“TERRY E OS PIRATAS” – 10º VOLUME (OUTUBRO 2017)

No início deste mês, José Pires lançou mais um volume da série Terry e os Piratas, que está a reeditar por ordem rigorosamente cronológica, numa homenagem ao reputado mestre Milton Caniff sem paralelo no nosso país. Basta recordar que esta grande série de aventuras, criada em 22/10/1934, só se estreou n’O Mosquito em 1952-53, portanto já na fase em que era desenhada por George Wunder, cujo estilo, sem grandes rasgos de inspiração, se limitava a ser fiel ao de Caniff.

Com o fim d’O Mosquito, a sua publicação prosseguiu no Titã e no Mundo de Aventuras, onde passou quase despercebida. As tiras originais com o 1º episódio só surgiriam na 2ª série do MA, em 1975. Mais tarde, o jornal Público publicou também alguns episódios.

Como se vê, Terry e os Piratas, apesar da sua enorme popularidade e de ser considerada uma obra-prima da época de ouro dos comics norte-americanos, nunca teve entre nós a projecção que merecia. O FandClassics veio finalmente, por obra de José Pires, preencher essa lacuna… e já vai no 10º episódio!

(Ver mais informações sobre outros lançamentos de José Pires — Fandaventuras e Fandwestern — nos blogues A Montra dos Livros e Era Uma Vez o Oeste).

Estes fanzines (de tiragem bastante limitada) podem ser encomendados a José Pires através do e-mail gussy.pires@sapo.pt

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“TERRY E OS PIRATAS” – 9º VOLUME (SETEMBRO 2017)

Continuando a manter uma regularidade e uma periodicidade sem pausas, José Pires lançou este mês mais dois volumes das séries que tem em publicação, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral, quase totalmente inédita entre nós, abrangerá 25 números do FandClassics, cada um deles com cerca de 70 páginas. O preço não varia, fixando-se nos 15 euros. 

No Fandwestern (um dos mais antigos fanzines portugueses) continua a publicação de outra grande série clássica, Matt Marriott, já com mais de cinco dezenas de episódios reeditados, a partir do material disponível em antigas publicações, mas também de tiras originais pertencentes a um dos maiores fãs da série. Outra colecção, portanto, a não perder, pois faz justiça ao magnífico trabalho de Tony Weare, resgatando-o do inglório olvido a que foi votado tanto em Inglaterra como noutros países.

Estes fanzines (de tiragem bastante limitada) podem ser encomendados directamente a José Pires, escrevendo para o e-mail gussy.pires@sapo.pt

(Nota: para ver mais informações sobre os fanzines editados em Setembro por José Pires, consultar o blogue “A Montra dos Livros”).

“TERRY E OS PIRATAS” – 8º VOLUME (AGOSTO 2017)

Com exemplar pontualidade, José Pires continua a editar no seu fanzine FandClassics a famosa série Terry e os Piratas, que já vai no 8º volume, cada um deles com cerca de 70 páginas em formato à “italiana”, reproduzindo integralmente os episódios criados desde 22/10/1934 pelo génio ficcional e artístico do mestre Milton Caniff.

Trata-se, aliás, na sua grande maioria, de material ainda inédito no nosso país, apesar desta série ter sido divulgada em revistas juvenis muito populares na sua época como O Mosquito, o Titã e o Mundo de Aventuras, mas com episódios de uma fase bastante posterior, a cargo de George Wunder, que já pouco tem a ver com a de Caniff.

Por esse motivo, tem sido cada vez maior o acolhimento dispensado a esta edição de José Pires, cujo trabalho não se cinge apenas à tradução e legendação das tiras e páginas dominicais, visando também, com especial cuidado, o aspecto gráfico destas últimas, para evitar a sistemática repetição de logótipos, “substituídos por imagens do próprio Caniff, resgatadas, combinadas e arranjadas para preencher o espaço”. 

“Além disso, há as mais de 4.380 pequenas tarjas com as legendas dos direitos de publicação, que, embora diminutas e colocadas em sítios estratégicos, acabavam prejudicando o aspecto geral e que foram  também removidas, para já não falar de alguns milhares de redes ratadas ou entupidas que também foram melhoradas”.

