GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 8

MAIS EPISÓDIOS DE UMA FAMOSA SÉRIE

INGLESA NO “FANDAVENTURAS” ESPECIAL

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Imparável na sua actividade de faneditor — apesar de alguns problemas de saúde, de que já está felizmente recuperado —, José Pires acaba de nos brindar com mais dois volumes da saga “O Gavião dos Mares”, uma série clássica inglesa dos anos 30 magistralmente ilustrada por Walter Booth, pioneiro da BD de aventuras em estilo realista, que em 1920, muito antes de qualquer outro artista do seu género, criou a primeira longa série de aventuras com um herói titular: Rob the Rover.

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Estes novos volumes da epopeia marítima “O Gavião dos Mares” (outra das suas obras- -primas) reproduzem, curiosamente, um episódio passado em terra, com o título original For the King (“Pelo Rei!”), cuja acção se desenrola na época da guerra civil inglesa entre os “Realistas”, partidários do ocupante do trono, Carlos I, e os “Puritanos”, seguidores de Oliver Cromwell, também conhecidos pelo nome de “Cabeças Redondas”.

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Publicada em 1935-36 no célebre semanário inglês Puck, onde se estrearam também outras famosas séries de Walter Booth, como Rob the Rover e Captain Moonlight, esta segunda e extensa parte de “O Gavião dos Mares” (Orphans of the Sea) tem outra particularidade curiosa, no que se refere à sua publicação em Portugal, pois quase duas dezenas de páginas não apareceram n’O Mosquito, entre 1941 e 1942, devido às contingências da guerra que assolava, então, grande parte do continente europeu.

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Essas páginas inéditas que os leitores d’O Mosquito foram privados de ler — embora sem se aperceberem, graças à habilidade narrativa com que Raul Correia traduzia e adaptava as legendas, compondo à sua maneira a acção das sequências incompletas —, estão presentes nos dois volumes do Fandaventuras Especial postos agora à venda, e que poderão ser directamente encomendados ao seu editor pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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Cada fascículo desta magnífica obra, impressa em bom papel, com cerca de 70 páginas — que foram objecto de um meticuloso trabalho de restauro, a partir de exemplares do Puck e de cópias obtidas na British Library —, custa apenas 10 €. Muito em breve, segundo nos informa José Pires, será também distribuído o 6º volume, com a última parte de “O Gavião dos Mares”, intitulada “O Cruzeiro do Sea Hawk” (The Cruiser of the Sea Hawk).

Uma série de grande qualidade a não perder, com o primoroso traço de Walter Booth, numa espectacular edição que José Pires levou a cabo em tempo recorde, concretizando, assim, um dos seus maiores sonhos como leitor da “época de ouro” d’O Mosquito.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 6

Depois da “Saga do Submarplano”, novos episódios de ROB THE ROVER (por Walter Booth)

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Pois o Rob the Rover está a ir na maior. Estou a encaixar tudo de maneira que a série, embora com as partes saindo separadamente, seja numerada por ordem cronológica. Um pouco como a Guerra das Estrelas, cujo primeiro episódio a aparecer foi o terceiro!

Com o arranjar das imagens (são “apenas” umas dez mil e trezentas!), fui descobrindo coisas muito interessantes que corroboram a opinião que eu já formara. O Booth não devia desenhar a história à página, mas em tiras de três vinhetas. E não devia trabalhar “em cima da hora”, com a rotativa à espera que ele mandasse os originais, mas com bastante antecedência, pois detectei que o Puck chegou a publicar algumas páginas fora de ordem, com páginas posteriores a serem publicadas antes, o que causou algum embaraço, pois, à maneira do Raul Correia, também nos textos se procura “emendar” o disparate. Não creio que mais ninguém tivesse dado pelo engano, mas um tipo que é também autor facilmente detecta enganos deste género. Enfim… A nossa versão até nisso é inovadora: escreve direito por linhas tortas!”

