IN MEMORIAM: JOSÉ MANUEL SOARES (1932-2017)

Depois de dezasseis anos num estado quase vegetativo devido a três AVC’s sofridos, faleceu no passado dia 31 de Dezembro mestre José Manuel Soares, tão ilustre pintor como autor de vasta obra pela Banda Desenhada.

Residia na Costa da Caparica e era casado com a pintora Ângela Vimonte. Nasceu em S. Teotónio (concelho de Odemira) a 7 de Setembro de 1932. Tinha uma galeria com exemplos da sua Pintura, em Leiria.
Foi homenageado pela BD, na Sobreda (1986), em Moura (1993) e, em 1996, no 15.º Festival de Banda Desenhada de Lisboa.
Colaborou para muitas publicações, como “Diabrete”, “Cavaleiro Andante”, “Pimpão”, “Mundo de Aventuras”, “Fagulha”, “Lusitas”, “O Odemirense”, “Cara Alegre”, “Jornal de Almada”, “Diário do Norte”, “Alentejo Popular”, etc.
Com vastíssima obra pela 9.ª Arte, muito poucos exemplos estão registados e recuperados em álbum, a saber:
Em 1985, pela Editorial Futura, um álbum com as narrativas “A Ala dos Namorados” e “De Angola à Contra-costa”, obras publicadas anteriormente na revista “Cavaleiro Andante”.
Em 1990, “Luís Vaz de Camões”, com edição da Câmara Municipal de Odemira.
Em 2000, pelo Grupo Bedéfilo Sobredense (GBS), o n.º 15 de “Cadernos Sobreda-BD”, com as narrativas “O Morcego de Veludo” e “Rasto de Fogo”.
Alguns outros títulos da sua arte como desenhista: “Zeca”, “O Filho do Leão”, “Giácomo, o Indesejável”, “O Ferido do Bosque”, “Zona Perigosa”, “O Palácio de Cristal”, etc.
De entre outros, desenhou argumentos de Artur Varatojo e de Raúl Cosme. Pela sua Pintura, foi digna e diversas vezes premiado.
Expôs exemplos da sua banda desenhada na Sobreda, Moura, Lisboa, Viseu e Leiria. Em Agosto de 2014, foi inaugurado em Pinhel o Museu José Manuel Soares, no primeiro andar da Casa da Cultura (antigo Paço Episcopal, edifício datado do Séc. XVIII). Uma justíssima homenagem à memória e à obra do artista, onde se pode apreciar a sua Pintura e a sua Banda Desenhada [como documenta a imagem seguinte].
Que mestre José Manuel Soares esteja agora na devida paz eterna! À sua viúva, Ângela Vimonte, apresentamos as mais sinceras condolências.

                                                                                                                    Luiz Beira/Carlos Rico

Nota: este texto e algumas imagens foram reproduzidos, com os nossos agradecimentos, do blogue BDBD. O “post” completo, com muitos exemplos da arte de José Manuel Soares, pode ser visto em http://bloguedebd.blogspot.pt/2018/01/faleceu-jose-manuel-soares.html).

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O MARAVILHOSO NATAL DO “DIABRETE” (1950)

Eis mais uma homenagem que prestamos ao Diabrete, a revista infanto-juvenil que durante um longo período, de 1941 a 1951, ofereceu aos seus leitores, por tradição, as mais belas capas de Natal de toda a imprensa portuguesa.

Desde o início que essas capas eram realizadas por Fernando Bento, cujo génio gráfico, cénico e ilustrativo não parava de evoluir, rivalizando com o dos seus colegas artísticos, ao serviço de revistas com as quais o Diabrete mantinha animada competição, como O Mosquito, o Tic-Tac, O Papagaio, O Faísca e O Senhor Doutor.

Natal Diabrete 50 - poema Natal Feliz 392Algumas, apesar da sua longevidade, foram ficando pelo caminho, porque não souberam adaptar-se aos ares do tempo, aos novos gostos do público, que O Mosquito e o Diabrete tinham apurado com a apresentação de novos heróis, em aventuras mais modernas e trepidantes, ilustradas por artistas de grande craveira, e com a importância cada vez maior que davam às histórias aos quadradinhos. Em 1950, a luta entre os dois grandes rivais continuava acesa, com ligeira vantagem d’O Mosquito, que contava ainda com um importante trunfo, as excelentes criações de Eduardo Teixeira Coelho — artista ímpar no panorama nacional —, e soubera renovar-se, acompanhando a evolução das próprias modas juvenis, ao apostar em séries inglesas e americanas de estilo mais adulto (como o seu congénere Mundo de Aventuras, um novo título que começava a disputar seriamente o domínio do mercado).