Um trabalho ambicioso, digno de aplausos, que torna esta colecção uma das melhores e mais completas realizadas até hoje, embora sem o carácter comercial de outras edições, pois se destina a um pequeno círculo de assinantes, não ultrapassando os respectivos pedidos de reserva. Estes fanzines podem ser encomendados directamente a José Pires, bastando contactá-lo pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt

“TERRY E OS PIRATAS” – 7º VOLUME (JULHO 2017)

Entre as muito boas edições de BD que continuam a aparecer nas bancas, este mês de Julho ficou também assinalado, na área dos fanzines (edições mais modestas e de pequena tiragem, mas igualmente dignas de louvor), pela saída de mais um número do FandClassics dedicado à série Terry e os Piratas, a famosa criação de Milton Caniff, praticamente inédita em Portugal, que o esforçado faneditor José Pires está apostado em apresentar na íntegra, escalonada por 25 volumes, com mais de 70 páginas cada.

Uma tarefa quase homérica, mas de que o nosso bom amigo e camarada (experimen- tado nestas lides) se tem saído a contento, com infalível regularidade, pois a colecção (de cadência mensal) já vai no 7º volume e o número de leitores não pára de aumentar.

Estes fanzines (de tiragem limitada) podem ser encomendados directamente a José Pires, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt

TERRY E OS PIRATAS – 6º VOLUME (JUNHO 2017)

Com periodicidade mensal, de uma regularidade sem falhas, para não defraudar os seus fiéis leitores, cujo número tem aumentado paulatinamente, o FandClassics, editado por José Pires, continua a recuperar a famosa série “Terry e os Piratas”, de Milton Caniff, praticamente desconhecida em Portugal, a não ser alguns dos primeiros episódios publicados, há muitos anos, no Mundo de Aventuras e no jornal Público.

A propósito desta magnífica criação de Milton Caniff, cuja origem remonta a 1934, José Pires enviou-nos um comentário sobre as dificuldades que tem encontrado na sua reedição, feita a partir de material (tiras diárias e páginas dominicais) nem sempre impresso nas melhores condições e com sistemática repetição de logótipos.

A todos os fãs do FandClassics e de “Terry e os Piratas”, recomendamos a leitura desse comentário de José Pires, inserido depois das imagens que se seguem.

«A série Terry e os Piratas é considerada um dos clássicos dos clássicos, ombreando com o Principe Valente, o Flash Gordon, o Rip Kirby, e por aí fora. Mas a história das páginas dominicais complicou tudo, estou convencido, e deve estar na base do Milton Caniff ter abandonado a série em 1946, depois de 12 anos consecutivos de publicação. E, de facto, a série continuou, depois, pela mão de George Wunder, mas este já não entrou no esquema das páginas dominicais, que acabaram por tornar a série apenas parcialmente conhecida, como em Portugal, onde muito poucos a leram.

Este berbicacho (páginas dominicais) impedia outros jornais de outras latitudes (como o Público, por exemplo) de a publicarem, pois deparavam com uma coisa que era de maior formato, com quatro tiras, duas a duas, a quatro cores, o que causava transtornos de paginação e ocupava muito do espaço destinado à publicidade (aquilo que torna os jornais a preço mais acessível). E as editoras que se aventuravam a publicar a série transformavam essas páginas dominicais em tiras a preto e branco (mais curtas e mais altas), mas a gigantesca dimensão da série, 25 volumes, não permitia às editoras tempo necessário a uma mais competente retirada dessas cores, e como os gráficos não dispunham de meios informáticos, na altura, o trabalho era muito demorado, deficiente e até muito tosco mesmo.

Acresce que essas mesmas páginas dominicais, logo na primeira vinheta, apresentavam um enorme logótipo da série, que na publicação semanal até se compreendia, mas numa edição em álbum se transformava num verdadeiro pesadelo, aparecendo sistematicamente, de oito em oito tiras, quebrando a uniformidade que se exige a uma publicação em álbum.

