PARABÉNS, MESTRE JOSÉ GARCÊS!

Muitas décadas depois da sua memorável estreia nas páginas d’O Mosquito (1946), José Garcês (que comemora hoje, 23 de Julho, mais um aniversário) continua a produzir histórias aos quadradinhos, como documentam dois trabalhos de notável erudição publicados em 2016, concretizando projectos antigos que o venerando mestre conseguiu ainda levar a cabo: uma minuciosa e apaixonante biografia de Santo António de Lisboa, publicada com a chancela da EuroPress (e que este ano, em Junho, voltou às bancas), e outra excelente monografia sobre um tema em que Garcês se tornou também um dos nossos maiores espe- cialistas: a história das cidades portuguesas. Depois de Porto, Guarda, Ourém, Oliveira do Hospital, Pinhel, Faro e Olhão, foi a vez de Silves, num álbum editado em Outubro de 2016 pela respectiva Câmara Municipal, mas cuja realização remonta a 2009/2010. O “compasso de espera” deveu-se como sempre ao excesso de burocracia, que domina ainda grandes áreas da administração pública.

Mas valeu a pena o esforço da edilidade para romper essas barreiras, pois o álbum (em edição brochada e cartonada) representa uma preciosa homenagem à antiquíssima urbe algarvia recheada de tradições, revelando inúmeros factos da sua história, com o rigor documental e artístico que é apanágio de Garcês e a harmonia e beleza gráfica que caracterizam, desde há muito, o seu estilo — bem patentes na maravilhosa recriação da célebre “Lenda das Amendoeiras em Flor”, com que encerra mais um álbum digno inegavelmente de figurar entre as suas melhores obras sobre esta temática.

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SANTO ANTÓNIO EM PORTALEGRE – COM ANTÓNIO MARTINÓ E JOSÉ GARCÊS

Página do jornal “Alto Alentejo”, dedicada à memorável sessão de homenagem a Mestre José Garcês (e a Santo António, padroeiro de Portalegre), ocorrida no passado dia 21 de Maio, naquela cidade alentejana, e em que foi orador o Professor António Martinó.

Decano da BD portuguesa, José Garcês concretizou em 2016 um dos seus mais antigos projectos, publicando um álbum sobre a vida de Santo António, ao comemorar 70 anos de carreira como autor de uma vasta obra que dignifica não só a Banda Desenhada como a arte da ilustração ao serviço da cultura, do ensino e do património.

Recordamos que uma exposição com pranchas originais desse magnífico álbum está ainda patente no Museu de Santo António, em Lisboa.

SANTO ANTÓNIO EM PORTALEGRE – HOMENAGEM A UM GRANDE MESTRE DA BD PORTUGUESA

Por iniciativa da Câmara Municipal de Portalegre e do Professor António Martinó (que será o apresentador), realiza-se no próximo dia 21 de Maio, pelas 18h00, tendo como cenário o Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre, mais uma homenagem a Mestre José Garcês, com o tema Santo António em Banda Desenhada — um projecto que o decano da BD portuguesa viu concretizado em 2016, ao comemorar 70 anos de carreira como autor de uma vasta obra que dignifica não só a BD como a arte da ilustração ao serviço da cultura, do ensino e do património.

Parabéns, José Garcês! E parabéns também aos promotores desta homenagem, no âmbito das comemorações do Dia de Portalegre!

SANTO ANTÓNIO NA BANDA DESENHADA

Tendo como base a apresentação das pranchas originais, da autoria de José Garcês, do álbum publicado em 2016, pela Europress, sobre a vida de Santo António, o Museu de Lisboa – Santo António desafiou a Bedeteca de Lisboa a identificar a presença deste célebre Santo português na Banda Desenhada.

