascículos que tem em preparação e que, juntamente com a longa e magistral Saga do Submarplano — para muitos leitores bem informados, o ponto mais alto desta fabulosa série —, irão constituir um extenso conjunto de 26 volumes, formando a mais completa, extraordinária e condigna reedição que se produziu até hoje, em todo o mundo, de um dos maiores marcos da BD de aventuras em estilo realista.

Aos leitores interessados nestas novas séries lembramos que, tal como os anteriores volumes das três maiores criações de Walter Booth A Saga do Submarplano, O Capitão Meia-Noite e O Gavião dos Mares —, estes terão tiragens limitadas, prevendo-se, por isso, que se esgotem também rapidamente.

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1)  JP Estou a digitalizar o princípio do Rob the Rover, que como sabes começou a ser feito noutros moldes muito diferentes da forma como depois a série se desenvolveu e prolongou.
Nesta fase, as histórias eram muito moralistas, cândidas, previsíveis e incipientes, com episódios que começavam e acabavam na mesma página semanal, muito bom para tenras criancinhas que havia que educar, mas, coisa que temo, vá aborrecer e desinteressar os actuais entusiastas, porque isto nunca fez parte do seu imaginário.

Que me dizes de atacarmos já o período das viagens e aventuras “around the world”, com os trepidantes episódios “à suivre”, deixando estes “tempos heróicos” para uma terceira parte sobre as origens da saga?  Não se perde nada com isto e só ajuda a encontrar a fidelização indispensável nestas coisas, não te parece? Isto é uma visão de puro marketing, que nada tem a ver com “razões lógicas”, mas comerciais, bem entendido.

Se já pouca malta se lembra d’O Mosquito — e nós, então, nem assistimos à 1ª série… eu só vi O Mosquito pessoalmente em fins de 1940, quando o meu tio Henrique veio de Elvas para junto de nós e mo mostrou —, d’O Carlitos, onde a 1ª página, de 15/5/1920, foi publicada [imagens seguintes], então não deve haver ninguém vivo ou capaz de se recordar disto, julgo eu.

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2)  JP Imagina que no lançamento do Rob, em meados de 1920, já havia mãozinhas estranhas a “mexer” na série. Nessa altura, o Booth ainda não devia ter um plano a longo prazo para a série, pois vê-se que a linha de guiões é muito titubeante, cheia de hesitações. E aquela tua dica de que teria sido esta a primeira HQ realizada em moldes realistas, faz todo o sentido, porque no rodapé da página do Puck aparece uma linha que diz: “Please tell to your friends about this fine cinema serial” (mais evidente é difícil!). E o pior é que este estilo narrativo (episódios semanais de página única) se prolonga — segundo o material que me forneceu o Américo Coelho — por mais de dois anos! Quase seis álbuns dos nossos, o que é excessivo, acho eu.

Esta fase só deveria aparecer quando os coleccionadores tivessem o Submarplano e as viagens e aventuras (Pelo Mundo Fora) completas. Então, sim, o pessoal já estaria preparado e “apto” para adquirir também “as origens” da série.

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O Booth tinha uma tendência natural para começar as suas narrativas com crianças a flutuar em jangadas, porque já “Os Órfãos do Mar”, também começam assim! Mas estes ainda estavam em pleno mar das Caraíbas, no Spanish Main dos fins do séc. XVI! Agora o Rob, perto da costa inglesa e a falar inglês, devia ser oriundo de um navio naufragado nas imediações. Seria facílimo descobrir a identidade dele, porque do “Titanic” não poderia ter vindo, pois o seu afundamento verificou-se oito anos antes.

Agora percebo melhor a razão porque no Uruguai a história se chamava “O Filho Adoptivo”, como me relatou um colega meu, daquela nacionalidade, lá na Publicis, nos anos 90.

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3)  JPAqui te envio mais um cabeçalho que eu não sabia que existia. É mesmo muito bonito, não achas? Marca precisamente a página onde o Booth, de repente, muda de páginas de doze vinhetas para apenas nove, maiores e mais altas. Isto obrigou-me a modificações de paginação inesperadas e radicais, a meio do percurso!