Mas, mantendo viva a tradição, o Diabrete atingia sempre um ponto alto com os seus números especiais de Natal, que tinham o dobro das páginas e apresentavam um sumário bem recheado, com episódios completos e séries em continuação, além dos contos, das rubricas mais variadas, de interesse lúdico e didáctico, e dos poemas de Adolfo Simões Müller, como era norma na revista dirigida por este fervoroso educador da juventude.

Natal Diabrete O tesouro do cap Rosa [ minas de Salomão

Natal Diabrete 50 - Bob e bobette390

Não fugindo à regra, o número de Natal de 1950 — que seria o penúltimo no já longo historial do Diabrete — encheu de júbilo os leitores que o receberam como prenda nesse dia festivo, oferecendo-lhes magníficas aventuras como “O Tesouro do Cavaleiro da Rosa” (com Tim-Tim à procura do segredo do Licorne), “O Mistério do Quadro Flamengo”, episódio de outra famosa série belga (Bob e Bobette, criação de Willy Wandersteen), “As Minas de Salomão”, ilustradas por Fernando Bento, a partir do famoso romance de Rider Haggard (que muitos ainda atribuem a Eça de Queirós), “Histórias dos Velhos Deuses”, as mitológicas proezas de Teseu, herói de Atenas, revividas pelo traço de Marcello de Morais, “Aventuras do Capitão Hatteras”, versão de uma obra de Jules Verne, realisticamente adaptada por A. Maniez — que também ilustrou uma das histórias completas deste número, com o título “Os Ajudantes do Menino Jesus” —, e mais, muito mais, num total de 32 páginas que todos os fiéis amigos do “grande camaradão” liam com deleite, mergulhados num mundo de diversão e fantasia que até os fazia esquecer as outras prendas natalícias.

Natal Diabrete 50 - Ajudantes M Jesus 1 e 2

Este número — cuja capa, interrompendo a série de magníficas ilustrações de Fernando Bento, foi o trabalho de estreia, primoroso na sua simplicidade, de um novel colaborador, José Manuel Soares, a quem estava reservado um auspicioso futuro artístico — inseria ainda um Presépio ilustrado por Pili Blasco, irmã do mestre espanhol Jesús Blasco, à qual se deviam duas histórias de género romântico (mas que os rapazes também apreciavam): “O Príncipe Valente e a Menina Cega” e “O Ferreiro de Coração de Oiro”.

Natal Diabrete 50 - Presépio 1 388

Por último, não podemos esquecer o tradicional poema de Adolfo Simões Müller, cujas evocações da quadra natalícia tinham sempre uma toada diferente (podem lê-lo na abertura deste post), e a divertida história “Diabrete Pai Natal”, em que o estro humorístico de Fernando Bento, sem perder o seu cunho próprio, foi buscar inspiração a uma farsa de Cuto, o célebre herói criado por Jesús Blasco, que O Mosquito, em peripécias bem mais realistas, continuava a apresentar nas suas páginas.

Natal Diabrete 50 - pai natal bento391

A QUINZENA CÓMICA – 43

PIROPOS (2)

… ou no tempo em que as mulheres não se preocupavam com o chamado hoje em dia “assédio sexual” — termo nebuloso que, muitas vezes, confunde a obscenidade com a malícia e as atitudes grosseiras com os vulgares “piropos”.

Já em grande forma nos primeiros anos da sua carreira, José Manuel Soares continuava a espraiar a refinada elegância da sua arte (e das suas “garotas”) pelas páginas do Cara Alegre, como temos mostrado nesta rubrica, fazendo honrosa parceria com José Vilhena, José Viana e outros humoristas portugueses dessa época.

A QUINZENA CÓMICA – 40

Nesta série de capas do “Cara Alegre”, que já vai longa, há sempre lugar para mais um excelente trabalho de José Manuel Soares, com a elegância de forma e a harmonia cromática que caracterizam a obra de um dos melhores colaboradores da revista humorística mais célebre de Portugal. Pintor de renome, mestre da aguarela, José Manuel Soares distinguiu-se também no género realista, em quadros históricos que enriquecem museus e aventuras aos quadradinhos de suave beleza que encantaram as leitoras e os leitores de revistas juvenis como a “Fagulha” e o “Cavaleiro Andante”.

SÃO JOÃO… SÃO JOÃO… SÃO JOÃO…

Mesmo depois de grandes  tragédias, a fé e a esperança não morrem… nem as mais alegres tradições profundamente arreigadas no coração do povo.

Que os festejos da noite de São João — evocados no Cara Alegre, em 1955, pelos pitorescos versos e o gracioso traço de José Manuel Soares — ajudem a minorar, pelo menos na nossa lembrança, a dor, o sofrimento e a tragédia que marcaram indelevelmente o mês de Junho de 2017.

