AMADORA BD 2017 – NUNO SARAIVA E UM CARTAZ RECHEADO DE MEMÓRIAS

O Festival Amadora BD continua a decorrer até ao próximo domingo, dia 12 de Novembro, com um punhado de magníficas exposições, desde as de Will Eisner e Jack Kirby (comemorativas do centenário destes “monstros sagrados” da BD norte-americana) e dos portugueses Nuno Saraiva e Rui Pimentel, que estão patentes no Fórum Luís de Camões (Brandoa), à de Fernando Relvas na Galeria Artur Bual.

Além da cenografia, que reforça um dos aspectos mais positivos do Amadora BD, nas suas anteriores edições, e do valor artístico da maioria dos trabalhos expostos, outro pormenor que merece atenção é a quantidade de figuras representadas no cartaz do Festival, da autoria de Nuno Saraiva, cuja obra Tudo Isto é Fado! foi distinguida em 2016 com o prémio de melhor álbum português de BD.

Todas essas figuras são de personalidades ligadas à vida da Amadora, num perpassar de memórias que evocam sobretudo a actividade artística e cultural, desde o século XIX ao tempo presente, formando um curioso e ecléctico conjunto que nas páginas seguintes do programa do Amadora BD está devidamente identificado.

Entre elas, surgem alguns dos maiores vultos da BD portuguesa, como Stuart Carvalhais, António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio), José Garcês, José Ruy e Vasco Granja, moradores ou naturais do concelho da Amadora. Parabéns ao Nuno Saraiva cujo prémio fez jus à sua meritória carreira artística — pela ideia e pela realização deste cartaz, que é sem dúvida um dos mais interessantes da vasta galeria do Amadora BD!

AMADORA BD 2017 – UM FESTIVAL QUE TEM POR TEMA A REPORTAGEM

Cumprindo uma tradição já com 28 anos, o Amadora BD está de novo em destaque, no final deste mês de Outubro (é oficialmente inaugurado hoje, sexta-feira, dia 27, no Fórum Luís de Camões, e encerra em 12 de Novembro), com um vasto programa subordinado ao tema “A Reportagem na Banda Desenhada”.

Pontos fortes: a exposição dedicada a Nuno Saraiva, autor da obra Tudo Isto é Fado, prémio de Melhor Álbum Português em 2016 (da sua autoria é também o “populoso” cartaz do Festival, acima reproduzido); e as exposições evocativas O Espírito de Will Eisner Jack Kirby – 100 anos de um Visionário, em homenagem a dois “monstros sagrados”, ambos já centenários, pelo extraordinário contributo que deram a um dos meios de expressão mais dinâmicos do nosso tempo, revolucionando graficamente a forma de contar histórias e influenciando com a sua obra as futuras gerações artísticas.

Reproduzimos também um artigo publicado no semanário Expresso de 21 do corrente, que complementa esta breve informação sobre o Amadora BD 2017 — e aconselhamos os mais interessados a consultar o blogue Divulgando Banda Desenhada, onde Geraldes Lino acompanha o programa do Amadora BD com a sua hábil faceta de repórter.

JOHN F. KENNEDY NA BANDA DESENHADA – 1

JFK E OS SUPER-HERÓIS DA MARVEL E DA DC

John F. Kennedy - tira (Fantastic Four)A figura do 35º Presidente dos Estados Unidos da América, assassinado há 50 anos, em 22 de Novembro de 1963, fez várias aparições, meses antes da sua morte, em revistas da Marvel Comics, como Tales of Suspense #41, com o Homem de Ferro e a estreia do Dr. Strange (arte de Jack Kirby e Dick Ayers), Fantastic Four #17, em que o tenebroso Dr. Doom ameaça mais uma vez a América (arte de Jack Kirby e Dick Ayers), Journey into Mystery #96, com Thor e Mad Merlin (arte de Joe Sinnott), que estavam, então, no top de vendas. Journey into Mystery 96 (Joe Sinnott)Mas foram aparições meramente pontuais (os chamados cameos), em que o Presidente era visto apenas na Casa Branca, junto dos seus assessores ou da família. A nota mais relevante vai para o comic de guerra Captain Savage #14 (Maio 1969, arte de Don Heck e Syd Shores), onde Kennedy, ainda jovem, intervém como tripulante da lancha-torpedeiro PT-109, que efectivamente comandou durante a 2ª Guerra Mundial.