Ora, esta minha ambiciosa edição consegue tornear o problema à custa de uma tarefa de meter medo ao susto. Reparem: a série durou 12 anos. Ora, como cada ano tem 52 semanas, teremos 52 x 12 = 624 retiradas de logótipos substituídos por imagens do próprio Caniff, resgatadas, combinadas e arranjadas para preencher o espaço. Além disso, há as mais de 4.380 pequenas tarjas com as legendas dos direitos de publicação que, embora diminutas e colocadas em sítios estratégicos, acabavam prejudicando o aspecto geral, e que foram  também removidas, para já não falar de alguns milhares de redes ratadas ou entupidas que foram substituídas.

E eram estes importantes detalhes que eu gostaria de ver realçados nos diferentes blogues que falam dos meus fanzines e que, até agora (por incúria minha, decerto), o não fizeram. Aí têm as minhas razões».
                                                                                                                                 José Pires

FANZINES DE JOSÉ PIRES (MAIO 2017)

Continuando a manter uma regularidade e uma periodicidade sem falhas, José Pires lançou este mês mais três volumes das séries que tem actualmente em publicação, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral abrangerá 25 números do FandClassics, cada um deles com mais de 70 páginas. O preço, no entanto, não varia, fixando-se nos 10 euros.

Outra série digna de relevo e que José Pires, fã incondicional do seu desenhador, o genial Tony Weare, tenciona também reeditar na íntegra (tendo já publicado mais de 40 episódios), é o magnífico western inglês Matt Marriott, bem conhecido dos leitores do “Mundo de Aventuras”, que foi a primeira revista portuguesa de banda desenhada a apresentá-lo ao público, embora com outro nome, no ano já distante de 1958.

Mas nem todos os episódios passaram pelas páginas do “Mundo de Aventuras” e de outras revistas da mesma época, e são esses que o Fandwestern tem procurado também recuperar, a partir de tiras de imprensa e de pranchas originais.

Este mês, surgiu também mais um número do Fandaventuras (o primeiro fanzine criado por José Pires, ainda nos anos 1990, de parceria com Jorge Magalhães e Catherine Labey), que continua a reeditar episódios de outra excelente série inglesa, também largamente difundida em Portugal, desde os anos 1950: Garth, criação de Steve Dowling, com posterior assistência de John Allard nos desenhos e de James Edgar nos argumentos. O episódio “O Navio Fantasma” foi totalmente desenhado por Allard.

Estes fanzines estão à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

 

FANZINES DE JOSÉ PIRES (ABRIL 2017)

Imparável, cheio de energia e de uma regularidade impressionante, na sua actividade de faneditor, José Pires lançou este mês mais dois números dos seus excelentes fanzines Fandclassics e Fandwestern, o primeiro dedicado, na fase actual, à famosa série Terry e os Piratas, criada pelo mestre Milton Caniff em 1934, e que neste fanzine irá ter reprodução integral, dividida por 24 volumes, com 70 páginas cada. Um esforço digno de apreço, tanto mais que se trata do melhor período desta série, praticamente inédito no nosso país e que José Pires conta divulgar no espaço de dois anos!

Quanto ao Fandwestern, fanzine mais antigo e de prestigiosas tradições, publica neste número outro episódio da série fetiche de José Pires: Matt Marriott, a inolvidável criação de Tony Weare (desenhos) e James Edgar (argumento), estreada entre nós no Mundo de Aventuras nº 437, de 2/1/1958, com o nome do herói alterado para Calidano, o Justiceiro.

O certo é que esse bizarro nome pegou e a série fez carreira no Mundo de Aventuras e noutras publicações da mesma editora (onde sofreu “tratos de polé”, devido ao pequeno formato dessas revistas), até ter direito a aparecer com o seu verdadeiro título, quase uma década depois, no Mundo de Aventuras nº 845.

Diga-se desde já que este número do Fandwestern tem um interesse acrescido, pois apresenta um dos últimos episódios desenhados por Tony Weare, na sua maioria ainda inéditos entre nós. Mais uma  performance de José Pires que, no caso de Matt Marriott, já anunciou também a sua publicação integral, em 68 volumes, editando a propósito (para os leitores mais curiosos) um catálogo com todas as capas desta série, além das primeiras tiras e dos títulos originais dos 68 episódios que constituem a colecção.

(Nota: ver mais informações sobre os fanzines publicados por José Pires noutros blogues da nossa Loja de Papel: O Voo d’O Mosquito, A Montra dos Livros e Era Uma Vez o Oeste).

