FANZINES DE JOSÉ PIRES (MAIO 2017)

Continuando a manter uma regularidade e uma periodicidade sem falhas, José Pires lançou este mês mais três volumes das séries que tem actualmente em publicação, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral abrangerá 25 números do FandClassics, cada um deles com mais de 70 páginas. O preço, no entanto, não varia, fixando-se nos 10 euros.

Outra série digna de relevo e que José Pires, fã incondicional do seu desenhador, o genial Tony Weare, tenciona também reeditar na íntegra (tendo já publicado mais de 40 episódios), é o magnífico western inglês Matt Marriott, bem conhecido dos leitores do “Mundo de Aventuras”, que foi a primeira revista portuguesa de banda desenhada a apresentá-lo ao público, embora com outro nome, no ano já distante de 1958.

Mas nem todos os episódios passaram pelas páginas do “Mundo de Aventuras” e de outras revistas da mesma época, e são esses que o Fandwestern tem procurado também recuperar, a partir de tiras de imprensa e de pranchas originais.

Este mês, surgiu também mais um número do Fandaventuras (o primeiro fanzine criado por José Pires, ainda nos anos 1990, de parceria com Jorge Magalhães e Catherine Labey), que continua a reeditar episódios de outra excelente série inglesa, também largamente difundida em Portugal, desde os anos 1950: Garth, criação de Steve Dowling, com posterior assistência de John Allard nos desenhos e de James Edgar nos argumentos. O episódio “O Navio Fantasma” foi totalmente desenhado por Allard.

Estes fanzines estão à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

 

FANZINES DE JOSÉ PIRES (ABRIL 2017)

Imparável, cheio de energia e de uma regularidade impressionante, na sua actividade de faneditor, José Pires lançou este mês mais dois números dos seus excelentes fanzines Fandclassics e Fandwestern, o primeiro dedicado, na fase actual, à famosa série Terry e os Piratas, criada pelo mestre Milton Caniff em 1934, e que neste fanzine irá ter reprodução integral, dividida por 24 volumes, com 70 páginas cada. Um esforço digno de apreço, tanto mais que se trata do melhor período desta série, praticamente inédito no nosso país e que José Pires conta divulgar no espaço de dois anos!

Quanto ao Fandwestern, fanzine mais antigo e de prestigiosas tradições, publica neste número outro episódio da série fetiche de José Pires: Matt Marriott, a inolvidável criação de Tony Weare (desenhos) e James Edgar (argumento), estreada entre nós no Mundo de Aventuras nº 437, de 2/1/1958, com o nome do herói alterado para Calidano, o Justiceiro.

O certo é que esse bizarro nome pegou e a série fez carreira no Mundo de Aventuras e noutras publicações da mesma editora (onde sofreu “tratos de polé”, devido ao pequeno formato dessas revistas), até ter direito a aparecer com o seu verdadeiro título, quase uma década depois, no Mundo de Aventuras nº 845.

Diga-se desde já que este número do Fandwestern tem um interesse acrescido, pois apresenta um dos últimos episódios desenhados por Tony Weare, na sua maioria ainda inéditos entre nós. Mais uma  performance de José Pires que, no caso de Matt Marriott, já anunciou também a sua publicação integral, em 68 volumes, editando a propósito (para os leitores mais curiosos) um catálogo com todas as capas desta série, além das primeiras tiras e dos títulos originais dos 68 episódios que constituem a colecção.

(Nota: ver mais informações sobre os fanzines publicados por José Pires noutros blogues da nossa Loja de Papel: O Voo d’O Mosquito, A Montra dos Livros e Era Uma Vez o Oeste).

NOVIDADES DO “FANDAVENTURAS”

“Mantendo a cabeça e os ombros bem acima dos históricos e ficcionais salteadores de estrada que o cinema, os livros, a literatura de cordel, os folhetins de terror e as histórias aos quadradinhos popularizaram, surge a figura de Dick Turpin. Ele foi o único salteador de estrada que se tornou um verdadeiro herói popular inglês. Um novelista pegou um dia na tradição oral deste destemido salteador-cavaleiro e introduziu-o numa novela que tornou famoso o nome de Dick Turpin por todo o mundo ocidental. O nome desse novelista era William Harrison Ainsworth e a novela chamava-se “Rookwood”.

