A QUINZENA CÓMICA – 45

Mais um cartoon de José Vilhena cheio de malícia, em que a televisão — esse revolucionário invento que chegou a Portugal nos anos 1950 — serve, mais uma vez, de mote ao humor brejeiro de um artista que cedo se impôs pelo seu corrosivo ataque às convenções. Infelizmente, José Vilhena começou a colaborar no Cara Alegre demasiado tarde, já perto do fim da sua 1ª série.

A QUINZENA CÓMICA – 6

ELES E ELAS: MEIA IDADE (2)

Cara Alegre 26 e 34

Nas capas do Cara Alegre que hoje enfeitam esta humorística e pitoresca galeria, voltam a estar em destaque os desenvoltos traços de dois dos seus melhores e mais prolíficos colaboradores artísticos: José Viana e José Manuel Soares, que sucederam a Stuart Carvalhais após a primeira etapa (nºs 1 a 24) da revista.

Não sabemos por que motivo Stuart, tão assíduo no ano de 1951, em pleno auge da sua carreira, abandonou as fileiras do Cara Alegre, mas não há dúvida de que foi bem substituído por dois jovens cartunistas, inspirados pela mesma esfuziante veia cómica e já com um estilo depurado, mas que pouco devia ao do seu ilustre antecessor, procurando aliar a nova forma a um sentido inato do humor malicioso.

Cara Alegre 86 e 98

 

OS REIS DO RISO – 8

JOSÉ VILHENA – O “BOCAGE” DO SÉCULO XX

José Vilhena (1927-2015) desapareceu do número dos vivos no passado dia 3 de Outubro, com 88 anos de idade, vítima de doença prolongada cujo fim já há muito era esperado.

Vilhena - História UniversalA história do humorismo português, sobretudo no período “negro” em que vigorou o regime fascista do Estado Novo, sofreu uma perda irreparável. Embora Vilhena já não fosse uma figura pública, pois tinha cessado a sua actividade artística há alguns anos, retirando-se discretamente quando o seu estado de saúde começou a agravar-se, o seu nome e a sua obra perduraram na memória de uma vasta legião de leitores até às actuais gerações.

Perseguido pela PIDE e pela Censura, impla- cáveis com todos os que ousavam desafiar “as leis e a sã moral” impostas por um sistema hipócrita e repressivo de governo, Vilhena nunca desistiu, porém, de manifestar o seu inconformismo e a sua ausência de preconceitos e de tabus, que escandalizavam e ofendiam muitos sectores da sociedade provinciana de um Portugal mesquinho e mergulhado em tédio, subserviente ante os poderosos e defensor de uma serôdia moralidade burguesa (e religiosa), que ele tomava sempre como um dos seus principais alvos.

Numa modesta homenagem ao polémico carica- turista e escritor satírico (com dezenas de livros publicados, a maior parte clandestinos, proibidos e “excomungados” pela Censura), que se elevou acima desse anátema e da mediocridade política e social reinante, mesmo depois da “Revolução dos Cravos”, evocamos também algumas capas que produziu, nos anos 50, para uma das revistas humorísticas a que a sua arte e o seu espírito brejeiro ficaram indelevelmente ligados: O Mundo Ri — onde já escrevia textos satíricos num português vernáculo que deliciava os leitores, como o que reproduzimos no final deste post, com o título “Grande e órrivel crime”.

O Mundo ri 83, 92, 96O Mundo ri 94, 99, 101O Mundo ri 103, 104, 105Vilhena poema 567