O resultado dessa investigação traduz-se nesta exposição, onde a figura de Santo António tanto surge num contexto histórico e biográfico — em que José Garcês é um dos expoentes máximos, entre os da sua geração —, ou associada às tradicionais festas populares ou ainda em tom jocoso relacionado com a sátira e a crítica social, trespassando as várias gerações de ilustradores portugueses, que (quase) obrigatoriamente o tinham de representar. Serão exibidos exemplares de José Garcês, mas também de Raphael Bordalo Pinheiro, Carlos Botelho, Filipe Abranches, João Paulo Cotrim e Pedro Burgos, Marcos Farrajota, Nuno Saraiva, Vítor Silva, entre outros.

Alguns destes autores e ilustradores estarão presentes na inauguração. A entrada é livre e sujeita à lotação do espaço. Morada: Largo de Santo António da Sé, 22, Lisboa.

MARIA ISABEL DE MENDONÇA SOARES – UMA VIDA DEDICADA À LITERATURA INFANTIL

ma-isabel-m-soares-retratoA escritora Maria Isa­bel de Mendonça Soares, que dedicou a vida à promoção do livro infantil, faleceu no passado dia 24 de Janeiro, aos 95 anos. Nascida em Lisboa, em 1922, era autora de dezenas de livros para crianças, tendo começado a es­crever na década de 1940.

De acordo com a biografia patente na página oficial da Direcção-Geral do Li­vro, dos Arquivos e das Biblio­tecas (DGLAB), a autora fundou as Bibliotecas Infantis “A Desco­berta”, da Associação de Pedagogia Infantil, e dedicou-se du­rante várias décadas à forma­ção de educadores de infância e ao ensino de Literatura para a Infância e Cultura Portuguesa. Foi ainda tradutora de livros para crianças, como, por exemplo, a série “Pedrito Coelho”, de Beatrix Potter, e adap­tou contos tradicionais e po­pulares.

«A obra desta autora é essencialmente de carácter pedagó­gico. Atenta aos problemas do seu tempo e às crianças, directas destinatárias da sua obra. num estilo leve e carregado de humor, não renuncia ao seu lugar de adulto junto das crianças», lê-se nessa biografia.

fagulha-livro-de-contos369Entre as obras de Maria Isa­bel de Mendonça Soares cons­tam “Os Marujinhos Perderam o Norte” (1958), “Roda Roda” (1969). “Algodão e Algodinho” (1973), “Viva a Laranja” (1977), “Contos no Jardim” (1977) e “Dias de Festa”. Colaborou ainda em várias publicações para a infân­cia, algumas das quais ligadas à Mocidade Portuguesa, como Lusitas, Fagulha, Girassol, Ca­maradaPisca-Pisca, FarolJoão Ratão e Fungagá da Bicharada.

Nesta área, a autora agora desaparecida deixou avultada obra, sobretudo em duas revistas editadas pela Mocidade Portuguesa Feminina, a Lusitas e a Fagulha, onde além de contos redigiu também argumentos para histórias aos quadradinhos. Alguns desses contos estão compilados no 1º volume da Colecção «Fagulha», cuja capa acima reproduzimos. Provavelmente foi o único número publicado dessa colecção, pois a revista Fagulha terminou a sua existência logo após o 25 de Abril.

Em complemento destas páginas que mostram dois trabalhos de Maria Isabel de Mendonça Soares para a Fagulha, com ilustrações de José Garcês e Júlio Gil, em forma de BD, reproduzimos também uma breve mas elucidativa entrevista, publicada no Jornal da Madeira em 6/4/1988, que a autora concedeu a Maria Margarida Macedo Silva (fundadora e directora da rede de Bibliotecas Infanto-Juvenis “O Jardim”), e na qual se refere detalhadamente à sua colaboração em várias revistas infanto-juvenis.

Nota: agradecemos a Carlos Gonçalves ter-nos facultado este documento.

 (Para ver/ler as imagens em toda a sua extensão, clique duas vezes sobre as mesmas).

MASCARENHAS BARRETO – ESCRITOR, POETA, MUSICÓLOGO, HISTORIADOR E AUTOR DE BD

mascarenhas-barreto-camarada-64-270Com 93 anos, faleceu no dia 3 de Janeiro p.p. o escritor e historiador Augusto Cassiano Neves da Silveira de Mascarenhas de Andrade Barreto (conhecido por Mascarenhas Barreto), em cuja rica e vasta biografia se destaca a ligação ao Fado, com o livro “O Fado – Origens Líricas e Motivações Poéticas” e como letrista de canções, à Literatura Policial, como autor e tradutor, e à Banda Desenhada, como argumentista nas páginas do Camarada (1ª série) e do Cavaleiro Andante, usando, com frequência, o pseudónimo de João da Terra.