A QUINZENA CÓMICA – 35

SINAIS DE PRIMAVERA (2)

Basta olhar para esta capa para sentir o “cheiro” a Primavera!… Não há dúvida de que as garotas de José Manuel Soares — um dos artistas que mais se distinguiram no Cara Alegre, pelo seu traço elegante e as suas cores vivas e harmoniosas — tinham qualquer coisa de especial… e não pareciam apenas graciosas “bonecas” de papel, mas imagens feitas de outra substância, como a impalpável matéria dos sonhos!

A QUINZENA CÓMICA – 27

OS HOMENS (E AS MULHERES) NÃO SE MEDEM AOS PALMOS…

Em dose dupla (por termos faltado à chamada na última quinzena, devido a um assunto mais prioritário, o 27º Amadora BD), aqui têm mais uma amostra do inegável talento de dois dos melhores humoristas do Cara Alegre, os nossos já bem conhecidos José Viana e José Manuel Soares, que nestas capas glosam o mote que serve de título a este breve apontamento. Claro que as caricaturas, no humor mais refinado, são sempre exageradas… mas não há dúvida de que, em questão de alturas, cada centímetro conta, mesmo que isso não torne os pares incompatíveis.

A QUINZENA CÓMICA – 23

TEMPO DE PRAIA – 1

A época balnear está ainda no auge, graças ao calor de Agosto, atraindo às nossas praias (com ou sem bandeira azul) milhares de veraneantes que procuram no contacto com o sol, a areia e o mar um pouco de energia para “recarregar as baterias”, enquanto não chega o Outono com as suas suaves brisas… que se vão tornando cada vez menos brandas à medida que o Inverno faz ouvir as suas intempéries.

Há 60 anos as coisas não eram muito diferentes, exceptuando os fatos de banho que então se usavam (muito mais protectores dos danos solares… e dos olhares indiscretos) e a qualidade das nossas praias, que, diga-se de passagem, eram menos poluídas e atraíam menos gente, pelo menos no Algarve. “Carregar baterias” era um termo até pouco corrente, nesses recuados tempos em que os automóveis ainda não estavam ao alcance de toda a classe média. Nem os comboios…

Por isso, a norma era aproveitar as férias alugando uma casa perto da praia, porque as rendas eram baixas e poupava-se o custo dos bilhetes diários de comboio ou de autocarro para toda a família. A sabedoria popular tinha artes para enfrentar a austeridade, que agora são impossíveis (ou mais difíceis) de pôr em prática…

Com este “apontamento” estival, lembrando outros tempos que ainda vivi em menino e moço, aqui fica mais uma capa do Cara Alegre e outra aliciante ilustração de José Manuel Soares… que a desenhar garotas estava sempre no melhor da sua forma!

A QUINZENA CÓMICA – 22

QUANDO O AMOR “DESAFINA”…

Cara Alegre 96 - 1 e 2

Abrimos as nossas quinzenas cómicas deste mês com mais duas ilustrações de um dos artistas mais em destaque no Cara Alegre, José Manuel Soares (mestre das cores e também do preto e branco, como Stuart), numa visão simultaneamente caricatural e realista do namoro… em lugares tão diferentes como o escritório e o salão de baile!

Estes trabalhos — em que avulta, de novo, a elegância sofisticada do traço de um notável ilustrador — foram publicados no Cara Alegre nº 96, de 1/1/1955, cuja sugestiva capa (celebrando o 4º aniversário da revista) também é de José Manuel Soares.

Anos M dos Livros - Cara Alegre 96

A QUINZENA CÓMICA – 18

ELAS AO VOLANTE (1)

Cara Alegre 135 320

Voltando a este tema sempre actual, visto que já deve haver mais condutoras do que condutores no nosso país (embora hoje, com toda a evidência, mais habilitadas do que no passado), apresentamos aos nossos leitores e amigos a capa do Cara Alegre nº 135 e a página central do nº 96, ambas ilustradas por José Manuel Soares, um dos melhores colaboradores desta icónica revista de humor.

Talentoso e versátil artista figurativo, cuja carreira se iniciou em finais dos anos 40 do século passado, JMS distinguiu-se como pintor, cartunista, ilustrador de livros e revistas e autor de banda desenhada, nomeadamente em títulos como Cavaleiro Andante, Número Especial do Cavaleiro Andante, Mundo de AventurasLusitas, Spar e sobretudo Fagulha, revista editada pela Mocidade Portuguesa Feminina.

Passou por várias editoras, com destaque para a Agência Portuguesa de Revistas (onde foi um dos principais desenhadores do seu quadro privativo) e para a Romano Torres, e colaborou assiduamente nas duas séries do Cara Alegre.

Cara Alegre rosa 318