Enfim, paciência, não há remédio senão aceitar as coisas como elas são. Tive de adoptar o esquema que utilizei n’O Gavião dos Mares, onde a paginação era semelhante. Só que aqui, como o cabeçalho é consideravelmente mais alto, tive de bolar um novo esquema, incluindo também o rodapé.Pag-3- PT

Mais te informo que o Rob the Rover teve cinco cabeçalhos ilustrados (além de outros onde há só letras e “headlines”) e dois rodapés diferentes — giro para mostrares lá no teu blogue, não é verdade? Pois! Já estou a digitalizar o ano de 1931, imagina, e o Booth muda outra vez de cabeçalho e rodapé!

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4)  JP Cada vez me rendo mais ao virtuosismo do Homem, caramba! Era um génio, digo-te eu! Graças às maravilhas do Photoshop, posso remediar todos os estragos que me surgem nas vinhetas (bastantes, infelizmente), porque no Puck estão mal impressas ou lhes faltam pedaços, como nas próprias fotocópias, onde as vinhetas surgem por vezes distorcidas ou onduladas, e também lhes faltam pedaços! Uma neura, digo-te eu! Mas com a minha experiência, mais as habilidades quase inesgotáveis da máquina, consigo ultrapassar obstáculos que os rapazes dos anos 50/60 nem sequer se atreveriam a enfrentar!

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5)  JP Estou quase a acabar a digitalização do Rob the Rover e hoje trouxe do Coelho os últimos dois anos do Puck, até ao começo do Submarplano. Agora tenho de organizar a colecção, que será dividida em três partes: “As origens” (3 volumes), “Viagens e Aventuras” (6 volumes) e “Pelo Mundo Fora” (11 volumes). Com os seis do Submarplano, a colecção do Rob the Rover terá 26 volumes na totalidade. Mais ninguém no mundo deu tanta importância ao Walter Booth!

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Em breve vos daremos mais novidades sobre estas nostálgicas (e colossais) edições que José Pires tenciona levar a cabo num futuro próximo, com grande entusiasmo e a impressionante regularidade a que já nos habituou.

GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 4

ROB THE ROVER – A Saga do Submarplano (por Walter Booth)

Pelo Mundo Fora127Finda a publicação das trepidantes aventuras do Capitão Meia-Noite (obra completa em quatro volumes), José Pires, incansável na sua actividade de faneditor, tem já em preparação a famosa saga do Submarplano (também oriunda do Puck), um longo ciclo de aventuras de Rob the Rover, o mais carismático herói d’O Mosquito e da BD inglesa no segundo quartel do século passado, com o cunho inédito de se tratar de uma história com alguns ingredientes de espionagem, em que Rob, o Dr. Seymour (inventor do maravilhoso Submarplano, o primeiro avião submersível da História) e os seus dois inseparáveis companheiros, Mabel e o velho Dan, enfrentam a tenaz perseguição de um bando de implacáveis espiões, dotados de poderosos recursos tecnológicos, que tentam apoderar-se do Submarplano a todo o custo. Mais uma vez, Walter Booth faz gala do seu espírito criativo, como um émulo de Júlio Verne, antecipando-se aos progressos da aviação e dos meios bélicos (em vésperas da 2ª Guerra Mundial), e até ao mais mediático invento do século XX: a televisão.

Outra magnífica obra do genial mestre inglês, precursor mundial da BD de aventuras em estilo realista, que nenhum dos seus admiradores portugueses deve deixar de (re)ler — até porque também ficou incompleta n’O Mosquito —, e cuja extensão muito acima da média obrigou José Pires a dividi-la em seis volumes do Fandaventuras Especial.

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Eis, em “ante-estreia”, as respectivas capas, com cenas panorâmicas de grande impacto visual e gráfico, que espelham todo o talento de Walter Booth, o seu sentido da composição, da perspectiva, das proporções, o seu apuro documental, a variedade geográfica e o dinamismo que introduzia em cada vinheta e em cada página.

Façam desde já as vossas reservas, porque a tiragem será limitada. O 1º tomo tem lançamento previsto durante o Amadora BD 2013, que se inicia este fim-de-semana, decorrendo até ao próximo dia 10 de Novembro.

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