Foi também, no campo da historiografia, um tenaz defensor da tese de que Cristóvão Colombo era português, natural de Cuba (Baixo Alentejo), tema polémico sobre o qual escreveu vários livros e o argumento para dois álbuns de BD ilustrados por José Garcês, com o mesmo título: “Cristóvão Colombo, Agente Secreto de El-Rei D. João  II” (Edições Asa, 1992/93).

mascarenhas-barreto-camarada-55-269No Jornal da MP e no Camarada, revistas editadas pela Mocidade Portuguesa, escreveu também novelas his- tóricas e contos humorísticos, estes sob o pseudónimo de Impressão Digital, com um “façanhudo” detective, o Capitão Mostarda (que fazia lembrar Hercule Poirot e gozou de grande popularidade entre os leitores).

As suas outras histórias de BD no Camarada foram ilustradas por Júlio Gil (“Cid Campeador”, “O Segredo da Luva Cinzenta”, “O Samovar de Prata”), Marcello de Morais (“O Rapto da Rainha do Volfrâmio”, “Vic Este em Paris”, “O Segredo do Centauro”), Bastos Coelho (“O Estranho Caso de Bula-Ditadi”, “O Enigma do Lume”, “Um Plano Tenebroso”), mascarenhas-barreto-camarada-73-271José Leal (“O Gato Azul”, “Zephir”), António Vaz Pereira (“Por Terras Estranhas de Além-Atlântida), José Garcês (“O Terrível Espadachim”).

Com este mestre da BD portuguesa, colaborou também em duas histórias publicadas no Cavaleiro Andante, “Viriato” e “O Falcão” (1952/53), e noutro álbum editado pela ASA: “D. João V – Uma Vida Romântica” (1994).

No âmbito da literatura policial, além de ter sido um prolífico tradutor, especialmente para a célebre Colecção Vampiro, escreveu romances com pseudónimos estran- geiros (como Van der Bart) e em nome próprio, de parceria com Francisco Branco, uma das obras mais originais da sua carreira, com o título “O Clube dos Sete Anões”, publicada no volume nº 66 da Colecção Xis (1957).

Por amabilidade de Carlos Gonçalves, nosso colaborador e amigo de longa data, cujos valiosos préstimos nos cumpre mais uma vez agradecer, recordamos seguidamente uma elucidativa entrevista que este fez a Mascarenhas Barreto para a rubrica Correio da Banda Desenhada, sobre os primórdios da sua actividade como autor de BD, dada à estampa no jornal Correio da Manhã, em 24 de Fevereiro de 1983.

Nessa época, alguns jornais, com relevo para Correio da Manhã, A Capital, Diário Popular e Diário de Notícias (entre outros), publicavam regularmente abundante noticiário e artigos vários sobre BD, em secções orientadas, nalguns casos, por elementos do Clube Português de Banda Desenhada, como Carlos Gonçalves e Geraldes Lino. Bons tempos! Sobretudo, nessa matéria, comparados com os de hoje… em que nenhuma referência à BD se encontra no obituário de Mascarenhas Barreto. Uma lamentável lacuna!

JOSÉ GARCÊS E A HISTÓRIA DE SILVES EM BD

Texto de José de Matos-Cruz

historia-de-silvesUm privilegiado cruzamento entre modos actuais de informação, meios consagrados de divulgação e métodos artísticos de expressão, consuma-se em A História de Silves em BD. Novo álbum de José Garcês — editado pela Câmara Municipal de Silves — que, assim, concretiza outras propostas de revitalização, em incidências sociais, políticas, criativas, e nas primordiais implicações comunitárias. Em referência e testemunho, «a história de um território com uma ocupação humana muito antiga e rica de factos e episódios, que remonta à Idade do Ferro, e por onde passaram gregos, fenícios, cartagineses, romanos e muçulmanos. Dá a conhecer importantes figuras da cultura e do desporto locais, bem como nos encanta com a célebre Lenda das Amendoeiras em Flor»… Eis uma aliciante incidência, pela concepção de mestre José Garcês, atribuindo à figuração narrativa uma componente interactiva, quanto à função pedagógica e ao entretenimento.

