UM GRANDE OVO DE PÁSCOA

Eis mais uma capa d’O Papagaio, revista infanto-juvenil de grata memória, tão popular na sua época como O Mosquito e o Diabrete, embora não tivesse conseguido sobreviver à sua concorrência, tornando-se em 1949 (depois do nº 722) um efémero suplemento da revista de actualidades Flama, pertencente também à editora Rádio Renascença.

Esta sugestiva capa de 1948 — com um enorme ovo da Páscoa, simbolicamente recheado de guloseimas, para alegria da miudagem — foi obra de Jorge Brandeiro (Rembrandas), um dos mais prolíficos colaboradores d’O Papagaio, nesta fase em que, além das aventuras de Tim-Tim, a garrida revista, dirigida por Laurinda Borges Magalhães, se ufanava de publicar várias histórias de autores portugueses, ao contrário dos seus rivais, que dedicavam mais de metade das suas páginas aos autores estrangeiros. No caso d’O Papagaio eram apenas duas (num total de doze), com o já famoso herói criado por Hergé.

Talvez por isso, quando ficou sem o exclusivo de Tim-Tim — que assentou arraiais no Diabrete, realizando um sonho antigo de Adolfo Simões Müller, director desta revista —, O Papagaio viu fugir a sua “galinha dos ovos de ouro”, sentindo que o fim estava próximo, mau grado o valor dos seus colaboradores nacionais, todos ainda jovens: José Ruy, Vítor Silva, Artur Correia, Jorge Brandeiro, Rodrigues Neves, Carlos Cascais, Roussado Pinto e outros.

Feliz Páscoa de 2018 para todos os nossos leitores, colegas e amigos!

AS QUATRO ESTAÇÕES – 12

EM PLENO INVERNO

Neste chuvoso final de Inverno, por vezes com ventos agrestes e um frio quase glacial, vem a propósito recordar novamente O Papagaio, a melhor revista infantil do seu tempo, e um dos mais prolíficos colaboradores da sua última fase, Jorge Brandeiro (vulgo Rembrandas), que fez histórias aos quadradinhos e assinou muitas capas, recheadas de garridas e alegres personagens (mesmo quando o tema era o Inverno) que lhes conferiam um encanto especial, ainda liberto das sombras do declínio que se aproximava, quando as aventuras de Tim-Tim “emigraram” inesperadamente para outra revista.

Neste nº 665, publicado em 8/1/1948, o célebre herói de Hergé, cuja popularidade em Portugal já atingira também o auge, graças aos leitores d’O Papagaio, tentava desvendar o segredo da “Licorne”, com a ajuda do seu fiel e truculento amigo capitão Hadoque.

AS QUATRO ESTAÇÕES – 6

TEMPO DE FÉRIAS

Agosto, mês de sol, de calor (quando o tempo não prega partidas) e de férias, com os veraneantes, miúdos e graúdos, a gozarem os prazeres da praia e do campo, cada um à sua maneira… eis o tema de duas capas da célebre revista infanto-juvenil O Papagaio, publicadas respectivamente em 5/8 e 23/9/1948.

O seu autor é um nome pouco conhecido da BD portuguesa, especialista na temática infanto-juvenil, Jorge Castelo Brandeiro ou Rembrandas — como, por graça, costumava assinar os seus trabalhos (ver capa do nº 695), alguns dos quais temos apresentado, com o merecido destaque, n’O Gato Alfarrabista.

Papagaio 695 e 702

PARADA DA PARÓDIA – 8

CURVAS PERIGOSAS

Este cartoon sobre a Volta a Portugal em bicicleta, publicado no nº 26 (10-8-1948) do semanário humorístico A Bomba, não tem assinatura, mas não hesitamos em creditá-lo a Jorge Brandeiro, que, entre outros méritos artísticos, se cotou também como autor de histórias aos quadradinhos, nomeadamente numa famosa revista infanto-juvenil dos anos 30 e 40 do século passado: O Papagaio.

A Bomba     942

Embora a Volta a Portugal deste ano já tenha acabado, sem que quase se desse por ela, pois os media e o público em geral continuam a conceder mais importância ao futebol, mesmo na denominada pré-época — que dantes se chamava “defeso”, concretamente um intervalo de várias semanas em que os jogadores descalçavam as botas e iam para férias —, não resistimos a publicar esta amostra da prolífica arte humorística de Jorge Brandeiro, numa imagem pouco convencional da maior prova do nosso ciclismo, cheia de curvas perigosas que, se a moda pegasse, atrairiam certamente inúmeros amadores desta modalidade às estradas de Portugal.