O próximo número do Fandaventuras — um fanzine criado em Julho de 1990, portanto já quase com 27 anos de existência, e que José Pires relançou recentemente, com novas reedições de grandes autores clássicos ingleses — oferece-nos uma magnífica adaptação da obra de William Harrison Ainsworth, com desenhos do incomparável Tony Weare (já depois de ter abandonado a série Matt Marriott), publicada na revista Look and Learn, em 1980. Um clássico da literatura popular inglesa do século XVIII,  em que certamente Walter Booth se terá inspirado para criar o seu Captain Moonlight. Uma peça de colecionador!

E a propósito de Walter Booth convém lembrar que sai também este mês outro número do Fandaventuras (mas em formato especial, à italiana), com a reedição integral da série “Os Companheiros de Londres”, aventura que obteve grande êxito n’O Mosquito, em 1943, e que confirma em absoluto os excepcionais dotes de ilustrador deste célebre pioneiro da época áurea da BD inglesa.

Outra reedição de um clássico dos anos ’30, reproduzido directamente das páginas do semanário inglês Puck (onde Walter Booth publicou a maioria das suas obras), portanto com uma qualidade fora de série… como, aliás, tem sido timbre do Fandaventuras!

A título de curiosidade, recordamos que José Pires já reeditou, em vários volumes de formato à italiana, todas as grandes criações de Walter Booth, desde Rob the Rover (Pelo Mundo Fora) e Orphans of the Sea (O Gavião dos Mares) até Captain Moonlight (O Capitão Meia-Noite), que fizeram também as delícias dos leitores d’O Mosquito. Faltava apenas, nesse formato, apresentar “Os Companheiros de Londres (Chums of London Town), que fica agora, num só volume, ao dispor de todos os coleccionadores do Fandaventuras.

Estes fanzines estarão brevemente à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

JOSÉ PIRES E JEAN-LUC VERNAL

José Pires não foi o primeiro desenhador português a colaborar numa das mais prestigiosas revistas europeias de BD: o Tintin belga; mas foi seguramente o que mais páginas publicou nessa revista, em parceria com dois talentosos argumentistas, então ainda no início de uma promissora carreira: Jean Dufaux e Benoît Despas.

Tudo isso só se tornou possível porque o chefe de redacção do Tintin era Jean-Luc Vernal, um homem profissionalmente de vistas largas que soube avaliar os méritos artísticos de José Pires, dando-lhe o ensejo de iniciar também uma nova carreira (pois em Portugal, até essa data, tinha publicado ainda poucas obras, preferindo dedicar-se a tempo inteiro à publicidade).

O gesto de Jean-Luc Vernal valeu-lhe a gratidão e a admiração de José Pires, que passou a ser (re)conhecido dentro e além fronteiras do seu país, como um versátil autor de BD a quem estava reservado um brilhante futuro.

jean-luc-vernalNo depoimento que se segue, José Pires expressa mais uma vez a sua admiração, respeito e estima por aquele que lhe proporcionou a primeira grande (e bem sucedida) aventura da sua carreira, recordando uma relação profissional que a breve trecho se transformou numa excelente amizade, tanto com Vernal como com Dufaux e Despas. Tempos profícuos e gloriosos, que a infausta notícia do falecimento de Jean-Luc Vernal trouxe de novo à memória de José Pires e que este com viva emoção, decidiu partilhar com os nossos leitores — entre os quais se contam certamente muitos admiradores da sua obra —, num preito de homenagem a outro grande autor de BD chamado Jean-Luc Vernal! 

JE VOUS REMERCIE BIEN, MONSIEUR VERNAL, ET À TOUT À L’HEURE!

Foi por Jorge Magalhães que recebi a infausta notícia do recente falecimento de Jean-Luc Vernal. Pelo verdadeiro Senhor que ele foi e por todo o apoio e consideração demonstrada que recebi dele, tal notícia provocou-me severo abalo psicológico. Foi ele quem me abriu as portas do lendário magazine belga Tintin, no já distante ano de 1984. Foi nessa altura que me decidi a enviar às Editions du Lombard a capa e 10 páginas avulsas do meu álbum do Will Shannon, “O Poço da Morte”, mais tarde publicado pela Editorial Futura numa das suas colecções.

