A QUINZENA CÓMICA – 35

SINAIS DE PRIMAVERA (2)

Basta olhar para esta capa para sentir o “cheiro” a Primavera!… Não há dúvida de que as garotas de José Manuel Soares — um dos artistas que mais se distinguiram no Cara Alegre, pelo seu traço elegante e as suas cores vivas e harmoniosas — tinham qualquer coisa de especial… e não pareciam apenas graciosas “bonecas” de papel, mas imagens feitas de outra substância, como a impalpável matéria dos sonhos!

A QUINZENA CÓMICA – 27

OS HOMENS (E AS MULHERES) NÃO SE MEDEM AOS PALMOS…

Em dose dupla (por termos faltado à chamada na última quinzena, devido a um assunto mais prioritário, o 27º Amadora BD), aqui têm mais uma amostra do inegável talento de dois dos melhores humoristas do Cara Alegre, os nossos já bem conhecidos José Viana e José Manuel Soares, que nestas capas glosam o mote que serve de título a este breve apontamento. Claro que as caricaturas, no humor mais refinado, são sempre exageradas… mas não há dúvida de que, em questão de alturas, cada centímetro conta, mesmo que isso não torne os pares incompatíveis.

A QUINZENA CÓMICA – 23

TEMPO DE PRAIA – 1

A época balnear está ainda no auge, graças ao calor de Agosto, atraindo às nossas praias (com ou sem bandeira azul) milhares de veraneantes que procuram no contacto com o sol, a areia e o mar um pouco de energia para “recarregar as baterias”, enquanto não chega o Outono com as suas suaves brisas… que se vão tornando cada vez menos brandas à medida que o Inverno faz ouvir as suas intempéries.

Há 60 anos as coisas não eram muito diferentes, exceptuando os fatos de banho que então se usavam (muito mais protectores dos danos solares… e dos olhares indiscretos) e a qualidade das nossas praias, que, diga-se de passagem, eram menos poluídas e atraíam menos gente, pelo menos no Algarve. “Carregar baterias” era um termo até pouco corrente, nesses recuados tempos em que os automóveis ainda não estavam ao alcance de toda a classe média. Nem os comboios…

Por isso, a norma era aproveitar as férias alugando uma casa perto da praia, porque as rendas eram baixas e poupava-se o custo dos bilhetes diários de comboio ou de autocarro para toda a família. A sabedoria popular tinha artes para enfrentar a austeridade, que agora são impossíveis (ou mais difíceis) de pôr em prática…

Com este “apontamento” estival, lembrando outros tempos que ainda vivi em menino e moço, aqui fica mais uma capa do Cara Alegre e outra aliciante ilustração de José Manuel Soares… que a desenhar garotas estava sempre no melhor da sua forma!

A QUINZENA CÓMICA – 22

QUANDO O AMOR “DESAFINA”…

Cara Alegre 96 - 1 e 2

Abrimos as nossas quinzenas cómicas deste mês com mais duas ilustrações de um dos artistas mais em destaque no Cara Alegre, José Manuel Soares (mestre das cores e também do preto e branco, como Stuart), numa visão simultaneamente caricatural e realista do namoro… em lugares tão diferentes como o escritório e o salão de baile!

Estes trabalhos — em que avulta, de novo, a elegância sofisticada do traço de um notável ilustrador — foram publicados no Cara Alegre nº 96, de 1/1/1955, cuja sugestiva capa (celebrando o 4º aniversário da revista) também é de José Manuel Soares.

Anos M dos Livros - Cara Alegre 96

A QUINZENA CÓMICA – 18

ELAS AO VOLANTE (1)

Cara Alegre 135 320

Voltando a este tema sempre actual, visto que já deve haver mais condutoras do que condutores no nosso país (embora hoje, com toda a evidência, mais habilitadas do que no passado), apresentamos aos nossos leitores e amigos a capa do Cara Alegre nº 135 e a página central do nº 96, ambas ilustradas por José Manuel Soares, um dos melhores colaboradores desta icónica revista de humor.

Talentoso e versátil artista figurativo, cuja carreira se iniciou em finais dos anos 40 do século passado, JMS distinguiu-se como pintor, cartunista, ilustrador de livros e revistas e autor de banda desenhada, nomeadamente em títulos como Cavaleiro Andante, Número Especial do Cavaleiro Andante, Mundo de AventurasLusitas, Spar e sobretudo Fagulha, revista editada pela Mocidade Portuguesa Feminina.