Com uma carreira intensa e multifacetada, que recentemente celebrou 70 anos, José Garcês considera que «o autor de banda desenhada procura transmitir, ao público em geral, uma mensagem visual apoiada num texto, e essa mensagem não terá de ser igual para um adulto ou uma criança com menos de dez anos. Se o conseguir, melhor para todos».garces-em-silves

Actualmente com 88 anos, e sendo ainda pintor, ilustrador e autor de construções de armar, José Garcês tratou em quadradinhos, por revistas, jornais e separatas, ou em livro e álbum, com uma importante vertente didáctica e notáveis valências gráficas e estéticas, os mais variados assuntos e géneros, desde a biografia, a natureza, a arquitectura e os temas militares, à História de Portugal, das cidades e vilas, ou à ênfase literária.

(Nota: texto e imagens reproduzidos, com a devida vénia, do blogue Imaginário-Kafre (http://imaginario-kafre.blogspot.pt/2016/12/imaginario-extra-jose-garces-e-historia.html), orientado por José de Matos-Cruz.

MAIS UMA HOMENAGEM A JOSÉ GARCÊS

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Num ano assinalado por várias manifestações comemorativas dos 70 anos de carreira artística de um dos maiores autores e ilustradores portugueses — como a exposição que esteve patente na Biblioteca Nacional, durante os meses de Março e Abril, numa parceria desta instituição com o Clube Português de Banda Desenhada —, José Garcês, ilustre veterano de uma lúdica forma de Arte que tanto ajudou a  prestigiar, vai ser novamente homenageado, desta vez pela Associação Portuguesa de Psicogerontologia, que lhe atribuiu o prémio Drª. Maria Raquel Ribeiro. A cerimónia, em que serão também distinguidas outras personalidades, realiza-se no próximo dia 11 de Outubro, a partir das 14H30, no Auditório do Montepio, sito na Rua do Ouro nºs. 219/241 – Lisboa.

Este prémio (instituído no dia 1 de Outubro de 2012, Dia Internacional das Pessoas Idosas, com o apoio da Fundação Montepio e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa) visa dignificar o envelhecimento activo e promover uma imagem positiva das pessoas com mais de 80 anos que se mantêm activas e participativas, dentro da sua área cívica ou profissional, prestando, desse modo, um contributo relevante à sociedade portu- guesa. José Garcês foi agraciado na Categoria Arte e Espectáculo, juntando-se a outros ilustres homenageados, nas anteriores atribuições de tão honorífico galardão: Eunice Munoz (2012), Ruy de Carvalho (2013), Carmen Dolores (2014) e Glória de Matos (2015).

PARABÉNS, MESTRE JOSÉ GARCÊS!

SANTO ANTÓNIO EM BANDA DESENHADA – UMA NOVA OBRA DE JOSÉ GARCÊS

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Com este novo lançamento, o Público e a Europress põem à disposição de todos os devotos de Santo António (e dos leigos que são apreciadores de Banda Desenhada) um belo álbum realizado por Mestre José Garcês, decano da BD portuguesa, que em 2016 celebra 70 anos de meritória carreira como autor de vasta obra de índole recreativa, didáctica e cultural. Citando o Público:

“Na sua narrativa fluida e envolvente, José Garcês recria a vida, os milagres e a herança de Santo António, um homem comum com qualidades invulgares que o transformaram em ícone da Igreja Católica e da cultura popular”.

Uma obra a vários títulos assinalável, que demonstra o vigor e a paixão com que, nesta fase da sua carreira, José Garcês continua a abordar temas e personagens da nossa História que lhe são caros.