JOSÉ BATISTA: RETROSPECTIVA – 10

A HISTÓRIA DO “TRINCA-FORTES”

JOBAT - ANO DEPOISNum tempo em que se pensa pouco e em que se pretende (exactamente sem pensar) alterar tudo ou quase tudo, cada vez mais os valores do passado e as bases sobre as quais construímos a nossa formação se tornam indispensáveis para compreendermos o presente sem o desligarmos desses valores morais, culturais, sociais e espirituais que, às vezes, tendem actualmente a ser tão menosprezados.

Felizmente, a banda desenhada e outros passatempos lúdicos continuam a ser um suporte do passado, quando nos embrenhamos, por exemplo, na leitura dos clássicos, por onde flui a corrente do tempo, recheada de memórias, citações, alegorias e ensinamentos, conjugados com os valores artísticos de épocas e escolas que nunca deixarão de ser referências para os leitores de ontem, de hoje e de amanhã.

A obra de José Batista, talvez mais conhecido entre os bedéfilos pelo acrónimo de Jobat, é uma dessas referências, embora mais breve do que a de outros artistas que marcaram também o percurso da BD portuguesa — sem deixar, apesar disso, de se destacar pela qualidade do traço, da pesquisa, da expressão de valores históricos e culturais que, em grande medida, definem também a personalidade intelectual e artística de um homem ávido de saber, aliada ao seu culto da modéstia e ao seu fervor criativo, mesmo limitado pelo recolhimento a que, nos últimos anos, se votou na sua terra natal, Loulé.

jobat Cuto camões088Continuando a homenagear a memória de um Amigo com quem partilhámos muitos momentos inesquecíveis — depois de termos apresentado nesta retrospectiva os primeiros trabalhos que fez para o Mundo de Aventuras, nos finais dos anos 50, e para outras publicações da Agência Portuguesa de Revistas (da qual foi colaborador durante cerca de 20 anos) —, recordamos hoje, dia 10 de Junho, uma curta biografia de Camões (um dos seus temas favoritos) que concebeu para o Jornal do Cuto, quando ainda não era chefe de redacção desta revista, dirigida por Roussado Pinto. Pouco tempo depois, haveria de surpreender todos os seus fãs com uma obra de fôlego, quer em termos estéticos quer narrativos, que foi indiscutivelmente a sua coroa de glória, exaltando com eloquência a figura do nosso maior vate, símbolo épico da Pátria, como poucos o tinham feito, até então, no campo da banda desenhada.

A história de seis páginas que se segue — espécie de preâmbulo da obra majestosa que já germinava no seu espírito — foi publicada em 1972 no nº 49 do Jornal do Cuto, cuja capa (também da sua autoria) reproduzimos mais acima. E esse novo trabalho de José Batista, dedicado ao 4º centenário da publicação de Os Lusíadas, parece ter gerado uma polémica que motivou o seu afastamento da APR (em conflito com a administração), empresa à qual dedicara o melhor do seu talento e da sua juventude. Mas isso é outra história…

Jobat - Camões - 1e 2

Jobat - Camões - 3 e 4

Jobat - Camões - 5 e 6

JOSÉ BATISTA: RETROSPECTIVA – 9

A HOMÉRICA ODISSEIA DE ULISSES (3ª parte)

?????????????????????????????????????????????????????????Publicamos hoje a conclusão das lendárias aventuras de Ulisses, um trabalho com o traço de José Batista, dado à estampa em 1956, no fascículo nº 57 da Colecção Condor, editada pela Agência Portuguesa de Revistas (APR), onde Jobat foi, durante perto de 20 anos, um dos principais elementos do seu quadro privativo de desenhadores.

Inspirado numa produção histórica italiana de tema semelhante, rodada nos estúdios da Cinecitta, com interpretações de Kirk Douglas, Silvana Mangano e Anthony Quinn, nos principais papéis, Ulisses foi uma das primeiras histórias aos quadradinhos realizadas por José Batista (então apenas com 20 anos de idade), o que não deixa de ser surpreendente, pois a sua perfeição artística excede em muito outros trabalhos do género, mormente em colecções americanas e de outras origens que também adaptaram muitos filmes famosos.

Como já tivemos ocasião de referir (ver os dois posts anteriores desta rubrica), Jobat colaborou assiduamente num periódico da sua terra natal, O Louletano, onde em 2004 surgiu uma versão de Ulisses restaurada a partir das pranchas originais, versão essa que também foi reeditada integralmente, e com magnífica apresentação, no fanzine Cadernos Moura BD, coordenado por Carlos Rico e publicado no âmbito do 15º Salão de BD realizado naquela localidade alentejana, em Novembro de 2005, evento onde José Batista teve trabalhos expostos e foi homenageado com o troféu “Balanito de Honra”.

Nota: para ler a história, com maior ampliação, clicar duas vezes sobre as imagens.

Ulisses p 21 e 22

Ulisses p 23 e 24

Ulisses p 25 e 26

Ulisses p 27 e 28


JOSÉ BATISTA: RETROSPECTIVA – 8

A HOMÉRICA ODISSEIA DE ULISSES (2ª parte)

Continuamos hoje a apresentar as lendárias aventuras de Ulisses, num trabalho com o traço de José Batista, dado à estampa em 1956, no fascículo nº 57 da famosa Colecção Condor, editada pela Agência Portuguesa de Revistas (APR), onde Jobat foi, durante muitos anos, um dos principais elementos do seu selecto e privativo grupo de desenhadores.

