JOSÉ BAPTISTA (JOBAT)

RETROSPECTIVA – 4

Jobat MA 453Prosseguindo esta homenagem à memória do nosso saudoso amigo e grande artista José Baptista (Jobat), recentemente falecido, apresentamos a 2ª e última parte da história “Um Caso de Contrabando”, publicada no Mundo de Aventuras nºs 452 a 461 (1958), com um dinâmico repórter detective chamado Luís Vilar, cuja apresentação já aqui foi feita.

Sobre este episódio, transcrevemos também alguns comentários do próprio Jobat, vindos a lume na rubrica “9ª Arte” do jornal O Louletano, onde Luís Vilar reviveu as suas aventuras, depois de muita insistência minha.

Nessas notas bibliográficas e de cunho nostálgico — apesar das reticências com que satisfez o meu pedido —, Jobat recordou pormenores curiosos de “Um Caso de Contrabando”, cuja acção tinha situado nas paragens algarvias onde nasceu.

Louletano - Páginas Esquecidas 2Aqui têm o resto desse texto, com o título Páginas Esquecidas, cheio de referências que poderão contextualizar analisando as imagens respectivas.

«Na última página, a décima, na 3a e 4a vinhetas, as    refe­rências estão mais defini­das, embora na 3a vinheta de forma sub­til, ofuscada pela sombra: o finalizar das palavras “Olaria Ve­lhote”, com um trabalha­dor, de pá     nas mãos, a alimentar um forno incandescente, por detrás do “João Carlos”, em 1o plano à esquerda. A 4a vinheta dessa página é porven­tura a mais explícita, em termos de referências: em plano, a casa da D. Adelaide, bastante conhecida – e frequentada – por muito boa gente de Loulé, com o respectivo poial junto à porta, e as escadinhas, à direita, que levam à Igreja Matriz. Um     per­sonagem típico, característico dessa época, anima o lado direito da mesma vinheta: quem de Loulé não conhecia o “Zé Cuco”?

É óbvio que as referências aqui assinaladas passaram     des­percebidas ao comum dos leitores, mesmo aos de Loulé. Aliás, o objectivo de as inserir foi alcançado: estarem lá sem que dessem por isso. Porém… foi um segredo que quis hoje partilhar com os meus leitores, muito em especial com os louletanos desse tempo… e, como é lógico, também com os mais jovens. Boa leitura».

Apesar da sua curta existência, Luís Vilar não deixou de fazer boa figura ao lado dos outros heróis do Mundo de Aventuras, na sua maioria de origem americana. Tal como José Baptista, esperamos que os leitores de hoje também o apreciem.

Para voltar a ver a 1ª parte, clique aqui

Jobat - Luis Vilar 6+7Jobat - Luis Vilar 8+9Jobat - Luis Vilar 10+capa

JOSÉ BAPTISTA (JOBAT)

RETROSPECTIVA – 3

Na terceira parte desta retrospectiva dedicada à memória e à obra do nosso querido            amigo José Baptista (Jobat), apresentamos o segundo e último episódio da sua única série policial, publicado no Mundo de Aventuras nos 452 a 461, entre 17/4 e 19/6/1958.

Jobat - 9ª Arte - Anuncio P&B452Como frisámos anteriormente, Luís Vilar, o audaz protagonista desta aventura, em que procura deslindar “Um Caso de Contrabando”, tem agora outra ocupação profissional, passando de detective a repórter jornalístico e fazendo do seu novo papel um meio eficaz para combater o crime, sem recorrer a armas de fogo, como no caso anterior, “O Fim da Quadrilha”, mas voltando a fazer bom uso dos punhos. A completa reviravolta na identidade deste curioso personagem (com uma profissão pouco comum no historial da BD portuguesa) não chegou a ser explicada por José Baptista nas notas que escreveu sobre os cenários reais onde localizou esse episódio — a cidade algarvia de Loulé, de onde era oriundo —, quando se decidiu também a reeditá-lo na rubrica “9ª Arte”, que criou no jornal O Louletano (entretanto, já desaparecido).

Divulgamos hoje um excerto do seu artigo, juntamente com as primeiras páginas de “Um Caso de Contrabando”, tal como saíram (a cores) no Mundo de Aventuras, visto o episódio (retocado em parte por Jobat) ter ficado incompleto n’O Louletano, cujo último número apareceu nas bancas em 27/7/2012.

Jobat - 9ª Arte - Páginas esquecidas451«O tempo, esse imperceptível eterno presente, fugaz e volátil como o fumo que se evola de distraído cigarro entre os dedos, passa rápido, invisível e sorrateiro sobre os nossos sonhos, ale­grias e tristezas, inclusive sobre aquilo que profissionalmente produzimos, de tal maneira o ocultando sob a patine do passado que muito do que fizemos quase o ignoramos ou esquecemos. Esta pseudo introspecção filosófica — se sem pretensões assim a podemos classificar —, surge a propósito da série que hoje damos à estampa, nesta página e rubrica: uma velhinha BD, com o per­sonagem Luís Vilar, de minha autoria, publicada no já longínquo ano de 1958 na revista juvenil “Mundo de Aventuras”.

É relutantemente que a publico, tal como o anterior episódio, há semanas atrás, por insistência do velho amigo e colaborador Jorge Magalhães, e isto por razões várias, a primeira das quais, por eu ser o coordenador desta página e poder parecer pretensão minha dar primazia aos meus trabalhos, o que de todo não corresponde ao meu intento; depois, pela antiguidade e ingenuidade da série, tanto na trama como na execução, aceitável nessa época, na tentativa de criar um personagem, algo a que todos os ilustradores aspiram, mas que ficou pelos dois episódios publicados. Só a argumentação desse querido amigo, justa quanto baste, me demoveu da intenção de não a publicar.

Ao analisar a época, ambiente e recordações interligadas com a feitura desta BD, ressaltam elementos curiosos, quiçá biográficos, nunca antes relatados, que é útil referir para que não fiquem de todo no esquecimento. O meu amor atávico pela terra madrasta onde nasci, está indelevelmente manifestado, subtilmente oculto, nalgumas vinhetas desta história.

Jobat - Luis Vilar anúncio 444Não será por acaso — para quem atento acompanhar o seu desenrolar — o local de destino escolhido pelo jornalista na gare da Estação de Sul e Sueste, nessa altura o ponto de embarque rumo ao Algarve, para iniciar a sua investigação, inserido na última vinheta da página 2. Nem tão pouco o encontro com alguém, neste caso um fortuito “João Carlos” — que não poderia, por óbvios motivos, chamar-se José Batista —, também com destino a Loulé (1a vinheta da pág. 3), bem como a frase dita quando salta para o barco (vinheta 5 da mesma página). Ainda hoje conservo esse rolo, bom para transporte de originais, como recordação — não sei se dessa história, se desse tempo… ou de mim.

Era comum, nessa altura, alguns amantes da pesca estarem de cana em riste no cais de embarque (vinheta 6). Na pág. 5 (3a vinheta da 2a tira), há uma referência desgarrada a um “Tista”, diminutivo que comummente utilizavam, referindo-se a mim, e na 1a vinheta da 3a tira, uma chaminé rústica caracte­riza genericamente o Algarve, apenas por não possuir fotos de Loulé quan­do desenhei essa página».

Jobat - Luis Vilar 1  e 2

Jobat - Luis Vilar 3 e 4

Jobat - Luis Vilar 5  e capa MA