Infelizmente, os meus fracos conhecimentos de francês levaram-me a cometer um erro logo no título da capa (Puit, em vez de Puits), mas nem mesmo isso fez Jean-Luc Vernal atirar-me para o cesto dos papéis. Dias depois, vislumbrei na minha caixa de correio o timbre inconfundível de Tintin e Milou impressos a vermelho num envelope que me era dirigido. Tratava-se de uma missiva de Monsieur Vernal que me dizia que, face a não poder emitir uma opinião sobre uma história de 46 páginas, das quais apenas podia ver 10, ainda por cima sem texto em francês!, nada podia decidir.

la-mort-de-natchezAssim, propunha-me se eu estaria disposto a fazer a experiência num “maxi-chapitre” (história de 15/16 páginas), de colaboração com um argumentista belga. Claro que aceitei e foi assim que travei conhecimento com o Jean Dufaux, que na altura começava a despontar nos quadros da editora Lombard.

Jean Dufaux (de quem eu jamais ouvira falar) mandou-me as primeiras páginas de uma história intitulada “La Mort de Natchez”, que tinha como personagem principal um mestiço apache/mexicano chamado Irigo. Dizia-me que havia gostado do meu estilo de desenho e estava disposto a colaborar comigo futuramente: acabámos por fazer seis episódios do Irigo (e um extra), mais do que o suficiente para dois álbuns. É curioso que enquanto por aqui os nossos “experts” me achavam um seguidor de Franco Caprioli, por causa do meu pontilhado, na Bélgica chamavam-me o “Manara Portugais”, o que estava mais de acordo com a realidade, pois eu seguira os processos gráficos de Milo Manara, desenvolvidos na sua série Giuseppe Bergman.

Depois fui até Bruxelas, onde Monsieur Vernal, um sujeito alto e bem parecido, me recebeu galhardamente na redacção da Lombard. Manifestou-me o seu agrado pelo meu trabalho e foi então que me apresentou o Jean Dufaux, com o qual mantive uma longa relação de amizade. Chegou mesmo a passar uma semana em Portugal, ficando hospedado em minha casa. Mais tarde, Jean Dufaux, que se incompatibilizara com a nova direção da Lombard (uma editora Católica), foi trabalhar para França, com a Glénat, deixando-me sem saber o que fazer à vida, pois eu já me acomodara com os francos belgas que vinham mensalmente da editora.

Resolvi, pois, fazer uma adaptação de “A Morte do Lidador”, de Alexandre Herculano, baseada na que fizera 30 anos antes Eduardo Teixeira Coelho. Mas tal ideia revelou-se impraticável: os estilos de paginação e legendagem eram incompatíveis com os actuais. Deste modo, tive de fazer uma nova planificação e, com a ajuda de um colega que era professor de francês, enviei as 10 páginas, desta vez com texto em francês, para a Bélgica. Monsieur Vernal aceitou o meu trabalho, que foi também publicado no Tintin, em 1987, sob o título “La Mort du Batailleur”.

Abriu-me assim, pela segunda vez, as portas da revista que dirigia e, dizendo-me que “vous êtes vraiment à l’aise au Moyen Age”, arranjou-me um segundo guionista belga, Benoît Despas, que ele tinha recentemente admitido como colaborador, e que era especialista em assuntos da Idade Média.

du-guesclin-copyCom Benoît Despas fiz várias histórias de carácter medieval, como uma série sobre o Condestável francês Bertrand du Guesclin, que acabou publicada no Kuifje, a versão flamenga do Tintin. Um periódico local comentou tratar-se “da história de um Condestável francês, contada aos flamengos, escrita por um valão e desenhada por um português!”

Mas, por imposição dos herdeiros de Monsieur Hergé, o jornal Tintin acabou, sendo substituído por uma nova publicação, agora com o título de Hello BD. Ali, a convite de Monsieur Vernal, eu e o Benoît Despas fizemos uma série sobre os Templários, que acabaria por se tornar no meu primeiro álbum em língua estrangeira, tudo graças aos bons ofícios de Monsieur Vernal. Esse álbum, “Le Sang et la Gloire”, acabou mesmo por ser o mais vendido no mercado francófono na sua semana de lançamento.