E reportagens desportivas “escaldantes” (a condizer com a quadra) também não faltariam, com direito a programas de três horas como os que passam actualmente nos canais de televisão… dedicados ao futebol!

CAPAS QUE ENCHEM O OLHO – 2

TIM-TIM: UM SALTO D’O PAPAGAIO PARA O DIABRETE

papagaio 540   479Tintin (em português, noutros tempos, escre- via-se Tim-Tim), que fez há alguns dias 85 anos, sendo portanto um dos heróis da BD mais antigos de que ainda se fala — e falará, pelo menos nos próximos 50 anos! —, estreou-se em Portugal n’O Papagaio, como muita gente sabe, onde viveu, desde 16 de Abril de 1936, algumas das suas primeiras aventuras, até ir de férias no Verão de 1945, o que lhe deu direito a honras de despedida na capa do nº 540, de 16 de Agosto (que ao lado reproduzimos). A falta de assinatura permite várias especulações quanto à autoria desta capa, mas o mais provável, na nossa opinião, é ter sido realizada por Rodrigues Neves ou Jorge Brandeiro (Rembrandas), dois dos principais colaboradores da revista, nessa fase ainda muito popular junto do público infanto-juvenil. O incansável globetrotter não tardou a regressar noutra grande aventura, “O Segredo da Licorne”, que seria a última publicada pel’O Papagaio, entre o nº 617, de 6/2/1947, e o nº 679, de 15/4/1948.

papagaio 617 + Tintin 593

Tempos depois, quando o garrido semanário, com um passado cheio de tradições e de magníficos colaboradores, interrompeu bruscamente a sua carreira, transformando-se, por motivos imprevistos, num pequeno suplemento da Flama, revista de actualidades pertencente à mesma editora, Tintin fez uma transferência de arromba para o Diabrete (que há muito o cobiçava), onde viveu uma nova era de popularidade e glória.

Sob a direcção de Adolfo Simões Müller, escritor, pedagogo e poeta, que também fora o principal responsável pelo aparecimento de Tintin n’O Papagaio (e pela primeira vez a cores!), o Diabrete publicou três das melhores aventuras do jovem e dinâmico repórter que até tinha, em versão francófona, um jornal com o seu nome: “O Ceptro de Ottokar” (estreada no nº 594, de 9/3/1949), “O Tesoiro do Cavaleiro da Rosa” (idem, no nº 703, de 25/3/1950 ) e “As 7 Bolas de Cristal” (iniciada no nº 809, de 31/3/1951, e terminada no nº 887, de 29/12/1951, em que o Diabrete se despediu dos seus leitores).

Diabrete  702 +808

Todas elas fizeram as delícias dos jovens desse tempo, que as desfrutavam em dose dupla, semanalmente, nas páginas do “grande camaradão”, e de um ou outro adulto que, por curiosidade, folheava também as revistas dos filhos. O famoso herói de Hergé teve ainda o condão de inspirar a Fernando Bento, cuja fantasia gráfica o consagrou como um dos mais talentosos desenhadores do Diabrete, duas capas que merecem figurar na galeria das curiosidades avidamente procuradas por muitos tintinófilos.

Em ambas, respeitantes aos nºs 784, de 3/1/1951, e 807, de 24/3/1951 — a falta de numeração, nas capas, é um dos lapsos mais frequentes do Diabrete —, estão presentes Tintin, Milou (baptizado de Rom-Rom, como n’O Papagaio) e alguns dos seus companheiros, a par de outros heróis da revista, reconhecendo-se, por exemplo, as figuras de Bob e Lambique, protagonistas do clássico de Willy Vandersteen “Le Fantôme Espagnol” (que, no Diabrete, tomou o título de “O Mistério do Quadro Flamengo”).

Diabrete 807+ 784.

Os nossos agradecimentos a José Menezes (autor de magníficos estudos sobre O Papagaio e o Diabrete), por nos ter enviado a imagem da capa do nº 593, que serviu de introdução às aventuras de Tim-Tim e Rom-Rom no Diabrete. Reparem que está assinada por Hergé e que difere substancialmente da capa do álbum da Casterman (1939).