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Isto dizia-nos José Pires, num e-mail que nos enviou há cerca de um mês, completando as informações sobre as novas séries, que já tem em fase adiantada de preparação, da monumental saga Rob The Rover, a obra-prima de Walter Booth e um marco da BD de aventuras em estilo realista, estreada na revista inglesa Puck em 15/5/1920. Graças ao enorme êxito que obteve, a sua publicação prolongou-se por 20 anos, até as restrições impostas pela 2ª Guerra Mundial ditarem o cancelamento do Puck e o inglório fim da série, que apenas sobreviveu durante mais duas semanas nas páginas do Sunbeam.

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Para aguçar o “apetite” dos apreciadores desta magnífica saga, publicada em vários continentes e que os leitores daquele tempo jamais esqueceram — particularmente os jovens portugueses que a descobriram nas páginas d’O Carlitos, do Tic-Tac e d’O Mosquito —, mostramos (em ante-estreia) uma selecção de capas da 1ª parte, intitulada “As Origens” (3 volumes), e da última: “Pelo Mundo Fora” (11 volumes).

Mais um magnífico exemplo da arte de Walter Booth, harmoniosa e perfeita em todos os pormenores, realçada nestas imagens pelas cores que José Pires lhes aplicou com a ajuda do Photoshop… tarefa em que, aliás, já se revelou um verdadeiro mestre!

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 5

Depois da Saga do Submarplano, atenção às Viagens & Aventuras de ROB THE ROVER (por Walter Booth)

Em primeiro lugar, uma boa notícia: já está disponível o 2º volume da série do Submarplano (cuja capa voltamos a reproduzir), numa edição de José Pires, que os interessados poderão obter contactando-o pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt

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Posto isto, vamos a outras (excelentes) novidades… Nas mensagens que temos trocado com José Pires — nosso amigo de longa data e companheiro de muitas tertúlias, trabalhos e peripécias memoráveis —, ele deu-nos nota dos seus próximos e ambiciosos projectos editoriais, relativamente à continuação da magnífica série Rob the Rover, realizada pelo mestre Walter Booth nos tempos heróicos da BD inglesa, de que foi um dos maiores (e mais injustamente ignorados) pioneiros.

Transcrevemos com prazer os comentários de José Pires — nessa informal troca de opiniões por e-mail — e apresentamos algumas das curiosidades que ele já nos enviou, referentes aos novos fascículos que tem em preparação e que, juntamente com a longa e magistral Saga do Submarplano — para muitos leitores bem informados, o ponto mais alto desta fabulosa série —, irão constituir um extenso conjunto de 26 volumes, formando a mais completa, extraordinária e condigna reedição que se produziu até hoje, em todo o mundo, de um dos maiores marcos da BD de aventuras em estilo realista.

Aos leitores interessados nestas novas séries lembramos que, tal como os anteriores volumes das três maiores criações de Walter Booth A Saga do Submarplano, O Capitão Meia-Noite e O Gavião dos Mares —, estes terão tiragens limitadas, prevendo-se, por isso, que se esgotem também rapidamente.

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1)  JP Estou a digitalizar o princípio do Rob the Rover, que como sabes começou a ser feito noutros moldes muito diferentes da forma como depois a série se desenvolveu e prolongou.
Nesta fase, as histórias eram muito moralistas, cândidas, previsíveis e incipientes, com episódios que começavam e acabavam na mesma página semanal, muito bom para tenras criancinhas que havia que educar, mas, coisa que temo, vá aborrecer e desinteressar os actuais entusiastas, porque isto nunca fez parte do seu imaginário.

Que me dizes de atacarmos já o período das viagens e aventuras “around the world”, com os trepidantes episódios “à suivre”, deixando estes “tempos heróicos” para uma terceira parte sobre as origens da saga?  Não se perde nada com isto e só ajuda a encontrar a fidelização indispensável nestas coisas, não te parece? Isto é uma visão de puro marketing, que nada tem a ver com “razões lógicas”, mas comerciais, bem entendido.