Mais tarde, estive de novo em Bruxelas e, na companhia de Benoît Despas, tive uma nova entrevista com Monsieur Vernal, que nos encomendou nada menos de três álbuns, para executar no ano seguinte! Um sobre a guerra dos Boers, outro sobre os Francos e um terceiro sobre os Apaches, pois Monsieur Vernal achava que eu era muito competente a desenhar índios. Mas estes projectos jamais se realizariam. Monsieur Vernal seria substituído por Yves Sente, que desde logo descartou a encomenda feita, fechando-me as portas da editora, agora que o Hello BD terminara a carreira e a editora passara a dedicar-se inteiramente aos álbuns, acabando com a pré-publicação.

os-celtas-miticosTempos depois, em 1994, fui contactado por Monsieur Vernal, que, tendo em vista uma editora própria, me convidava para trabalhar com ele numa série de álbuns de sua autoria, de carácter fantástico, pedindo-me ao mesmo tempo para eu fazer uma prospecção junto das editoras portuguesas com as quais eu trabalhava, para lhe manifestarem o seu eventual interesse nas suas futuras produções. Desta feita, enviei-lhe os desenhos que ele me pedira e notas de encomenda da Meribérica, das Edições ASA, da Futura e das Edições Âncora.

Mas nunca mais tive notícias de Monsieur Vernal, nem sei se a sua editora chegou alguma vez a existir, pois ele necessitava de um suporte bancário para avançar com o seu projecto. Tive agora a infausta notícia do seu falecimento, aos 72 anos apenas. Mas jamais esquecerei a sua figura e o seu fidalgo trato para comigo e tudo quanto lhe fiquei a dever. Que Deus o tenha no seu eterno descanso, cher Monsieur Vernal!                         JOSÉ PIRES

FANZINES DE JOSÉ PIRES (FEVEREIRO 2017)

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Por cortesia de José Pires, nosso amigo de longa data, companheiro de muitas tertúlias desde os tempos heróicos em que lançámos o Fandaventuras e o Fandwestern, dois fanzines que ainda estão em publicação, graças ao incansável labor deste apaixonado pela BD clássica, que os edita mensalmente, com infalível pontualidade (mas agora a solo), apresentamos as edições distribuídas em Fevereiro, com novos episódios de duas séries carismáticas (Matt Marriott Terry e os Piratas) e a reedição da primeira história desenhada pelo saudoso artista português Vítor Péon para a mítica revista O Mosquito, na sua estreia, em 1943, como autor de banda desenhada.

Neste número, figura também uma história curta de Péon, com o título “Traidor em Fuga”, realizada em 1946 para O Pluto, revista dirigida e editada por Roussado Pinto, em que Péon foi o principal colaborador artístico, ilustrando-a de uma ponta à outra, num alarde de talento, versatilidade e energia criativa.

Estes fanzines já se encontram à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não mora na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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Recorde-se que Terry e os Piratas foi apresentada na fase final d’O Mosquito (1952-53) e posteriormente no Mundo de Aventuras, quando era desenhada por George Wunder, sucessor de Milton Caniff. Quanto a Matt Marriott é uma série inglesa, também em tiras diárias, desenhada por Tony Weare e escrita por James Edgar, que aborda com extraordinário realismo a colonização do Oeste americano em finais do século XIX, distanciando-se dos westerns da série B, nomeadamente os de feição mais juvenil.

Muitos dos seus episódios foram publicados no Mundo de Aventuras (formato pequeno) e na Colecção Tigre, como o que deu o título a este número do Fandwestern.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 8

MAIS EPISÓDIOS DE UMA FAMOSA SÉRIE

INGLESA NO “FANDAVENTURAS” ESPECIAL

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Imparável na sua actividade de faneditor — apesar de alguns problemas de saúde, de que já está felizmente recuperado —, José Pires acaba de nos brindar com mais dois volumes da saga “O Gavião dos Mares”, uma série clássica inglesa dos anos 30 magistralmente ilustrada por Walter Booth, pioneiro da BD de aventuras em estilo realista, que em 1920, muito antes de qualquer outro artista do seu género, criou a primeira longa série de aventuras com um herói titular: Rob the Rover.

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Estes novos volumes da epopeia marítima “O Gavião dos Mares” (outra das suas obras- -primas) reproduzem, curiosamente, um episódio passado em terra, com o título original For the King (“Pelo Rei!”), cuja acção se desenrola na época da guerra civil inglesa entre os “Realistas”, partidários do ocupante do trono, Carlos I, e os “Puritanos”, seguidores de Oliver Cromwell, também conhecidos pelo nome de “Cabeças Redondas”.

