O FOGUETÃO E OS OVOS DA PÁSCOA DE HERGÉ

Todos os anos, pelo Natal e pela Páscoa, os jovens leitores da revista Tintin, “dos 7 aos 77”, aguardavam (certamente cheios de curiosidade) que o seu autor preferido, isto é, Georges Rémi (vulgo Hergé), os brindasse com mais uma capa alusiva a essas quadras festivas… pois as suas ilustrações tinham sempre algo de especial.

Já se tinha tornado uma tradição que Hergé (auxiliado pelos seus colaboradores, com destaque para Bob de Moor, o que melhor imitava o seu estilo) realizasse essas capas com a mesma inspiração com que idealizava as aventuras de um jovem repórter chamado Tintin, cuja fama se estendia a todo o mundo, sobretudo depois de ter dado mais um passo a caminho da imortalidade, preparando-se para viajar até à Lua.

Corria o ano de 1952 e na mente e nos planos dos cientistas essa viagem não passava ainda de um sonho difícil de concretizar nos anos mais próximos. Mas Tintin e os seus amigos não tardariam a ser os primeiros astronautas a pisar a Lua, graças à imaginação, ao talento e à audácia de um autor para quem o futuro (até mesmo esse futuro ainda tão distante) não tinha segredos nem encerrava impossíveis!

Assim, o supersónico foguetão (hoje um dos objectos mais célebres do Museu Hergé, em Bruxelas) onde os seus heróis viajaram ao encontro do misterioso satélite, foi a imagem escolhida, como metáfora de um sonho que nada impediria de se tornar realidade, para que os “ovos da Páscoa” de 1952 parecessem ainda mais deliciosos e a revista Tintin (que já ia no 7º ano de existência) continuasse a surpreender e a encantar os seus leitores!

O OVO DA PÁSCOA DE HERGÉ!

Como já mostrámos algumas vezes, o Tintin belga escolhia sempre um dos seus melhores desenhadores (neste caso, o mais apto de todos, ou seja, Hergé) para assinalar a Páscoa e outras quadras festivas, cumprindo uma tradição fortemente enraizada, nessa época, em muitas revistas infanto-juvenis. Portugal seguiu-lhe o exemplo, mas nenhum desenhador abordou o tema de forma tão singela e espontânea e, ao mesmo tempo, tão inspirada, como Fernando Bento no Diabrete, durante anos a fio.

Esta capa do mestre belga, cuja assinatura já chamava a atenção dos coleccionadores, graças à popularidade do seu maior herói — que vivia, nesse interim, peripécias de grande emoção numa aventura desenrolada em terras do “Ouro Negro” —, assinala a Páscoa de 1949, e também o 4º ano de publicação do triunfante semanário Tintin, nascido em 26 de Setembro de 1946, como resultado do feliz encontro de Hergé, seu futuro director artístico, com o arguto e dinâmico editor Raymond Leblanc.

Encontro que envolveu outras novelescas peripécias, alguns sobressaltos, por causa das acusações de colaboracionismo que pendiam sobre Hergé (exageradas, aliás), mas tudo acabou em bem. O futuro veio dar razão a Raymond Leblanc… Quem quiser adquirir estes antigos exemplares do Tintin nos alfarrabistas ou na eBay, terá de desembolsar algumas dezenas de euros… só por causa da valiosa assinatura de Hergé!   

 

PÁSCOA FELIZ!

Cav Andante 538 - PáscoaMais uma magnífica ilustração de Fernando Bento, cujo tema evocativo da quadra pascal, aliando harmoniosamente o sagrado e o profano, surge em destaque na capa do Cavaleiro Andante, revista que proporcionou ao talentoso Mestre alguns dos momentos mais inspirados da sua longa e memorável carreira como artista figurativo.

Esta bela capa do popular semanário (uma das últimas com o estilizado traço de Fernando Bento) corresponde ao nº 538, de 21/4/1962, e ao recordá-la queremos também expressar os nossos votos de Feliz Páscoa a todos os que seguem este blogue.