Se já pouca malta se lembra d’O Mosquito — e nós, então, nem assistimos à 1ª série… eu só vi O Mosquito pessoalmente em fins de 1940, quando o meu tio Henrique veio de Elvas para junto de nós e mo mostrou —, d’O Carlitos, onde a 1ª página, de 15/5/1920, foi publicada [imagens seguintes], então não deve haver ninguém vivo ou capaz de se recordar disto, julgo eu.

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2)  JP Imagina que no lançamento do Rob, em meados de 1920, já havia mãozinhas estranhas a “mexer” na série. Nessa altura, o Booth ainda não devia ter um plano a longo prazo para a série, pois vê-se que a linha de guiões é muito titubeante, cheia de hesitações. E aquela tua dica de que teria sido esta a primeira HQ realizada em moldes realistas, faz todo o sentido, porque no rodapé da página do Puck aparece uma linha que diz: “Please tell to your friends about this fine cinema serial” (mais evidente é difícil!). E o pior é que este estilo narrativo (episódios semanais de página única) se prolonga — segundo o material que me forneceu o Américo Coelho — por mais de dois anos! Quase seis álbuns dos nossos, o que é excessivo, acho eu.

Esta fase só deveria aparecer quando os coleccionadores tivessem o Submarplano e as viagens e aventuras (Pelo Mundo Fora) completas. Então, sim, o pessoal já estaria preparado e “apto” para adquirir também “as origens” da série.

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O Booth tinha uma tendência natural para começar as suas narrativas com crianças a flutuar em jangadas, porque já “Os Órfãos do Mar”, também começam assim! Mas estes ainda estavam em pleno mar das Caraíbas, no Spanish Main dos fins do séc. XVI! Agora o Rob, perto da costa inglesa e a falar inglês, devia ser oriundo de um navio naufragado nas imediações. Seria facílimo descobrir a identidade dele, porque do “Titanic” não poderia ter vindo, pois o seu afundamento verificou-se oito anos antes.

Agora percebo melhor a razão porque no Uruguai a história se chamava “O Filho Adoptivo”, como me relatou um colega meu, daquela nacionalidade, lá na Publicis, nos anos 90.

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3)  JPAqui te envio mais um cabeçalho que eu não sabia que existia. É mesmo muito bonito, não achas? Marca precisamente a página onde o Booth, de repente, muda de páginas de doze vinhetas para apenas nove, maiores e mais altas. Isto obrigou-me a modificações de paginação inesperadas e radicais, a meio do percurso!

Enfim, paciência, não há remédio senão aceitar as coisas como elas são. Tive de adoptar o esquema que utilizei n’O Gavião dos Mares, onde a paginação era semelhante. Só que aqui, como o cabeçalho é consideravelmente mais alto, tive de bolar um novo esquema, incluindo também o rodapé.Pag-3- PT

Mais te informo que o Rob the Rover teve cinco cabeçalhos ilustrados (além de outros onde há só letras e “headlines”) e dois rodapés diferentes — giro para mostrares lá no teu blogue, não é verdade? Pois! Já estou a digitalizar o ano de 1931, imagina, e o Booth muda outra vez de cabeçalho e rodapé!

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4)  JP Cada vez me rendo mais ao virtuosismo do Homem, caramba! Era um génio, digo-te eu! Graças às maravilhas do Photoshop, posso remediar todos os estragos que me surgem nas vinhetas (bastantes, infelizmente), porque no Puck estão mal impressas ou lhes faltam pedaços, como nas próprias fotocópias, onde as vinhetas surgem por vezes distorcidas ou onduladas, e também lhes faltam pedaços! Uma neura, digo-te eu! Mas com a minha experiência, mais as habilidades quase inesgotáveis da máquina, consigo ultrapassar obstáculos que os rapazes dos anos 50/60 nem sequer se atreveriam a enfrentar!