Passou por várias editoras, com destaque para a Agência Portuguesa de Revistas (onde foi um dos principais desenhadores do seu quadro privativo) e para a Romano Torres, e colaborou assiduamente nas duas séries do Cara Alegre.

Cara Alegre rosa 318

A QUINZENA CÓMICA – 13

NAMORO NOCTURNO

Cara Alegre 95 e 17

Diz-se que a noite foi feita para amar… e por isso não admira que esse mote figure também entre as elucubrações dos poetas e dos cartunistas — como Stuart Carvalhais e José Manuel Soares, dois dos mais versáteis e talentosos colaboradores do “Cara Alegre”, ilustram nestas «odes» satíricas ao sortilégio nocturno que envolve os namorados no «manto diáfano da fantasia»… Tal como muitos poetas declamam, por seu turno, inspirando-se nas suas musas, para fazer concorrência aos humoristas!

A QUINZENA CÓMICA – 6

ELES E ELAS: MEIA IDADE (2)

Cara Alegre 26 e 34

Nas capas do Cara Alegre que hoje enfeitam esta humorística e pitoresca galeria, voltam a estar em destaque os desenvoltos traços de dois dos seus melhores e mais prolíficos colaboradores artísticos: José Viana e José Manuel Soares, que sucederam a Stuart Carvalhais após a primeira etapa (nºs 1 a 24) da revista.

Não sabemos por que motivo Stuart, tão assíduo no ano de 1951, em pleno auge da sua carreira, abandonou as fileiras do Cara Alegre, mas não há dúvida de que foi bem substituído por dois jovens cartunistas, inspirados pela mesma esfuziante veia cómica e já com um estilo depurado, mas que pouco devia ao do seu ilustre antecessor, procurando aliar a nova forma a um sentido inato do humor malicioso.

Cara Alegre 86 e 98

 

A QUINZENA CÓMICA – 4

SINAIS DE TRÂNSITO (2)

Cara Alegre 99 + 126

Aqui têm mais um punhado de ilustrações do Cara Alegre dedicadas a um tema que atravessa todas as épocas desde que os primeiros automóveis invadiram as ruas dos principais centros urbanos, desencadeando uma revolução nos transportes (e nos hábitos dos cidadãos) que ainda hoje se faz sentir.

Duas destas capas são da autoria de José Manuel Soares, artista de grande versatilidade cujos dotes humorísticos são, porém, menos conhecidos (e apreciados) do que o seu inegável talento como pintor, ilustrador e autor de histórias aos quadradinhos. Esperamos, com estes exemplos, colmatar um pouco essa lacuna…

Em complemento, saboreiem mais dois trabalhos de José Viana, outro colaborador do Cara Alegre de inspirada veia cómica, que retrata, sob outros ângulos, o mesmo feminino tema — pois, nesse tempo, as mulheres já tinham carta de condução… embora fossem elas (segundo o Cara Alegre) as causadoras de muitos desastres!

A QUINZENA CÓMICA – 2

SONHO DE UM DIA DE VERÃO  

Ainda com a época balnear a decorrer (se o tempo ajudar, o que a meteorologia não confirma), aqui têm mais algumas capas do Cara Alegre, as três primeiras assinadas por Stuart e José Manuel Soares (que foi também um dos seus mais notáveis colaboradores, a partir de 1953). Ambos dão um toque brejeiro e de agradável frescura a uma estação em que havia mais “mirones” nas praias do que “sereias”… tanto ontem como hoje!

A quarta capa é de José Viana, outro assíduo colaborador do Cara Alegre, cujo humor peculiar faz jus aos seus melhores momentos revisteiros.

Como curiosidade, repare-se no fato de banho completo da “sereia” retratada por Stuart (era assim há 64 anos) — que até ia para a praia de saltos altos!

Cara Alegre nº 16 e 40

Nota: muita gente prefere gozar férias em Setembro, passada a vaga de calor e de emigrantes e turistas que, tradicionalmente, inunda em Agosto este torrão à beira-mar plantado. Eu próprio, quando ainda trabalhava na Agência Portuguesa de Revistas, escolhi muitas vezes o mês de Setembro para as minhas escapadelas até ao campo (aqui perto, em Palmela, para as vindimas, na Beira Alta e no leste de França) ou à praia (geralmente no Guincho ou no Algarve, para não fugir à regra). E nunca me arrependi dessa opção… porque o tempo mostrou sempre boa cara!