Ulisses (Col Condor)Inspirada no filme homónimo de 1954, produzido pelos estúdios italianos da Cinecitta — com dois popularíssimos actores norte-americanos, Kirk Douglas e Anthony Quinn, então no auge das suas carreiras, contracenando com as formosas vedetas italianas Silvana Mangano e Rossana Podesta —, a história ilustrada por José Batista é o seu primeiro trabalho de fôlego em banda desenhada, revelando já um grande apuro técnico e artístico, sobretudo no domínio do preto e branco, a par de uma total fidelidade aos pormenores, como trajes, adornos, armas, navios, cenários, paisagens, edifícios, que foi capaz de retratar com minúcia, verosimilhança e realismo, baseando-se numa série de fotogramas da obra cinematográfica. É por isso que as feições de Ulisses, Telémaco, Antínoo, Penélope, Nausica e das outras personagens da fantástica odisseia correspondem, com  inexcedível perfeição, às dos célebres actores que as encarnaram na tela. Registe-se, a título de curiosidade, que a capa da Colecção Condor foi confiada a outro desenhador da APR, já com mais experiência do que Jobat, mas com um estilo diferente: Carlos Alberto Santos.

Em 2005, os Cadernos Moura BD reeditaram no seu sexto número esta história quase “perdida” de Jobat, numa versão parcialmente restaurada por causa das legendas tipográficas e de alguns traços mais defeituosos, visto ter sido impressa numa revista de pequeno formato e de modesto aspecto gráfico como era a Colecção Condor. Mas são essas páginas que preferimos dar a conhecer aos nossos leitores, por fidelidade às origens, tal como fizemos com outras histórias de Jobat já apresentadas neste blogue e reproduzidas sempre das revistas onde foram primitivamente publicadas.

A versão retocada e aperfeiçoada por Jobat (que ainda conservava todos os originais) apareceu também, em 2004, nas páginas do jornal O Louletano, dando azo a uma rubrica periódica de BD coordenada até meados de 2012 pelo talentoso artista e nosso saudoso amigo, falecido prematuramente poucos meses depois.

Nota: para ler a história, com maior ampliação, clicar duas vezes sobre as imagens. 

Ulisses 11 e 12

Ulisses 13 e 14

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Ulisses 17 e 18

Ulisses 19 e 20  

JOSÉ BATISTA: RETROSPECTIVA – 7

A HOMÉRICA ODISSEIA DE ULISSES (1ª parte)

Ulisses (Col Condor)“Desaparecido em combate” (como diria outro nosso grande amigo), há cerca de dois anos e meio, aqui fica hoje, na data em que completaria 80 anos, mais uma evocação da memória e da obra de José Batista, um talentoso desenhador que os leitores de revistas de BD e todos os apreciadores do seu trabalho se habituaram a conhecer por um acrónimo de acento quase familiar.

A história que agora recuperámos foi publicada em 1956, no fascículo nº 57 da também saudosa Colecção Condor (com capa de Carlos Alberto) e teve honras de ser um dos poucos originais portugueses a ombrear nas suas páginas com algumas das maiores criações da BD norte-americana e europeia desse tempo.

José Batista, ao narrar a odisseia do lendário e intrépido Ulisses — o herói de Homero perdido nos mares e em terras estranhas, na viagem de regresso ao seu reino de Ítaca, depois de combater longamente na guerra de Tróia —, inspirou-se no peplum (filme histórico) italiano de grande êxito realizado, em 1954, por Mário Camerini e interpretado por actores da estirpe de Kirk Douglas, Silvana Mangano e Anthony Quinn, cujas feições, trajes e adornos soube retratar com grande minúcia e vera- cidade, baseando-se em fotogramas do filme.

“Ulisses” foi, sem dúvida, um dos seus melhores trabalhos artísticos, na área da BD, e mereceu por isso renovada atenção por parte de Jobat, que ainda estava na posse de todos os originais, ao decidir retocá-los para publicação no semanário regional O Louletano, onde começaria a coordenar, em 30 de Março de 2004, uma rubrica simbolicamente intitulada 9ª Arte (que durou até quase às vésperas do seu falecimento).

Essa magnífica reconstituição, fiel em muitos aspectos à versão original, Louletano - Páginas Esquecidasmas com algumas alterações de vulto, sobretudo no tocante à paginação e às legendas tipográficas — que foram totalmente refeitas e apresentadas de forma conveniente nos respectivos cartuchos —, mereceu oportuna e cuidada reedição, no nº 6 (Junho 2005) do excelente fanzine Cadernos Moura BD, coordenado por Carlos Rico, um dos principais mentores e organizadores do Salão de BD realizado periodicamente, até há pouco tempo, naquela cidade alentejana.  

Para esta retrospectiva, visto tratar-se de uma antologia dos primeiros trabalhos saídos da pena e do talento criativo de Jobat, escolhemos obviamente a versão da Colecção Condor, publicada em 30 páginas — onde o preto e branco alternava com a cor —, apesar da medíocre impressão e dos defeitos patentes no enquadramento das legendas tipográficas, algumas das quais tinham de ser lidas na posição vertical, dando à apresentação gráfica um aspecto bizarro e pouco atraente.

Aqui têm, pois, a 1ª parte do “Ulisses”, na sua forma primitiva oriunda da Colecção Condor, revista cuja raridade e interesse a torna um item muito valioso, avidamente procurado ainda hoje pelos coleccionadores. Quem, por seu turno, possuir o nº 6 dos Cadernos Moura BD, terá assim a oportunidade, num exercício lúdico e estético sempre estimulante, de comparar estas páginas com a sua réplica primorosamente retocada por Jobat.

Nota: para ler a história, com maior ampliação, clicar duas vezes sobre as imagens.

Jobat Ulisses 1 e 2

Jobat Ulisses 3 e 4

Jobat Ulisses 5 e 6

Jobat Ulisses 7 e 8

Jobat Ulisses 9 e 10