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Publicada em 1935-36 no célebre semanário inglês Puck, onde se estrearam também outras famosas séries de Walter Booth, como Rob the Rover e Captain Moonlight, esta segunda e extensa parte de “O Gavião dos Mares” (Orphans of the Sea) tem outra particularidade curiosa, no que se refere à sua publicação em Portugal, pois quase duas dezenas de páginas não apareceram n’O Mosquito, entre 1941 e 1942, devido às contingências da guerra que assolava, então, grande parte do continente europeu.

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Essas páginas inéditas que os leitores d’O Mosquito foram privados de ler — embora sem se aperceberem, graças à habilidade narrativa com que Raul Correia traduzia e adaptava as legendas, compondo à sua maneira a acção das sequências incompletas —, estão presentes nos dois volumes do Fandaventuras Especial postos agora à venda, e que poderão ser directamente encomendados ao seu editor pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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Cada fascículo desta magnífica obra, impressa em bom papel, com cerca de 70 páginas — que foram objecto de um meticuloso trabalho de restauro, a partir de exemplares do Puck e de cópias obtidas na British Library —, custa apenas 10 €. Muito em breve, segundo nos informa José Pires, será também distribuído o 6º volume, com a última parte de “O Gavião dos Mares”, intitulada “O Cruzeiro do Sea Hawk” (The Cruiser of the Sea Hawk).

Uma série de grande qualidade a não perder, com o primoroso traço de Walter Booth, numa espectacular edição que José Pires levou a cabo em tempo recorde, concretizando, assim, um dos seus maiores sonhos como leitor da “época de ouro” d’O Mosquito.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 7

ROB THE ROVER (de Walter Booth)

editado em inglês por José Pires.

O Fandaventuras começa a voar mais alto!

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Em Janeiro tínhamos prometido dar-vos, a breve prazo, mais novidades sobre os próximos lançamentos desta fantástica série que José Pires está a reeditar, com impressionante regularidade e grande sucesso, no Fandaventuras Especial. Ora acontece que no final do mês de Março (re)apareceu o primeiro tomo, numa versão em inglês destinada aos países nórdicos, onde a criação de Walter Booth se tornou imensamente popular, tal como aconteceu entre nós, nas décadas de 30 e 40 do século passado, graças ao Tic-Tac e ao Mosquito, que a baptizaram com o apelativo título de “Pelo Mundo Fora”.
1941-28Tendo entrado em contacto, por via de um blogue português muito conhecido (o Bandas Desenhadas), com dois bedéfilos escandinavos, fervorosos admiradores de Rob the Rover — que nos seus países se chamou Willy paa Eventyr —, José Pires, perante o entusiasmo desses correspondentes, que logo espalharam a nova da edição portuguesa pela blogosfera, conquis- tando um largo número de aderentes na Noruega, Suécia e Dinamarca, resolveu, como íamos dizendo, aproveitar esta oportunidade para concretizar um projecto ainda mais ambicioso: o de fazer também uma edição com textos em inglês, de modo a tornar a leitura do Fandaventuras mais acessível aos assi- nantes de outros países europeus, des- conhecedores do nosso idioma.
Com a sua habitual e inesgotável capacidade de trabalho (rapidez e perfeição é o seu lema), o nosso velho amigo não perdeu tempo a passar das intenções aos actos e, como anunciámos, o primeiro volume da saga do Flying Fish (nome que n’O Mosquito foi traduzido para Submarplano) já está disponível, no mesmo formato, ao mesmo preço (10 euros) e com a mesma qualidade dos anteriores.

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Mas agora numa tiragem especial com todos os textos em inglês (mais fiel, portanto, à versão do Puck), destinada a um público muito mais heterogéneo, que decerto a acolherá com o mesmo esfuziante entusiasmo já manifestado pelos leitores portugueses. E não duvidamos de que, mesmo entre estes, haverá também alguns “puristas” interessados em seguir as aventuras de Rob the Rover na sua matriz original.

