CITAÇÃO DO MÊS – 15

J. ROBERT OPPENHEIMER

Robert Oppenheimer 2

 “Man is a creature whose substance is faith. What his faith is, he is”.

“O homem é uma criatura cuja essência é a fé. A sua fé determina a sua própria identidade”.

 

FIGURAS E FACTOS QUE MUDARAM O MUNDO – 7

Portrai

Adventures inside the Atom - 0Em 1948, a General Electric, uma das mais importantes companhias norte-americanas na área da indústria, produziu, por intermédio da sua filiada General Comics, um pequeno comic book de 16 páginas, intitulado Adventures Inside the Atom, onde se narrava a história da energia atómica (“o maior segredo da Natureza” descoberto pelo homem), no decurso das várias fases da sua pesquisa científica. O nascimento do “Projecto Manhattan” também era referido, como mostra uma das páginas que a seguir apresentamos. Infelizmente, não conseguimos descobrir o nome dos autores da história.

Em estilo ameno, sem desligar o conhecimento teórico da informação prática, visto que se des- tinava a um público jovem cuja leitura preferida eram as aventuras dos super-heróis, este comic book relatava a visita de um adolescente e do seu companheiro adulto, que lhe servia de cicerone, a uma grande exposição de Ciência repleta de curiosidades sobre a energia atómica e a Física Nuclear, cujas radiosas promessas de progresso pareciam concretizáveis num futuro próximo.

Johnny, o deslumbrado herói juvenil desta “aventura”, ficava assim a conhecer, graças à erudição do seu interlocutor, todos os passos dados pelo homem para descobrir os mistérios do átomo, desde que essa ideia germinara pela primeira vez, como uma centelha luminosa e mágica, no cérebro de alguns cientistas e filósofos da Antiguidade.

Adventures inside the Atom - 1 e 3Adventures inside the Atom - 4 e 5

Cartaz anti-JapãoÉ claro que um dos propósitos deste comic book, integrado numa aliciante série didáctica que a General Comics intitulou Adventure Series, era o de convencer a opinião pública americana, em cuja memória ainda estavam latentes o horror e a violência do último conflito mundial — embora o seu território, com excepção de Pearl Harbour, não tivesse sido directamente atingido —, de que o fabrico de uma arma de destruição maciça como a bomba atómica fora uma consequência da guerra, não um fim em si mesmo.

Além disso, sem o “Projecto Manhattan” (coordenado por Robert Oppenheimer, desde 1942, na base secreta de Oak Ridge), os Estados Unidos não teriam quebrado a resistência do Império do Japão, a não ser à custa de mais sacrifícios, nem teriam podido desenvolver os seus programas nucleares com objectivos mais pacíficos. O que, no fundo, era verdade…

Adventures inside the Atom - 6 e 7Adventures inside the Atom - 10 e 11

Bomba atómica NagasakiMas os milhares de vítimas de Hiroshima e Nagasaki, na sua maioria pertencentes à indefesa população civil, continuarão para sempre a recordar à Humanidade um dos actos mais terríficos (talvez até inútil, se outras opções menos agressivas tivessem sido escolhidas) da Segunda Guerra Mundial, perpetrado no limiar da era atómica.

Pelo menos, o segundo bombardeamento, sobre Nagasaki, poderia ter sido evitado, poupando a cidade e os seus 240 mil habitantes, pois mili- tarmente os japoneses já estavam muito enfra- quecidos. Isso mesmo afirmaram Oppenheimer e outros cientistas do “Projecto Manhattan”, indignados com a decisão, ao Secretário de Estado da Defesa Henry Stimson. Mas já era demasiado tarde…

Três anos depois, a mensagem redentora de confiança no futuro da energia atómica e nos benefícios da sua utilização pacífica — como os que  retrata, de forma às vezes fantasista, este comic book — começava a desanuviar os temores da população mundial, projectan- do-se sobre os escombros da guerra e os novos pactos estabelecidos entre as nações. Quando a sombra da “Cortina de Ferro” ainda não era uma ameaça…

Adventures inside the Atom - 12 e 13Adventures inside the Atom - 14 e 15

FIGURAS E FACTOS QUE MUDARAM O MUNDO – 6

PortraiHiroshima após o bombardeamentoEm 6 de Agosto de 1945 deflagrou a primeira bomba atómica em território japonês, devastando por completo a cidade de Hiroshima, com cerca de 250.000 habitantes. Metade da população não sobreviveu. Três dias depois, caiu outra bomba em Nagasaki e os trágicos efeitos destes ataques, com um engenho desconhecido e terrivelmente mortífero, forçaram o governo japonês a aceitar a rendição incondicional imposta pelos Aliados.