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5)  JP Estou quase a acabar a digitalização do Rob the Rover e hoje trouxe do Coelho os últimos dois anos do Puck, até ao começo do Submarplano. Agora tenho de organizar a colecção, que será dividida em três partes: “As origens” (3 volumes), “Viagens e Aventuras” (6 volumes) e “Pelo Mundo Fora” (11 volumes). Com os seis do Submarplano, a colecção do Rob the Rover terá 26 volumes na totalidade. Mais ninguém no mundo deu tanta importância ao Walter Booth!

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Em breve vos daremos mais novidades sobre estas nostálgicas (e colossais) edições que José Pires tenciona levar a cabo num futuro próximo, com grande entusiasmo e a impressionante regularidade a que já nos habituou.

GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 4

ROB THE ROVER – A Saga do Submarplano (por Walter Booth)

Pelo Mundo Fora127Finda a publicação das trepidantes aventuras do Capitão Meia-Noite (obra completa em quatro volumes), José Pires, incansável na sua actividade de faneditor, tem já em preparação a famosa saga do Submarplano (também oriunda do Puck), um longo ciclo de aventuras de Rob the Rover, o mais carismático herói d’O Mosquito e da BD inglesa no segundo quartel do século passado, com o cunho inédito de se tratar de uma história com alguns ingredientes de espionagem, em que Rob, o Dr. Seymour (inventor do maravilhoso Submarplano, o primeiro avião submersível da História) e os seus dois inseparáveis companheiros, Mabel e o velho Dan, enfrentam a tenaz perseguição de um bando de implacáveis espiões, dotados de poderosos recursos tecnológicos, que tentam apoderar-se do Submarplano a todo o custo. Mais uma vez, Walter Booth faz gala do seu espírito criativo, como um émulo de Júlio Verne, antecipando-se aos progressos da aviação e dos meios bélicos (em vésperas da 2ª Guerra Mundial), e até ao mais mediático invento do século XX: a televisão.

Outra magnífica obra do genial mestre inglês, precursor mundial da BD de aventuras em estilo realista, que nenhum dos seus admiradores portugueses deve deixar de (re)ler — até porque também ficou incompleta n’O Mosquito —, e cuja extensão muito acima da média obrigou José Pires a dividi-la em seis volumes do Fandaventuras Especial.

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Eis, em “ante-estreia”, as respectivas capas, com cenas panorâmicas de grande impacto visual e gráfico, que espelham todo o talento de Walter Booth, o seu sentido da composição, da perspectiva, das proporções, o seu apuro documental, a variedade geográfica e o dinamismo que introduzia em cada vinheta e em cada página.

Façam desde já as vossas reservas, porque a tiragem será limitada. O 1º tomo tem lançamento previsto durante o Amadora BD 2013, que se inicia este fim-de-semana, decorrendo até ao próximo dia 10 de Novembro.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 3

O REGRESSO DO CAPITÃO MEIA-NOITE

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Como já noticiámos, esta famosa série da época pioneira da BD inglesa foi recuperada integralmente por José Pires, a partir das páginas originais publicadas, entre 1936 e 1939, no semanário Puck — muitas delas com balões que, na edição d’O Mosquito, nunca apareceram, “apagados” pela mão de Cardoso Lopes para dar mais homogeneidade ao jornal, onde imperava em todas as páginas, até nas legendas das histórias aos quadradinhos, a prosa de um exímio mestre da literatura infanto-juvenil: Raul Correia.

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Após o excelente acolhimento dispensado aos dois tomos anteriores, cuja pequena tiragem se esgotou rapidamente, dando azo a uma segunda edição, José Pires não descansou à sombra do êxito e já tem prontos o 3º e o 4º volumes, com novos episódios das trepidantes aventuras do destemido Capitão Meia-Noite, o defensor dos pobres, dos fracos, dos espoliados, contra os abusos de nobres sem escrúpulos e dos seus sicários, numa Inglaterra rural do século XVIII fielmente retratada por Walter Booth — um dos maiores mestres da BD inglesa, que projectou em muitos países, com o seu estilo límpido e elegante, a temática aventurosa de género realista.