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Sunbeam747[2]Estreada em 15 de Maio de 1920 nas páginas do Puck, esta longa e fascinante série de aventuras foi a primeira em estilo realista dada à estampa em todo o mundo, mas o seu lugar pioneiro na história da BD está longe de ser reconhecido por todos os especialistas, quer por ignorância quer por subserviência aos modelos e aos autores norte-americanos. A falta de papel que, durante a guerra, afectou drasticamente a actividade da imprensa britânica, foi a principal responsável pelo cancelamento do Puck e do seu congénere Sunbeam, onde as aventuras de Rob the Rover viram abruptamente interrompido um novo capítulo, dei- xando inconsoláveis milhares de admiradores do juvenil herói, que assim terminou, na obscuridade, uma longa e movimentada carreira. Excepto nos países escandinavos, onde com o nome de Willy, como já referimos, prosseguiu, pela mão de outros desenhadores — que lhe deram um cunho gráfico diferente do de Walter Booth —, as suas peripécias de globetrotter, num mundo em que muitas transformações vinham já a caminho.

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Por amabilidade de José Pires, a quem agradecemos todas as informações e documentos que nos tem fornecido sobre a sua actividade de faneditor, aqui ficam mais duas capas desta edição verdadeiramente “Special” do seu cada vez mais apreciado Fandaventuras — que agora irá transpor, num largo voo como o do maravilhoso Submarplano, a fronteira do país onde chegou pela primeira vez às mãos do público.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 6

Depois da “Saga do Submarplano”, novos episódios de ROB THE ROVER (por Walter Booth)

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Pois o Rob the Rover está a ir na maior. Estou a encaixar tudo de maneira que a série, embora com as partes saindo separadamente, seja numerada por ordem cronológica. Um pouco como a Guerra das Estrelas, cujo primeiro episódio a aparecer foi o terceiro!

Com o arranjar das imagens (são “apenas” umas dez mil e trezentas!), fui descobrindo coisas muito interessantes que corroboram a opinião que eu já formara. O Booth não devia desenhar a história à página, mas em tiras de três vinhetas. E não devia trabalhar “em cima da hora”, com a rotativa à espera que ele mandasse os originais, mas com bastante antecedência, pois detectei que o Puck chegou a publicar algumas páginas fora de ordem, com páginas posteriores a serem publicadas antes, o que causou algum embaraço, pois, à maneira do Raul Correia, também nos textos se procura “emendar” o disparate. Não creio que mais ninguém tivesse dado pelo engano, mas um tipo que é também autor facilmente detecta enganos deste género. Enfim… A nossa versão até nisso é inovadora: escreve direito por linhas tortas!”

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Isto dizia-nos José Pires, num e-mail que nos enviou há cerca de um mês, completando as informações sobre as novas séries, que já tem em fase adiantada de preparação, da monumental saga Rob The Rover, a obra-prima de Walter Booth e um marco da BD de aventuras em estilo realista, estreada na revista inglesa Puck em 15/5/1920. Graças ao enorme êxito que obteve, a sua publicação prolongou-se por 20 anos, até as restrições impostas pela 2ª Guerra Mundial ditarem o cancelamento do Puck e o inglório fim da série, que apenas sobreviveu durante mais duas semanas nas páginas do Sunbeam.

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Para aguçar o “apetite” dos apreciadores desta magnífica saga, publicada em vários continentes e que os leitores daquele tempo jamais esqueceram — particularmente os jovens portugueses que a descobriram nas páginas d’O Carlitos, do Tic-Tac e d’O Mosquito —, mostramos (em ante-estreia) uma selecção de capas da 1ª parte, intitulada “As Origens” (3 volumes), e da última: “Pelo Mundo Fora” (11 volumes).

Mais um magnífico exemplo da arte de Walter Booth, harmoniosa e perfeita em todos os pormenores, realçada nestas imagens pelas cores que José Pires lhes aplicou com a ajuda do Photoshop… tarefa em que, aliás, já se revelou um verdadeiro mestre!

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 5

Depois da Saga do Submarplano, atenção às Viagens & Aventuras de ROB THE ROVER (por Walter Booth)

Em primeiro lugar, uma boa notícia: já está disponível o 2º volume da série do Submarplano (cuja capa voltamos a reproduzir), numa edição de José Pires, que os interessados poderão obter contactando-o pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt

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Posto isto, vamos a outras (excelentes) novidades… Nas mensagens que temos trocado com José Pires — nosso amigo de longa data e companheiro de muitas tertúlias, trabalhos e peripécias memoráveis —, ele deu-nos nota dos seus próximos e ambiciosos projectos editoriais, relativamente à continuação da magnífica série Rob the Rover, realizada pelo mestre Walter Booth nos tempos heróicos da BD inglesa, de que foi um dos maiores (e mais injustamente ignorados) pioneiros.