NOVIDADES DO “FANDAVENTURAS”

“Mantendo a cabeça e os ombros bem acima dos históricos e ficcionais salteadores de estrada que o cinema, os livros, a literatura de cordel, os folhetins de terror e as histórias aos quadradinhos popularizaram, surge a figura de Dick Turpin. Ele foi o único salteador de estrada que se tornou um verdadeiro herói popular inglês. Um novelista pegou um dia na tradição oral deste destemido salteador-cavaleiro e introduziu-o numa novela que tornou famoso o nome de Dick Turpin por todo o mundo ocidental. O nome desse novelista era William Harrison Ainsworth e a novela chamava-se “Rookwood”.

O próximo número do Fandaventuras — um fanzine criado em Julho de 1990, portanto já quase com 27 anos de existência, e que José Pires relançou recentemente, com novas reedições de grandes autores clássicos ingleses — oferece-nos uma magnífica adaptação da obra de William Harrison Ainsworth, com desenhos do incomparável Tony Weare (já depois de ter abandonado a série Matt Marriott), publicada na revista Look and Learn, em 1980. Um clássico da literatura popular inglesa do século XVIII,  em que certamente Walter Booth se terá inspirado para criar o seu Captain Moonlight. Uma peça de colecionador!

E a propósito de Walter Booth convém lembrar que sai também este mês outro número do Fandaventuras (mas em formato especial, à italiana), com a reedição integral da série “Os Companheiros de Londres”, aventura que obteve grande êxito n’O Mosquito, em 1943, e que confirma em absoluto os excepcionais dotes de ilustrador deste célebre pioneiro da época áurea da BD inglesa.

Outra reedição de um clássico dos anos ’30, reproduzido directamente das páginas do semanário inglês Puck (onde Walter Booth publicou a maioria das suas obras), portanto com uma qualidade fora de série… como, aliás, tem sido timbre do Fandaventuras!

A título de curiosidade, recordamos que José Pires já reeditou, em vários volumes de formato à italiana, todas as grandes criações de Walter Booth, desde Rob the Rover (Pelo Mundo Fora) e Orphans of the Sea (O Gavião dos Mares) até Captain Moonlight (O Capitão Meia-Noite), que fizeram também as delícias dos leitores d’O Mosquito. Faltava apenas, nesse formato, apresentar “Os Companheiros de Londres (Chums of London Town), que fica agora, num só volume, ao dispor de todos os coleccionadores do Fandaventuras.

Estes fanzines estarão brevemente à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

JOSÉ PIRES E JEAN-LUC VERNAL

José Pires não foi o primeiro desenhador português a colaborar numa das mais prestigiosas revistas europeias de BD: o Tintin belga; mas foi seguramente o que mais páginas publicou nessa revista, em parceria com dois talentosos argumentistas, então ainda no início de uma promissora carreira: Jean Dufaux e Benoît Despas.

Tudo isso só se tornou possível porque o chefe de redacção do Tintin era Jean-Luc Vernal, um homem profissionalmente de vistas largas que soube avaliar os méritos artísticos de José Pires, dando-lhe o ensejo de iniciar também uma nova carreira (pois em Portugal, até essa data, tinha publicado ainda poucas obras, preferindo dedicar-se a tempo inteiro à publicidade).

O gesto de Jean-Luc Vernal valeu-lhe a gratidão e a admiração de José Pires, que passou a ser (re)conhecido dentro e além fronteiras do seu país, como um versátil autor de BD a quem estava reservado um brilhante futuro.

jean-luc-vernalNo depoimento que se segue, José Pires expressa mais uma vez a sua admiração, respeito e estima por aquele que lhe proporcionou a primeira grande (e bem sucedida) aventura da sua carreira, recordando uma relação profissional que a breve trecho se transformou numa excelente amizade, tanto com Vernal como com Dufaux e Despas. Tempos profícuos e gloriosos, que a infausta notícia do falecimento de Jean-Luc Vernal trouxe de novo à memória de José Pires e que este com viva emoção, decidiu partilhar com os nossos leitores — entre os quais se contam certamente muitos admiradores da sua obra —, num preito de homenagem a outro grande autor de BD chamado Jean-Luc Vernal! 