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Mais dois números do Fandaventuras Especial a não perder, pelo preço unitário de 10 €, com 66 páginas (mais capas), na sua maioria reproduzidas do Puck, portanto com muito melhor qualidade do que n’O Mosquito. Fica assim completa a reedição desta magistral e histórica saga de aventuras, que os leitores da velha guarda nunca esqueceram, agora pela primeira vez apresentada entre nós numa versão sem cortes e respeitando a ordem original dos episódios, o que n’O Mosquito não aconteceu. Antes que estes volumes se esgotem rapidamente, como os anteriores, o melhor é encomendá-los ao editor pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt ou dar um salto, para quem estiver em Lisboa, à loja de José Vilela, Escadinhas do Duque nº 19-A, 1200-155.

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 2

O GAVIÃO DOS MARES (por Walter Booth)

Mosquito 176  004“O Gavião dos Mares” (Orphans of the Sea) é outra magnífica série do grande desenhador inglês Walter Booth, que o nosso amigo e faneditor José Pires está a reeditar no seu excelente Fandaventuras Especial. Já saíram os três primeiros volumes, abarcando a primeira longa parte desta monumental saga, oriunda do semanário inglês Puck, como outras séries do mestre inglês, e que se estreou em Portugal n’O Mosquito nº 176, de 25/5/1939, avultando entre as histórias de maior êxito dessa popular revista até ao nº 359, de 26/11/1942.

Mas, por causa da guerra e da dificuldade em obter o material proveniente dos países envolvidos no conflito, como era o caso da velha Inglaterra, houve muitas páginas de “O Gavião dos Mares” que não foram publicadas n’O Mosquito, tal como de outra heróica saga criada por Walter Booth, “O Capitão Meia-Noite”, que José Pires também está a reeditar no seu Fandaventuras, apresentando em ambas as páginas inéditas que os leitores d’O Mosquito foram privados de ler — embora não se apercebessem disso, quase sempre, devido à habilidade narrativa com que Raul Correia, que traduzia e adaptava as legendas didascálicas, compunha a acção dessas sequências incompletas.

Cada volume já publicado desta magnífica obra, com cerca de 70 páginas e impressão        em papel de boa gramagem, custa apenas 10 €. Como, por enquanto, a tiragem é limitada, aconselhamos todos os bedéfilos que apreciam as geniais criações de Walter Booth, e aqueles que terão interesse em conhecê-las, a não perderem esta oportunidade (porque, como diz o povo, amanhã pode ser tarde), contactando rapidamente José Pires pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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A título informativo, transcrevemos seguidamente o editorial do 1º volume, em que José Pires explica as dificuldades encontradas na realização deste trabalho, feito com aqueles ingredientes indispensáveis que se chamam dedicação, paixão, entusiasmo, esforço e paciência, que misturados no mesmo cadinho com uma boa dose de habilidade (neste caso, informática) podem operar maravilhas. O resultado, para quem ler estes espectaculares volumes do Fandaventuras Especial, salta à vista!

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«Recuperar a saga O Gavião dos Mares foi sempre um sonho que me acompanhou ao longo da vida. Tanto a mim como aos meus velhos amigos, leitores d’ O Mosquito, as peripécias movimentadas de dois jovens salvos de um naufrágio no Mar das Caraíbas pelo corsário britânico capitão Sir Richard Gray, fazem parte do nosso imaginário. Um desses meus amigos, um pouco mais velho do que eu, é um fanático da BD e possuidor de um espólio valioso e fenomenal, do qual fazem parte várias centenas de raros números de uma antiga revista juvenil inglesa onde a série foi publicada. Quando eu falei em editarmos O Gavião dos Mares na sua totalidade, ele anuiu de imediato e com o maior entusiasmo.