Tales of Suspense& Fantastic four

PosteriormentOSVALD+ KENNEDYe, surgiram outros comic books, com várias versões alternativas da sua morte, como Avengers West Coast # 60 (Julho, 1990), onde Lee Oswald é abatido por um agente antes de disparar os tiros fatais contra Kennedy, dando corpo, assim, à “teoria da conspiração” de que foram outros atiradores ocultos a assassinar o Presidente. E os exemplos da presença de JFK nos comics da Marvel não ficam por aqui, podendo ainda ser citadas as suas intervenções, mas sem grande relevo, em The Deadly Hands of Kung Fu #16 (Setembro, 1975) e Wolverine #66 (Fevereiro, 1993), com mais destaque para Adam: Legend of the Blue Marvel #1 (Janeiro, 2009), em que os Avengers, perante a ameaça de outro poderoso inimigo, têm de recorrer a um dos seus antigos membros, que não colhe as simpatias do Presidente.

Mais tarde, em Julho de 2009 e Fevereiro de 2012, JFK foi também “ressuscitado” nas novas aventuras do Capitão América, com arte de Marcos Martin e Francesco Francavilla: Captain America #50, vol. 5  e Captain América & Bucky #625.

Captain America 2009-2012

Superman's Mission by KennedyMas foi na revista da DC Comics Superman #170, publicada pouco depois da morte de Kennedy (Julho, 1964), que surgiu um dos maiores tributos que a BD prestou à sua memória: “Superman’s Mission for Presidente Kennedy”, episódio inicialmente previsto para a edição anterior e em que Superman ajudava o Presidente a promover junto da juventude americana a sua campanha (real) de educação física. Mas o projecto foi cancelado devido ao brutal assassinato de Dallas que chocou toda a nação, surgindo nesse número outra aventura de Superman.

Artigo do New York TimesNa tradicio- nal página do correio inse- rida em Superman #168, o editor Mort Weisinger transcreveu um artigo do New York Times, de 30/8/1963, ilustrado com uma vinheta da história que nunca sairia dos prelos, anunciando que os seus originais, com textos de Bill Finger e desenhos de Curt Swan (arte final de George Klein), seriam oferecidos a Jacqueline Kennedy.

O facto da DC ter mudado de planos, por vontade expressa do novo Presidente Lyndon B. Johnson e da família Kennedy, encarregando Al Plastino de desenhar uma nova versão (embora ainda hoje não se saiba se as pranchas de Curt Swan ficaram mesmo na posse de Jacqueline), atesta o interesse mítico desta aventura do Homem de Aço, cujo disfarce Kennedy foi o único presidente americano a conhecer.

Superman meets JFK - p.1 e 2

Na última legenda de “Superman’s Mission for Presidente Kennedy”, a DC fazia a promessa de oferecer os originais desta história à John F. Kennedy Memorial Library, na Universidade de Harvard, onde o ex-Presidente fora aluno.

Superman 170 (Kennedy)Há pouco tempo, surgiu uma polémica quando Al Plastino (já com a bonita idade de 91 anos) soube que os referidos originais tinham sido postos à venda num leilão particular; mas a John F. Kennedy Memorial Library negou qualquer responsabilidade, afirmando que essas pranchas não faziam parte dos seus acervos. Será difícil descobrir como chegaram à posse de um coleccionador particular, que defende acerrimamente o seu direito de propriedade, e se Weisinger cumpriu a sua promessa — tal como permanece uma incógnita o destino das pranchas (supostamente) oferecidas a Jacqueline Kennedy. Um autêntico tesouro para quem um dia as encontrar!   

Superman's meets JFK (última pág.)