Assim terminou o último e catastrófico capítulo da Segunda Guerra Mundial, que na Europa já tivera o seu epílogo em Maio desse ano, depois da queda de Berlim e da morte de Hitler. A terrível hecatombe que, entre 1939-45, ceifou 60 milhões de vidas e deixou um rasto de destruição em muitos países europeus e asiáticos, culminou num acontecimento sem precedentes, cujo impacto decisivo no desfecho da guerra ainda não fazia prever todas as suas fatídicas consequências para o futuro da humanidade… se esta continuar na mesma senda.

Robert Oppenheimer 2O ambiente entre os responsáveis do “Projecto Manhattan” — criado em 1942 pelo Presidente Franklin D. Roosevelt, para intensificar as pesquisas nucleares dos Estados Unidos — foi até de euforia, após o êxito da primeira experiência com a bomba atómica, realizada no deserto de Alamogordo (Novo México), em 16 de Julho de 1945. O protótipo, chamado simplesmente Gadget, tinha 4,25 metros de comprimento, 1,5 metros de diâmetro e pesava quatro toneladas e meia, mas o seu “coração” de plutónio representava apenas 0,5 por cento do peso total.

A bomba de urânio que arrasou Hiroshima não chegou a ser testada, tal era a confiança que os cientistas depositavam no seu trabalho e no êxito da operação, chefiada pelo coronel Paul Tibbets, piloto do bombardeiro B-29, com o nome de Enola Gay, onde a bomba foi transportada, desde a base de Tinian, nas ilhas Marianas.

Einstein e OppenheimerSomente dois homens, dois cientistas de renome, Albert Einstein — que, anos antes, alertara o Presidente Roosevelt para o perigo de serem os nazis os primeiros a dispor de uma bomba atómica —, e J. Robert Oppenheimer, que dirigia o “Projecto Manhattan”, encararam com alguma apreensão o destino dessa nova arma nas mãos dos políticos e dos militares. Einstein chegou a declarar, mais tarde, que se soubesse que os alemães não seriam capazes de produzir a bomba atómica, “não teria levantado um dedo”.

Albert Einstein quote

Oppenheimer (Now, I am become Death, the destroyer of worlds)Ficaram também para a História as palavras de Oppenheimer, citando uma passagem do poema épico indiano Bhagavad-Gita, quando quis expressar a emoção que sentira ao assistir à explosão de Alamogordo: “Se o fulgor de mil sóis iluminasse o firmamento, veríamos algo semelhante à imagem esplendorosa do Omnipotente”.

E mencionou ainda outro versículo do mesmo livro (o preferido de Gandhi) ao referir-se polemicamente aos perigos da era atómica que ele próprio ajudara a nascer: “Agora, transformei-me na morte… a destruidora de mundos”. A sua gradual e firme oposição, no pós-guerra, ao emprego de armas nucleares acarretou-lhe vários dissabores, entre eles o de ter sido obrigado a comparecer numa comissão de inquérito, em plena era McCarthy, e de ficar na “lista negra” do FBI, que o considerava um “perigoso” membro da esquerda comunista.Corriere dei Ragazzi 8 (1976)

Foi a história do “Projecto Manhattan” — desde a sua criação até ao lançamento da primeira bomba atómica sobre Hiroshima — que dois notáveis autores italianos, então ainda em início de carreira, Milo Manara e Mino Milani, reviveram num episódio da série La Parolla alla Giuria (à qual já nos referimos, a propósito do General Custer e da derrota do 7º de Cavalaria na batalha de Little Big Horn), episódio esse publicado na revista Corriere dei Ragazzi nº 8 (22-2-1976) e reproduzido parcialmente no Mundo de Aventuras nº 423, 2ª série (19-11-1981).

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