Porém, nas suas colecções faltavam cerca de cem páginas — precisamente as iniciais da série — e a úni­ca saída era recuperar aquelas que tinham sido publicadas n’O Mosquito. Mas a qualidade da sua impressão era deplorável e o confronto com as vinhetas recuperadas da versão original era abissal! O José Ruy explicou-me como a coisa se processava, pois o material vinha de Inglaterra, por via marítima, inserido numas chapas de vidro que depois eram transportadas para a pedra litográfica, nas oficinas onde se imprimia O Mosquito. Este pro­cesso fazia engrossar os traços de forma considerável e depois, como a impressão era deficiente, o resultado ficava menos feliz. Além disso, como se estava em plena guerra na Europa, muitas páginas acabaram por nunca cá chegar!

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Face a este problema, um dos meus amigos pediu aos seus conhecimentos ingleses que enviassem fotocópias das páginas que nos faltavam. Isso custou bem caro, pois eles precisaram de levar o material até onde ele pudesse ser processado, mas nem hesitámos. Porém, retirar as vinhetas de fotocópias é difícil porque tanto as cores como as redes são registadas igualmente a preto e branco, ainda que com menos intensidade. Mas valia a pena o esforço, pois mesmo assim a qualidade era consideravelmente melhor do que o material que fizéssemos a partir das páginas d’O Mosquito. O resultado é o que têm nas vossas mãos. Melhor parece-me muito difícil de atingir. Deu-me uma trabalheira diabólica mas tinha de ser. Ainda tentámos encontrar patrocínio para uma edição mais sofisticada, mas não deparámos com uma única entidade decidida a tomar conta do projecto. Daí a nossa reduzida e modesta edição em fanzine, a única que estava, de momento, ao nosso alcance.

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Mas agora podemos publicar muitas dezenas de páginas que os leitores portugueses nunca viram e com uma qualidade que nos enche de legítimo orgulho. Agora é possível observar todos os requintes que o espantoso artista que foi Walter Booth pôs neste seu extraordinário trabalho, porventura aquele que mais o apaixonou, pois nele aparecem apenas duas páginas de mãos estranhas que, por serem inúteis, não publicaremos. Foram feitas apenas para alongar a história, coisa que era comum e mais frequente noutros seus geniais trabalhos, como o mundialmente famoso Rob the Rover ou o Capitão Moonlight.

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Devido à sua extensão, esta série preencherá perto de meia dúzia de números como o presente, mas será qualquer coisa de extraordinário para os bedéfilos portugueses possuírem, para além de uma peça única em todo o mundo! Serão cerca de oitocentas páginas do melhor que os comics britânicos alguma vez produziram, durante os sete anos que a série demorou a ser publicada! Nem os ingleses poderão sequer aspirar a ter uma coisa destas! Parabéns, meus amigos!».       

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GRANDES SÉRIES PARA (RE)LER E RECORDAR – 1

O CAPITÃO MEIA-NOITE (por WALTER BOOTH)

Capitão Meia noite903O Capitão Meia-Noite foi o nome com que apa- receu n’O Mosquito uma personagem que Walter Booth criou, em 1937, nas páginas do célebre magazine inglês Puck e que ostentava o nome de Captain Moonlight (Ca- pitão Luar, em tradução à letra). Convenhamos que o nome, certamente engendrado por Raul Correia, de Capitão Meia- -Noite era bem mais sugestivo do que o da versão original e o seu sucesso entre os leitores portugueses da minha geração foi, posso ga- ranti-lo, absolutamente es­trondoso, ficando gra- vado para sempre no ima­ginário da rapaziada desse tempo. De tal forma que até viemos, anos mais tarde, a deparar com uma versão nacional, desenhada por José Garcês, mas que teve uma existência mais do que episó­dica, pois a revista que a publicava acabou muito depressa [O Mosquito, 2ª série, dirigida e editada por José Ruy].