JE VOUS REMERCIE BIEN, MONSIEUR VERNAL, ET À TOUT À L’HEURE!

Foi por Jorge Magalhães que recebi a infausta notícia do recente falecimento de Jean-Luc Vernal. Pelo verdadeiro Senhor que ele foi e por todo o apoio e consideração demonstrada que recebi dele, tal notícia provocou-me severo abalo psicológico. Foi ele quem me abriu as portas do lendário magazine belga Tintin, no já distante ano de 1984. Foi nessa altura que me decidi a enviar às Editions du Lombard a capa e 10 páginas avulsas do meu álbum do Will Shannon, “O Poço da Morte”, mais tarde publicado pela Editorial Futura numa das suas colecções.

Infelizmente, os meus fracos conhecimentos de francês levaram-me a cometer um erro logo no título da capa (Puit, em vez de Puits), mas nem mesmo isso fez Jean-Luc Vernal atirar-me para o cesto dos papéis. Dias depois, vislumbrei na minha caixa de correio o timbre inconfundível de Tintin e Milou impressos a vermelho num envelope que me era dirigido. Tratava-se de uma missiva de Monsieur Vernal que me dizia que, face a não poder emitir uma opinião sobre uma história de 46 páginas, das quais apenas podia ver 10, ainda por cima sem texto em francês!, nada podia decidir.

la-mort-de-natchezAssim, propunha-me se eu estaria disposto a fazer a experiência num “maxi-chapitre” (história de 15/16 páginas), de colaboração com um argumentista belga. Claro que aceitei e foi assim que travei conhecimento com o Jean Dufaux, que na altura começava a despontar nos quadros da editora Lombard.

Jean Dufaux (de quem eu jamais ouvira falar) mandou-me as primeiras páginas de uma história intitulada “La Mort de Natchez”, que tinha como personagem principal um mestiço apache/mexicano chamado Irigo. Dizia-me que havia gostado do meu estilo de desenho e estava disposto a colaborar comigo futuramente: acabámos por fazer seis episódios do Irigo (e um extra), mais do que o suficiente para dois álbuns. É curioso que enquanto por aqui os nossos “experts” me achavam um seguidor de Franco Caprioli, por causa do meu pontilhado, na Bélgica chamavam-me o “Manara Portugais”, o que estava mais de acordo com a realidade, pois eu seguira os processos gráficos de Milo Manara, desenvolvidos na sua série Giuseppe Bergman.

Depois fui até Bruxelas, onde Monsieur Vernal, um sujeito alto e bem parecido, me recebeu galhardamente na redacção da Lombard. Manifestou-me o seu agrado pelo meu trabalho e foi então que me apresentou o Jean Dufaux, com o qual mantive uma longa relação de amizade. Chegou mesmo a passar uma semana em Portugal, ficando hospedado em minha casa. Mais tarde, Jean Dufaux, que se incompatibilizara com a nova direção da Lombard (uma editora Católica), foi trabalhar para França, com a Glénat, deixando-me sem saber o que fazer à vida, pois eu já me acomodara com os francos belgas que vinham mensalmente da editora.

Resolvi, pois, fazer uma adaptação de “A Morte do Lidador”, de Alexandre Herculano, baseada na que fizera 30 anos antes Eduardo Teixeira Coelho. Mas tal ideia revelou-se impraticável: os estilos de paginação e legendagem eram incompatíveis com os actuais. Deste modo, tive de fazer uma nova planificação e, com a ajuda de um colega que era professor de francês, enviei as 10 páginas, desta vez com texto em francês, para a Bélgica. Monsieur Vernal aceitou o meu trabalho, que foi também publicado no Tintin, em 1987, sob o título “La Mort du Batailleur”.

Abriu-me assim, pela segunda vez, as portas da revista que dirigia e, dizendo-me que “vous êtes vraiment à l’aise au Moyen Age”, arranjou-me um segundo guionista belga, Benoît Despas, que ele tinha recentemente admitido como colaborador, e que era especialista em assuntos da Idade Média.

du-guesclin-copyCom Benoît Despas fiz várias histórias de carácter medieval, como uma série sobre o Condestável francês Bertrand du Guesclin, que acabou publicada no Kuifje, a versão flamenga do Tintin. Um periódico local comentou tratar-se “da história de um Condestável francês, contada aos flamengos, escrita por um valão e desenhada por um português!”