Transcrevemos com prazer os comentários de José Pires — nessa informal troca de opiniões por e-mail — e apresentamos algumas das curiosidades que ele já nos enviou, referentes aos novos fascículos que tem em preparação e que, juntamente com a longa e magistral Saga do Submarplano — para muitos leitores bem informados, o ponto mais alto desta fabulosa série —, irão constituir um extenso conjunto de 26 volumes, formando a mais completa, extraordinária e condigna reedição que se produziu até hoje, em todo o mundo, de um dos maiores marcos da BD de aventuras em estilo realista.

Aos leitores interessados nestas novas séries lembramos que, tal como os anteriores volumes das três maiores criações de Walter Booth A Saga do Submarplano, O Capitão Meia-Noite e O Gavião dos Mares —, estes terão tiragens limitadas, prevendo-se, por isso, que se esgotem também rapidamente.

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1)  JP Estou a digitalizar o princípio do Rob the Rover, que como sabes começou a ser feito noutros moldes muito diferentes da forma como depois a série se desenvolveu e prolongou.
Nesta fase, as histórias eram muito moralistas, cândidas, previsíveis e incipientes, com episódios que começavam e acabavam na mesma página semanal, muito bom para tenras criancinhas que havia que educar, mas, coisa que temo, vá aborrecer e desinteressar os actuais entusiastas, porque isto nunca fez parte do seu imaginário.

Que me dizes de atacarmos já o período das viagens e aventuras “around the world”, com os trepidantes episódios “à suivre”, deixando estes “tempos heróicos” para uma terceira parte sobre as origens da saga?  Não se perde nada com isto e só ajuda a encontrar a fidelização indispensável nestas coisas, não te parece? Isto é uma visão de puro marketing, que nada tem a ver com “razões lógicas”, mas comerciais, bem entendido.

Se já pouca malta se lembra d’O Mosquito — e nós, então, nem assistimos à 1ª série… eu só vi O Mosquito pessoalmente em fins de 1940, quando o meu tio Henrique veio de Elvas para junto de nós e mo mostrou —, d’O Carlitos, onde a 1ª página, de 15/5/1920, foi publicada [imagens seguintes], então não deve haver ninguém vivo ou capaz de se recordar disto, julgo eu.

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2)  JP Imagina que no lançamento do Rob, em meados de 1920, já havia mãozinhas estranhas a “mexer” na série. Nessa altura, o Booth ainda não devia ter um plano a longo prazo para a série, pois vê-se que a linha de guiões é muito titubeante, cheia de hesitações. E aquela tua dica de que teria sido esta a primeira HQ realizada em moldes realistas, faz todo o sentido, porque no rodapé da página do Puck aparece uma linha que diz: “Please tell to your friends about this fine cinema serial” (mais evidente é difícil!). E o pior é que este estilo narrativo (episódios semanais de página única) se prolonga — segundo o material que me forneceu o Américo Coelho — por mais de dois anos! Quase seis álbuns dos nossos, o que é excessivo, acho eu.

Esta fase só deveria aparecer quando os coleccionadores tivessem o Submarplano e as viagens e aventuras (Pelo Mundo Fora) completas. Então, sim, o pessoal já estaria preparado e “apto” para adquirir também “as origens” da série.

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O Booth tinha uma tendência natural para começar as suas narrativas com crianças a flutuar em jangadas, porque já “Os Órfãos do Mar”, também começam assim! Mas estes ainda estavam em pleno mar das Caraíbas, no Spanish Main dos fins do séc. XVI! Agora o Rob, perto da costa inglesa e a falar inglês, devia ser oriundo de um navio naufragado nas imediações. Seria facílimo descobrir a identidade dele, porque do “Titanic” não poderia ter vindo, pois o seu afundamento verificou-se oito anos antes.

Agora percebo melhor a razão porque no Uruguai a história se chamava “O Filho Adoptivo”, como me relatou um colega meu, daquela nacionalidade, lá na Publicis, nos anos 90.

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3)  JPAqui te envio mais um cabeçalho que eu não sabia que existia. É mesmo muito bonito, não achas? Marca precisamente a página onde o Booth, de repente, muda de páginas de doze vinhetas para apenas nove, maiores e mais altas. Isto obrigou-me a modificações de paginação inesperadas e radicais, a meio do percurso!