Estou convencido de que esta personagem deve ter sido inspirada na figura do célebre salteador in­glês (Highway Man, na língua de Sua Majestade) do século XVII, Dick Turpin. Mas a figura do célebre Zorro, de Johnston McCulley, que Holly­wood popularizara na época, não deve ter andado muito distante. E até é fácil concluir isto, pois o salteador Dick Turpin usava duas enormes pis­tolas de sela nos seus assaltos, enquanto que o Ca­pitão Meia-Noite, tal como o Zorro, era um temível espadachim, e era à espadeirada que resolvia a maior parte dos seus problemas. A série, de certo por efeito de aparecer numa publicação semanal, e tal como quase todas as que Booth concebeu durante a sua longa carreira, aparecia dividida em episódios dife­renciados que não duravam mais do que três nú­meros, com algumas excepções já se vê, mas que apenas serviam para confirmar a regra.

Capitão Meia noite Mosquito904Quem se der ao trabalho de descodificar as estupendas imagens de Walter Booth, vai descobrir que aquele autor era um verdadeiro génio a desenhar – incompa­rável, diria eu, na perfeição e caracterização das figuras (reparem bem nas suas personagens femi­ninas!), como também na sua prodigiosa ima­ginação para construir cenas de grande mo­vimento e emoção, onde a soma de pormenores são de deixar o mais prevenido sem fôlego. Este mara- vilhoso autor, que foi o primeiro, em todo o mundo, a de­senhar séries de longa duração com personagens de cariz realista, faria inchar de orgulho a pátria que o viu nascer. Mas, para mal dos seus pecados, era natural de Inglaterra e os mais destacados estudiosos dos comics britânicos nasceram depois da 2ª Grande Guerra e só co­nhecem o que se publicou – e que foi absolutamente excepcional, refira-se – a partir dos anos 50: para eles, Walter Booth não passa de um autor sem importância e que não lhes merece mais do que uma breve referência à vol d’oiseau, passe o francesismo.

Onde Booth era menos brilhante era a desenhar animais, dedicando a sua quase ex­clusiva atenção às figuras humanas, sendo, por exemplo, os seus cavalos verdadeiras cavalgaduras de tracção animal ou de vulgares traba­lhos agrícolas. Em tudo o mais, era absolutamente espantoso a representar desde gloriosos galeões de piratas a máquinas voadoras muito avançadas para a sua época, sem esquecer os cenários, a arquitectura, as paisagens, a flora de todos os continentes e os ambientes influenciados por condições atmosféricas, como nevões, chuvadas, tempestades, sol tropical, quer as cenas tivessem lugar em plena luz do dia ou na escuridão da noite. Um pouco de atenção, pois, ao maravilhoso trabalho deste génio da BD que se chamou Walter Booth.

Capa-IO artigo supra foi reproduzido com a devida vénia, e com permissão do seu autor, Adolfo Dias, do fanzine Fandaventuras Especial nº 7, cujo sumário é dedicado à 1ª parte desta excelente série, extraída directamente das páginas da revista inglesa Puck, num formato à italiana (30 x 21 cms), para permitir apreciar em todo o seu esplendor os magníficos desenhos do Mestre Walter Booth, que tanto empolgaram os leitores d’O Mosquito, nos anos 30 e 40, e de uma nova geração, quando alguns episódios desta série foram reeditados no Jornal do Cuto.

Pag.-03--1Também já está disponível o 2º volume, com a continuação das movimentadas aventuras do audaz e galante cavaleiro mascarado, que na melhor tradição dos heróis de capa e espada, e a coberto da sua misteriosa identidade, só conhecida de alguns, protege os pobres, os indefesos, as viúvas e os órfãos, numa luta incansável contra a cobiça, a crueldade e a perfídia de nobres sem escrúpulos.

Capa-IICada volume, com excelente qualidade gráfica, impresso em papel de boa gramagem, tem 70 páginas e custa apenas 10 euros. Todos os leitores interessados podem (e devem) encomendá-los, sem perda de tempo, porque a tiragem é limitada, ao seu próprio editor e coordenador, José Pires, através do email gussy.pires@sapo.pt

E já estão no prelo os restantes dois volumes da heróica saga d’O Capitão Meia-Noite, que assim ficará completa, numa edição sem paralelo, e pela primeira vez ao alcance dos bedéfilos de língua portuguesa. Uma oportunidade a não perder!

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