Mas, por imposição dos herdeiros de Monsieur Hergé, o jornal Tintin acabou, sendo substituído por uma nova publicação, agora com o título de Hello BD. Ali, a convite de Monsieur Vernal, eu e o Benoît Despas fizemos uma série sobre os Templários, que acabaria por se tornar no meu primeiro álbum em língua estrangeira, tudo graças aos bons ofícios de Monsieur Vernal. Esse álbum, “Le Sang et la Gloire”, acabou mesmo por ser o mais vendido no mercado francófono na sua semana de lançamento.

Mais tarde, estive de novo em Bruxelas e, na companhia de Benoît Despas, tive uma nova entrevista com Monsieur Vernal, que nos encomendou nada menos de três álbuns, para executar no ano seguinte! Um sobre a guerra dos Boers, outro sobre os Francos e um terceiro sobre os Apaches, pois Monsieur Vernal achava que eu era muito competente a desenhar índios. Mas estes projectos jamais se realizariam. Monsieur Vernal seria substituído por Yves Sente, que desde logo descartou a encomenda feita, fechando-me as portas da editora, agora que o Hello BD terminara a carreira e a editora passara a dedicar-se inteiramente aos álbuns, acabando com a pré-publicação.

os-celtas-miticosTempos depois, em 1994, fui contactado por Monsieur Vernal, que, tendo em vista uma editora própria, me convidava para trabalhar com ele numa série de álbuns de sua autoria, de carácter fantástico, pedindo-me ao mesmo tempo para eu fazer uma prospecção junto das editoras portuguesas com as quais eu trabalhava, para lhe manifestarem o seu eventual interesse nas suas futuras produções. Desta feita, enviei-lhe os desenhos que ele me pedira e notas de encomenda da Meribérica, das Edições ASA, da Futura e das Edições Âncora.

Mas nunca mais tive notícias de Monsieur Vernal, nem sei se a sua editora chegou alguma vez a existir, pois ele necessitava de um suporte bancário para avançar com o seu projecto. Tive agora a infausta notícia do seu falecimento, aos 72 anos apenas. Mas jamais esquecerei a sua figura e o seu fidalgo trato para comigo e tudo quanto lhe fiquei a dever. Que Deus o tenha no seu eterno descanso, cher Monsieur Vernal!                         JOSÉ PIRES

FANZINES DE JOSÉ PIRES (FEVEREIRO 2017)

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Por cortesia de José Pires, nosso amigo de longa data, companheiro de muitas tertúlias desde os tempos heróicos em que lançámos o Fandaventuras e o Fandwestern, dois fanzines que ainda estão em publicação, graças ao incansável labor deste apaixonado pela BD clássica, que os edita mensalmente, com infalível pontualidade (mas agora a solo), apresentamos as edições distribuídas em Fevereiro, com novos episódios de duas séries carismáticas (Matt Marriott Terry e os Piratas) e a reedição da primeira história desenhada pelo saudoso artista português Vítor Péon para a mítica revista O Mosquito, na sua estreia, em 1943, como autor de banda desenhada.

Neste número, figura também uma história curta de Péon, com o título “Traidor em Fuga”, realizada em 1946 para O Pluto, revista dirigida e editada por Roussado Pinto, em que Péon foi o principal colaborador artístico, ilustrando-a de uma ponta à outra, num alarde de talento, versatilidade e energia criativa.

Estes fanzines já se encontram à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não mora na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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Recorde-se que Terry e os Piratas foi apresentada na fase final d’O Mosquito (1952-53) e posteriormente no Mundo de Aventuras, quando era desenhada por George Wunder, sucessor de Milton Caniff. Quanto a Matt Marriott é uma série inglesa, também em tiras diárias, desenhada por Tony Weare e escrita por James Edgar, que aborda com extraordinário realismo a colonização do Oeste americano em finais do século XIX, distanciando-se dos westerns da série B, nomeadamente os de feição mais juvenil.

Muitos dos seus episódios foram publicados no Mundo de Aventuras (formato pequeno) e na Colecção Tigre, como o que deu o título a este número do Fandwestern.

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