Enfim, paciência, não há remédio senão aceitar as coisas como elas são. Tive de adoptar o esquema que utilizei n’O Gavião dos Mares, onde a paginação era semelhante. Só que aqui, como o cabeçalho é consideravelmente mais alto, tive de bolar um novo esquema, incluindo também o rodapé.Pag-3- PT

Mais te informo que o Rob the Rover teve cinco cabeçalhos ilustrados (além de outros onde há só letras e “headlines”) e dois rodapés diferentes — giro para mostrares lá no teu blogue, não é verdade? Pois! Já estou a digitalizar o ano de 1931, imagina, e o Booth muda outra vez de cabeçalho e rodapé!

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4)  JP Cada vez me rendo mais ao virtuosismo do Homem, caramba! Era um génio, digo-te eu! Graças às maravilhas do Photoshop, posso remediar todos os estragos que me surgem nas vinhetas (bastantes, infelizmente), porque no Puck estão mal impressas ou lhes faltam pedaços, como nas próprias fotocópias, onde as vinhetas surgem por vezes distorcidas ou onduladas, e também lhes faltam pedaços! Uma neura, digo-te eu! Mas com a minha experiência, mais as habilidades quase inesgotáveis da máquina, consigo ultrapassar obstáculos que os rapazes dos anos 50/60 nem sequer se atreveriam a enfrentar!

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5)  JP Estou quase a acabar a digitalização do Rob the Rover e hoje trouxe do Coelho os últimos dois anos do Puck, até ao começo do Submarplano. Agora tenho de organizar a colecção, que será dividida em três partes: “As origens” (3 volumes), “Viagens e Aventuras” (6 volumes) e “Pelo Mundo Fora” (11 volumes). Com os seis do Submarplano, a colecção do Rob the Rover terá 26 volumes na totalidade. Mais ninguém no mundo deu tanta importância ao Walter Booth!

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Em breve vos daremos mais novidades sobre estas nostálgicas (e colossais) edições que José Pires tenciona levar a cabo num futuro próximo, com grande entusiasmo e a impressionante regularidade a que já nos habituou.

GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 4

ROB THE ROVER – A Saga do Submarplano (por Walter Booth)

Pelo Mundo Fora127Finda a publicação das trepidantes aventuras do Capitão Meia-Noite (obra completa em quatro volumes), José Pires, incansável na sua actividade de faneditor, tem já em preparação a famosa saga do Submarplano (também oriunda do Puck), um longo ciclo de aventuras de Rob the Rover, o mais carismático herói d’O Mosquito e da BD inglesa no segundo quartel do século passado, com o cunho inédito de se tratar de uma história com alguns ingredientes de espionagem, em que Rob, o Dr. Seymour (inventor do maravilhoso Submarplano, o primeiro avião submersível da História) e os seus dois inseparáveis companheiros, Mabel e o velho Dan, enfrentam a tenaz perseguição de um bando de implacáveis espiões, dotados de poderosos recursos tecnológicos, que tentam apoderar-se do Submarplano a todo o custo. Mais uma vez, Walter Booth faz gala do seu espírito criativo, como um émulo de Júlio Verne, antecipando-se aos progressos da aviação e dos meios bélicos (em vésperas da 2ª Guerra Mundial), e até ao mais mediático invento do século XX: a televisão.

Outra magnífica obra do genial mestre inglês, precursor mundial da BD de aventuras em estilo realista, que nenhum dos seus admiradores portugueses deve deixar de (re)ler — até porque também ficou incompleta n’O Mosquito —, e cuja extensão muito acima da média obrigou José Pires a dividi-la em seis volumes do Fandaventuras Especial.

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Eis, em “ante-estreia”, as respectivas capas, com cenas panorâmicas de grande impacto visual e gráfico, que espelham todo o talento de Walter Booth, o seu sentido da composição, da perspectiva, das proporções, o seu apuro documental, a variedade geográfica e o dinamismo que introduzia em cada vinheta e em cada página.

Façam desde já as vossas reservas, porque a tiragem será limitada. O 1º tomo tem lançamento previsto durante o Amadora BD 2013, que se inicia este fim-de-semana, decorrendo até ao próximo dia 10 de Novembro.

Cap. M-N Capa-IPag.-03Pag.-12Pág.-14Pag.-29