“LA LOI DES TERRES SAUVAGES” (por E.T. Coelho) – 2

Título da história - 2

ET Coelho no seu atelier 616Eis a conclusão de “La Loi des Terres Sauvages”, história ilustrada por E.T. Coelho e publicada nº 10 da nova série da revista francesa Pif Gadget, que por singular coincidência, como já referimos, saiu em 27/4/2005, cerca de um mês antes da morte do grande desenhador português, radicado em Florença.

Claramente inspirada por uma série com a mesma ambientação, “Ayak le Loup Blanc”, dada também à estampa no Pif Gadget, entre 1979 e 1984, esta nova criação de E.T. Coelho aborda temas caros ao célebre escritor norte-americano Jack London (que conheceu profundamente o Wild North), como os hábitos dos animais selvagens e a sua relação com os seres humanos, o equilíbrio eterno e sagrado que rege a Natureza, as secretas regras da luta pela sobrevivência.

Ayak - le loup blancEm Ayak, a sua última longa série realizada para o Pif Gadget, conta-se a história da estranha e invulgar relação entre um lobo solitário e uma rapa- riguinha recém-chegada com o seu pai ao inóspito território do Yukon, durante a grande corrida ao ouro, no final do século XIX. Dessa relação baseada na amizade e na confiança — que o selvagem instinto de Ayak sobrepunha ao temor e à hostilidade que sentia pelos homens armados com flechas ou com o “pau que troveja”, causadores de sofrimento e de morte — nasceu uma vigorosa odisseia narrada em 56 episódios (todos a cores) pelo traço exuberante e harmonioso de Eduardo Teixeira Coelho e pela prosa sóbria e lapidar, ainda que singular- mente poética, do seu velho compagnon de route Jean Ollivier — notável argumentista, versado em temas históricos e autor de vários livros sobre as viagens e explorações dos Vikings ao Novo Mundo —, falecido poucos meses depois, em 30 de Dezembro de 2005.

Os treze primeiros episódios de Ayak foram publicados no Mundo de Aventuras, por ordem cronológica, mas a preto e branco, como homenagem à obra de E.T. Coelho desconhecida da grande maioria dos leitores portugueses — sobretudo a que foi editada no mercado francófono — e que aquela revista juvenil, nos anos 80, procurou parcialmente divulgar.

“La Loi des Terres Sauvages” é mais uma história onde os lobos têm um papel de relevo, como predadores temidos por outras espécies, mas cuja vida está também ameaçada ao enfrentarem os desafios e os perigos que a Natureza lhes reserva, na luta sem tréguas pela sobrevivência. Por fim, a vitória pertence sempre aos mais fortes, aos mais astutos, aos mais pacientes… como está escrito, desde a aurora dos tempos, na lei do Wild North!

La loi des terres sauvages - 7 e 8

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La loi des terres sauvages - 11 e 12

“LA LOI DES TERRES SAUVAGES” (por E.T. Coelho) – 1

Título da história

ET Coelho no seu atelier 616Falecido em Florença (Itália), com 86 anos, o grande desenhador Eduardo Teixeira Coelho (ETC), a cuja memória o nosso blogue tem prestado a devida e merecida homenagem, deixou algumas histórias inéditas, que provavelmente nunca serão do conhecimento dos seus inúmeros admiradores espalhados por todo o mundo. Felizmente, um desses trabalhos — embora realizado, como tudo indica, já na fase derradeira da sua vida —, acabaria por ser publicado no nº 10 da nova série da revista francesa Pif Gadget, que por singular coincidência saiu em 27 de Abril de 2005, cerca de um mês antes da sua morte.

É a 1ª parte dessa história intitulada “La Loi des Terres Sauvages”, com um tema que recorda “Ayak, le Loup Blanc”, uma das melhores criações de E.T. Coelho, Ayak 2publicada também no Pif Gadget (e em Portugal na 2ª série do Mundo de Aventuras), que apresentamos hoje aos visitantes deste blogue.

Ao longo de 56 episódios, Ayak contava a história da extraordinária relação entre um lobo solitário e uma rapariguinha recém- -chegada com o seu pai ao território do Yukon, durante a grande corrida ao ouro, no final do século XIX — uma relação baseada na amizade e na confiança, que o selvagem instinto de Ayak sobrepunha ao temor e à hostilidade que sentia pelos homens brancos armados com o “pau que troveja”, causador de sofrimento e de morte.

À maneira de Jack London, o célebre escritor norte-americano que dedicou muitas das suas obras ao Alaska e ao chamado Wild North, os episódios de Ayak exploravam grandes temas como a vida e os hábitos dos animais selvagens, o equilíbrio eterno e sagrado que rege a natureza, as secretas regras da luta pela sobrevivência — que se encontram pif-61511igualmente retratados em “La Loi des Terres Sauvages”, numa espécie de testemunho nostálgico do autor de “A Lei da Selva” (célebre história naturalista publicada n’O Mosquito, em 1948, e que o blogue O Voo d’O Mosquito  divulgará em breve, como já foi anunciado).

Uma chamada de atenção para o texto de Jean Ollivier, seu velho compagnon de route, falecido poucos meses depois (30 de Dezembro de 2005), como que a comprovar o aforismo “unidos na vida, unidos na morte”.

M A 400 602O traço menos firme que alguns pormenores da história revelam — efeito, porventura, da idade e das doenças que atingiram o veterano artista nos últimos anos de vida —, não diminui nenhuma das qualidades que sempre caracterizaram o seu trabalho: beleza das linhas e da composição, movimento, harmonia, expressividade da estética narrativa e sobretudo, como neste caso, a perfeição e a elegância das formas anatómicas de todos os animais, que parecem retratados ao vivo, como se o desenhador, em vez da pena e do pincel, usasse com suprema eficácia a câmara de um realizador de documentários sobre a vida selvagem! Tal como em “Ayak, le Loup Blanc”, os lobos são os protagonistas desta história desenrolada nas florestas do Grande Norte, noutra evocação dos cânticos da natureza que perpassam pelas novelas e pelos contos de Jack London.

Aqui têm, pois, a 1ª parte de “La Loi des Terres Sauvages”, história que será concluída, em breve, com as restantes seis páginas ilustradas por E.T. Coelho, já no termo da sua carreira. Desenhar até ao fim foi sempre o seu lema favorito e o seu principal testamento!

La loi des terres sauvages - 1 e 2

La loi des terres sauvages - 3 e 4

La loi des terres sauvages - 5 e 6