O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 4

Presépio Cavaleiro Andante 1954

O sedutor grafismo de um Artista ímpar, à base de harmonia, encanto, expressividade, requinte, fantasia (mesmo quando de inspiração mais clássica), avulta em todas as composições natalícias de Fernando Bento, autor de uma das mais belas capas do Cavaleiro Andante, em que a estrela do Presépio parece refulgir no seio de um coração de cristal. Ou melhor dizendo, de papel!…

Com o nº 156 e data de 25 de Dezembro de 1954, esta edição do Cavaleiro Andante foi uma das prendas que Adolfo Simões Müller e a E.N.P. (Empresa Nacional de Publicidade) colocaram generosamente (isto é, por poucas dezenas de escudos) nos sapatinhos de milhares de jovens portugueses.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 3

Presépio O Mosquito 1952

Prestes a despedir-se dos seus leitores — que desertavam, cada vez em maior número, para outras e mais aliciantes companhias —, O Mosquito não deixou de evocar, em 1952, a data mais festiva do ano (como já fizera tantas vezes), recorrendo novamente aos préstimos do seu melhor colaborador, Eduardo Teixeira Coelho, que ilustrou a capa do nº 1404 com a clássica e estilizada elegância do seu traço.

Nem mesmo as figuras do burrico e do campino, pitoresco pormenor do cabeçalho (cujo estilo vivo e alegre revela outra faceta da veia artística de E. T. Coelho), parecem destoar nesta poética, singela e tradicional visão do Presépio.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 2

Presépio Mundo de Aventuras 1950

O tema do Presépio inspirou a Vítor Péon esta ilustração para a capa d’O Mundo de Aventuras nº 71 (Especial de Natal), saído em 21/12/1950, e que eu, então com 12 anos, me lembro de ter aguardado com grande expectativa. Foi mesmo uma das minhas melhores prendas natalícias desse ano. O Cavaleiro Andante ainda não existia e tanto O Mosquito como o Diabrete, apesar de todas as tentativas de renovação, já davam alguns sinais de declínio, perante a concorrência cada vez mais forte do seu novo rival.

Embora também gostasse d’O Mundo de Aventuras, eu mantinha-me nas fileiras dos dois jornais que me tinham ensinado a ler. Estive com ambos até ao fim, como outros leitores fiéis que recordavam glórias passadas…

Pois aqui temos uma das mais clássicas representações do Presépio, na arte barroca de um autor de histórias aos quadradinhos… inspirado pelo “modernismo” da escola americana. Esse paradoxo dominou sempre a carreira de Péon.

O PRESÉPIO NAS CAPAS DE NATAL – 1

Presépio Diabrete 1951

Nos números natalícios das revistas infanto-juvenis portuguesas dos anos 50, o Presépio foi sempre um dos principais temas de capa. Desde as imagens mais tradicionalistas às mais pitorescas e de cunho mais original, pelo traço de grandes ilustradores como E. T. Coelho, Fernando Bento, Vítor Péon, Marcello de Morais e outros, iremos apresentar uma curta galeria de capas de Natal, cuja beleza artística teve certamente o condão de cativar os olhos e o espírito de muitos rapazes e raparigas que liam assiduamente O Mosquito, o Diabrete, o Mundo de Aventuras, o Cavaleiro Andante e outras revistas dessa época.

Aqui têm, com as luzes do Presépio a iluminar a noite santa onde brilha a estrela de Belém, o primeiro desses “tesouros natalícios”: uma capa ilustrada por Fernando Bento para o número duplo com que o Diabrete celebrou o seu último Natal na companhia dos jovens portugueses (#885-886, de 22/12/1951).

Sempre que abordou temas de Natal (e fê-lo muitas vezes), a magia artística de Fernando Bento deu provas de invulgar fulgor criativo.