 

A QUINZENA CÓMICA – 1

OS REIS DA ANEDOTA POPULAR

Cara Alegre nº 6Assinalando com as devidas honras o nosso 400º post, iniciamos hoje uma nova rubrica humorística, de periodicidade quinzenal como o seu título indica, que apresentará material oriundo de uma das mais famosas revistas que, em meados do século passado, fizeram sorrir os portugueses, distraindo-os das preocupações do quotidiano e dos ditames de um regime opressivo que procurava controlar e cercear todas as liberdades — até a de fazer humor.

Passando muitas vezes entre as malhas da censura, o Cara Alegre, nascido em 10 de Janeiro de 1951, conseguiu tornar-se um símbolo da “resistência” dos humoristas portugueses, que, embora evitando tocar em assuntos mais delicados politicamente, souberam retratar a sociedade do Estado Novo com os seus defeitos, as suas vaidades, os seus costumes arreigadamente pequeno burgueses, mas também o seu espírito bairrista e popular, dando um saudável exemplo de maturidade cívica que faltou a outras áreas criativas.

Cara Alegre nº 13Como frisaram os editores do Cara Alegre, referindo-se aos 15 primeiros volumes da colecção quinzenal (do nº 1 ao 180), esta revista, dirigida por Nelson de Barros e que contou entre os seus principais capistas (para citarmos apenas esta faceta artística) com autores como Stuart Carvalhais (nos 24 primeiros números), José Viana, José Manuel Soares e Carlos Roque, era “uma verdadeira enciclopédia do humor contemporâneo, única em Portugal e rara no estrangeiro. Nessa série de números encontram-se 1300 artigos e contos humorísticos, 7500 desenhos, 10000 anedotas, tudo quanto em sete anos de melhor produziram os maiores humoristas do mundo, nas mais significativas expressões da sua arte. Adquirindo a nossa colecção, o leitor tem a certeza de levar para a sua estante, o riso ou — o que é melhor — os sorrisos do mundo, numa das fases mais perturbadas da sua existência”. Balanço positivo de uma carreira pautada pela originalidade…

Cara Alegre nº 18Parafraseando o Cara Alegre, abrimos a nossa primeira quinzena cómica com alguns chistes de Stuart Carvalhais e de outro expoente, não só da arte gráfica como do teatro, que foi José Viana. O seu humor castiço — em que se espelham também os sorrisos do mundo — evade-nos de uma realidade que continua a ser perturbadora (e hoje, talvez, ainda mais insólita), porque o mundo atravessa uma fase carregada de nuvens negras, das ameaças terroristas às incertezas das bolsas e dos mercados.

Embora tenhamos a televisão e a internet, cada vez mais presentes e dominadoras no nosso quotidiano, ganhando uma influência determinante em termos sociais que nenhum meio de comunicação teve até hoje, nem mesmo o cinema, a verdade é que o cenário à nossa volta é cada vez mais desolador. Cara Alegre 32Dantes empregava-se muito o ditado “rir é o melhor remédio”, mas hoje o humor anda pelas ruas da amargura e são raros os cartoonistas que ainda encontram espaço para as suas criações, porque já não há revistas como o Cara Alegre, o Can-Can, Os Ridículos, a Parada da Paródia, A Bomba ou o Riso Mundial.

Parece que a “apagada e vil tristeza” dos problemas económicos, sociais e políticos não nos deixa alternativa para uma boa e salutar gargalhada, à maneira dos velhos tempos em que o cidadão comum, apesar de todas as dificuldades e restrições que enfrentava no dia-a-dia, ainda era capaz de acalentar no seu espírito uma réstia de alegria, de fé e de esperança no futuro.

Cara Alegre 33 430Hoje, parece que tudo isso se consome em 24 horas e que é preciso “recarregar baterias”, depois de ouvirmos todas as más notícias na televisão, que pouco auguram de positivo para o nosso futuro próximo, e os discursos banais e estéreis dos políticos que nos (des)governam, numa eterna e despudorada “caça ao voto”. Já para não falar do que lemos nas redes sociais…

Com o liberalismo democrático que hoje impera em todos os media, o humor tornou-se dependente de uma fórmula única e exclusiva: a actualidade política e económica,Cara Alegre 56 431 o que limita naturalmente o seu campo de expressão. Os humoristas já não se inspiram na anedota popular (que era a eleita de Stuart), mas na máquina de propaganda mediática que condiciona as suas ideias. O sentimento deu lugar à razão…

Apetece-nos, por isso, recordar que rir sem entraves é o melhor remédio, em companhia — nesta Quinzena Cómica que pretende prestar-lhes homenagem — de alguns dos melhores humoristas que passaram pelas páginas, recheadas de jovialidade, bonomia e leveza de espírito, do saudoso e emblemático Cara Alegre.